Conto de Duas Galáxias
5 Capítulo 5 - Aprendendo a Cair
Notas iniciais
— Lena —
Existe um velho ditado judaico que diz: Quanto maior sua força maior seu potencial para a maldade. É verdade que ninguém é inteiramente bom, o maniqueísmo nunca me atraiu, eu por exemplo nunca fui totalmente boa. No entanto, com o passar dos anos aprendi que o melhor a se fazer é tentar ser boa. Sempre acreditei cegamente que poderia me tornar alguém cujo o caráter fosse incontestável, o irônico da situação é: Ao passar dos anos, eu não aprendi a ser boa ou má, mas sim justa. Com esse aprendizado recaíram muitas responsabilidades em minhas mãos, com a chegada de Kara, eu não sabia se conseguiria ser tão justa quanto era necessário.
— Nós precisamos decidir o que fazer a respeito de Kara. — Alex me pressionava por uma decisão, assim como os outros presentes na sala. Eu estava no epicentro do acontecimento mais surpreendente do século, mas eu não me sentia assim. Eu era só uma mulher que havia recuperado a pessoa que amava.
— Seja lá o que sentiu quando olhou para ela, aquela não é Kara, Lena. — Foi a vez de Sam me pressionar. — Acredite, eu já estive sob controle mental antes, não é ela. Você talvez nunca a recupere. — Era verdade, Kara agora aparentava ser uma criatura vazia e cínica.
— Eu renuncio meus poderes de decisão sobre Kara Danvers, eles serão passados para a segunda pessoa em comando, Alexandra Danvers. — Levantei da mesa, Alex de imediato levantou-se também, mas era o certo a se fazer, eu não poderia fazer uma escolha justa, não se tratando dela.
— Você ouviu o sobrenome dela? Danvers? — Alex bateu as mãos na mesa. — Judicialmente ela é minha irmã, não só judicialmente, Lena. Você sabe como me sinto a respeito de Kara. — Quando teve a chance de escolher um nome terráqueo Kara não pensou duas vezes, ela escolheu ser uma Danvers, por conta de sua admiração por Alex.
— Todos aqui têm alguma relação com ela, ninguém conseguira ser parcial. — Sam nos lembrou antes que um argumento se iniciasse.
— Na verdade, nós temos alguém que seria completamente imparcial. — Alex olhou para mim, eu sabia de quem ela estava falando. — Kane. Katherine Kane. Ela é a melhor escolha, nós teríamos uma tenente coronel experiente. — Não consegui evitar não revirar meus olhos. — Eu sei que você odeia ela, mas nós temos que deixar nossas divergências politicas de lado. E acredite, alguém que joga o próprio pai em uma corte marcial e o viu ser condenado por traição, essa pessoa saber ser imparcial. — Katherine e eu estávamos juntas em muitas frentes, na grande maioria em lados opostos. Podia-se dizer que ela era uma nacionalista intergaláctica, não do tipo xenofóbica, ela era altamente pontual e justa.
— Tudo bem, traga a megera ruiva a bordo. — Me dirigi a Alex, ela estaria acima de mim e Alexandra, mas confiaria em Kane para tomar boas decisões.
O resto do dia foi tenso, eu conseguia sentir o medo das pessoas pesar em meus ombros, eles me olhavam a procura de uma resposta, mas a verdade é que eu não tinha uma. Eles precisavam de segurança, mas eu tinha perdido a segurança do meu chão. Nós teríamos outro ataque em pouco tempo e nós teríamos mais perdas, eu sabia disso. Entre os preparativos para um novo ataque e o aguardar Katherine chegar, era necessária uma conversa com Lori. Ela me olhava de longe, pedindo uma explicação que não tinha coragem de vir buscar. Me aproximei dela, ela olhava os destroços da última batalha que flutuavam a nossa frente, era quase um balé. O sangue derramado dançava junto ao restos de naves e lataria.
— Porque ela não voltou para nós? — Lori estava magoada, magoada de um jeito que eu não queria vê-la nunca.
— Ela está confusa, Lori. Mas ela vai lembrar, ela irá voltar. — Toquei seu ombro e fui o mais otimista que pude. No fundo, e não acreditava naquilo, Kara jamais voltaria.
— Ela não está confusa. — Ela estendeu o aparelho que estava grudado nas têmporas de Kara. — É só um bloqueador, ele bloqueia telepatas. Não suprime memórias. Ela está totalmente consciente, mãe. Sempre esteve. — De súbito lembrei que a única coisa que derrubava Kara, além de kryptonita, eram telepatas.
— Querida, eu sei que isso é confuso, mas nós encontraremos uma resposta. — Segurei o rosto de Lori, era Kara tudo ali era de Kara, mas aqueles olhos verdes com um olhar duro feito aço, ele era meu.
— Não existe uma resposta que nós iremos gostar, mãe. Ela é má, algo dentro dela está quebrado e nós não vamos conseguir consertar. — Lori tirou minhas mãos de seu rosto. — Eu não vou cometer os erros que Hope alega que cometemos. — Finalmente vi que suas mãos estavam encharcadas com sangue, as segurei.
— Eu não queria que você tivesse que fazer isso, Lori. — Ela assentiu. Vi seus dedos moverem-se pelo vidro e apontar em direção onde flutuavam cerca de 10 corpos. — Eu matei aqueles e mais alguns. Eu lembrei de algo que ela disse, não para mim claro, mas em um encontro militar: Diante de uma larga frente de batalha, procure o ponto mais fraco e, ali, ataque com a sua maior força. — Eu lembrava daquilo, Kara costumava dizer para cadetes iniciantes em suas primeiras batalhas. — Eu encontrei o ponto mais fraco e ataquei. Eles eram todos adolescentes, alguns aparentavam ter menos idade que eu. — Lori concluiu. A admiração que ela tinha por cara havia quase que se dissipado.
— Eu sinto muito, você nunca mais vai ter que fazer isso novamente, tudo bem? — Ela continuava olhando fixamente para os cadáveres.
— Não, eu vou. Eu vou fazer repetidas vezes, até que quem fez isso caia de joelhos. — Lori estava segura e certa do que queria fazer, aquilo me assustou. Assustaria qualquer mãe. Ela não esperou por uma resposta minha.
— Onde você está indo? — Indaguei.
— Pegar aqueles corpos e dar para eles um funeral digno, eu não me importo se eles estavam do nosso lado ou não. — A garota demonstrava uma dignidade que não se via em qualquer um, Lori era realmente excepcional.
— Lori —
Eu estava lá fora, lutando como eu sempre quis. Mas não era bonito, não como eu pensava. Não era heroico, era sujo e frio. Quando minha mão escorregou um pouco mais forte, eu fechei meus olhos, eu não queria ver o olhar de agonia do homem que atingi ao ser atravessado. Ao invés do olhar pedindo misericórdia, eu recebi sangue, seu sangue quente adentrando minhas luvas rasgadas ao longo da luta. Mais a frente, eu podia ver Kara, minha mãe. Ela pairava imponente sobre nós, como uma deusa. Nós estávamos abaixo, teríamos que rastejar a matar se quiséssemos chegar até ela.
— Você estava incrível lá fora. — Barbara tentou me trazer para uma conversa normal.
— Eu matei uma dúzia de pessoas, isso não é incrível. — Sentei no chão do laboratório enquanto ela mexia no aparelho que tiraram de Kara.
— Eu sei, sinto muito. — Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e sua franja levemente caída para a esquerda, assim eu só conseguia ver claramente um lado de seu rosto, mas pude ver sua expressão mudar ela havia encontrado algo.
— O que foi? — Levantei rapidamente. — Você consegue reverter? — Olhei dela para o objeto.
— Não existe o que reverter, Lori. — Ela achou aquilo difícil de falar.
— Como assim? — Perguntei aflita.
— Isso afasta telepatas, fecha sua mente para eles digamos, mas não faz nada quanto a memória. — Dei dois passos para trás em negação. Meu primeiro impulso foi virar-me em direção a cela de Kara. Barbara segurou meu braço. — Não faça nada estupido, não manche as memórias que você tem dela. — Ela dizia aquilo com a melhor das intenções, eu sabia, mas eu tinha que ver pelos meu próprios olhos e ouvir.
— Me deixe ir, Barbara. — Ela soltou meu braço.
Quando você assiste suas crenças irem por terra, isso deixa você com uma sensação de vazio indescritível, mas quando essa crença é sua mãe e é alguém que você sempre se esforçou para se equiparar, nesse momento nasce um novo nível de decepção. Do tipo que faz raiva e desprezo nascerem. E lá estava ela, Kara Danvers em sua cela. Deitada com seus braços apoiando sua cabeça. Ela tinha a indiferença de uma deusa, realmente.
— Uau! Hoje eu realmente irei receber muitas visitas, não é? — Ela falou sem levantar-se, como se eu não merecesse nem mesmo isso. Mas ela o fez e parou frente a mim, nós estávamos separadas apenas por uma grade.
— Você lembra de mim? — Perguntei, ela me olhava quase com orgulho. Vi sua mão mover-se para meu rosto, afastei-me, mas não o suficiente, ela me tocou com a parte de trás de sua mão.
— Você é linda. — Ela procurava algo dentro de mim, em meus olhos. — Você sabia que você é a primeira da sua espécie? Uma criatura única, ninguém é como você no universo, Lori. — Eu não fazia a menor ideia do que ela estava falando. — Lena, não contou para você, não é? — Ela sorriu.
— Contou o quê? — Perguntei cruzando os braços.
— Você nunca se perguntou porque tem minhas aparência, mas mesmo assim os olhos de Lena estão em você. — Ela me olhou de cima abaixo. — E essa atitude arrogante, esses braços cruzados em posição defensiva. É como olhar no espelho, mas ver não só a mim, mas a ela também. — Aparentemente delírio fazia parte da personalidade de todo genocida.
— Você pode ser mais objetiva? — Fui direta.
— O que eu estou tentando dizer é que... você nasceu de Lena, mas tem as características presentes em nós duas. Minha força e a determinação dela. — Ela novamente me encarou. — Você nasceu de uma tecnologia kryptoniana, misturando meu DNA e de Lena. Você literalmente, tem duas mães. — Como se já não bastassem noticias confusas o suficiente.
— O que você quer conseguir me dizendo isso? — Kara sorriu.
— Que você merece muito mais do que isso, um mundo todo para você é isso que você merece... Você não precisa proteger os fracos, Lori. Se eles são fracos deixe morrer. Construa um novo mundo comigo. — Ela me estendeu a mão.
— O que você é? Uma nazista intergalática? — Me afastei novamente.
— Você terá tempo para pensar a respeito, com o tempo você verá, não adianta tentar proteger as pessoas, Lori. Elas são fracas, não importa o quanto você lute por elas, elas sempre irão fazer escolhas erradas. — Ela aproximou-se das barras de ferro. — E se elas não vão ouvir esperança, bondade e compaixão... talvez ouçam perda, medo e destruição. — Eu realmente era filha daquela criatura que se jugava acima de todos?
— Eu não vou deixar você machucar ninguém. — Kara sorriu.
— Muito bem... — Sua mão esquerda movimentou-se chamando-me para mais perto. — Eu nunca pude dar um conselho para você, mas agora que tenho a oportunidade, eu irei oferece-lo, meu amor. — Sua mão tocou meus cabelos e os levaram para trás da orelha. — Não seja boba, não confie em ninguém, não confidencie seus medos a ninguém e não deixe que eles vejam o que você mais teme. Mas acima de tudo, não queira lutar sempre do mesmo jeito, veja que para cada luta há sempre um jeito próprio de lutar, dependendo sempre das circunstancias. — Porque eu sentia que ela tinha um propósito? Mesmo sendo errado, mesmo sendo deturpado, ela acreditava nele.
— Eu vou me lembrar disso quando derrotar você, mãe. — Ela sorriu e andou em direção a cama novamente.
Eu precisaria de muita terapia para superar aquilo. A segurança de Kara era assustadora, parte disso porque sabia que nós nunca teríamos coragem de lhe fazer mal algum. Se ela faria o mesmo por nós, era o que eu me perguntava, mas depois daquela conversa, eu tinha certeza que não. Ela passaria de cima de qualquer um, com a indiferença de uma deusa que esmaga formiga. Bem, se eu seria esmagada com uma formiga, eu ao menos a picaria algumas vezes.
— Flashback —
Kara e eu estávamos juntas a três anos, entre viagens espaciais e a dificuldade para nos vermos, decidimos que o melhor seria que ela mudasse para a terra. E com a mudança vieram os novos amigos, o novo apartamento e todas as dificuldades que um casal recém-formado enfrenta.
— Então, quando vocês vão casar? — Alex olhou diretamente para Kara. Eu estava deitada em seu colo, olhei para cima e assisti sua reação desconcertada.
— Quando você e Maggie vão casar? — Rebati por Kara.
— E ela mira, dispara e acerta, senhoras e senhores. — Maggie falou entre uma risada. Ela estava deitada no colo de Alex que estava encostada na arvore frente a mim e Kara.
— Agora mesmo, caso ela aceite. — Alex respondeu sem nem mesmo pensar. Ela e Maggie eram definitivamente perfeitas uma para outra.
— Eu não vou casar em uma cabana no meio do nada, Danvers. Você vai me dar um grande casamento dois, bolos e muitos convidados. — Todas nós gargalhamos da expressão de Alex. Por mais que amasse aquela cabana e fosse o único lugar onde podíamos ficar longe de tudo, eu também me recusaria a casar ali.
— Porque você precisa de tanto bolo? — Alex dirigiu-se a Maggie.
— Querida, minha família é numerosa. — Aquilo não podia ser discutido, Maggie realmente tinha uma quantidade de parente incontáveis.
Os momentos felizes que havíamos compartilhado naquela cabana eram tantos. A cada vez que eu revia nossas fotos, conseguia relembrar novos. Era impossível não querer voltar a quando tudo era mais fácil e feliz, quando nós sorriamos.
— Ei, Kara e eu temos um novo truque para mostrar. — Alex e Kara levantaram-se animadas. Maggie e eu apenas trocamos um olhar que podia ser trazido em: Que tipo de estupidez nós seremos obrigadas a assistir agora?
Andamos por uma trilha estreita até um lugar onde havia um agrupados de monólitos, alguns altos outros nem tanto. Maggie e eu conversávamos, enquanto Kara e Alex se preparavam para fazer fosse lá o que iam falar.
— Ei, menina! — Ouvimos Alex gritar, mas quando olhávamos vimos ela saltar de uma das pedras de costas.
— Eu não acredito que fiquei viúva antes mesmo de casar. — Maggie correu na direção em que ela se jogou. Mas Kara havia a segurado.
— Era isso que vocês idiotas queriam mostrar? — Olhei as duas que riam como adolescentes, Maggie respirava aliviada.
— Eu posso fazer também? Você consegue me pegar? — Maggie falou imediatamente olhando para a pedra.
— Margareth! — Acertei seu braço com um soco leve.
— O quê? Parece divertido. — Ela olhou para cima. Kara lhe ofereceu a mão e voou com ela até o topo da pedra.
— Você deveria tentar. — Alex olhou para mim sorrindo.
— Vai para o inferno, Alexandra. Um dia você e Kara vão se matar com essas brincadeiras idiotas. — Cruzei os braços.
Maggie estava posicionada de costas no topo da pedra, eu podia enumerar mil maneiras de como aquilo poderia dar errado. Kara começou a contagem, quando a ouvi chegar ao três Maggie pulou sem pensar e Kara a pegou.
— Sua vez, Lena. — Alex sabia o quanto eu odiava altura.
— Nem pensar. — Me afastei.
— Vamos, Lee. — Kara ajudou na insistência.
Resolvi aceitar o desafio, aquilo era ridículo. Kara pegou-me em seus braços e me levou até o topo. Fiquei parada pelo tempo que para mim pareceu uma eternidade. Alex e Maggie batiam palmas no chão, quando finalmente saltei eu tive certeza que aquilo era estupido. Eu queria voltar e não ter saltada. Quando Kara me pegou agarrei-me em seu corpo com toda força.
— Ei, eu sempre vou pegar você. — Kara sussurrou em meu ouvido.
E ela realmente sempre esteve lá para me pegar, sua promessa foi cumprida. Aquele dia se tornou notório para mim, mas por outras coisas que aconteceram durante a noite. Maggie, Alex e eu resolvemos ir para a cidade, já Kara preferiu ficar na cabana, como sempre. Acabei por voltar sozinha da cidade, pois Maggie e Alex se recusavam a sair do bar.
— Kara, o que diabos está acontecendo aqui? — A cabana estava enfestada com fumaça.
— Eu tentei fazer o jantar. — Ela resmungou.
— Você podia ter me ligado, eu teria trazido algo para você. — Sentei do sofá e me livrei de meus saltos.
— Não para mim, para nós. — Ela coçou a cabeça sem jeito.
— Tudo bem, querida. Eu comi na cidade. — Eu não entendi porque fazer jantar para mim era tão importante. Kara ergueu uma bandeja e retirou uma pequena caixinha debaixo. A vi andar em direção a mim.
— Lena, eu fracassei miseravelmente tentando te preparar um jantar. — Ela ajoelhou-se diante de mim. — Mas eu prometo que não irei falhar nisso. Eu sempre estarei lá para pegar você, sempre lutarei por você e talvez com o tempo... eu consiga te preparar um jantar decente. — Kara abriu a caixa. — Elena Luthor, você aceitar casar comigo? — Eu não consegui falar apenas balançar a cabeça feito uma idiota.
— Fim Flashback —
A realidade de que Kara havia se tornado uma assassina em massa não entrava na minha cabeça, eu continuava repetindo para mim que ela não estava fazendo aquilo conscientemente.
— Nada é mais bonito e precioso que o amor, mas em excesso ele pode cegar, Luthor. — Eu conhecia aquela voz, era Katherine. — Fale com ela, mas essa é a ultima vez. — Olhei para Katherine confusa. — Aqui no espaço, não é uma boa ideia deixar ela aqui. Ela é uma das líderes de seja lá o que esteja nos atacando. Eles virão por ela, tenho certeza. — Ela tinha um ponto.
— Obrigada, por me deixar falar com ela. — Ela assentiu e se retirou.
Fique de pé frente a cela de Kara, ela sentou-se imediatamente ao me ver. Vi ela apoiar sua mão em seu queixo e ficar me olhando.
— O que aconteceu com você? — Ela deu de ombros. — Sério, quem é você agora? Nesse momento que é você? Apesar da sua maldade e egoísmo, eu estou aqui. Eu quero ouvir, Kara. — Ela finalmente esboçou reação e andou até a grade rapidamente batendo nela.
— Meu egoísmo? Eu dei meu sangue por seu planeta. Eu lutei dia após dia. Depois de quase morrer contra Samantha para salvar vocês, o que aconteceu? Literalmente, uma semana depois os malditos coreanos estavam construindo uma bomba capaz de dizimar metade do planeta. — Ela bateu nas grades novamente. — O que eu fiz? Segurei aquela bomba com minhas próprias mãos, eu ainda tinha ossos quebrados após a luta com Sam, mas eu entrei por aquele portal e assisti ele se fechar enquanto a bomba explodia nas minhas mãos. Não me venha falar de egoísmo, Elena. — Nada do que ela havia dito era mentira, Kara realmente nos salvava em uma semana para tentarmos destruir o mundo na outra.
— Kara, você sempre foi melhor do que isso. Você sempre foi melhor do que todos nós, você não é essa pessoa. — Insisti, mesmo que ela parece inalcançável.
— Obrigada, por ter criado nossa filha tão bem, Elena. E eu sinto muito. — Bem, agora eu sabia que Kara tinha uma causa e que ela era fundada e forjada em uma série de acontecimentos, acontecimentos esses que a levaram a perder seu caminho. Ela tentou afastar-se da grade, mas eu a segurei.
— Você ainda me ama? — Fui direta na minha pergunta.
— Com todo meu coração, mas amor não é o suficiente, minha doce Lena. — Nós estávamos em lados opostos, eu demoraria para aceitar aquilo.
Eu não tive tempo para argumento senti um choque, algo atingiu nossa nave. Kara segurou meu braço evitando que eu caísse. Foi questão de segundos, até que eu ouvisse todos começando a se armar. Uma figura feminina apresentou-se na entrada para as celas, sua aproximação foi rápida.
— Pronta para ir para casa, Zor-El? — Ela saiu das sombras e apresentou-se. Sua aparência era hibrida de humana com outra raça, sua pele era pálida e seus olhos totalmente vermelhos.
— Grail, porque o atraso? — Kara dirigiu-se a mulher com uma velha amiga. Ela virou-se para mim, mas Kara fez sinal para que parasse.
Não tive tempo de reação ou se a tivesse não resultaria em nada, afinal eram dois seres extremamente poderosos e eu era apenas uma humana.
— Eu acho que agora você terá que aprender a cair, pois eu não estarei mais aqui para te segurar. — Kara sussurrou em meu ouvido antes de se retirar com a mulher.
— Se eu cair, você cairá comigo, Zor-El — Sussurrei baixo, mas alto o suficiente para que ela ouvisse.
No final o velho conhecimento judeu estava certo, quanto mais forte você fosse, maior seria seu potencial para a maldade. Kara havia se tornado o exemplo disso, caberia a mim naquele momento conduzi-la a derrota. Conduzi-la da forma que todos os seres superpoderosos são conduzidos, deixando-a achar que é invencível. Eu sempre fui o sol para Kara, e ele pode ser bom para kryptonianos, mas também pode ser letal.
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