Consultório do Dr. Yato
2 Primeira consulta: Nanase Haruka
Notas iniciais
Depois de um longo dia de treinamento, o vice-capitão da equipe de natação Iwatobi relaxava em sua banheira. Com apenas a cabeça sobre a água morna do banho, Nanase Haruka pensava nas competições que viriam a seguir e como conseguiria fazer as pazes com seu antigo colega de equipe Matsuoka Rin.
O moreno suspirou. Deixaria o tempo curar as feridas do ruivo, afinal, aquilo havia acontecido há muito tempo.
Haruka submergiu na água morna do banho. Ele gostava da sensação da água em seu corpo. Assim como ele a respeitava, ela fazia o mesmo pelo moreno.
Foi então que ele notou algo estranho na banheira. Havia um borrão negro perto de seus pés. Parecia que alguém havia pichado na parede da banheira, mas como não dá pra enxergar debaixo d’água direito sem os óculos de natação o moreno não conseguiu decifrar a mensagem ali descrita.
Saiu da banheira e tirou o tampo do ralo para que a água pudesse escorrer. Enquanto isso pegou a toalha e começou a enxugar o excesso de água que havia ficado em seu corpo.
Assim que a água da banheira escorreu toda pelo ralo, Haruka pode ver o que tinha na parede de sua banheira. Era realmente uma pichação. Com dificuldade, Haruka conseguiu ler o que havia escrito.
– “Problemas com campeonatos e relacionamentos entre amigos de infância? Nada a tema. Com o Dr. Yato não há problema.” – o moreno repetiu enquanto enxugava seus cabelos ensopados – “Marque sua consulta pelo telefone xxx-xxxxx.” Dr. Yato, heim?
–*-*-
– Ah, então foi assim que você ficou sabendo do “consultório”. – Hiyori encarou o deus o fuzilando com o olhar.
Yato se limitou apenas a fazer uma cara inocente.
– Vamos, vamos. Entre, meu rapaz. – Yato puxou o nadador para o “consultório”.
Haruka olhou para os lados.
– Pensei que fosse um lugar de verdade. Não um beco.
– É temporário. – Yato deu de ombros e indicou um puffe próximo à mesa do “doutor” – Sente-se e comece a falar um pouco mais sobre você e seu problema.
O nadador se sentou no lugar onde o deus havia indicado.
– Sou Nanase Haruka. Mesmo tendo o nome de uma garota sou um garoto. Tenho 16 anos. Estou no segundo ano do ensino médio do Instituto Iwatobi e faço parte do clube de natação. Meu estilo de nado é o livre. Não me preocupo em melhorar meu tempo e técnica na natação. Minha comida favorita é tudo que tenha cavalinha.
– Paciente com tendências aquáticas... – o deus falou enquanto anotava – Parece até um peixe, ou golfinho. Mas e o seu problema garo...
Assim que Yato levantou a cabeça viu o rapaz tirando o terno escolar em frente a uma poça d’àgua que tinha perto da mesa.
– MASOQUEQUEÉISSO???!!! — o deus levantou da cadeira batendo as mãos na mesa, assustado – SEU TARADO DOS INFERNOS! SE VISTA AGORA!
Haruka ignorou o ataque histérico do "doutor" e tirou a camisa branca de botões pela cabeça com apenas um braço.
– Que tríceps perfeitos! – Hiyori encarava o moreno sem camisa de sua cadeira, o rosto corado.
– Até tu, Hyori??! – Yato falou perplexo.
Haruka então começou a tirar o cinto de sua calça.
– Certo. Agora chega, seu Hentai! – o deus pulou sobre a mesa, pronto pra bater no “paciente”. Quando de repente, um rapaz de cabelos castanhos surgiu do nada e segurou o moreno tarado.
– Haru! Não faça isso! – o rapaz, mais alto que Haruka, falou com um sorriso nervoso.
– AHHHHH!!!! De onde ele veio?! – Yato pulou atrás de sua cadeira para se proteger. Logo em seguida encarou o colega do seu paciente – De alguma aldeia de gigantes, por acaso?!
– Ah, gomen. Eu não me apresentei. – o rapaz sorriu sem graça. Ele vestia as mesmas roupas que o nadador hentai – Sou Tachibana Makoto. Amigo do Haru-chan.
– Não use o prefixo –chan comigo. – Haruka suspirou enquanto voltava a se vestir.
– Meio estranho um rapaz usar esse prefixo com outro rapaz. Mas quem sou eu pra julgar, ne? Mas por favor, mantenha ele vestido. – Yato suspirou depois que saiu de trás da sua barreira protetora improvisada.
– É que ele adora água. Não pode ver uma poça que fica desse jeito. – Makoto riu sem graça.
O deus encarou a poça d’água.
– Então ele tem tesão com a água? – Yato olhou pra Makoto, a expressão perplexa.
– Tesão? — o maior encarou o deus perplexo — Não! É claro que... Err... Eu não sei dizer. – o mais alto suspirou.
O "doutor" pega o caderno e volta a anotar.
– Paciente tem tesão com água... – ele falou enquanto escrevia – ou possui um misto de aquaphilia com exibicionismo. Parece ser bem perturbado mentalmente.
– Ele não tem problemas mentais. — Makoto retrucou — Ele so teve... Um problema de infância.
– Ele viu o pai dele traindo a mãe com uma cachoeira? Gerando assim esse tesão por água? – Yato encarou Makoto em busca de respostas.
– Ele não tem tesão com água. — o mais alto suspirou — E não. O pai dele não traiu a mãe com ninguém. – Makoto fez uma careta – Esse problema é em relação ao nosso amigo Rin.
– O que aconteceu? – Hiyori perguntou se sentando ao lado dos rapazes.
– Shhh. Quem é o doutor aqui sou eu. – o deus encarou torto à garota.
– Bem... – Makoto continuou — O Rin foi pra Austrália pra aperfeiçoar sua técnica de nado. Quando ele voltou, em uma visita no inverno de nossos doze anos, ele apostou uma corrida com o Haru. E perdeu.
Haru ficou encarando a poça d’água durante a narrativa do amigo.
– E ele ficou frustrado com isso, porque ele havia treinado muito mais que o Haru e mesmo assim havia perdido. E mesmo depois de anos, o Haru ainda se sente culpado com isso.
– Por ter vencido a corrida? – Hiyori perguntou.
– Por ter deixado o Rin amargurado.
– Paciente sofrendo de SCP. – Yato murmurou enquanto anotava no caderninho.
– O que é isso? – Makoto encarou o deus, preocupado – É contagioso?
– Síndrome da Culpa do Protagonista. Não se preocupe. Não é contagiosa. É tipo diabete. Você não pega, mas pode desenvolver. – Yato explicou – Bem, além de SCP ele pode amar esse tal de Rin.
– Heim? – Makoto encarou Hakura, perplexo. O moreno ainda encarava a poça, o rosto levemente vermelho.
– Mas um amor de irmão e rival. – o deus completou enquanto anotava no caderno – Ao menos eu acho. Bem, quanto aos seus problemas eu posso resolvê-los mediante a um pagamento de 5... NADA DE STRIP TEASE DE NOVO, SEU HENTAI!
– É sempre assim. — Makoto levou a mão à testa, sentindo a vergonha alheia crescer cada vez mais em si.
Yato avança em um Haruka que tirava a roupa novamente para entrar na poça d’água.
– Ei, não faça na... – o mais alto tentou impedir o deus, mas Hyori o segura.
– Err... Tachibana-kun, certo? – falou Hiyori sem jeito.
– Sim. Pode me chamar de Makoto. Mas eu tenho que ajudar o Haru...
– Se você gosta dele de verdade deveria falar sobre isso com ele. Guardar nossos sentimentos é mais doloroso. – a garota sorriu.
– D-do que você está falando? – o rosto do mais alto ficou meio vermelho.
– Pronto! Resolvido! – Yato falou jogando um Haru amarrado pra junto da Hyori e do Makoto.
– Haru-chan! – Makoto foi ajudar o amigo, tentando desfazer os nós da corda.
– Yato! Isso é coisa que se faça??? – Hiyori falou perplexa.
– É o único jeito dele parar de tirar a roupa quando vê água. – Yato abriu a gaveta da escrivaninha – Aqui – Ele entrega ao makoto uma coleira preta.
– O que... – começou o moreno, perplexo.
– Isso é pro tratamento intensivo dele. – o deus cruzou os braços – Para superar essa tara por água que ele tem ele deve ficar longe da água e toda vez que ele se molhar ele será eletrocutado por essa coleira que ele vai usar.
– Mas assim ele não vai tomar banho! – Makoto falou sem acreditar no que ouvia.
– Todos precisam fazer sacrifícios. Eu, por exemplo, quero dinheiro para construir meu templo, e meu sacrifício é ter que tratar um bando de doidos. – Yato falou de forma modesta.
– Yato... – Hiyori fechou uma das mãos em punho, a veia saltando.
– Ah, ele deve ler esse livro também. – o deus entrega um livro de duzentas páginas ao mais alto – “A culpa é do meu rival”. Um ótimo volume para ele compreender o Rin e pra não ficar se sentindo culpado. Agora eu quero meus 5 iens.
– 5 Iens? – Makoto encarou o moreno que estendia a mão pra ele esperando o pagamento.
– O valor da consulta, ué.
Makoto suspirou. Logo em seguida tirou de seu bolso uma moeda dourada e a entregou para o deus.
– Será que alguém pode me desamarrar? – Haruka falou com o rosto inexpressivo.
– Os nós são fortes. – o moreno mais alto suspirou – o jeito é te levar assim e cortar as cordas em casa.
– Tudo bem então.
– Ja nee. – Hiyori acenou enquanto via os rapazes irem embora – Espero que dê tudo certo.
Assim que os rapazes somem de vista no beco, a garota se vira para repreender o deus.
– É assim que você pretende tratar seus pacien... Yato o que você tá fazendo? – Hiyori encarou o deus, confusa, enquanto ele tentava tirar a camisa como o Haruka.
Yato acabou ficando com o braço e a cabeça enrolados no tecido. Ele tropeçou em um dos pés e caiu com tudo na poça d’água.
– Mas que droga! Como é que ele consegue fazer isso?! É impossível! – o moreno reclamava enquanto se debatia no chão, espirrando água pra todos os lados.
– Você é realmente incrível, Yato. – Hiyori colocou a mão no rosto, sentindo a vergonha alheia crescendo a cada instante que ouvia Yato se debater e pedir ajuda para sair da prisão de tecido que ele mesmo fizera.
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