Contamination

1 Capítulo 1- Contagiosa


CONTAMINATION

Capítulo 1- Contagiosa

(Stepford, Hotel Castleway, 19:01h)

—Steve, vou deixar minha bolsa dentro do carro antes que a Andy peça aquele maldito unicórnio roxo que canta sem parar(exclama Rose, cochichando para Steve ao abrir a porta do Lamborghini Diablo. Era inteiramente vermelho, com envolto de preto nas laterais dos faróis. Com certeza era o carro mais caro do estacionamento do Hotel)

—Esconde ele então em algum lugar do porta-luvas, sei lá...

—Esconder o quê, papai?(questiona a menina do lado de fora do carro já, enquanto segurara uma boneca com cabelos ruivos como os de sua mãe,e um vestido branco que estava rasgado na alça esquerda do ombro)

—Nada filha. Vamos entrando, se não vamos nos atrasar(responde Steve, saindo do carro rapidamente e fechando a porta com força)

(O estacionamento tinha aproximadamente 190 m². Nos lados Sul e Norte, tinham grandes janelas que davam vista as casas chiques, próximas a ponte Longsheer com um enorme rio que contornara o bairro de casas chiques por debaixo dela. Steve, Rose e a filha Andy, caminhavam em direção as escadarias localizadas no lado Leste)

—Papaii, vamos de elevador. Eu não quero subir as escadas(dizia Andy, enquanto balançava a boneca de um lado e pro outro, sem prestar atenção pra onde andara)

—Não dá. Estão usando o elevador pra transportar os galões d'água

—Por que água?(indaga Andy, ao desviar o olhar da boneca para o rosto do pai, que parecia estar preocupado com algo)

—Pra abastecer os bebedouros. Você não quer passar sede, né bobinha?(responde Steve, alterando sua expressão de seriedade para um sorriso ao olhar Andy) Vem cá, eu te levo sua preguiçosa

(Steve agarra Andy e a segura próximo as suas costas, onde a garota aninha seus braços em volta dos ombros e pescoço do pai, o agarrando. Andy agora possuia um sorriso grande ao não precisar mais subir as escadas)

—Não ta velhinha demais pra essas coisas não, hein menina?hahaha(pergunta Rose, ao dar uma beliscada fraca e rápida na bochecha direita de Andy)

—Nãããão!!(grita Andy num tom de birra)

—Oh, oh, que isso menina??(pergunta Steve, ao não gostar da atitude de Andy) Se continuar agindo com sua mãe assim, vai ficar em casa sozinha com o bicho-papão

(Andy praticamente nem escutara a parte do ''bicho-papão''. Essa nova geração era difícil se assustar com lendas de 50 anos atrás. ''Culpa da tecnologia'', achava Steve. Os 3 começara a subir as escadas)

—Mas a mamãe não comprou o unicórnio Cid tamanho grande pra mim!

—Olha, amanhã eu prometo que vamos achar ele e comprar ta bom?(propõe Steve, ao subir um pouco a cabeça sorrindo para Andy)

(Rose subindo as escadas, para e dá uma beslicada rápida no braço de Steve. Porém, essa era pra doer. Steve não se pronunciara melhor àquela beliscada, a não ser desviar um olhar sério para Rose rapidamente. Rose também estava com uma expressão mortal de quando os maridos fazem ou falam merdas. Steve já vira aquela expressão muitas vezes naquele mês. Ela sempre queria dizer ''Não mime mais essa criança, você faz tudo que ela pede'')

(Eles continuam a subir as escadas em silêncio a partir dali. O hotel possuía paredes brancas e piso branco nas escadarias. Para Steve, isso deixava a escadaria menor e era claustrofóbico. O conforto batia quando passava pelos andares e via corredores com tapete azul e vermelho, mas sem vasos de flores. O que quebrara inconscientemente o esteriótipo na mente de Steve, de que hotel chique é igual a flores por todos os lados)

(Eles chegam no 4° e último andar, e viram que era realmente um local de palestra. Local aberto com, aparentemente, 50 cadeiras ao total e um pequeno palco de madeira resistente em frente a elas. Andy desce das costas de seu pai, e olha para trás. No lado esquerdo do corredor ela vê dois homens altos e de roupa azul saindo do elevador com 3 galões d'água)

(''Tem muita pessoa rica aqui'', pensara Andy apenas por ver todos aqueles homens e mulheres com sapatos, ternos e calças de aparência bela. Andy reconhecera uma das mulheres próximas ao fim do corredor que dava em frente ao palco)

—Papai, aquela moça ali não é da televisão?(aponta Andy em direção á uma japonesa de terno feminino azul claro e salto alto preto)

—Onde?(indaga Steve, ao rodiar seus olhos por aquelas dezenas de pessoas)

(Steve dançou seus olhos por todas as pessoas do salão, até que reconhecera quem Andy apontara. Era Minata Suzuki, uma jornalista local, do canal 9. ''Canal sensacionalista de merda'', era a única coisa que Steve achava do canal)

(Minata Suzuki, encostada na parede, guardara seu celular em sua bolsa vermelha e olha para trás, em direção á escadaria. Ela se assusta por dentro, ao ver que Steve Sanders estara na palestra e anda em direção a ele. O som dos sapatados da japonesa ecoavam no corredor)

—Steve Sanders! Grande ídolo do baseball por aqui? Não quero perder a chance de uma entrevista pra um jornal em que me contrataram(cumprimenta Steve, ao agarrar a mão esquerda dele)

—Éér...Minata Suzuki, certo?(questiona Steve, mesmo que tinha certeza. Alguns homens agem estranho perto de mulheres bonitas)

—Sim. E você deve ser a famosa modelo Rose Sanders Foster, certo?(interpela a japonesa olhando para Rose, estendendo a mão para cumprimenta-lá)

—Sim...Rose Sanders, por favor(respondendo o cumprimento com um olhar de desconforto e um pouco de desconfiança)

—Saiba que, eu no artigo da Daily Company sobre os cabelos ruivos mais lindos das modelos, eu elogiei muito a sua mudança do loiro para o ruivo. Disse que era como uma Nicole Kidman fazendo o contrário, hahaha(ri Minata, enquanto ainda balançava a mão de Rose no cumprimento, soltando-a em seguida)

—Nossa, não cheguei a ver,haha...que...honra(responde Rose, com dúvidas no que falasse)

—Bom, agora são...19:10h(exclama Minata ao olhar para seu relógio dourado de pulso) A palestra irá começar daqui a pouco, vou me sentar agora. Foi um prazer conversar com vocês(acrescenta ela, enquanto sorria e esfregara a mão na cabeça da Andy)

—Vamos nos sentar longe dessa mulher(cochicha Rose para Steve, enquanto seguia em direção a primeira fileira de cadeiras)

—Ahh...tá bom...(responde Steve, sem entender a atitude de Rose e a segue segurando a mão de Andy)

(Os 3 se sentam na primeira fileira de cadeiras, havendo mais ou menos, 6 fileiras de cadeiras brancas. Steve começara a se mexer para frente e para trás diversas vezes. Puxava a camisa de seu torso para arruma-la, acolchava suas mãos e esfregava-as na coxa. Steve estava desconfortável. Era como um garoto esperando o gran finale num truque de mágica em que esperara a anos. Só que de uma forma negativa, já que Steve nunca comparecera uma palestra em sua vida. Ainda mais uma sobre um tema filosófico. Liberdade)

(Todos já haviam se sentados nas cadeiras. Andy estava no colo de Rose, focando em arrumar o vestido que tinha tirado de sua boneca. Um homem de cabelos brancos, aparentando ter uns 58 anos, de terno preto e gravata azul escura sobe ao palco com um microfone)

—Olá a todos, agradeço a vinda de todos aqui no Hotel Castleway. Bom, como devem saber, eu sou o palestrante Samuel Cox, e o tema de hoje é liberdade. Tenho certeza que todos aqui ouvem sempre ''liberdade-isso e aquilo...liberdade...bahbahbah'', mas a grande questão é-

(Andy não prestara atenção em uma letra se quer. Ela olhara para trás diversas vezes, e vira um homem careca e de roupa inteirinha preta. ''Parecia um funeral'', pensara a garota. O careca se levantou e andou em direção ao bebedouro)

—O que é liberdade? Se fizéssemos essa pergunta a um detento ele teria uma resposta, a um jornalista num regime ditatorial obteríamos outra argumentação; se perguntássemos, ainda, a um filósofo, ele daria a sua definição, talvez igual à dada pelo existencialista Sartre que afirma que somos condenados a ser livres. Como ser livre? E mais, como ser livre e ético num mundo de tantas “facilidades” e pessoas? Como podemos saber se somos eticamente livres? Ser ético é escolher entre o bem e mal. Você deve sempre fazer suas próprias escolhas sabendo que arcara por elas. Toda liberdade implica escolha, e não há escolha sem responsabilidades e responsabilidades nos remetem as conseqüências éticas boas ou más.

(Andy acabara de arrumar o vestido de sua boneca. Ela olhara rapidamente do rosto do pai para o da mãe. Em seguida, da mãe para o de cada um naquela palestra. Pareciam concentrados nas palavras daquele homem chique. Ela não encontrara o homem careca que tinha se levantado para tomar água. Sugestivamente ou não, Andy começara a salivar um pouco por conta da sede)

—Mããe, to com sede...(cochichara ela, sabendo que se passasse dos limites do ''falar baixo'' poderia ficar encrencada)

(Rose desce Andy de seu colo, e aponta para o final do corredor e cochicha de volta)

—Vai lá, tem bebedouro ali

(Andy nem olhara para o rosto da mãe e já correra para o final do corredor. Havia um bebedouro de um lado da parede, e na outra havia dois. Mais ao lado, duas portas com placas escritas, respectivamente ''masculino'', ''feminino''. Era no banheiro que Andy queria realmente ir, mas não avisara a mãe por medo de algum desconhecido a escutar. A garota já sabia ler, pois tinha 11 anos e sempre estudou nas melhores escolas. Era o que escutava dos outros)

(Andy tenta abrir a porta do banheiro feminino, mas estava trancada. Não houve hiato na tentativa de abrir até quando ela se abre por uma mulher japonesa de cabelos escuros e um vestido preto justo, e saltos azuis. Andy era rapida pra reconhecer as pessoas, e em poucos segundos ela viu que não era a jornalista da TV, mas uma mulher parecida apenas)

—Oi, garotinha. Quer usar o banheiro?(pergunta a japonesa, com uma voz suave e gentil enquanto segurava a maçaneta do banheiro)

(Andy faz que sim com a cabeça. Ela não era boa em conversar com pessoas novas. A garota entra correndo no banheiro e fecha a porta. Andy aperta o interruptor, a luz do banheiro era fraca. Mas um barulho vindo ao lado chamara a atenção da garota.''TUM...TUM...TUM....TUM...''. Inúmeras batidas vindo do banheiro ao lado. E elas não paravam)

—...e com certeza, com isso sabemos que a ignorância também pode ser contagiosa. Há uma frase incrível de George Orwell que é ''Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir''. Como disse agora á pouco, liberdade se contradiz dentro de várias definições que vocês podem dar, pois nelas também vem o conceito de ético e poder...Ter o poder de ser livre; ser livre para ter poder, tudo isso fez parte de toda a humanidade, percebam...(antes do palestrante terminar a frase, ele juntara os dedos das mãos e diz) A história sempre se repete...

(As batidas que estavam vindo do banheiro masculino, agora era escutada por todos na palestra. ''TUM TUM TUM TUM TUM'')

—AAAAAAAAH!!!!!(um grito de uma voz doce e fina vinha do fim do corredor)

—Filha??!(grita Steve, ao sair de seus devaneios em que tivera ao escutar o palestrante. Com uma expressão atônita, ele olha para trás procurando sua filha) Rose, onde ela está?

—Ela disse que ia beber água, deve ter ido ao banheiro(responde Rose, tentando esconder o fato de que estava aflita ao grito e as batidas estranhas)

(As pessoas sentadas nas cadeiras, desviavam os olhares entre si e para o fim do corredor. Um homem então sai do banheiro masculino)

—--CONTINUA...