Notas iniciais
Então né, póvos, eu estava simplesmente sem ideias para o nome desse capítulo, mas queria postar logo de uma vez *-* Eu adorei os reviews que eu recebi e isso só me deixou mal pelo fato de eu não respondê-los. Espero compensar isso com o capítulo (que chegou rapidinho dessa vez, falae ;D). É isso ai, vão ler e depois me digam se compensou ou não .-.

Passei a manhã andando de um lado para o outro, ajudando minha mãe com os preparativos da última noite. Pensara, erroneamente, que poderia me manter longe de Bill fazendo isso, mas minha mãe pareceu perceber que alguma coisa não estava de todo certa. Eu não havia pensado nisso ainda, mas era óbvio que todo mundo podia ver que eu estava me afastando e isso não era nada bom. Tive medo que pensassem que nós tínhamos “terminado” ou “dado um tempo”, por isso acabei aceitando de bom grado a conversa com dona Simone, para a qual fora sutilmente obrigado a sentar e escutar o que ela tinha a dizer sobre mim e Billa enquanto a ajudava a desembaraçar um fio de luzinhas brancas que provavelmente seria pendurado por alguém nos arredores da piscina.

- Está tudo bem? – Começou ela tentando parecer sutil, desfazendo um nó no fio, observando-me de soslaio.

- Acho que sim. – Respondi, olhando para minhas próprias mãos enganchadas uma na outra em meu colo.

- Tem certeza, Tom? – Insistiu, largando o fio e se sentando ao meu lado na varanda. Dei de ombros, observando Georg, Gustav e Viktoria ao longe, ajudando alguém a varrer as folhas mortas de um grande carvalho que ficava ao lado da casa. – Porque eu realmente acho que alguma coisa está errada. – Continuou minha mãe – Quer me contar o que está sentindo?

Suspirei, pegando o fio em mãos e recomeçando a desembaraçá-lo, adiando ter que responder. Não por muito tempo, eu lamentei.

- Eu não sei o que estou sentindo. – Comecei devagar, rodando uma das minúsculas lâmpadas nos dedos, com o olhar perdido em um ponto qualquer. – No começo da semana, eu achava que sabia exatamente o que estava fazendo, por qual motivo e como me sentia a respeito. Agora eu estou um pouco confuso. A senhora acha que isso é normal?

- Não só normal como compreensível. – Respondeu ela, me abraçando pelos ombros. – Eu acho que trazer Billa para conhecer toda a família de uma vez só foi um passo muito grande pra você e lamento dizer que talvez a culpa seja minha. A questão é que isso foi uma provação pela qual você teria que passar, mais cedo ou mais tarde. Aquela vida de moleque que você vinha levando há tanto tempo tinha que acabar em algum momento e acho que você sabia disso, só não esperava que fosse tão abruptamente. Está me acompanhando, querido?

- Sim. – Falei, largando o fio e finalmente encarando-a. – A senhora está certa, é claro, mas é só que... eu realmente não esperava isso. Acho que talvez eu tenha encontrado algo nela que nunca pensei que fosse encontrar. Sete bilhões de indivíduos no mundo e eu fui me apaixonar pelo menos provável!

- Talvez esse seja o motivo. Essa pessoa especial tinha que ser improvável, para te provar que era possível. E, se me permite dizer, foi um caminho muito engraçado esse que o destino tomou em relação a vocês dois.

- Acha que eu devia falar com... ela? – Perguntei, voltando a olhar para o nada.

- Sim. – Foi tudo o que ela disse e se afastou.

Fiquei durante mais alguns minutos sentado sozinho na varanda, ouvindo as risadas de Georg, Gustav e Viktoria se divertindo com as folhas, as palavras da minha mãe ainda voando ao meu redor como abelhas. Eu tinha que voltar lá, mesmo que não tocasse naquele assunto constrangedor, mas ficar longe por tanto tempo seria o mesmo que assumir para Deus e o mundo que alguma coisa estava errada.

Respirei fundo e entrei, subi as escadas de dois em dois degraus e então parei em frente à porta do quarto. Dei de ombros e abri a porta devagar.

- Bill? – Chamei baixinho para não haver riscos de ninguém mais ouvir. Ele respondeu com um resmungo vindo do outro lado do quarto.

Segui sua voz e me deparei com ele encostado ao batente da porta da varanda, parcialmente escondido pela cortina que esvoaçava calmamente ao seu redor, os dreads presos atrás da cabeça e vestindo um roupão de banho preto e grosso preguiçosamente amarrado na cintura, o que o fazia parecer ainda mais alvo e delicado. Tinha um cigarro preso entre os dedos indicador e médio e olhava de cima a mesma cena que eu estivera olhando um momento antes. Gustav e Georg pareciam infinitesimalmente menores daquela altura e Viktoria não estava mais lá.

- Você está bem? – Perguntei, me aproximando calmamente.

- Na medida do possível, sim. – Respondeu ele, fungando. O nariz adquirira uma coloração cor-de-rosa adorável e a voz parecia afogada, um tanto quanto aguda.

- Ótimo. – Respondi estupidamente. Ele murmurou algo que eu não consegui entender e finalmente percebi que ele estava me tratando diferente do que vinha fazendo até o dia anterior. Parecia mais seco, mais frio. Suspirei. De algum modo, acho que a culpa era minha. – Acha que vai melhorar até amanhã para a festa à noite?

- Não sei. – Disse ele, soltando uma golfada de fumaça para o ar, que saiu rodopiando sutilmente para todos os lados. – Mas espero que sim. E então você finalmente vai estar livre de mim, não vai mais precisar fingir que se importa... – Acrescentou, sorvendo o resto do cigarro e entrando de volta para o quarto.

- Bill... – Comecei calmamente, lamentando que as coisas de repente houvessem ficado tão estranhas entre nós. – Eu não espero que você... Quero dizer, nós não...

Mas antes que eu pudesse terminar o que quer que fosse que eu ia dizer, a porta se escancarou com um estrondo. Digamos que eu tenha amaldiçoado Viktoria de todas as formas possíveis quando ela adentrou o quarto com uma caixa de papelão gigante, atrás da qual ela sustentava um sorriso simplesmente enorme, brincalhão. Me segurei para não botá-la porta afora à pontapés e continuar conversando com Bill como se não tivéssemos sido interrompidos.

- E aí, como é que vai, colega? – Perguntou ela, jogando a caixa em cima da cama e se virando para nós com as mãos na cintura. – Então, Tomelo, vai nos acompanhar na nossa missão?

Dei de ombros pelo que parecia ser a centésima vez naquele dia e me joguei na cama enquanto Viktoria, ainda com aquele sorriso de mico-leão-dourado, abria a caixa e lançava um olhar malicioso para Bill.

- Mãos à obra, Billete!

Arregalei os olhos e Bill se encolheu. Viktoria abriu a caixa e despejou aos meus pés na cama o que poderia ser a metade da sessão de sutiãs de alguma loja de departamentos.

- O que diabos... – Comecei, mas Viktoria me interrompeu mais uma vez.

- Peguei emprestado o cartão de crédito do Stu. – Disse ela, dando de ombros como se estivesse dizendo que comera um bolinho no café da manhã e levantando um sutiã vermelho com pompons na altura dos olhos. Seu olhar se alternou entre mim, o sutiã e Bill, e então ela deu um suspiro pesaroso. – Amadores! – Comentou consigo mesma. – Bill, querido, – continuou, dessa vez em voz alta – é preciso tirar a roupa pra colocar um desses, sabe?!

Bill ficou quase roxo, de vergonha, imagino, enquanto levava as mãos ao nó do roupão. Involuntariamente, prendi a respiração, mas não consegui desviar o olhar. A peça de roupa deslizou pelos ombros dele e caiu aos seus pés. Por um momento, me perdi imaginando minhas mãos fazendo o mesmo movimento, sentindo sua pele se moldar sob meus dedos, suas tatuagens quase que brilhando em meio ao que parecia ser a superfície mais macia que um dia alguém poderia tocar. Eu quase podia ouvi-lo me chamando, como se tentasse desviar minha atenção para qualquer outra parte que não fosse seu corpo, a voz de veludo acariciando meus ouvidos...

- TOM! – Gritou Viktoria, jogando um dos sutiãs em mim. Arregalei os olhos e percebi que, realmente, Bill estava me chamando, mas sua expressão não parecia nada amigável, muito diferente do que eu estivera fantasiando um momento antes.

- Ah, que ótimo, resolveu voltar à realidade! – Disse ele, desviando o olhar.

- O que foi? – Perguntei, tentando ignorar a leve fisgada no meu peito por Bill estar me tratando tão friamente. Eu deixara que tudo acontecesse rápido demais e agora estava começando a me arrepender, mas não podia culpar ninguém a não ser eu mesmo.

- Qual destes? – Perguntou Viktoria, com dois sutiãs nas mãos, se posicionando atrás de Bill. Pegou um deles e, passando as mãos sob seus braços, colocou o sutiã na frente do corpo dele, como se fosse abotoar.

Desviei o olhar e levantei da cama.

- Desculpe. – Murmurei, me virando para a porta. – Vocês podem continuar com isso sozinhos, eu vou...

- Não! – Disse Bill, antes que eu pudesse completar o que quer que eu fosse dizer, estendendo a mão como se pudesse me parar. Olhei para ele sem entender e seu braço estendido caiu ao seu lado. Ele se virou para Viktoria. – Pode nos dar licença um minuto?

Viktoria olhou dele para mim e para os sutiãs em sua mão, mas assentiu rapidamente e correu para a porta. Perguntei-me por que ele pedira para que ela saísse, mas não tive tempo de pensar em mais nada.

- O que você...? – Comecei, mas fui interrompido mais uma vez.

- Olha, eu só estou aqui porque você me pediu. Aliás, você me contratou, ou seja lá como chame isso que fez. – Bill murmurou recolocando o roupão e se ocupando em devolver todos os sutiãs à caixa. – Então se você não se sente mais confortável com isso, pode somente me dizer e eu vou entender, sabe. Eu nunca fui o tipo de cara que tivesse muitos amigos e eu posso entender se você só quiser uma relação estritamente profissional, apesar das condições em que nos encontramos. Eu realmente posso fingir isso tudo por mais um dia, mas quando estamos sozinhos você não precisa se prestar a esse papel, se não quiser.

- Bill. – Falei chegando mais perto, lamentando mais uma vez que as coisas estivessem estranhas à esse ponto. – Quando eu disse que gostaria que fossemos amigos, no início, eu estava sendo sincero, nunca duvide disso. Por que você acha que eu não me importo com você? Em algum momento eu disse alguma coisa que...

- Não, você não disse nada. Você não tem dito nada. – Respondeu ele, esfregando a parte de trás do pescoço e deixando escapar um suspiro enquanto fungava. Sua voz havia se tornado ainda mais aguda em suas últimas três palavras. – É de se esperar que o fato de eu estar sendo ignorado significasse alguma coisa. Eu achei que houvéssemos concordado em manter tudo isso, de um jeito ou de outro, mas os últimos dois dias foram um pouquinho vazios. Eu sei que você tem me evitado e apenas gostaria de saber o porquê, para variar.

Sua ultima constatação foi como um golpe, minhas entranhas simplesmente se contorceram de um modo que achei que nunca mais poderiam se estabilizar. Durante todo esse tempo, eu estivera fugindo dos meus próprios sentimentos, pensando em como eu me sentia confuso e sobre como aquilo estava sendo difícil pra mim, sem nem ao menos cogitar a ideia de como Bill, do outro lado, poderia estar. Eu era um idiota. Um egoísta.

- Bill. – Sussurrei mais uma vez, me aproximando ainda mais. Deixei que a ponta dos meus dedos tocassem os seus de leve e o senti ficar tenso. – Eu não estava te evitando. Quer dizer, estava, mas não por que não me importasse com você ou por que quisesse me manter longe, é só que eu estava confuso, minha cabeça parecia um furacão com os mais loucos pensamentos. – Levantei minha outra mão até seu rosto, tocando de leve sua bochecha rosada pelo resfriado. Meu coração martelava quase dolorosamente em meu peito. Eu me perguntava o que, diabos, estava fazendo, mas não conseguia pensar com ele tão perto. – Eu estava tão confuso. – Acrescentei, observando seu rosto de perto, vendo claramente cada cor refletindo em seus olhos, sentindo sua mão tremer levemente entre a minha e a maciez de seu rosto sob meus dedos.

- E agora não está mais? – Perguntou, parecendo muito aquele gatinho assustado ao qual eu o associara involuntariamente.

- Não. – Respondi aproximando meu rosto do dele levemente, sentindo sua respiração descompassada bater calmamente na minha pele. Minha mão deslizou por seu rosto e pousou em sua nuca. – Não estou mais confuso.

Deixei que meu rosto finalmente se inclinasse em sua direção e em um último lampejo de sanidade, senti-o entrelaçar seus dedos nos meus antes que nossos lábios se tocassem. Minha mente girou e, por um momento, éramos apenas Tom e Bill, nada de Billa ou fingimentos estúpidos, o mundo todo havia se tornado apenas ele. Seus lábios tocando os meus tão delicadamente, como um sussurro, sua mão entrelaçada na minha, o seu cheiro me embriagando...

Eu simplesmente não estava mais confuso.

Notas finais
HEY, J-J-JADED, YOU GOT YOUR MAMMA'S STYLE, BUT YOU'RE YESTERDAY'S CHILD TO ME, SO JADED... err, não.
Enfim, falae, foi bonitinho, não foi? Oh Gosh, digam que foi, estou tão indecisa à respeito disso .-.
Ah, sim, uma coisa que eu acho que valhe a pena comentar: alguém mais notou a sutil mudança no meu modo de escrever em algum momento entre o capítulo anterior e esse? Impressão minha ou as piadas infames diminuiram drasticamente? O_õ