Contamination

2 Capítulo 2- Propagação


CONTAMINATION

Capítulo 2- Propagação

(Stepford, Hotel Castleway, 19:36h)

(O homem que acabara de sair do banheiro masculino era o careca da qual Andy vira minutos atrás. Algumas pessoas arregalaram seus olhos, inclusive Rose. Steve não. Ele estava mais preocupado em cruzar sua visão entre as diversas pessoas que se levantavam para olhar o homem que saía do banheiro)

—Ai, meu Deus. A testa...dele...está sangrando(cochicha uma senhora de casaco preto na fileira atrás da de Steve)

(Era espesso e escuro. O sangue escorria pelos lados da testa, descendo pelo canto dos olhos. Seus olhos estavam fixos á platéia. Ele não piscava e não mexia um músculo. ''Ele está brincando de estátua no corredor'', pensaria Andy)

—Ei, moço! Você está bem??! Quer que eu chame uma ajuda?(questiona a mesma senhora, ao sair das fileiras de cadeiras e correr em direção ao corredor. Aparentava ter uns 60 anos, mas suas pernas ainda eram sadias)

(O homem parado no corredor, agora focava sua visão flicante na senhora que andava em sua direção. A senhora segurava um celular de modelo em que a nova geração negava em possuir. Perguntas de mesmo contexto ecoavam baixo pelo andar. O palestrante Samuel, ainda segurava o microfone próximo a barriga assustado com toda a situação)

—Eu posso ligar para o-

(Antes que a senhora pudesse terminar seu pedido gentil, o homem partira pra cima dela com os braços esticados ao máximo e seus dedos contraídos. Era como se quisesse agarrar algo em que desejasse muito. A senhora ainda possuía gentileza em seus olhos. Mal sabia ela que era por pouco tempo)

—Mas o quê?(retrucava Rose em sua mente)

(O ato foi rápido. O careca partira sua boca em direção a jugular da senhora, que abrira a boca para um grito. Porém sua voz era rouca, e não houve vigor suficiente para tal. Alguns grunhidos saíam, após segundos da mordida. Grunhidos de idosas)

—Ei, mas que merda!!-(gritou Samuel Cox, ao arremessar o microfone no chão do palco e correr para o corredor)

(Os convidados estavam todos estagnados com a cena. A japonesa que conhecera Andy minutos atrás, permanecia sentada olhando para trás. Seus longos cabelos pretos corriam pelos ombros)

—Ei, impeçam esse cara! Pelo amor de Deus!!(gritava um outro senhor que acabara de se levantar, enquanto batia as mãos pelos bolsos a procura de algo)

(Era visível o suor escorrendo pela testa da senhora. A mordida estava intensa. Steve se lembrara de cachorros de porte enorme, mordendo um grande pedaço de bife. Os pensamentos dele oscilavam em gritar pelo nome de Andy, ou tentar ajudar a senhora que estava sendo atacada. Não houve divergência entre as ideias em sua mente)

—Ei, solta ela! Que merda está fazendo??!!(partira Steve, gritando e dando pequenas tropicadas nas pernas das últimas cadeiras próximas ao corredor)

(O homem, agora possuía sangue em sua boca. Todos que viam aquilo, ainda estagnados pelo medo, se perguntavam se era possível aquilo ocorrer. Os olhos do careca ainda flicavam rapidamente, como os de uma criança que acabara de colocar colírio nos mesmos)

(Antes que Steve pudesse chegar próximo á esquina do corredor, um homem de aparentemente 45 anos, acima do peso e com problemas de calvice, se levantara rápido da cadeira da última fileira e obstrui a leve corrida de Steve, e parte em cima do louco com sangue no rosto)

—Aaahh-(grunhia a senhora, caindo no chão e encostando próxima ao elevador. Cobria com uma de suas mãos, sua jugular que escorria muito sangue pelos ombro. Com uma expressão de grande flagelo, a senhora olhava para os outros convidados)

(Rose, assustada, segue meio caminho em direção á Steve. Mas ela para, ao se lembrar que Andy havia sumido. Agora, Rose estava mais trêmula que nunca)

—Mas que merda você fez a essa senhora??(indagava o gordinho calvo, que partira para cima do louco dos olhos atentos. Ele o segurara pelo pescoço. Todos acreditavam que os dedos gordos do homem, pararia a situação)

(Samuel Cox parara e se agachara próximo a senhora, colocando as mãos sobre os ombros dela. ''Você está bem?''. A pergunta era imbecil)

—Andy!!!?(gritara Rose, sem hesitar em qual situação se preocupava mais. Seus olhos percorriam do começo ao fim do corredor)

(O careca estava com maior parte de seu rosto coberto de sangue. Ele abrira a boca alguns centímetros, exibindo os dentes grandes e regulares. Era como uma criança teimosa ao receber um pedido do dentista)

—Andy!!! Querida, você tá no banheiro!?!(acrescentara Rose, ainda trêmula seguindo com passos pesados e lentos em direção ao corredor)

(Ao atravessar alguns centímetros, próximo àquela briga, uma mão fria e sucinta agarra o pulso de Rose. Assustada com tudo aquilo, Rose olha para trás e vê Minata Suzuki. Seu corpo não estava trêmulo, porém seus olhos expressavam o mais sincero desespero de estar naquele lugar. Era como se Minata quisesse impedir Rose de chegar mais perto daquilo tudo)

—Aii!!(grita o homem acima do peso, que segurava o louco no chão com toda sua força. Ele recebera uma mordida próxima a seu pulso. A mordida era pequena, mas com certeza a intensidade era latejante segundos depois de recebê-la)

(O gordo calvo, começara a dar socos no rosto do louco que o mordera. Toda sua raiva, estava agora, em seus punhos que se chocavam contra o rosto do louco que possuía uma expressão neutra. Não sentira dor, nem mesmo uma emoção)

—Andy!(continuara Rose a chamar pela filha. Ela então corre para frente do banheiro feminino, que estava aberto)

(''Andy?''. Eram a única coisa que ecoava agora em sua mente agora. O banheiro estava vazio. Havia apenas a boneca da qual a garota tanto gostava jogada em cima da pia. Rose sentia o desespero crescer dentro de si, como de uma pessoa que se sentira culpada por algo que não havia feito)

—Aaarrghh!(grunhia agora, o louco que atacou a senhora. Parecia estar em puro extâse. Ele se debatera no chão, com pura euforia. Era como uma convulsão)

(Muitas pessoas cochichavam entre si sobre seus celulares, mas Steve não escutara quase nada. Seus olhos estavam fixos ao louco que se debatera no chão agora. O gordinho calvo, se levantara com algumas dificuldades de ficar em pé. Ele recebera ajuda de Steve, que logo o segura pelos braços com um olhar assustado)

—Você está bem??! Ele mordeu seu pulso??(perguntara Steve, enquanto oscilava seus olhos rapidamente do louco para o gordinho do qual ajudou)

(Os convidados próximos ás cadeiras, agora circulavam pelo andar, ainda próximos ao corredor. ''DROGAAAA!!'', foi o próximo grito que ouviram. Ele vinha de Samuel Cox, que ao auxiliar a senhora a se levantar, recebera uma mordida em seu calcanhar do louco que ainda se debatia)

(Samuel Cox levara alguns segundos para retirar seu calcanhar da boca do maníaco por morder desconhecidos. Ele correra para de volta ás cadeiras, apoiando seus mãos trêmulas em uma delas. Rose ainda estava paralisada em frente ao banheiro, próximo ao homem tomado pela euforia. Não teve tempo de Steve alertá-la. O maníaco agarrou a panturrilha de Rose com sua mão esquerda, num movimento cego)

—Rose!(gritou Steve, ao correr em direção aos dois. Ele chutara o maníaco na cabeça com força. Ele era jogador de baseball, mas conhecido também pelo time de futebol de seu clube por das os melhores chutes)

(Rose aproveitara a ação de seu marido, para correr de volta ao começo do corredor. ''Que merda!!-'', eram a única palavra que se apoderava-se do andar)

—Steve...(dizia Rose, com dificuldades de fala e com a respiração pesada) N-Nossa...filha sumiu!!

(Steve já vira aquele desespero em Rose. Mas os pensamentos de Steve nunca estiveram tão desorientados como estavam agora. Ele começara a ficar tão trêmula quanto sua esposa)

(Segundos impregnados daquele desespero ainda pairava pelo andar. Até que a gritaria começara outra vez. As pessoas próximas á Samuel Cox começaram a correr pelos cantos gritando, as mais longes circulavam para trás, até onde o medo as deixava chegar perto do maníaco)

—Eles também estão...sangrando??(perguntara Rose, ainda trêmula se apoiando com as duas mãos no braço do marido. As mãos dela possuíam mais força gradativamente no braço do mesmo)

(Cadeiras começavam a cair. Pessoas tomadas pelo medo começavam a cair em cima das cadeiras. Caíam umas em cima das outras. Mais sangue era visível nas roupas de algumas pessoas que corriam. O sangue que Rose citara)

(Um jovem, de aparentemente 17 anos, correra pra perto de Steve. Era visível o medo nos olhos do jovem. Mas também era visível a única ideia lógica pra tudo aquilo)

—Vamos sair daqui agora e chamar a polícia(propusera o garoto, ao colocar a mão esquerda sobre o ombro esquerdo de Steve)

(Steve não respondera o garoto, mas ao olhar para o mesmo, demonstrara interesse na ideia. Porém, dezenas de pessoas corriam em direção as escadas. O sangue os acompanhava pelas vestimentas. Tropeços e gritaria tomavam conta do lugar. Steve e Rose, que ainda permaneciam como pessoas querendo se aquecer, se agarravam um ao outro e continuavam olhando para os lados na intenção de apenas achar sua filha)

—Por aqui!(dissera o gordinho, que enrolara um pedaço de sua camisa fina em torno de seu pulso, que agora cessava o sangue. Ele apontara para o elevador que estava aberto. Alguém o tinha aberto)

(Steve e Rose sem pensar entram correndo no elevador. ''Se todos tiverem a ideia de vir pra dentro dessa merda, o problema pode piorar'', pensava Rose. O gordinho adentra junto a eles no elevador. Minata, na esquina esquerda do corredor olhara os três entrando no elevador. Ela corre em direção ao elevador também, contornando o caminho entre as pessoas desesperadas que corriam direção á escadaria)

—Será que alguém pode explicar isso!?(indagava Minata, sem ao menos perceber que a pergunta saíra de sua boca) po

(Antes de Minata pudesse ser a primeira a apertar o botão do 'Estacionamento', o garoto que conversara com Steve segundos atrás corre também para dentro do elevador. Não havia mais espaço para nenhuma alma ali. Antes que a porta do elevador se fechara, a visão de que os 5 tinham de fora era o puro desespero e euforia incorporada em cada um que gritava e corria para as escadas. Pessoas tropeçavam nos primeiros degraus e seguiam o caminho com a gravidade. O maníaco que se debatia no chão, agora babava e seguia correndo em direção ás pessoas próximas as cadeiras. Era apenas até ai que viram a cena. Graças a Deus, a porta do elevador fechara)

—O que aquelas pessoas tinham?(questiona o garoto, que perguntara com uma voz cansada. Ele estava mexendo em seu celular, com uma triste expressão)

—Está sem sinal(conclui Minata, antes que alguém desse uma resposta sensata ao garoto. Ela guardara o celular em sua bolsa vermelha de alça. Ela aparentava ser a pessoa mais calma no momento)

—Deve ter sinal lá fora(exclama Steve, com uma esperança aflorada dentro de si)

—Vamos ligar pra polícia vir resolver isso(interrompe o gordo calvo, que limpara o suor de sua testa com um outro pedaço da manga da camisa que vestira) Bob Foster, muito prazer(cumprimenta-se a todos do elevador)

(O garoto pressiona os lábios e abranda sua cabeça olhando para o chão do elevador, sem responder a Bob)

—Prazer Bob(Minata fora a única que o respondera)

(O elevador chegara no destino deles: o estacionamento. A porta mal se abre totalmente e todos saem um a um, o mais rápido possível pelo estacionamento. Segundos se passam e eles voltam a reclamar do problema)

—Sem sinal também...merda!(exclama o garoto)

—No meu também(acrescenta Minata)

(Rose tateava suas mãos por fora dos bolsos de sua calça branca apertada que vestira. A falta de algo a preocupava)

—Você tá com a chave, Steve?(pergunta ela)

(Em dúvida, Steve tateia os bolsos também, mas nada encontra)

—Droga, ficou em sua bolsa no carro

(Rose inquieta começa a andar pelo estacionamento, dançando seus olhos em todos os cantos escuros to estacionamento procurando por algo. Era Andy)

(Steve olha para a saída do estacionamento e vê uma pessoa de costas. Cabelos negros escorriam por trás dos ombros, uma vestido preto justo e saltos azuis. Saltos que só de vista pareciam caros, mas não negaria em comprar para sua esposa caso ela pedisse. O corpo da mesma, era deslumbrante)

(Bob Foster decide se aproximar da mulher parada na saída do estacionamento. Ela parecia estar esperando algo lá fora. Mas não parecia ser algo bom)

—Ei, você estava lá dentro certo?(questiona Bob, dando um toque rápido no braço direito da mulher de vestido preto)

—Shiu!...-(ela o interrompe de dizer qualquer outra palavra, colocando o dedo indicador sobre a boca ao desviar o olhar dele para á ponte Longsheer. Bob desvia seu olhar da bela moça, para o lugar da qual ela focava. Sua expressão de curioso se altera para a pura perplexidade de algo que nunca vira antes)

—-CONTINUA...