Conto De Falhas
7 O interrogatório.
Notas iniciais
Eeenfim, ta ai mais um capítulo lindo&divoso *mentira* *corre*
Nos vemos lá em baixo :DD
– E então, gostaram?
Parei pra pensar o que responder pra minha mãe. Não que eu tivesse odiado: o quarto era mesmo bonito. Mas eu também não tinha gostado, exatamente, da surpresinha. A questão era que eu não podia dizer nada sobre isso, Bill me olhava surpreso e eu tinha certeza de que se eu sugerisse a hipótese de dormirmos em quarto separados, dona Simone provavelmente ia cair na gargalhada pensando que eu estava virando comediante. Suspirei.
– É muito bonito. – Disse Bill finalmente e foi a minha vez de olhá-lo surpreso. O sorriso da minha mãe só aumentou (como se fosse possível) e Georg e Gustav estavam simplesmente tendo que se escorar um no outro para não rolar no chão de tanto rir, escondendo um sorriso débil de maneira precária.
Percebi que minha mãe estava me olhando, esperando minha reação, mas eu ainda estava estacado entre tentar matar os G’s por rirem da desgraça alheia e aceitar a tal da desgraça. Bill me deu uma cotovelada nas costelas e, cara, como doeu.
– É claro, muito bonito mesmo, mãe. – Falei com um restinho de fôlego, tentando esconder uma careta de dor. – Obrigado.
– Sabia que iam gostar. – Disse ela, juntando as pontas dos dedos na frente dos botões da camisa cor-de-rosa que estava usando. –Tom, querido, não se esqueça que tia Berta e tio Henri chegam ainda hoje e, ah, sim, Georg e Gustav, vocês ainda se lembram onde são os quartos de vocês, não é mesmo, queridos?
– Sim, obrigado. – Disse Gustav.
– Então vou deixar vocês se instalarem enquanto termino de ajeitar as coisas para o almoço; mando alguém vir chamá-los quando estiver pronto. — Mamãe sorriu outra vez e nos deixou.
Esperei que o clap-clap dos seus saltos desaparecesse no corredor e me virei com o olhar mais fulminante que consegui fazer para os dois crápulas que se diziam meus amigos, mas não consegui muita coisa, porque eles já estavam rolando de rir. Bill balançou a cabeça em negação e deixou a bolsa cair em uma das poltronas, se largando na outra.
– Em que eu fui me meter? – Comentou, fechando os olhos.
– Eu gostaria de saber. – Respondi, pegando a minha mala que um dos empregados colocara ao lado da cama e indo para o closet.
– Relaxem, são só alguns dias. – Disse Georg, rumando para o banheiro – Ei Tom, parece que a sua mão acha que você e Bill estão em lua de mel! – Gritou ele com a voz abafada, de dentro do cubículo.
– Como é que é? – Perguntei, largando o zíper da mala na metade e indo até Georg. Bill e Gustav me seguiram.
– Olha só isso. – Continuou Georg com um sorrisão sacana na cara, apontando para um punhadinho de sabonetes cor-de-rosa em formato de coração em cima da pia e uma cestinha de sais de banho ao lado da banheira (que mais parecia uma piscininha minúscula adaptada) com pelo menos meia dúzia de rosas vermelhas em uma espécie de vasinho de vidro comprido.
– O que, diabos, significa isso? – Perguntou Bill, me empurrando para o lado para ver melhor a “decoração”. Eu não sabia se ria ou se chorava, porque aquilo era realmente ridículo, além de sinceramente muito humilhante. Tinha como ficar pior?
(((((-)))))
– Ah, então finalmente vamos conhecer a famosa namorada invisível do Tomzão aqui? – Perguntou tio Henri, que chegara junto com a tia Berta um minuto antes de o almoço ser servido.
Até aquela hora, praticamente não fizemos nada além de descansar da viagem e pensar em como tínhamos uma sorte desgraçada. Tudo bem que o plano estava dando certo até agora, mas foi só depois de chegarmos e encararmos a situação de frente que percebemos o quanto aquela coisa toda era arriscada.
Dei um sorriso amarelo para o tio Henri enquanto ajudava tia Berta e a mulher dele — tia Kristina – a entrar com o carrinho do bebê na sala de jantar.
– Henri! – Gritou minha mãe antes que eu pudesse responder qualquer coisa, indo abraçá-lo. Dali pra frente ia ser assim, o pessoal ia chegando aos poucos até o dia da festa (que geralmente começava na segunda e ia até a outra sexta). – Que saudades! Onde está o bebê? Ah, que lindinho! Como é que vai, Kristina? Tia Berta!
Revirei os olhos. Eu já devia estar acostumado, mas não estava. Tia Berta – que, na verdade, era tia da minha mãe e, portanto, minha tia-avó – já tinha me apertado de todas as maneiras possíveis assim que chegara e agora estava ocupada abraçando a minha mãe, que parecia simplesmente esmagada. Tive dó.
– Onde é que está a peruazinha? – Perguntou tia Berta, assim que largou minha mãe, se virando para mim. Franzi o cenho até perceber que ela se referia à “minha namorada”.
– Ah, não, não, tia, a moça é descente dessa vez. – Disse dona Simone. Eu estava dividido entre quase vomitar de tensão ou rir de como toda aquela situação era pateticamente ridícula.
– Como é que é? – Interrompeu-nos tio Henri – Quer dizer que é sério mesmo? O guri tá namorando de verdade?
– Ei, eu ainda estou aqui! – Falei aborrecido. Quero dizer, por que era tão difícil acreditar que eu podia namorar sério? Tudo bem, eu nunca fora o tipo de cara que gosta de se prender nem nada, mas no fundo, no fundo, eu esperava conhecer alguém legal, que nós pudéssemos morar juntos e fazer crescer ainda mais a família Trümper (como se precisasse)...
– Nós sabemos, querido. – Respondeu mamãe rindo e tendo que elevar a voz porque o monstrinho, quero dizer, o bebê, tinha começado a chorar. Tia Kristina pediu licença e sumiu com ele em direção a sala de estar.
– Então onde é que está a ilustríssima? – Perguntou tia Berta com uma notinha de ironia na voz, colocando as mãozinhas gorduchas na cintura e levantando uma sobrancelha, desconfiada.
– Georg e Gustav foram levá-la para conhecer a piscina. – Disse mamãe, me poupando de responder. Na verdade, eu sentia que fora sutilmente excluído da conversa, embora ela dissesse respeito a mim, por assim dizer.
– Ah, então aqueles dois pentelhos também vieram? – Continuou tia Berta, estreitando os olhos. Se eu não soubesse que ela estava brincando e que simplesmente adorava os G’s, ficaria puto por ela ter chamado meus amigos de “pentelhos”, mas me limitei a me jogar na cadeira destinada a mim na metade da mesa de jantar que estava arrumada. Ela era grande o suficiente para a família toda, mas mamãe mandara servir o almoço em uma pequena parte dela, já que seríamos apenas oito pessoas para o almoço (isso se não contássemos o bebê, e eu com certeza não estava contando).
– Nos chamaram?
Virei o rosto na direção da voz do Georg e lá vinha ele, com Gustav e Bill no encalço. Agora não tinha mais volta, o pessoal (ou a parcela mínima dele ali presente) finalmente ia conhecer Billa.
– Oi. – disse Bill, timidamente, segurando na barra da camiseta de um jeito adorável. Devia ser proibido um cara se vestir dessa forma, tipo, que merda, às vezes eu conseguia olhar para Bill e esquecer que ele era um homem; amaldiçoei-me mil vezes por pensar tanto no cara e no fato dele realmente ter um “brinquedinho” entre as pernas, e tive que balançar a cabeça pra me concentrar novamente no que estava acontecendo ao meu redor.
– Puta merda! – Disse tio Henri. Ele era desses caras, você sabe: o caçula de três irmãos, meio rebelde, quase descolado, que você sempre pode contar pra zoar da sua cara ou jogar videogame com você às vezes.
Naquela hora, eu não quis olhar para ele, porque tinha medo da reação que ele pudesse ter. Eu não fazia ideia se aquele “puta merda” era uma coisa boa ou ruim. A questão era que, mesmo não querendo olhar para ele, eu preferia fazer isso a ter que encarar a inspeção que a minha tia-avó Berta com certeza ia começar, acerca da conduta da “pseudo-nova integrante da família”.
– Ah, Billa! – Disse mamãe. Abaixei a cabeça e comecei a fitar o garfo; era melhor que olhar pra qualquer lugar que fosse e, subitamente, a peça parecia muito interessante.
– Billa? – começou tia Berta com um tom de voz que eu não gostei nada, nada. Me senti mal por deixar Bill naquela situação, principalmente quando Georg e Gustav se sentaram de frente para mim na mesa de jantar para assistir ao espetáculo, mas Bill estava sendo pago para isso, no fim das contas: fingir ser minha namorada. Ele não podia dizer que não fora avisado, principalmente com relação à tia Berta.
– Nome indiano. – Comentou Gustav, como fizera antes. Não que alguém houvesse prestado atenção.
– Muito bem, quantos anos você tem, menina? – Continuou tia Berta.
– Dezenove, senhora. – Respondeu Bill numa voz perfeitamente calma, o que me surpreendeu. Isto é, tia Berta era totalmente inofensiva, mas assustava bastante num primeiro contato.
– E mora aonde?
– Hamburgo.
– Nasceu lá mesmo?
– Não senhora, nasci em Leipzig.
– E seus pais?
– Eu moro sozi... nha.
Engoli em seco, sem conseguir continuar encarando o garfo e lançando um olhar de esguelha para Bill. Ele continuava parado na divisa da sala de jantar e do hall, onde ele dissera a primeira palavra, tia Berta o encurralava com o interrogatório e mamãe e tio Henri assistiam a tudo tão focados quanto as duas peças inúteis sentadas à minha frente, exatamente como dois pares de vasos. Temi ter que intervir por Bill, mas ele estava se saindo surpreendentemente bem.
– Você bebe?
– Não.
– Fuma?
– Sim.
Essa aí me surpreendeu. Eu não sabia que Bill fumava e, mesmo que soubesse, não esperava que ele fosse dizer isso logo pra tia Berta, mas de algum modo, ela pareceu apreciar a sinceridade, estreitando os olhinhos.
– Você e o meu sobrinho-neto já...
– Ei, tia Berta, já chega. – Disse tio Henri, rindo quando Bill arregalou os olhos e eu me levantei da cadeira, pronto para sair correndo com ele dali antes que as perguntas começassem a ficar pessoais demais.
– Certo. – Disse ela, finalmente abrindo um sorriso. – Venha até aqui, eu já estou velha demais pra ficar andando!
Bill se aproximou cauteloso, mas tia Berta o puxou para um aperto nas bochechas quando estava perto o bastante.
– Menina, e eu que achava que o Tom tinha que engordar, olha só pra você! – Continuou, levantando o rosto para poder fitar Bill, que era no mínimo duas cabeças mais alto que ela – Pele e osso! Simone, mande servir logo o almoço antes que essa menina morra de desnutrição.
Mamãe riu, indo chamar os empregados, com Georg no encalço tentando descobrir o que tinha para o almoço.
– Vou chamar Kristina e o bebê! – Anunciou tia Berta, sumindo no corredor que dava acesso à sala de estar.
Respirei mais aliviado, enquanto Bill se aproximava e puxava uma cadeira ao meu lado.
– Fique tranquila, você logo se acostuma. – Disse tio Henri a ele, se sentando do outro lado de Gustav, que olhava esperançoso para a direção onde Georg e dona Simone tinham sumido, como se isso fosse fazer o almoço chegar à mesa mais rápido.
Bill sorriu, ajeitando delicadamente o guardanapo no colo; eu estava achando que aquela frase do tio Henri era um sinal de que ele, de algum modo, tinha aprovado Billa.
Notas finais
Fui o/
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