Consequências
33 As consequências trazidas pelo futuro
Notas iniciais
—Taila! Taila! — Choi Young Do tocou o rosto dela e se preparou para pegá-la no colo, quando Chan Eun Sang se aproximou, também desesperada.
—Não toque no corpo dela, você pode deixá-la pior. Precisamos ligar para o hospital.
—Mas eu não falo português.
—Eu também não.
Kim Tan e Park Soo Yong também se aproximaram dela. Park Soo Yong disse ofegante:
—Eu aprendi algumas frases antes de vir para cá, posso pedir para alguém ligar.
Eles estavam tão preocupados com ela, que nem sequer perceberam que o motorista fugiu do local do acidente.
A sala do hospital estava silenciosa, tudo estava calmo e muitas luzes já haviam sido apagadas. Taila havia sido levada para a sala de emergência, estava correndo risco de vida. Choi Young Do estava andando de um lado para o outro, tentando respirar. Chan Eun Sang estava tão desesperada quanto eles, mas estava ao máximo tentando acalmá-los, principalmente a Choi Young Do, que queria ainda bater em Park Soo Yong, que permanecia sentado de cabeça baixa.
—Alguém já foi avisado do que aconteceu com a Taila? — Perguntou ela preocupada, acariciando de leve o ombro de Kim Tan, que estava com o rosto vermelho, parado como uma estátua olhando apenas para uma direção.
—Eu não tenho cabeça para falar com ninguém — disse Kim Tan sem mover nenhum musculo. — A Taila entrou na minha frente, era eu quem deveria estar naquela UTI. Isso é tudo culpa minha.
—Agora não é hora de você se culpar. Eu vou avisar a todos o que aconteceu, a família dela deve querer ver como ela está — ela se levantou pegando seu celular no bolso da calça. Caminhou um pouco, mas parou, quando sentiu a mão de Choi Young Do segurando firme em seu braço.
—Por favor, espere mais um pouco... — a voz dele estava baixa e seu rosto estava vermelho. Ela não conseguiu prosseguir, apenas abaixou o seu braço que segurava o celular. — Não chame ninguém ainda... — ele abaixou a sua cabeça para limpar uma lágrima que escorreu. Ela apenas o avaliou, nunca o havia visto daquela forma, tão abalado. De repente ele puxou-a pelo braço, aproximando-a de propósito de seu corpo. Um abraço caloroso, que ele precisava mais do que nunca. Kim Tan apenas ergueu seu olhar e viu. Não havia se importado com a reação de Choi Young Do, ou então apenas queria permanecer quieto.
O médico apareceu de repente, seu jaleco estava sujo de sangue. Eles ficaram preocupados, mas ele parecia calmo. Assim que se aproximou deles, ele retirou as suas luvas e guardou-as no bolso do jaleco.
—Vocês são a parentes da Taila Monteiro? — Todos ficaram confusos, ele havia falado em português. Kim Tan se levantou de seu gelo, Park Soo Yong levantou a sua cabeça e Choi Young Do soltou-se de Chan Eun Sang imediatamente.
—Doutor o senhor falar inglês? — Perguntou Kim Tan em inglês.
—Não é uma das minhas melhores especialidades, mas eu falo sim, o necessário.
—O que a Taila tem?
—O que vocês são dela primeiro. Não posso divulgar informações assim.
—Por favor doutor — Choi Young Do se aproximou desesperado. Apenas Chan Eun Sang não estava entendo nada do que eles estavam falando — eu sou o namorado dela, eu estava lá quando o acidente aconteceu.
—Está bem! Eu não devia fazer isso, mas pelo desespero de vocês, não podem ser estranhos dela. Ela sofreu um traumatismo craniano com hematoma intracraniano, acabamos de removê-la da sala de cirurgia.
—E como ela está?
—A cirurgia foi um sucesso. Ela está agora em coma induzido. O acidente foi muito grave, mas a lesão no cérebro não foi tão grave, mas isso ainda não impede que possa se agravar com o tempo. Não sabemos quando ela vai acordar e como ela vai acordar, estejam preparados para tudo.
—Então, ela vai ficar bem? — Perguntou Kim Tan se sentindo aliviado.
—Acreditamos que sim, tudo depende de como o corpo dela irá se recuperar. Se tudo ocorrer bem, ela pode acordar em alguns dias — a enfermeira chamou o médico, que se despediu imediatamente e a seguiu.
—Vou ligar para o pessoal do colégio e pedir para que eles avisem a família dela — avisou Chan Eun Sang enquanto saía imediatamente.
—A Taila vai ficar bem — comentou Choi Young Do respirando fundo. — Ela não pode me deixar, não agora.
—Não importa o que aconteça — comentou Kim Tan — pelo menos ela tem a todos nós. Até mesmo a você Park Soo Yong.
Ele apenas assentiu, não estava dando conta de dizer uma palavra sequer. Seu rosto estava inundado em lágrimas. Ele estava mais desesperado que qualquer um ali. Ele sabia que no fundo, parte do que aconteceu era sua culpa, e se acontecesse algo a Taila, ele nunca se perdoaria.
Às seis da manhã, a família de Taila já estava no hospital. A mãe de Taila havia sido avisada através do colégio. Os professores também apareceram. Chan Eun Sang estava tirando uma soneca escorada no ombro do namorado, mas nenhum dos garotos havia dormido. Roberto já havia sido avisado antes de qualquer um, mas só pode ser liberado do hospital depois que todos já estavam lá, pois seu médico só apareceu as sete da manhã e somente ele poderia lhe dar alta para deixar o hospital, pelo menos para visitar a filha.
A diretora se aproximou dos quatro, enquanto a mãe de Taila estava desesperada conversando com o médico. Eles estavam de cabeça baixa. Yang Mi pediu para que Choi Young Do descansasse sua cabeça em seu ombro. Ele não recusou, estava muito frágil para recusar qualquer carinho que lhe oferecessem.
—Como vocês podem ter deixado isso acontecer? Eu cuidei de tudo para que nada desse errado e vocês ainda conseguiram se envolver em um acidente grave. Isso nunca aconteceu na história do colégio Jeguk, e tinha que acontecer justo agora...
—Diretora — o professor Kyung Jae murmurou perto do ouvido dela — acho melhor que a senhora lide com eles mais tarde. Estamos em um hospital e nenhum deles está feliz pelo que aconteceu.
Ela respirou fundo, sabia que ele estava certo.
—Está bem professor. Temos que recorrer ao código vermelho do colégio.
—Mas diretora a senhora... — ele arregalou seus olhos surpreso e com um tom desesperado ele continuou.
—Nenhum “mas” professor. Quando a garota se recuperar retomaremos esse assunto. Precisamos conversar a respeito disso com muitos detalhes, pois querendo ou não, a turma retornará a Coreia em dois dias.
—Mas diretora o código vermelho...
—Eu já disse professor, não voltarei atrás.
Assim que ela saiu, o professor se sentou ao lado de Park Soo Yong, passando a mão pelo seu rosto. Ele levantou uma de suas mãos para dar uma pancada no garoto, mas desistiu ao se lembrar de seu posto como professor.
—Eu sabia que você estaria envolvido em algum problema.
—Professor — chamou Kim Tan, ao ver Park Soo Yong se recolhendo em seu banco — o que é o código vermelho?
Ele respirou fundo e disse:
—Significa expulsão em massa de alunos. Nós só devemos fazer isso quando algo muito terrível acontece.
—Isso quer dizer...
—Quer dizer que todos os envolvidos no acidente serão expulsos do colégio por não cumprir as regras da viagem. Isso inclui vocês quatro e também a Taila. Todos vocês serão expulsos do colégio por serem considerados péssimos exemplos.
—Que se dane esse colégio — disse Choi Young Do se levantando nervoso. Aproximou-se da parede e socou-a com força. — Tudo o que eu quero é que a Taila fique bem. Estou com medo, ela pode sofrer quaisquer sequelas.
—Park Soo Yong! — Gritou Roberto aparecendo de repente. Arrancando o garoto de sua posição de conforto e o empurrando com força contra a parede. Ele o segurou pela gola da camisa, em seus olhos havia desespero e fúria. — O que eu disse a você? Em? Eu não disse que a proteção da minha filha era prioridade? Você quer que eu faça com você o mesmo que você fez?
—Senhor por favor se acalme — Kyung Jae segurou Roberto, que se deixou cair no chão desesperado, chorando. Vê-lo daquela forma estava deixando a todos machucados.
—Você não tinha o direito de fazer isso comigo nem com a Taila. Eu fiz de tudo para protegê-la, eu queria ter certeza que ela poderia se cuidar mesmo longe de mim, e ela vem parar em um hospital de novo. Isso é tudo culpa minha.
—Senhor Roberto, por favor — Marcela se aproximou, segurando-o pelo braço e puxando-o para cima, até ele conseguir ficar de pé. — Venha comigo ver como ela está.
No dia seguinte à tarde a diretora se reuniu com os quatro envolvidos no acidente de Taila em seu quarto de hotel. Eles estavam no penúltimo dia no Brasil e não sabiam como tudo ia se resolver. O que Kim Tan e Choi Young Do sabiam era que eles permaneceriam no Brasil mesmo após os outros voltarem à Coreia. A diretora estava séria e com os dedos entrelaçados ela perguntou:
—Como foi que isso aconteceu? Como vocês chegaram lá? E como ela foi atingida.
—Nós brigamos — Choi Young Do começou sem medo — Park Soo Yong, Kim Tan e eu temos um histórico de bullying, e decidimos que íamos esclarecer isso ontem. A Taila e a Chan Eun Sang foram nos impedir e tudo saiu de controle e corremos em direção à rua...
—E para me salvar — continuou Kim Tan — ela me empurrou e foi atropelada no meu lugar.
—Foi isso mesmo que aconteceu? E como foi que vocês duas descobriram sobre essa briga? — Perguntou ela a Chan Eun Sang, que estava bastante nervosa.
—A Taila descobriu e me chamou. Nossos namorados iam brigar, era justo que nós fossemos impedir.
—E por que não chamaram a diretora e deixaram que um acidente assim acontecesse?! — Gritou ela. — E eu posso saber onde é que os seguranças do senhor Monteiro se encaixam nessa história?
—Eu os paguei — começou Choi Young Do irritado com o questionário. Tudo o que ele queria era voltar ao hospital ficar ao lado de Taila. — Não iriamos conseguir sair se eles estivessem no nosso caminho. Alguns deles foram para manter a nossa proteção.
—Por que será que eu não consigo acreditar no que estão dizendo?
—Quem se importa? — Resmungou Choi Young Do desacatando a diretora, que ficou furiosa.
—Quem o senhor pensa que é para falar dessa forma comigo?
—Faça como a senhora quiser, me puna como a senhora quiser, mas por favor, me deixe ficar ao lado da garota que eu amo.
—Está bem! Mas antes de ir, por favor, os três garotos assinem essa carta, por favor — ela entregou a eles que apenas leram. Choi Young Do simplesmente pegou a caneta e assinou. — A senhorita assine esses papéis.
—O que é isso? — Perguntou ela, preocupada.
—Pelo que me parece, a senhorita e a Taila não estão diretamente envolvidas com o que aconteceu, mas ainda sim desobedeceram às regras. Isso é uma advertência e na volta veremos como vamos trabalhar isso. Já a dos senhores, são cartas de expulsão. Todos os três estão expulsos por desobedecerem às regras, se colocarem e colocarem seus colegas em situações graves de perigo e dentre eles, um está em coma. É a punição mínima que vocês podem receber. O colégio tem a obrigação de levá-los de volta a Coreia, mas depois que voltarem, não teremos mais obrigações nenhuma com nenhum dos três.
—Entendi — entregou Choi Young Do o papel e deixou o quarto imediatamente. Park Soo Yong também fez o mesmo sem dizer uma palavra sequer. Kim Tan pegou a caneta e avaliou bem o papel antes de escrever seu nome.
—Desculpe por não podermos nos formar juntos — disse a Chan Eun Sang antes de colocar seu nome naquele papel e tornar oficial a sua expulsão do colégio Jeguk.
Ao sair do quarto da diretora, Chan Eun Sang abraçou Kim Tan, que ficou confuso com a sua reação. Ela estava chorando, com o rosto escondido em seu peito.
—Eu tive tanto medo que você se machucasse. Se a Taila não tivesse entrado na sua frente seria você no lugar dela. Eu sei que eu não deveria, mas eu estou aliviada.
Ele apenas passou suas mãos nos cabelos dela e passou seus braços em volta dos ombros dela. Abaixou sua cabeça em busca de conforto. No fundo ele queria ter sido atingido pelo carro.
Fale com o autor