Conspirator Poison - é Ele ou Ela?
6 Return/Surprise
Notas iniciais
Conspirator Poison
- Cena 9 – Return -
E mais uma viagem pela Europa chegava ao fim. Até que era proveitoso conhecer outras culturas... (Leia: Mulheres), mas achava o “aconchego do lar” um bom descanso antes de mais uma turnê estaduniense.
Sabíamos que haveria um certo tumulto com a nossa chegada no aeroporto, e francamente, isso não me incomodava há tempos, parecia mais uma experiência extracorpórea, então... Toda paciência do mundo para prosseguir no meio da multidão.
Quando finalmente pulamos para o lado de fora do aeroporto, Shawn despediu-se do resto do pessoal e seguiu com seu filho, que viera buscá-lo. Mais adiante, foi Mick que encontrou sua esposa o esperando ao lado do carro.
Ela deu um “olá” meio seco para nós todos e acompanhou o marido, agarrada ao sobretudo marrom.
O resto de nós rumou para um bar no centro de Des Moines, depois de deixar nossas malas na casa de Sid (que morava mais perto). Só por volta das duas da tarde, James teve que ir também, graças a um telefone de Christina, que viera morar com ele no verão passado.
- Thau, caras. – despediu-se ele, com um aceno – Até segunda.
Erguemos os copos de uísque, brindando.
Era muito bom respirar aquele ar poluído norte-americano, satisfeitos uns com os outros – Saber que fazíamos diferença, que não éramos mesmice.
Todos nós, Os Nove de Iowa, tínhamos certeza dos nossos objetivos, do porque de estarmos juntos durante tanto tempo. Mesmo que houvesse gente que retorcesse o nariz.
- Caras, somos ou não uma banda foda?! – berrou Corey, erguendo mais uma vez seu copo. – Massacramos ou não essas bandinhas de merda?!
Berramos em resposta, concordando com as palavras dele. Era obvio que o álcool nunca foi minha especialidade, mas manter certa consciência para essas típicas comemorações era algo que eu podia fazer.
- Os outros filhos-da-puta não têm chances contra a gente! – incentivou Chris, erguendo os braços.
Mais berros, risos acompanhando nosso êxtase. Como uma família, quem sabe.
Por essas e outras, éramos os Slipknot.
Ainda que meros mortais por trás de máscaras.
Máscaras...
Aquela dúvida me corroia. Eu não conseguira encontrar vestígio algum na Internet sobre a identidade daquele vocalista do tal Conspirator Poison.
Só descobrira que ele (ou ela) se chamava Alex. Mas isso era muito vago para mim.
Cheguei ao meu apartamento tarde da noite, após buscar minhas malas na casa do Sid.
Encontrei um envelope à minha espera.
***
Conspirator Poison
- Cena 10 – Surprise -
MALDIÇÃO...!
Por que...? Por que Sam resolvera marcar aquela porra da sessão de fotos?!
- Pelo lado bom... Nada de autógrafos. – disse Michael, que quase nunca falava. Leidan até se assustou.
- Foi algo bem traumático pra você, né?
- Para todos nós, colega. – emendou Dalton, roendo a unha do polegar compulsivamente.
- Ah, não fiquem com essas caras de enterro! – exclamou Sam, vindo ao nosso encontro – O pessoal do estúdio é muito profissional!
- E eu com isso...? – resmungou Leidan, em voz baixa.
Enfim, passamos pela porcaria das fotos. Mas quem disse que acabara?
Nosso “querido” empresário havia nos enganado.
- O quê?! – berrou Jason, e eu raramente o via zangado – Eu pensei que eram só fotos!
- Ora meu caro Jason! Não precisa se aborrecer com algo tão rápido!
- Quero... Que... Demita... Esse... Cara. – sussurrou Jason entre os dentes.
- Vamos lá. – disse desanimadamente, empurrando-o.
Colocaram todos nós em uma sala muito mobiliada, que parecia um pequeno auditório. Havia uma mesa comprida cheia de guloseimas em um canto, o que me fez sentir vontade de vomitar.
Era um cenário que queria nos agradar e se mostrar bem confortável, mas esse efeito não era alcançado por causa do que já sabíamos que aconteceria.
Não era uma sessão de autógrafos.
Era uma entrevista.
Um rapaz de trajes informais saiu de uma porta do lado oposto da sala, com um largo sorriso que esperava que fosse retribuído. Mas nossas carrancas não pareciam nada convidativas.
- Eu te odeio, Sam. – sibilou Leidan, atrás de mim.
A risada sem-graça do nosso empresário não quebrou o gelo.
Suspirei, pensando no pedido de Jason para demitir Sam. Era algo a se considerar.
E então?
Seguiu-se o festival das perguntas repetitivas, do tipo “Como vocês se conheceram?”, “O que os inspirou nesse álbum?”, “Quais são suas perspectivas para a próxima turnê?” e tantas outras questões que já havíamos respondido em outras oportunidades.
Ao fim de uma hora, o repórter remexia suas anotações, dizendo.
- Ótimo, ótimo... – e escreveu mais algumas coisas em um maciço bloco de papel – Vocês realmente têm um visual bem marcante, hein? – nos entreolhamos entediados – Cabelos compridos e arrepiados, expressões e atitudes um tanto rebeldes... Mas, antes de terminamos, Alex, poderia responder mais uma pergunta para seus assíduos fãs, em especial... As garotas?
- Se você acha que devo. – murmurei, sem emoção.
- Erm... – ele pigarreou – Por que insiste em cobrir seu rosto?
Eu já devia esperar por isso...
- Suponho que a resposta pra essa pergunta seja da minha conta, não? – que se dane o que pensassem da minha grosseria para com esse assunto – Será que podemos encerrar essa palhaçada, Sam?
Levantei-me da cadeira onde eu tivera que agüentar uma hora de teatrinho e sai, deixando o repórter perplexo e meus companheiros de banda orgulhosos.
Era realmente o FIM!
MALDIÇÃO...!
Notas finais
Até a próxima, onde aparecerá uma pedra do meu sapato!
JULIE/POISON
Beijão!
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