Notas iniciais
Geeeeeeente, eu voltei *limpa lágrimas de alegria*
Eu sei, eu sei, sou uma imcompetente sem noção, desculpem-me - apesar de que eu sei que não mereço.
De qualquer modo, não vou tentar justificar minha ausência porque isso não muda o fato de que eu demorei anos pra postar - e tbm por que era pura vagabundice - vou parar de enrolar e deixar quem ainda se lembrar disso ler.
P.s: me desculpem, está uma merda, mas prometo que o outro tá melhor '-'

-... e tudo o que vocês tem que fazer é esperar no aeroporto. – Concluiu mamãe.

Eu não estava realmente feliz com isso. Digamos que eu não gostara nada, nada, da ideia de ter que ir buscar Viktoria e Stu no aeroporto. Quero dizer, tínhamos um zilhão de empregados e seguranças, então, porque diabos, logo eu tinha que ir buscá-los? Tudo bem que mamãe tinha colocado todo mundo pra trabalhar – e isso incluía tia Kristina, mesmo tendo que cuidar do bebê e tio Hans, que chegara no meio do almoço com a mulher (tia Sam) e os três filhos pentelhos, Max, Jesse e David de cinco, sete e oito anos, respectivamente.

A questão era que, apesar de Viktoria ser a prima que Georg e Gustav sempre esperavam ansiosamente para reencontrar, já que era – eu não poderia descrevê-la de outro modo – uma tremenda gata, digamos que eu nunca me dera exatamente bem com Stu, irmão dela. Os dois eram filhos do tio Steve, irmão do meu pai, que estava com ele em uma conferência na França, por isso os dois vinham sozinhos e eu tinha que buscá-los no aeroporto. A casa já estava cheia de mais, em minha opinião, mas eu nem me permitia ter esperanças de que parasse por ali: ainda tinha a vó Rosa, vovô Jorg, tio Steve e papai, tia Lisa (mulher do tio Steve) e tio Dave com a mulher (tia Megan) e os filhos Charlie, Tyler e Kimmi. Isso sem contar os primos casados: Isac (também filho do tio Steve) com a mulher Anne e o filhinho Ryan, Thalita (filha do primeiro casamento do tio Hans) com o marido John e os trigêmeos Ellen, Glenn e Katy, e Bonnie (filha do tio Danny, que era o solteirão único filho da tia Berta) e a namorada Sandy. Então, pra resumir, a casa (que geralmente era ocupada por mamãe, papai e os empregados só nos fins de semana) ia ter que suportar trinta e seis pessoas de uma vez só durante uma semana – sem contar o bebê. Eu estava vendo que aquela semana seria bem, bem longa.

- Claro, pode contar com a gente, dona Simone. – Respondeu Georg, puxando Bill para a porta de entrada, antes que eu pudesse sequer abrir a boca pra dizer que a última coisa que ela podia contar com a gente era pra ir buscar os dois no aeroporto. Eu ia matá-lo. Agindo como se não soubesse do idiota do Stu!

- Ah, obrigada, meninos! – Respondeu mamãe com um sorriso enorme, dando um abraço de lado no Gustav e apertando minhas bochechas.

Vinte minutos depois, estávamos parados em frente ao portão de desembarque. Gustav e Georg não paravam de olhar no relógio, tentando adivinhar quando Viktoria ia cruzar o portão, enquanto Bill e eu estávamos sentados no chão, encostados em uma coluna, particularmente desinteressados.

- Você não parece muito feliz. – Disse ele, estalando os dedos na minha cara. Revirei os olhos.

- É essa festa. – Respondi – Sempre me deixa de mal humor!

Nem bem terminei de dizer o quanto estava feliz com toda aquela situação e ouvi um grito que denunciou totalmente a chegada dos meus primos; a coisa já começou a ficar feia bem aí. Isso porque Viktoria tinha uma mania incorrigível de inventar apelidos constrangedores pras pessoas.

- Tomelo! – disse ela assim que me avistou, parando na minha frente e estendendo a mão para me ajudar a levantar.

Abracei a guria sem saber se ficava feliz por vê-la ou puto pelo apelido. Resolvi que a segunda opção era mais atrativa, mas não tive tempo de dizer nada.

- Puta que pariu! – Murmurou Bill, ao meu lado. Lancei um olhar de esguelha pra ele porque eu sabia que esse “puta que pariu” e a cotovelada discreta que ele me deu era pela Viktoria. Eu tinha o direito de estranhar, já que às vezes me esquecia de que o Bill era um cara... Até ele mandar uma dessas, como ficar animadinho por causa de uma garota bonita. Acontece que, com Viktoria, eu entendia completamente. Já tinha visto muita garota ter acesso de ciúme por causa dela... E também já tinha visto algumas quererem virar lésbicas por causa dela, que tinha um cabelão preto ondulando nas costas e um monte de piercing estrategicamente espalhados pelo corpo estilo violão.

- Hey, oi, quem é você? – Disse ela, se dirigindo a Bill.

- Essa é a Billa – disse Georg, se intrometendo na conversa. Gustav concordou com a cabeça, sem tirar os olhos de Viktoria; pensei em lhe dizer para segurar a baba, mas era mais legal vê-lo babando.

- Muito prazer, Billa, meu nome é Viktoria.

- O prazer é meu. – Respondeu Bill, abrindo aquele sorriso enorme com o qual ele poderia conseguir qualquer coisa que quisesse. Fiquei em dúvida se tinha ouvido ou não um duplo sentido naquela frase dele.

- Tia Berta disse que você está comprometido. Então meu Tomelo tá namorando mesmo? – perguntou Viktoria, apertando minhas bochechas. Fiz cara feia.

- Por que todo mundo fica zoando da minha cara quando descobrem que to namorando? Até parece que eu sou o maior galinha da face da Terra!

- Esse é o problema. Você é o maior galinha da face da Terra. – Respondeu uma voz. Nem precisei olhar para o lado pra saber que era o idiota do Stu.

- Escuta aqui, moleque, você... – Comecei, fechando a cara. Bill segurou meu braço.

- Humpf. Cuidado, querida. – Continuou Stu, se virando para Bill. – Ele não vai durar muito tempo em suas mãos. Ele nunca dura.

- Ela não precisa que façam propaganda de mim pra ela. – Respondi cerrando os dentes. – Ela sabe quem eu sou.

- Ótimo. – Disse Stu numa indiferença que me fez querer socá-lo. Idiota.

Ajudamos Viktoria com as malas. O clima, sem favor algum, pesou no mínimo uma tonelada. Stu ia à frente, desfilando o corpo feito na base de esteróides. Na verdade, eu não sabia ao certo, mas Stu era o maior bunda mole do universo, nunca ia conseguir ficar bombado daquele jeito sem ajuda.

A viagem de volta à fazenda foi ainda pior, se possível. Apenas quando estacionamos junto aos outros carros na garagem foi que percebi que Bill ainda segurava meu braço, aparentemente com medo de que eu pudesse pular no pescoço do Stu. Ou talvez porque estivesse apenas interpretando seu papel... Talvez apenas não tivesse se dado conta de que estava me segurando... Talvez apenas quisesse fazer aquilo.

Olhei para as mãos dele circundando meu pulso e senti seu olhar sobre mim. Quando nossos olhos se encontraram, ele me soltou.

Certo, aquilo fora estranho. Muito estranho.

- Vocês ainda têm essa caminhonete? – Perguntou Viktoria, passando o dedo na pintura enferrujada.

- Sim. – Respondi, aproximando-me dela e desviando minha atenção de Bill, que estava olhando para o nada com uma expressão estranha. Eu quase pude ver seu rosto ficar cor-de-rosa, mas só podia ser imaginação minha. – Mamãe me deu naquele último verão.

Viktoria sorriu.

- Sinto saudades dele. – Disse.

- Eu também. – Respondi vendo Bill, Gustav e Georg se entreolharem sem entender. Achei melhor não dizer nada.

Stu bateu a porta do carro e saiu arrastando a mala.

- Sinto muito por ele. – Disse Viktoria quando Stu não podia mais ouvir, balançando a cabeça e dando um tapinha na lataria da caminhonete. – Ele costumava ser menos idiota alguns anos atrás.

Bufei. Isso porque três anos atrás Stu e eu éramos “melhores primos”.

Ridículo idiota.

- Não se preocupe. – Disse Bill naquela voz mansinha dele. Todo aquele tom de malícia que eu imaginara em sua voz na primeira vez que falara com Viktoria havia sumido. – Vamos te ajudar a carregar suas malas pra dentro.

- Obrigada. – Respondeu Viktoria, sorrindo e seguindo o caminho que Stu tinha feito, sem carregar mala alguma.

- Viada. – Comentei pegando uma mala particularmente pesada.

- Deixa de ser mole. – Disse Georg rindo e carregando outras duas malas. Gustav pegara a menor delas e saíra saltitando atrás de Viktoria como um cachorrinho.

- Então... – Comecei, sem saber exatamente o que dizer a Bill. Ele se aproximou com todo aquele jeito feminino dele.

- Quer ajuda com as malas?

Sério mano, qual era o problema com esse cara? Por que ele não podia se parecer com um homem, pra variar? Aquilo definitivamente estava confundindo a minha cabeça.

- Não precisa. – Respondi sorvendo o ar e pousando a mala no chão.

- Então – repetiu ele – qual é o problema com o seu primo?

- Nós nos odiamos, simples assim.

- Certo. – Disse Bill, tirando a franja dos olhos com um movimento da cabeça e batucando as unhas de leve na lataria enferrujada da caminhonete ao lado do Jeep. Lançou um olhar indecifrável na minha direção – Quando estiver pronto para explicar os motivos, me diga.

- Certo – repeti.

Fizemos o caminho para dentro em silêncio.

Eu não sabia exatamente em que momento as coisas realmente ficaram tensas daquele jeito, mas aquilo tinha que acabar, e logo. Do contrário, aquela seria a noite mais longa de nossas vidas.

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Notas finais
Eu avisei que tava uma merda ¬¬'
p.s: já usei essa imagem? O_õ