Notas iniciais
Oi. Olha eu aqui, vim postar especialmente pra Dyeniffer, que, toda fofa, já deu review no capítulo anterior o/

Quando desembarcamos na Espanha, fazia um dia extremamente quente, o que era normal, para um verão, e o aeroporto estava praticamente apinhado de seguranças. Eu pessoalmente achava que aquilo era extremamente desnecessário, mas de certo não ia contrariar a dona Simone, eu aprendera na prática que era sempre melhor concordar com ela do que tentar discutir, mesmo que você tivesse certeza absoluta que estivesse certo; se ela pensava o contrário, com certeza faria com que, de alguma forma, o errado virasse o certo e você ainda tinha que fechar a boca e fazer o que ela mandava. Não que eu fizesse isso sempre, o que na maioria das vezes me rendia um bom sermão, que geralmente entrava por um ouvido e saia pelo outro. A questão é que ela simplesmente adorava exageros. Vai entender.

– Senhor Trümper – disse um dos caras quando descemos daquela geringonça voadora -, por aqui, por favor.
– Não se esqueça de segurar a mão da sua namorada, senhor Trümper. – Disse Georg, debochando, mas baixo o bastante para que somente eu escutasse. Mentalmente o agradeci (e eu ainda estou aqui me admirando que uma vez na vida ele tivesse dito algo que realmente prestasse); imagina se eu chego à fazenda do jeito que a gente tava agora. Porque eu estava andando na maior despreocupação, ao lado do Gustav, enquanto o Bill vinha atrás de todo mundo, segurando a bolsa como se fosse uma lady, olhando para todos os lados com os olhos brilhando.

Diminui o passo e esperei que ele chegasse até nós, me divertindo com o modo como ele parecia pensar que aquilo era algum tipo de sonho ou coisa assim.

– Seu carro, senhor. – Disse o segurança que nos seguia, apontando para o meu antigo Jeep Commander, parado à nossa espera.
– Uau! – Disse Bill baixinho enquanto subia nele. – Nem acredito que estamos na Espanha!
– Você ainda não viu nada! – Respondeu Gustav quando dei a partida, com dois carros pretos na nossa cola e outro na frente, guiando o caminho. Já disse que isso é o maior exagero? Com certeza já.
– Que quer dizer com isso? – Perguntou ele, parecendo ainda mais curioso.
– Você vai ver quando chegarmos à fazenda!E assim, o caminho – consideravelmente longo – até a fazenda foi salpicado de perguntas, da parte da Bill, e alguns casuais “O que será que vai ter pro almoço?” ou “Quando será que a sua prima Viktoria chega?” dos G’s. De certo modo, até que o trajeto foi bem animado, já que eu não conseguia parar de rir da cara do Bill ficando emburrado porque ninguém queria dizer a ele como era a fazenda.
Mas foi quando finalmente nos aproximamos da casa da fazenda que a coisa ficou realmente tensa. Eu quase podia sentir o medo fazendo pressão em algum dos meus órgãos vitais, provavelmente travaria a qualquer momento, isso sem contar que eu tenho o péssimo hábito de ficar girando o piercing nos lábios com a língua quando eu to nervoso; era agora, eu tava fodido e, além de tudo, ainda ia foder com a vida do Bill também.

Desci do Jeep; minha mãe estava parada na frente da porta, parecendo impaciente mesmo àquela distância, eu praticamente podia ouvir os saltos dela batendo nos degraus de mármore da escada de acesso.

Comecei a suar frio e olhei para o lado em busca de algum apoio dos meus amigos, mas eles já estavam correndo em direção à minha mãe, que os esperava com os braços abertos como se fosse algum tipo de Cristo Redentor que só veste Prada. É isso, a brincadeira acabou aqui, vou me virar agora e fugir com o Jeep antes de qualquer merda realmente acontecer...
Mas você imagina que, antes que eu pudesse concluir meu pensamento, eis que aquela figurinha aparece do meu lado e pega minha mão, sorrindo. Tentei sorrir igual ao Bill, mas estava difícil. Tenho certeza que deve ter saído algo mais como uma careta, já que ele riu e começou a me puxar em direção a casa – porque eu definitivamente estava indo para ficar pra sempre parado naquele lugar, uma vez que estivera pensando em como eu provavelmente me ferrara bonito dessa vez.
– Tom! – Gritou a dona Simone, largando as bochechas do Gustav e descendo os degraus em nossa direção. A cada passo que ela deva, a cada clap do salto dela, minhas entranhas se contorciam. Mas agora não tinha mais como adiar aquilo.

– Mãe! – Gritei de volta com um misto sinceramente intragável de sentimentos entre todos os variantes do medo e do arrependimento, indo abraçá-la. Mas eu não a via fazia pelo menos uns três meses e, apesar dos pesares, não podia negar que estivesse com saudades dela.
– Você está tão bonito! Tenho certeza de que na última vez que eu te vi você ainda tinha cara de criança e pelo menos uns três centímetros a menos! O que foi que aconteceu, hein?!

– Para com isso, mãe. – Falei tentando me esquivar do terceiro abraço de urso consecutivo. Bill riu ao meu lado e então, finalmente, minha mãe reparou nele. Nela. Ah, que se dane.

– E você deve ser a namorada... – Comentou minha mãe, analisando Bill com um olhar estilo raio-x, dos tênis Adidas branco e vermelho nos pés aos dreads bicolores na cabeça. Meu coração quase parou nessa hora, juro.

– É um prazer finalmente conhecer a senhora. – Disse Bill naquela voz calma e baixa dele, se esticando para dar um beijo no rosto da minha mãe. Digamos que eu quase tenha surtado, porque o cara nem pensou em disfarçar a voz ou algo do tipo, ele só foi lá e falou mó na boa, como se não tivesse fingindo ser uma garota! Eu não tinha pensado nisso ainda, mas pra mim parecia claro que ele teria que usar a voz em falsete ou algo do tipo, então fiquei na minha; mas, PUTA QUE PARIU, e se minha mãe notasse o “voluminho” entre as pernas do ser? Ah, meu Deus, eu tava ferrado! – Tommy fala muito dos pais.
Prendi a respiração. Bill sorriu aquele sorriso espetacular e por um momento pensei em por que estivera com dúvidas de que aquilo pudesse dar errado; com um sorriso daqueles, quem seria capaz de desconfiar daquela coisinha? Claro que eu logo me lembrei de que, embora não ficasse realmente claro se você não analisasse bem – e eu sabia que minha mãe ia analisar – ele ainda era um homem. O medo voltou todo outra vez. Puta que pariu! Em que eu fui me meter?!

E foi no meio dessa divagação torturante que eu pensei que talvez fosse o cara mais sortudo do universo. Isso porque minha mãe abriu um sorriso do tamanho do mundo e abraçou o Bill como se fosse filho dela... Ou filha... Não vem ao caso.

– Qual seu nome, querida? – Perguntou ela, segurando Bill pelas mãos, com aquele sorriso que eu quase precisava fechar os olhos pra não ficar cego, de tão brilhante.

Bill olhou pra mim e depois de volta pra minha mãe. Quase tive vontade de rir. De nervoso. Eu precisava me controlar para não girar o piercing em hipótese alguma, ou minha mãe perceberia que alguma coisa estava errada e então, literalmente, eu estaria

fodido.

– Billa – respondeu ele – ,Billa Kaulitz, senhora.

Os olhos da dona Simone simplesmente brilhavam. Eu tinha que me lembrar de agradecer o Gustav qualquer hora dessas, por ter “descoberto” o Bill. Georg ria feito uma vítima de derrame ali do lado (embora eu não saiba se vítimas de derrame riem, você sabe, quando estão tendo um derrame).

– Seu nome é bem, hm... – Começou mamãe. Eu sabia que ela era educada demais pra dizer “estranho”, então esperei pra ver o que ela ia fazer. Sentia Bill quase sacudir ao meu lado, tentando conter uma gargalhada – Bem peculiar. Não é mesmo, querida?

– É um nome indiano. – Disse Gustav levantando os óculos daquele jeito que o fazia parecer inteligente. Deus sabe que ele estava inventando absolutamente tudo.

– Mas o sobrenome Kaulitz é totalmente alemão. – Emendou Georg, imitando o tom de voz de Gustav e ajeitando os óculos imaginários; sei que ninguém nunca admitiria, mas os dois pareciam perfeitos imbecis. Revirei os olhos, mas me recompus a tempo de sorrir quando minha mãe se voltou para mim e Bill, olhando-nos carinhosamente, e piscou pro meu lado.

Ah, Senhor! Eu juro que quase comecei a dançar bem ali, mas me contive. Por causa daquela piscadinha. Isso queria dizer que minha mãe tinha aprovado – pelo menos por enquanto – a nora. Não era muito, mas mesmo assim era um grande, grande alívio. Agora só faltava o meu pai – mas eu sabia que só pelo fato do Bill ser bonito (ou bonita, no caso) ele daria o maior apoio – e, bem, você sabe, o resto da família. Eu só esperava que nenhum dos meus tios tivesse a brilhante ideia de contar a ele/ela sobre os feitos incríveis do vovô pela marinha nem nada do tipo.

– Muito bem, então vamos sair desse sol. – Continuou minha mãe, pegando as mãos de

Bill e puxando-o para dentro.- Suas malas e as da senhorita já estão no quarto. – Disse um dos centenas de empregados da minha mãe, fazendo uma meia reverência pra mim e Bill. É sério, depois de tanto tempo morando sozinho, você praticamente se esquece de como é ter alguém no seu pé a todo o momento para fazer o que você quiser como se estivesse em um hotel.
– Obrigada. – Disse Bill com um sorriso tímido; já disse que ele se parece muito com uma criança às vezes? Provavelmente sim.

Dona Simone parecia compartilhar dessa opinião, porque olhou pro Bill como se fosse capaz de pegá-lo no colo e apertar suas bochechas. Tirando a parte em que ela pensava que ele era uma menina – e ele com certeza não era -, até que estava indo tudo razoavelmente bem. Claro que eu pensava isso até minha mãe ter a grande ideia de nos mostrar o andar de cima, já que ela tinha feito umas reformas lá desde a ultima vez em que eu estivera ali.
– Você vai adorar, Tom! – Disse enquanto subíamos as escadas, piscando pra mim de maneira cúmplice. Eu sabia que podia esperar qualquer coisa vinda da minha mãe e estava sinceramente apreensivo, enquanto Bill continuava com aquele olhar fascinado pra tudo acerca da decoração espalhafatosa da dona Simone. Quero dizer, quem, em sã consciência, coloca estátuas douradas em cada volta de uma escada em espiral?

Bill, os G’s e eu seguimos minha mãe enquanto ela nos contava sobre como tivera que mandar exportar mão de obra da Alemanha porque tio Hans ficaria uma fera se soubesse que ela fizera uma reforma e não contratara os serviços da empresa dele. Eu estava ouvindo atentamente e sorrindo, com saudades da tagarelice da minha mãe, mas meu sorriso deu uma diminuída considerável quando ela parou em frente à porta de duas folhas e lançou um olhar ansioso para mim e Bill.

– Vocês vão adorar! – Disse, girando a maçaneta dourada e afastando as portas. — Entrem!

Eu totalmente ouvira quando ela nos mandara entrar e pude sentir Georg e Gustav passarem por mim e entrarem no quarto, admirados, mas eu permaneci lá, parado sob o portal, estático, com Bill ao meu lado, provavelmente tendo os mesmos pensamentos que eu, e minha mãe sorrindo abertamente, observando Georg pular na cama.

Uma enorme cama com dossel. De casal, como tudo ali dentro: duas poltronas brancas, um closet duplo, duas toalhas penduradas no box... E isso só podia querer dizer que teríamos que compartilhar o mesmo quarto. Como se toda essa situação já não fosse embaraçosa o bastante. Eu sinceramente pensara que teríamos um quarto para cada um, já que minha mãe vivia me repreendendo por trazer garotas para dormir em casa quando ainda morávamos todos juntos em Hamburgo. Eu estava pensando que ela exigiria no mínimo a certidão de casamento antes de nos deixar ficar sozinhos no mesmo cômodo por tempo o suficiente para fazermos o que não devíamos. E o pior de tudo era que essa não era nem de longe a pior parte, afinal, EU IA TER QUE DORMIR NA MESMA CAMA COM UM HOMEM!

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Notas finais
É isso. Dyeni (olha a intimidade o/): mordidas! -[maldita mania que acabei pegando da Ksis HSUAH']-
P.s: to em dúvida. eu já usei essa foto?