Conto de Duas Galáxias

6 Capítulo 6 - Quando o Paraíso Não é Suficiente


Notas iniciais
Passei um tempinho sem postar, mas aqui vai um novo capítulo.

— Lena —

Trabalhando durante anos para governos, você aprende que mais fácil estabelecer um pacto ou trégua que te custe um pouco de dignidade do que iniciar uma guerra que vá consumir sua alma por completo. No atual caso, não haveria negociação, apenas um longo e esmagador conflito, mas não se eu pudesse evitar que ele se iniciasse.

— Vocês são a personificação da incompetência. Ninguém viu naves inimigas se aproximando? Ou ao menos se preocupou em ligar os escudos? — Katherine brigava conosco como uma general que teve o orgulho ferido.

— Nós sentimos muito, senhorita. — Um dos jovens cadetes desculpou-se como uma criança que decepciona a mãe. Eu podia ver a veia da testa de Kane quase estou e seu olhos verdes brilharem em fúria.

— Você sente? Fofo! As famílias dos mortos que você irá notificar a respeito das mortes também irão. — Ela jogou arremessou a pasta com os arquivos em direção ao rapaz que a segurou desajeitadamente. — E você, por que está tão calma? — Ela direcionou-se a mim. Rapidamente me sentei de forma decente e retirei meus pés de cima da mesa.

— Ela não venceu, não completamente. — Arrastei sobre a mesa o GPS do rastreador que havia colocado na capa de Kara sem que ela percebesse.

— Jesus, eu amo tecnologia. — Kate olhou para o objeto como se ele fosse a coisa mais preciosa da galáxia. — Nos deixem sozinhas! — A general dirigiu-se aos soldados com começaram a se retirar.

— Então general? — Fiquei de pé e a entreguei o GPS.

— Eu achei que você ia desmoronar com o peso da verdade a respeito de Kara, mas não... você está aqui. Você é surpreendente, Luthor. — Aquela era a coisa mais gentil que Kate já havia dito para mim.

— Eu já desmoronei uma vez por Kara, não vai acontecer de novo. — Fui o mais firme que pude. Katherine sorriu de maneira curiosa.

— Eu já estive em uma situação parecida com a sua, não importa o quanto você ache que está preparada. Quando você vê-la caindo, lágrimas vão cair de você também. — Ela falava com a propriedade de quem já fez escolhas difíceis.

— Eu quero estar lá, você não pode me negar isso. — Falei enquanto ela andava até um móvel. Ela abriu a gaveta devagar e retirou uma pequena caixa.

— Eu realmente não posso, na verdade você é nossa melhor arma. Eu lembro como a kryptoniana amava você, algo daquela magnitude não se esvai tão facilmente. — Kate virou a caixa para mim e a abriu. Um pequeno revólver, algo do tipo que parecia ter sido feito sob encomenda.

— O quê? Eu devo sair derrubando aliens com essa coisa minúscula? — Soei quase com uma criança insatisfeita com o brinquedo.

— A arma não é importante, as balas sim. — Kate mostrou as balas, eram kryptonita pura. — Uma na cabeça e tudo isso está acabado. — Ela empurrou o pequeno revólver para mim. — Só você pode se aproximar o suficiente dela sem morrer. — Segurei a arma em minhas mãos.

— Bem, eu acho que você conseguiu sua assassina. — Tomei a arma para mim em definitivo. Kate olhou-me com empatia no olhar.

— Eu sinto muito, esse é o único jeito. — Assenti.

Eu definia todo o tempo após a morte de Kara como um inferno, mas na verdade todo aquele tempo havia sido só o caminho que me levaria ao inferno. Pensamos muito sobre como lidaríamos com o fato de que sabíamos a localização de Kara, mas por fim optamos por um reconhecimento seriamos Sam, Alex e eu, era perigoso, porém mais esperto.

— Você acha que é uma decisão sensata vir conosco? — Alex pilotava.

— Eu sei o que estou fazendo, Alexandra. — Respondi um tanto irritada.

— Eu sei que você sabe, o que me irrita é o fato de eu não saber. — Ela também soou irritada.

— É melhor que você não saiba. — Fui curta em minha resposta.

— Cortando comunicações e ativando modo indetectável. Estamos pousando, até breve General Kane. — Sam se reportou pela última vez antes de pousarmos no planeta.

Pousamos na área mais isolada do lugar, seria difícil nos detectar ali. O que vi ao sair da nave me deixou atordoada. Não existia gritos de terror, não existia insatisfação, até o ar daquele lugar parecia mais puro. Tudo ressoava uma harmonia que a muitos os humanos tentavam encontrar, eu esperava escravidão e dor, mas acabei de deparando com uma utopia, ao menos em aparência.

— É melhor no separamos, será mais fácil mapear o lugar. — Alex me olhou insatisfeita.

— Isso é uma decisão estupida a ser toma você pode se machucar sozinha, você é só... — Ela parou de falar.

— Uma política inútil, uma civil que não sabe lutar ou melhor uma preocupação para você? — Ela não precisava dizer, era o que ela pensava.

— Eu iria colocar em palavras mais delicadas, mas já que você prefere essas, elas se encaixam a situação. — Revirei os olhos.

— Ei vocês, já chega nós não podemos brigar entre nós, não agora. — Sam tentou nos acalmar.

— Eu não estou tentando brigar, eu só odeio ser deixada no escuro. — Alex pegou uma mochila e começou a andar em direção a cidade. — Nós nos encontramos em 12 horas aqui! — Ela nem mesmo olhou para mim, eu sabia que toda aquela raiva vinha do medo de que eu me machucasse, mas eu não tinha tempo para lidar com a superproteção de Alex no momento.

Cada um de nós tomou um rumo, quando finalmente adentrei na cidade encontrei aliens de todas as raças, eles viviam pacificamente e levavam suas rotinas. Em todos os lados era possível identificar o símbolo da casa El e o símbolo que vi na capa da mulher que resgatou Kara. Era tudo tão brilhante e limpo que quase me ofuscava.

— Você precisa de uma refeição? — Uma voz gentil e de certa idade me chamou, ela tocou me ombro levemente me convidando a virar-me. Me virei devagar. — Me desculpe, você está olhando para este restaurante há algum tempo, você está faminta? — A senhora insistiu.

— Aquilo é um restaurante? — Perguntei abismada.

— Você definitivamente é uma recém-chegada. — Assenti. Sem cerimonia ela passou a me arrastar em direção ao estabelecimento.

Eu podia me negar, mas no momento aquela doce senhora era a melhor forma de conseguir informações. Para minha sorte, ela não parava de tagarelar um minuto. Falava a respeito do generoso governo, de como fugiu de uma guerra de milênios em seu planeta e como foi parar naquele santuário para os que perderam a esperança. Quando saímos do restaurante eu podia entender o que Kara queria construir, ela queria algo similar ao que já tinha conquistado naquele planeta, mas na terra não seria tão fácil. Me despedi da senhora, com o passar das horas e as pessoas agradáveis estar ali mais parecia turismo do que uma investigação.

— Você continua extremamente esperta, Lena. — A voz veio de um beco não iluminado, era Kara.

— Talvez mais do que você se lembra. — Andei até o beco, ali estava ela sozinha, eu poderia fazê-lo sem qualquer problema. Um tiro, uma bala e uma guerra vencida antes mesmo de começar.

Kara me puxou pelo braço, não tive tempo de reação ou não queria reagir. Ela me empurrou contra a parede devagar enquanto olhava para os lados.

— Você podia ter se machucado gravemente se qualquer outra pessoa além de mim tivesse encontrado você. — Ela falava tão perto de mim que eu podia sentir seu hálito fresco.

— Como se você se importasse. — Tentei empurra-la, mas ela manteve a posição, seus olhos fitaram os meus, ela estava aborrecida.

Algo tomava conta de mim sempre que ela me tocava, não importava o quão altruístas fossem minhas metas, eu iria sucumbir ao desejo sempre que visse Kara. Ela também se sentia da mesma forma, eu podia ver. Os lábios dela se aproximavam involuntariamente dos meus, ela titubeou por um segundo antes de finalmente se render e me beijar. E de repente nós estávamos ali, dois lados opostos de uma guerra, trocando um beijo cheio de sentimento e vontade em um beco esquecido no meio de um mega planeta. Eu senti a rigidez de seu corpo de esvair, ela se tornava algo dócil. Tão dócil que eu podia envolver e passear com minhas mãos e sua cintura enquanto ela beijava meus lábios com a mesma paixão da primeira vez.

— O que você está fazendo aqui, Elena. — Ela sussurrou contra meu ouvido, seus lábios roçavam levemente contra meu pescoço.

— Não pergunte e eu não vou ter que mentir. — Segurei seu rosto e a beijei de novo, aquele ponto eu já havia perdido todo meu propósito.

— Vamos sair daqui. — Kara cortou nosso beijo e começou a andar, ainda olhando para os lados de forma preocupada.

Acabamos em uma cobertura em um ponto ainda em construção da imensa cidade. Kara apenas ficou para de costas para mim encarando a visão que tínhamos. Pela primeira vez pude olha-la com atenção, ela tinha cabelos curtos na altura dos ombros, quase um chanel, o tom de suas mexas estava mais loiro, eu podia dizer.

— Onde está nossa filha? — Ela virou-se para mim. Não existia uma gota de arrependimento em seu olhar, ela me olhava diretamente nos olhos.

— Agora você se importa? — Andei dei dois passos em direção a ela. Kara se manteve imóvel.

— Eu não podia voltar para vocês. — Ela sussurrou.

— Isso é o mais próximo que você consegue chegar de uma desculpa? — Minha voz subiu um tom. Kara suspirou.

— Eu não mereço perdão, Elena. Exatamente por isso, eu não vou pedir. — Quando ela falou essas palavras algo em mim estalou, foi como dar início a uma tempestade.

— Você não merece, mas eu mereço ouvir! Eu mereço pelos anos de sofrimento, por quase perder a conexão que tinha com nossa filha e pelos anos que eu nem mesmo conseguia falar seu nome sem chorar feito uma criatura fraca e patética. — Sem nem perceber eu a estava empurrando e batendo meus punhos contra seu peito. Kara segurou-me pelos pulsos.

— Elena... — Ela segurava meus pulsos levemente, ela não queria me machucar, eu sabia disso. Levei minha mão até seu rosto e o acariciei. — Não houve um único dia, em que eu não pensei em você e Lori. — Nós estávamos cada vez mais próximas.

— Isso não quer dizer que eu perdoo você. — Acrescentei e em seguida a beijei.

Nosso beijo foi urgente e cheio de paixão, Kara desceu seus lábios por meu pescoço. Ela empurrou-me em direção a parede. Minhas mãos passeavam por seu corpo desenfreadas.

— Você sentiu falta disso, não sentiu? — Ela sussurrou em meu ouvido.

Não respondi, apenas inverti as posições e voltei a beija-la. Quando finalmente arranquei sua blusa, minhas mãos se depararam com várias cicatrizes, ela realmente havia estava ocupada nesses anos todos. A virei de costas e a empurrei contra a parede, consegui ver melhor as marcas. Eram de todos os tamanhos e profundidades a abracei por trás. Minhas mãos passearam entre sua barriga e seus seios enquanto eu beijava seu pescoço. Kara apoiava-se na parede com as duas mãos, rendida aos meus toques. Desci mais ainda minhas mãos e elas entraram devagar dentro de sua calça. Ela soltou um leve gemido e apertou os punhos contra a parede. Quando comecei a movimentar minha mão devagar, seus punhos apertaram-se ainda mais contra a construção, afundando um pouco.

— Quer saber? Eu senti falta sim de ter o ser mais poderoso da galáxia, literalmente na ponta dos meus dedos. — A virei de frente e a beijei, minha mão continuava a movimentar-se dentro de sua roupa. Kara livrou-se de minha blusa.

Desci por seu pescoço e permaneci um pouco em seus seios, eu não imaginava que teríamos um momento como esse novamente. Mais um pouco abaixo abri sua calça e me livrei dela. Eu podia estar de joelhos, mas que gemia feito uma garotinha era Kara. Meus dedos passearam por sua barriga e entre suas pernas.

— Não me torture. — Sorri ao vê-la a minha mercê daquela maneira.

— Você sabe o que dizer... — Depositei um beijo em sua coxa.

— Por favor... — Seu pedido saiu perdido entre um gemino e um sussurro.

Levei minha boca de encontro ao centro de seu corpo. Kara tinha o mesmo sabor de anos atrás e segurava meu cabelo da mesma forma que fazia anos atrás, eu quase podia visualiza-la de olhos fechados e mordendo os lábios, tentando abafar seus gemidos. Ela segurou-me pelo queixo e me fez subir de encontro ao seu rosto. Nos beijamos novamente. Logo, ela arrancou o restante da minha roupa, caímos no chão e foi a vez de Kara me arrancar gemidos, nem mesmo pensamos ir até a cama ou algo parecido, tamanha era nossa urgência uma pela outra. Deitei exausta no peito de Kara, ele subia e descia com a respiração pesada e cansada.

— Quanto tempo você acha que isso pode durar? — Me aconcheguei em seus braços.

— O tempo que você, quiser. — Kara beijou o topo da minha cabeça. — Fique comigo. — Aquela era uma oferta tentadora, eu tinha que admitir.

— Venha comigo para a terra. — Eu queria tê-la de comigo de novo, mais que tudo.

— Eu fui longe demais para voltar atrás e me unir aos terráqueos novamente. — Era verdade, seria difícil para nós humanos a aceita-la de volta.

— Você sempre pode voltar atrás. — Sussurrei.

— Você não entende, Lee. Eu não quero voltar atrás. — Suspirei.

— Nós tínhamos um paraíso particular, Kara. Porque você abandonou isso?

— Aparentemente o paraíso não foi suficiente. — Ela respondeu calmamente.

— Enquanto você não passar pelo inferno, ele nunca será. — Resmunguei minha resposta.

— Você é suficiente, eu só preciso de você e nossa filha. — Fiquei em silencio depois de ouvir aquilo.

Olhei para a bolsa que carregava comigo, ela estava ao meu alcance e a arma também. Mudei de posição e fiz com que Kara deitasse em meu peito, ela aconchegou-se e fechou os olhos. Alcancei a bolsa e peguei a arma devagar.

— Você vai mesmo fazer isso? — Kara indagou ainda de olhos fechados.

— Eu não tenho outra escolha. — Segurei a arma contra sua cabeça. Ela levantou-se de meu peito e apoiou-se em seus cotovelos. Vi sua mão guiar a arma até sua cabeça.

— Eu não vou reagir, não irei dificultar isso para você. — Ela fechou os olhos. Colei nossas testas, eu só tinha que puxar o gatilho e tudo estava acabado. Não precisei de muito tempo para perceber que não teria coragem. Recolhi a arma e me pus de pé.

Comecei a recolher minhas roupas enquanto Kara permaneceu deitada no chão. Ela nem mesmo movia um dedo, e eu não tinha coragem para falar uma única palavra. Eu havia tirado do meu planeta a chance de sobreviver, porque não conseguia desistir do amor. O quão egoísta era aquilo, eu não sabia dizer, mas eu não me arrependia.

Notas finais
Por hoje é só. Gostaram? Alguma sugestão? Deixem o comentário de vocês, beijos e até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.