Consequências

34 O dia em que você abriu seus olhos


Notas iniciais
Oi gente, acho que nem tenho coragem de pedir desculpas por atrasos mais, mas estou aqui com mais um quentinho para vocês

Estava chegando o dia da viagem de volta dos alunos à Coreia do Sul, Chan Eun Sang não sabia o que poderia acontecer, já que Taila ainda estava em coma, e Kim Tan e Choi Young Do passavam o tempo todo no hospital a espera de novas notícias. Yang Mi estava organizando as suas coisas em seu quarto, bufando. Ela estava aproveitando o coma de Taila para se aproximar de Choi Young Do, mas Myung Soo passava o tempo todo tentando atrapalhá-los.

—Mas que droga de viagem curta — resmungou ela, recolhendo as suas roupas e jogando-as com força em sua mala. — Eu queria ficar ao lado do Young Do oppa.

—Por que você não fica? — Perguntou Chan Eun Sang, mandando uma mensagem no celular para a sua mãe. — Você tem dinheiro, pode voltar quando quiser.

—Bem que eu queria, mas os alunos do colégio devem voltar todos juntos. Como o Young Do oppa foi expulso, ele poderá ficar aqui. Estou com raiva.

—Você não se importa com o fato de a Taila ainda estar em estado grave?

—Claro que me importo — fingiu estar mais preocupada do que realmente estava. — Mas eu não sei, nunca fui do tipo coração mole. Para mim, a culpa foi dela mesma de estar naquele estado.

—Você é realmente fria — comentou Rachel saindo do banheiro com uma toalha enrolada em seu cabelo. — Nem mesmo eu que nunca fui com a cara dela consigo pensar dessa forma. Pela sua cara — olhou para Chan Eun Sang que estava parada olhando apenas para um ponto, como se estivesse em transe — parece que aconteceu muito mais coisa do que vocês estão dizendo. E dá para acreditar que vocês eram as garotas que ela considerava como as melhores amigas dela?

No hospital, Kim Tan, Choi Young Do e Roberto estavam na sala de espera querendo saber qualquer notícia de Taila e quando ela iria acordar, mas o médico nada dizia a eles. Jay apareceu hospital para saber como ela estava, ele demorou a receber a notícia do que havia acontecido, e como um grande amigo dela, ele não ia deixar de visitá-la. Assim que chegou cumprimentou Kim Tan batendo suas mãos abertas umas nas outras.

—Como ela está? — Perguntou em inglês.

—Ela está em coma induzido. O médico a deixou em observação para prevenir que ocorra qualquer hemorragia, isso significa que ainda não sabemos nada.

—Cara como foi que isso aconteceu?

—Ela entrou na minha frente Jay. Era eu quem deveria estar lá e não ela. A Taila ainda é a mesma criança mimada que faz as coisas sem pensar.

—Acho que ela ainda gosta de você.

—Eu duvido muito — disse ele, ao ver que Choi Young Do ficou sério imediatamente.

—Se ela não te ama, pelo menos ela ainda se importa com você. Você não sabe o quanto ela gostava de você naquela época.

—Eu sei, mas para mim era coisa de criança. Eu tinha quinze anos, o que eu sabia de amor?

—Vou tomar uma água, cansei de ouvir coisas estupidas — Choi Young Do se levantou, coçando a nunca com uma de suas mãos e colocando a outra em seu bolso.

—Ele sabe inglês? — Perguntou Jay, sentindo-se culpado. — Droga, que fora que eu dei agora.

—Jay... — começou Kim Tan com a voz rouca. — O quanto ela gostava de mim?

—Você era mesmo um idiota.

—Eu sei que eu era.

—Tente reparar seu erro do passado quando ela acordar — comentou Roberto, massageando as suas têmporas. Estava sentindo uma forte dor de cabeça. — Trate bem a minha filha quando ela acordar. Eu afastei muito a Taila para que ela não sofresse com a minha ausência, mas eu nunca pensei que doía tanto. Eu cometi um erro que pretendo reparar.

A chamada do voo para a Coreia do Sul foi anunciada. Os alunos se exaltaram, a maioria queria ficar no Brasil ao lado de Taila, enquanto outros nem sequer a conheciam e tudo o que queriam era voltar e estudar para passar no exame da faculdade. Chan Eun Sang estava pronta para caminhar em direção ao portão de embarque, ao lado de Yang Mi e Myung Soo. Assim que chegou ao portão de embarque, ela ouviu seu nome. Ela conhecia aquela voz. Não sabia como voltar sem ser vista pelos professores, então acabou sendo escondida por Yang Mi e Myung Soo, que após escondê-la, aproveitaram um momento de distração para fugirem também.

Ela correu para os braços do namorado e o abraçou sem medo. Todos os seus colegas já haviam entrado, então não havia risco de ninguém os ver.

—Você veio se despedir? — Perguntou ela confusa.

—Não, não posso deixar que você vá sem mim. Eu vim te pedir para ficar ao meu lado.

—Está bem! — Ela o abraçou novamente. — Não importam as consequências, eu vou ficar ao seu lado.

—Eu também vou ficar! — Gritou Yang Mi finalmente criando coragem, tudo o que ela mais queria era ficar ao lado de Choi Young Do nesse momento difícil.

—Se a Jang Yang Mi ficar, eu também fico! — Gritou Myung Soo. — Mas vocês sabem que todos seremos expulsos do colégio, não é?

—Eu não me importo! — Gritou Yang Mi decidida.

—Nem eu! — Disse Chan Eun Sang sorrindo.

—Eu também não, o que importa é ficar ao lado de vocês.

—A Taila vai ficar feliz de ver vocês quando ela acordar!

—Quando ela vai acordar? — Perguntou Yang Mi preocupada.

—Ainda não sei. Mas logo eles vão acordá-la, então preciso que vocês estejam aqui. Ela considerava a Chan Eun Sang a melhor amiga dela, não acho justo que você a deixe aqui nesse estado. Acredite, a amizade da Taila é mais valiosa do que uma vaga naquele colégio.

—Eu acredito — ela disse com sinceridade, olhando fundo nos olhos dele.

—Vamos voltar?!

—Espera! — Gritou Myung Soo olhado para a esteira do avião. — Nós já despachamos as nossas malas.

—É verdade! — Disse Chan Eun Sang preocupada.

—Dane-se as malas — disse Yang Mi animada, grudando seu braço ao de Kim Tan. — Nós podemos comprar roupas novas aqui e eu compro para você, Chan Eun Sang. Vamos para o hospital!

No hospital, Marcela acabava de chegar sozinha. Apenas Roberto e Park Soo Yong estavam lá, ainda esperando por notícias. Choi Young Do havia saído para ir ao banheiro, mas logo estaria de volta. Ele carregava em suas mãos uma pequena marmita, e em seu rosto, uma expressão de conforto.

—Você deveria voltar para o hospital — disse ela, notando que Roberto estava debilitado. — A Taila não vai acordar por enquanto, mas ela vai ficar bem.

—O que você quer aqui Marcelo?

—Vim trazer algo para vocês comerem, já que vocês são uns cabeças duras que não vão para casa, então eu trouxe uma comida decente.

—Eu não quero nada. Eu quero que a minha filha saia logo daquela UTI. Por que não trouxe a sua mãe? Ela não se importa com a filha nesse estado?

—Ela se importa, mas ela acordou passando mal, estava com pontadas no peito. Pedi para que ela ficasse em casa.

—Melhor assim, a última coisa que eu quero é me dar de cara com aquela mulher. Quando a Taila será transferida para o quarto?

—Provavelmente quando ela acordar e se ela não tiver nenhuma complicação.

—Sua irmã está bem! Ela sempre vai ficar bem, ela é uma Monteiro.

Uma sirene soou e os enfermeiros começaram a correr em direção a UTI, eles ficaram confusos e assustados. Choi Young Do correu na direção deles assim que ouviu o barulho. Marcela tentou perguntar a uma das enfermeiras o que estava acontecendo, mas ela só disse o seguinte, antes de sair correndo:

—É uma parada cardiorrespiratória.

—Em quem?! — Marcela seguiu a enfermeira, mesmo sem permissão. Os outros foram barrados quando tentaram.

Os enfermeiros estavam tentando reanimar o corpo de Taila, pois seus batimentos cardíacos haviam caído para zero e a sua pressão sanguínea estava cada vez mais baixa. As lágrimas desceram pelos olhos de Marcela sem medo. Ela estava desesperada, o médico já havia tentado várias vezes e o coração dela não voltava a bater. Roberto, Choi Young Do e Park Soo Yong vieram correndo para saber o que estava acontecendo e todos ficaram desesperados quando viram o médico tentando reanimar o corpo de Taila.

Choi Young Do queria a todo custo invadir aquele quarto, mas ele se segurou, queria apenas que o coração dela voltasse a bater, mas parecia que depois de tanto tempo, seus laços estavam se quebrando. As lágrimas escorreram pelo seu rosto, enquanto ele via o corpo da amada estava sendo erguido por uma forte corrente de choque. Roberto se segurou no ombro de Choi Young Do, pensar que Taila estava à beira da morte estava o deixando alterado, e por um instante as suas vistas ficaram escuras e ele caiu no chão. Sua cabeça foi amparada por Marcela, que mesmo em meio aquele momento desesperador, não podia deixar que Roberto também fosse parar na UTI.

Choi Young Do se abaixou para ajudar o sogro, seu coração estava dolorido, o médico anunciava que já era a sua última reanimação. E quando o barulho do choque se fez, o coração dele bateu tão forte que ele pode sentir aquele choque também em seu coração. O médico encerrou o momento, não havia mais como reanimá-la. Ele se desmanchou em lágrimas quando ouviu a notícia.

Marcela abaixou a cabeça, fitando Choi Young Do, que já estava desesperado. Sentindo que uma parte do seu coração havia sido arrancada, mas um momento estranho deixou a todos surpresos, os batimentos de Taila voltaram. Choi Young Do se levantou para ter certeza, e saber se não estava sonhando. Ela ainda estava viva, e logo voltaria para os seus braços.

***

Taila sentiu seu corpo dormente, um barulho, parecido com um apito, estralava perto de seu ouvido. Fazia-o doer. Abriu seus olhos, sua visão estava embaçada. Uma pontada forte atingiu a sua cabeça, nunca havia na vida, sentido uma dor mais agoniante. Seu corpo todo estava doendo, e ela podia sentir os curativos em algumas partes de seu corpo.

Não tinha forças para se levantar como queria, não sabia como havia ido parar ali e estava assustada. O médico apareceu de repente, ele estava sorrindo, estava na hora de ela sair do coma induzido e começar a se recuperar consciente. Ele começou a examiná-la. Ela estava fraca, mas pelo diagnóstico que ele fez, ela não teria lesões graves após sua recuperação total.

Quando chegou ao lado de fora, já havia se passado dois dias que ela havia tido a parada cardiorrespiratória. O médico avisou a todos que Taila havia acordado, mas só poderia receber a visita dos pais, como a mãe dela não estava presente, Marcela pode acompanhar Roberto, devido ao seu estado de saúde.

Assim que viu a filha, que estava com um olhar assustado, como uma criança que perdeu a mãe de vista no shopping, ficou aliviado. Sua filha estava viva e finalmente consciente. Assim que se aproximou dela, tocou seus cabelos, que tiveram uma parte raspados para a realização da cirurgia de emergência. Ela tentou dizer algo, mas não conseguia. Roberto colocou seus dedos suavemente sobre os lábios dela dizendo:

—Não diga nada, você vai ficar bem, você está fraca demais. Vamos esperar você se recuperar e deixar essa UTI.

—Como você está irmãzinha? — Disse Marcela se aproximando e tocando as bochechas dela com as costas de sua mão. — Devemos deixar eles entrarem? Eles estão aqui há dias.

—Deixá-los entrar não vai ser uma boa ideia. A Taila ainda está abalada.

—Kim... — ela tentava falar com dificuldades.

—Sim, o Kim Tan está aqui — disse ela sorrindo, deixando sua irmã confortada. — O seu namorado...

—Como você está? — Perguntou o médico com bom humor, entrando com os resultados dos exames de Taila. — Você é bem forte mocinha, já está começando a se recuperar. Em poucos dias você já vai poder deixar a UTI.

—Doutor devemos deixar o namorado dela entrar? — Perguntou Roberto, enquanto Taila ainda continuava chamando pelo nome de Kim Tan.

—Calma, senhor Monteiro. Apesar de eu entender bulhufas do que ele fala, o importante agora é pensar em sua filha. Ela está muito abalada e confusa. Eu sei que o garoto está mal, mas é melhor esperar até que ela seja transferida para o quarto.

—E quando vai ser isso doutor? — Perguntou Marcela, preocupada com Choi Young Do.

—Em poucos dias, se ela estiver bem, vai ser logo. Ela já está melhor, mas não podemos abusar.

—O senhor tem razão — comentou Roberto, apoiando-se na cama, pois sentiu uma vertigem. Taila arregalou seus olhos e tentou se levantar, mas não conseguiu.

—O senhor está bem?

—Estou... es... tou... — a sua voz foi diminuindo ao mesmo tempo que seu corpo caiu completamente no chão.

—Pai! — Gritava Marcela indo em direção a ele.

Taila estava mais assustada ainda e seus batimentos começaram a aumentar mais do que deveriam. O médico foi ver como ele estava e examiná-lo. O médico não teve outro remédio a não ser aplicar um calmante em Taila e colocá-la para dormir um pouco, apenas para acalmá-la. Após levá-lo para o lado de fora da UTI, o médico examinou-o novamente e perguntou:

—Isso acontece com frequência?

—Doutor, ele tem câncer?

—Como? O que ele está fazendo aqui? Deveria estar internado?

—Ele se recusou a receber tratamento, e saiu do hospital assim que a Taila se acidentou.

—Pelo estado dele deve estar bastante avançado. Temos que interná-lo com urgência.

—Eu assino os papéis como filho dele! Afinal, foi ele quem me criou e me registrou.

Notas finais
Não esqueçam de deixar um comentário e até a proxima ♥