Notas iniciais
Ahá, finalmente esse capítulo está devidamente betado - porque eu não perdi a MP nem resolvi postar antes da minha beta devolver o capítulo.
Ah, sim, quem quiser dar uma olhadinha no capítulo anterior, eu o atualizei, então tivemos algumas mudanças mínimas. Quem não quiser, tudo bem, dá no mesmo, a única mudança foram algumas piadas infames o/
Enfim, divirtam-se! ;)

– Muito bem – Disse Bill, pulando de cima do balcão daquele jeito que o fazia parecer algum tipo de gato. Era ridículo eu estar tendo pensamentos como esse, eu admitia. Mas era involuntário, antes que você pense qualquer coisa. – Agora se me der licença, está escurecendo e meu apartamento fica realmente longe daqui.
Segui-o até a sala.
– Você pode ficar aqui essa noite, se quiser. Amanhã depois da escola você pode dar um jeito no seu carro. – Falei – Quero dizer, você não é nenhum psicopata, é?! — Bill riu.
– Não, creio que não.
– Vamos chamar isso de preparação. Precisamos nos conhecer um pouco, minha mãe pensa que estamos namorando há pelo menos dois anos – Falei me jogando no sofá. Bill se sentou no tapete branco e felpudo, de frente para TV.
– Quer dizer, ela pensa que você está enrolando uma garota há dois anos – Concluiu ele, se deitando e olhando para mim de baixo. – Macio – Acrescentou, passando a mão pelo tapete. Ri.
É sério, eu realmente achava aquilo engraçado. Porque ele era um homem, certo; mas às vezes ele soltava algum comentário ou se comportava de um jeito que se parecia tanto com uma menina que eu quase me sentia atraído. Pensando bem, eu tinha medo dessa coisa toda.
– Mais ou menos isso. Mas, certo, tem algumas coisas que você precisa saber – Falei, me apoiando no cotovelo para poder olhar para Bill no chão, como se fosse uma criança. Era um tipo de comportamento que combinava com ele, pra dizer a verdade.
– Espera, tudo bem mesmo eu ficar aqui hoje? – Disse Bill se sentando um pouco. – Porque você provavelmente vá ter que me emprestar um pijama, sei lá. Eu sempre tenho uma troca de roupa na minha bolsa, porque geralmente eu sou alvo de todo o tipo de comida na escola, mas eu...
– Tudo bem – Disse interrompendo-o e rindo do modo como ele falava da escola como se fosse o próprio inferno.
– Ok. Então o que eu tenho que saber?
– Meu pai é meio conservador às vezes. – Informei-lhe, revirando os olhos – E minha mãe é extremamente implicante.
– Certo, pai careta e mão coruja, captei. – Disse ele, juntando as pontas dos dedos numa pose que provavelmente deveria sugerir que ele era inteligente. – Qual o nome deles?
– Simone e Gordon Trümper – Respondi. – Eles esperam que eu o apresente para a família em uma festa, no sábado. É mais ou menos como um dia de Natal fora de época...
– Com todas aquelas tias chatas e a avó contando coisas constrangedoras sobre nós para Deus e o mundo, sei como é. – Completou Bill ensaiando um grande suspiro.
– Isso mesmo. – Respondi rindo. – A casa vai estar bem cheia, então eu espero que ninguém realmente preste atenção em nós.
– Ótimo. Mais alguma coisa realmente importante?
– Ah, sim; não fique muito perto da tia Berta, ela gosta mesmo de apertar bochechas alheias. – Falei e Bill riu, concordando. – Fora isso, tenho certeza de que minha mãe vai fazer milhões de perguntas sobre quando começamos a namorar, vai checar se nos conhecemos bem mesmo e todas essas coisas. Então eu poderia fazer uma lista sobre coisas triviais sobre mim e você poderia...
– Não precisa – me interromepu Bill, voltando a se deitar no tapete.
– Mas você não me conhece, minha mãe vai perceber na hora! – Tentei explicar. A verdade era que Bill fazia o tipo “diferente” e “misterioso”; isso quando não estava agindo feito criança ou se ocupando em ser embaraçosamente feminino.
– Eu sei o suficiente sobre você.
– Como é? – Perguntei arqueando uma sobrancelha para Bill, que estava de olhos fechados, passando as mãos no tapete.
– Eu sei que você toca guitarra, por exemplo, – Disse ele e, antes que eu pudesse perguntar, ele completou – porque as pontas dos seus dedos são grossas e as suas unhas são ridiculamente curtas. – Olhei pras minhas mãos. Eu realmente tinha unhas curtas. Escondi-as atrás das costas — Eu sei que você gosta de beber porque a sua cozinha está cheia de garrafas de vodca. Eu sei que na verdade você é loiro porque os pelos do seu braço são dourados. Eu sei que sua família é rica e que você não trabalha por causa da escola. Eu sei que você tem dois amigos inseparáveis porque, obviamente, eu nunca os vejo separados. Eu sei que você gosta mesmo é de dormir, pelo modo como você se deita. E eu sei que você gosta, acima de tudo, de conforto e que tem muito bom gosto. Preciso continuar?
– Não – Respondi quase gaguejando. Sério, o que aquele cara era, algum tipo de bruxo? – Já entendi.
– De qualquer modo, precisamos combinar o que vamos dizer quando perguntarem coisas como “quando vocês se conheceram?”- Disse ele com a voz em falsete, como se fosse a ex do Gustav, aquela tal de Thalia – Além do mais, como se chama a sua namorada, Tom?
– Hm... Billa?! – Sugeri.
– Nomes exóticos, adoro nomes exóticos. Tenho um tio que se chama Palmarino Felizardo. – Comentou Bill, abrindo os olhos e me encarando, enquanto eu ria.
– Certo, Billa – Fiz questão de frisar o “novo nome”. – E como foi que nos conhecemos?
– Vamos contar a verdade. Ou pelo menos parte dela – Disse ele, voltando a fechar os olhos – Dizemos que nos conhecemos na escola, você precisava de alguém que te ajudasse... com o dever de história... e me pediu ajuda, então nos começamos a nos encontrar e estamos vivendo nosso conto de fadas há exatos dois anos.
– Ótimo – Respondi no mesmo momento em que meu estômago fazia um barulho totalmente característico.
– Acho que alguém está com fome. – Comentou Bill, rindo e se levantando. – O que temos para o jantar, querido?
Revirei os olhos. Já estávamos entrando na brincadeira.
– Que cara folgado – Falei rindo e indo atrás de Bill, que já estava praticamente na cozinha.
Quando cheguei lá, ele estava fechando um armário, com uma colher enorme entre os dentes e indo direto para a geladeira.
– Que está fazendo?
– Procurando alguma coisa comestível – Respondeu Bill olhando torto para a caixa de cereais (Única coisa verdadeiramente comestível dali. Digamos que meu maior dote culinário era saber de cor o telefone da pizzaria).
– Ah, qual é, eu adoro cereal! – Me defendi, pegando a caixa das mãos dele e guardando-a de volta no armário. Deus sabe que eu ia precisar muito dela ainda.
– Percebi.
– Podíamos pedir alguma coisa. – Falei indo até o telefone sem fio que estava em cima da mesa.
– O que sugere? – Perguntou Bill se sentando no balcão. Nem liguei dessa vez. — Eu pessoalmente gosto de comida oriental.
– Chinesa? – Chutei.
– Hm, prefiro japonesa.
– Ótimo. – Disse discando os números já conhecidos do restaurante e pedindo qualquer coisa do cardápio que parecesse no mínimo apresentável.
– Beleza. Acho que preciso de um banho. Onde eu acho um banheiro?
– Por aqui.
Guiei o cara pelo corredor até o meu quarto, que era a última porta, branca. Ele me seguiu sem dizer nada, mas quando abri a porta, logo começou a tagarelar.
– Uau, esse é o seu quarto? – Disse ele indo direto à Gibson encostada na parede.
Assenti e abri as portas do closet.
– É muito lindo – Continuou Bill. Peguei uma troca de roupa pra ele e saí.
– Você parece uma criança – Comentei entregando-lhe as roupas. Ele corou e ficou ainda mais parecendo uma criancinha.
– Desculpe – Murmurou. Tive vontade de apertar. E que isso não chegue a ouvidos alheios, já que nem eu estava acreditando que estava com vontade de apertar alguém com uma “surpresinha” entre as pernas que não fosse o Gustav. Porque o Gustav era muito fofo às vezes, mas Bill conseguia ser mais; talvez fosse pelo irritante fato dele se parecer tanto com uma mulher, já tornava tudo ainda mais embaraçoso.
– Tudo bem. Você pode usar o banheiro do quarto de hóspedes – Falei levando-o para fora do quarto e abrindo a porta de outro – Tem toalhas limpas embaixo da pia e você pode usar a banheira, se quiser.
– Tem uma banheira no quarto de hóspedes? – Perguntou Bill, arregalando os olhos, mas logo corando outra vez quando viu que eu estava rindo – Certo. Obrigado.
– Á vontade – Respondi e deixei-o sozinho.
Voltei para a sala e fiquei esperando a comida chegar enquanto tentava achar alguma coisa de interessante na TV. Sério, de que serve pagar TV a cabo se é tudo uma merda, de qualquer modo?
Desliguei-a e fiquei fitando a tela negra por alguns instantes, pensando em como minha mãe ficaria se descobrisse essa loucura. Ela ia ter um treco, no mínimo. E eu ia parar num colégio interno na Inglaterra. Meu pai ia cortar minha mesada. Toda a minha família ia rir da minha cara. Todo o mundo ia achar que eu era gay. Excelente. Era realmente tudo o que eu mais queria.
O interfone tocou interrompendo meus pensamentos.
– Senhor Trümper, o senhor pediu comida japonesa? – Perguntou a voz do porteiro do qual eu não me dera o trabalho de decorar o nome, do outro lado da linha.
– Sim, pode mandar subir.
Em um instante, a entregadora estava no meu elevador. Peguei a comida e pedi que ela esperasse um segundo enquanto eu levava tudo para a cozinha. Quando voltei, a moça tinha tirado o boné que combinava com a calça do uniforme e me esperava na porta do elevador com os cabelos ondulando calmamente nos ombros.
– Quanto te devo? – Perguntei, tentando ignorar o fato de que ela estava me olhando claramente interessada.
– Trinta e sete euros – Respondeu a moça, que na verdade era bem bonitinha.
Peguei o dinheiro na carteira e estendi para ela, que sorriu radiante. Meus instintos falaram mais forte e sorri de volta, rodando meu piercing com a língua.
– Qual seu nome? – Perguntei.
– Susan. E o seu?
– Tom Trümper, muito prazer.
– O prazer é meu. Posso ser útil em mais alguma coisa?
Quando ia responder à garota, o Bill apareceu na sala, vestindo a calça de moletom que eu tinha separado para ele e tentando colocar a camisa. No mesmo instante o ar todo ficou impregnado com cheiro de xampu de amora. E, pra quem não sabe, acho interessante ressaltar que amora é a infrutescência da amoreira. Não que faça alguma diferença.
– Nossa – Sussurrou Susan, parando no meio do caminho entre finalmente se aproximar de mim e a surpresa de ver o outro cara. E então tive que concordar com ela: NOSSA. Isso porque o Bill tinha prendido o cabelo num rabo de cavalo e estava sem maquiagem nenhuma. Me surpreendo em dizer que ele estava realmente parecendo um cara agora. E um cara bem masculino; posso dizer pela reação da garota parada na porta do elevador, que parecia no mínimo enfeitiçada.
– Não, obrigado, você já pode ir – Respondi sorrindo, em partes frustrado. Quero dizer, em um instante ela estava praticamente se jogando pra cima de mim, e no outro estava babando em cima do Bill, que na verdade nem estava olhando pra ela, estava mais era ocupado com o tapete macio da minha sala.
Susan sorriu, meio desconcertada e com os olhos ainda grudados no Bill, que agora vinha andando lentamente em direção à cozinha, e entrou no elevador. Apertei o botão do térreo para ela, já que ela parecia incapaz de fazer isso por si própria, e me virei para Bill, que segurava a barra da camisa e sorria pra mim de um jeito totalmente sarcástico.
– Acho que ela gostou de você – Comentei indo para a cozinha. Meu estômago estava com um buraco enorme, eu seria capaz de engolir um elefante.
– É mesmo? – Respondeu ele, abrindo as gavetas à procura de talheres e pegando uma das caixinhas. – Porque eu tive a impressão de que vocês estavam tendo uma conversinha bem animada antes de eu chegar.
Revirei os olhos e me sentei na mesa da cozinha com a minha comida.
– Desculpe. – Disse ele rindo e se sentando na minha frente. – Acho que estraguei tudo pra você, mas sua mãe não ficaria nada feliz em saber que você mal arranjou uma namorada e já está querendo traí-la.
– Provavelmente. – Respondi de boca cheia. Finalmente estava tapando o buraco no meu estômago.
Bill riu, indo se sentar no balcão, de modo que ficasse de frente para mim. Revirei os olhos mais uma vez.
– Qual é o seu problema com as cadeiras? – Perguntei observando-o cruzar as pernas daquele jeito extremamente feminino (embora parecesse bem mais engraçado sem as calças absurdamente apertas) e encher a boca de yakisoba. Esperei um segundo enquanto ele engolia e franzi o cenho.
– Nenhum. – Respondeu – É só que aqui é mais confortável.
– Certo. – Falei, voltando minha atenção para o meu próprio prato, mas depois voltando a olhá-lo – Posso perguntar uma coisa?
– Sim.
– Tá. Se você tem todo esse poder mágico com as garotas que eu presenciei hoje, porque se deixa ser humilhado? Quero dizer, se você não é gay, porque continua usando maquiagem? Porque usa essas... roupas indecentemente apertadas?
– Porque eu gosto. – Respondeu ele, sorrindo de lado – Eu não deveria ter que mudar o que eu sou para ser aceito em lugar nenhum. Esse sou eu, de maquiagem, usando a roupa que me der na telha, ninguém tem nada a ver com isso.
– Okay.
Então fiz minha avaliação pessoal do cara: locão. Mas de um jeito bom.

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Notas finais
É isso ae o/