Consequências
32 A vingança nem sempre é doce
Notas iniciais
Os dois sentiram seus sangues ferverem. Se aproximaram de Park Soo Yong, que estava com uma expressão de rebeldia. Choi Young Do pegou no colarinho da camisa dele e o segurou firme enquanto o encarava sério.
—Quem você pensa que é para ficar com esse tipo de brincadeira?
—Não se preocupe, a Taila está completamente bem, já a Chan Eun Sang, eu não posso dizer...
—O que você fez com ela?! — Com tom ríspido e uma fúria surgindo em Kim Tan, ele empurrou Park Soo Yong de uma vez, fazendo-o bater as costas contra a parede. Choi Young Do o segurou para que ele não fizesse uma besteira.
—Nada... ainda — ele colocou as suas mãos nos bolsos, jogou o cabelo para o lado e disse com um ar superior: — sigam-me!
Longe dali Taila finalmente chegou ao seu destino. Saiu do carro um pouco apreensiva, não conseguia confiar em suas habilidades de luta. O lugar era uma quadra de esportes, não era muito grande e nem muito pequena, mas eles poderiam ter uma luta que machucaria bastante. Os seguranças estavam usando preto e eles simulariam situações reais que ela poderia enfrentar na sua vida. Tudo completamente esquematizado por Roberto. Havia um galpão enorme ao lado da quadra de esportes, e muitos seguranças estavam lá. Ela ficou preocupada, não sabia como aquilo poderia ocorrer.
Eles pediram para que ela vestisse a sua roupa necessária. Era uma roupa preta, havia luvas tornozeleiras, e vários outros equipamentos de proteção que ela se recusou a vestir, pois se vestisse não estaria passando por um teste que estava acostumada. Olhou-se no espelho e se encorajou, respirou fundo e pensou em seu namorado que a estaria esperando no hotel quando ela voltasse. Sorriu para si mesma e abriu a porta determinada. Prendeu seus cabelos, pois eles poderiam ser seu ponto fraco.
Assim que chegou na quadra, um deles já a atacou a empurrando. Ela caiu no chão. Não era a primeira vez que ela havia sido empurrada por ele, e ao se lembrar da última vez, um ódio invadiu seu coração e ela se levantou erguendo a sua perna, girando-a de uma vez e acertando o rosto dele em cheio. Ele caiu sentado no chão, o impulso havia sido forte e havia muita força também. Pela primeira vez, ela não estava com medo.
Park Soo Yong estava acompanhado dos seguranças de Roberto. Assim que eles chegaram em frente a um galpão de carro, Kim Tan e Choi Young Do estavam a ponto de avançar sobre ele. Eles entraram no galpão e as luzes se acenderam, Kim Tan comentou para si mesmo que aquilo estava parecendo um filme. Ao mesmo tempo em que estava bastante preocupado com a segurança de Chan Eun Sang.
Ele a pode ver amarrada a uma cadeira assim que eles entraram no galpão. Ele tentou correr em direção a ela, mas caiu no chão ao ser empurrado por um dos seguranças. Eles o seguraram e também a Choi Young Do que já ameaçou que queria distância com o olhar.
—Como podem ver, ela está bastante bem — ele passou a mão sobre o ombro de Chan Eun Sang, que ficou furiosa e ao mesmo tempo estava com medo.
—O que você pretende fazer? — disse Kim Tan, segurando a sua raiva para não o xingar. — E como está controlando esses homens. Pelo que eu saiba, eles são seguranças do pai da Taila.
—São, mas o senhor Roberto e eu temos um pequeno acordo. Acho que você já deve ter percebido o que eu quero fazer.
—Prefiro que você fale com todas as letras — Park Soo Yong se aproximou dele com passos ligeiros e com uma de suas mãos a enfiou com todas as forças no estômago de Kim Tan. Ele segurou a dor com firmeza, já havia brigado muito na vida para se render a um pequeno soco.
—Está bem! — Ele sorriu dando um tapinha de leve no rosto de Kim Tan. — Vocês acharam mesmo que eu ia perdoá-los pelo que vocês fizeram? Principalmente você... Kim Tan. — Park Soo Yong pegou algumas ferramentas. Chan Eun Sang ficou desesperada, não podia gritar, pois estava amordaçada. Dentre aqueles objetos estranhos, havia um caderno e várias fotos.
—Vocês dois se lembram disso? — Ele balançou o caderno.
—“O diário da garotinha” — Choi Young Do disse com deboche da mesma forma que fazia quando era jovem.
—Meu caderno de anotações, quase um diário. Aqui eu anotei coisas muito importantes, uma delas diz respeito a você e ao motivo de vocês odiarem os bolsistas.
—Seja o que você quiser fazer faça logo — disse Kim Tan sério. — Faça o que quiser comigo. Não preciso que um segurança fique me segurando.
—Mas eu prefiro assim, porque vocês preferiam assim. Mesmo sabendo que podiam me espancar que eu não ia poder fazer nada.
—Antes de mais nada, vou lê-lo. Será mais interessante se a nossa convidada de honra ouvir a nossa história. Vocês não devem ter contado a ela essa parte, claro que não, não era conveniente.
Kim Tan e Choi Young Do respiraram fundo. A última coisa que eles queriam era se relembrar do passado. Park Soo Yong começou a ler, enquanto com a mão pediu que o segurança soltasse apenas Kim Tan.
—“Quatorze de abril de dois mil e nove, hoje é o meu primeiro dia no colégio Jeguk. Ganhei uma bolsa ao participar de um concurso para crianças dotadas. Me sinto muito feliz de estar estudando em um colégio particular”. “Quinze de abril de dois mil e nove, hoje eu fui implicado por alguns garotos que disseram que eu pareço uma garota, talvez por eu ter o cabelo grande”. “Dezesseis de abril de dois mil e nove, hoje eu conheci a garota dos meus sonhos. Ela me ajudou em matemática, o nome dela é Lee Bo Na”. “Vinte e dois de abril de dois mil e nove, eu fui ameaçado pelo filho da dona do colégio, ele me deu um soco na cara hoje de manhã, e eu nem sequer sei o motivo e me xingou por ser pobre”.
Park Soo Yong se aproximou de Kim Tan e lhe deu um soco no rosto, assim como ele havia feito no passado. Kim Tan apenas limpou seu rosto, havia apenas se formado uma bolha de sangue no canto de seu lábio.
—“Vinte e três de abril, hoje eu fui atacado no banheiro após a aula de reforço que eu tive com a Lee Bo Na. O filho da diretora e o amigo dele me afogaram na privada do banheiro. Eu queria que eles parassem, mas eles não paravam, eu pensei que fosse morrer”.
—Eu me lembro disso — disse Kim Tan com remorso. — O que eu fiz não tem perdão.
—Percebeu isso hoje? “Vinte e seis de abril, aqueles dois jogaram lixo na minha comida enquanto eu lanchava calmamente na cantina”. “Vinte e nove de abril, eu roubei um selinho da Lee Bo Na na frente da escola. Hoje foi o melhor dia da minha vida, mesmo que ela tenha me dado um tapa. Ela me disse que não namoraria um cara como eu, porque eu parecia uma garota”. “Trinta de abril, tudo estava indo bem, a Lee Bo Na não queria conversar comigo pelo que havia acontecido e achei isso fofo, mas acabei me dando mal após a aula de educação física, fui arrastado pelos meus cabelos grandes pelo filho da diretora e jogado contra a parede. Meu ombro ardeu e começou a sangrar. A parede possuía uma pintura que era como uma lixa. Naquele dia me foi roubado uma das coisas que eu mais amava. Os dois cortaram o meu cabelo, o filho da diretora passava a máquina enquanto o outro me segurava. Voltei para casa chorando”. Vocês nem sequer podem se chamar de humanos.
—Faça o que você pretende, eu sei o que você vai fazer — instigou Kim Tan. Choi Young Do arregalou seus olhos ao ver que ele estava pegando uma maquininha idêntica àquela que eles cortaram os seus cabelos.
—Você está maluco?! Eu adoro o meu cabelo!
—Eu também adorava o meu — disse Park Soo Yong ligando a maquininha. Kim Tan se ajoelhou no chão e disse com firmeza:
—Raspe tudo. Da mesma forma que eu fiz a você.
—Espera! — Choi Young Do gritou tão alto que fez um eco que durou cinco segundos. Queria negociar com ele de alguma forma.
Taila havia terminado o teste, estava cansada. Deitou-se no chão após tomar um pouco d’água. Ela não havia cometido um erro sequer, estava feliz, pois dessa vez ela não havia se machucado. Apenas teve alguns arranhões. Ao se deitar no chão ela pode olhar para as estrelas. Lembrou-se primeiramente de seu namorado e sorriu, estava com saudades dele. Logo em seguida se lembrou de Kim Tan, ela não conseguia evitar já que havia prometido a si mesma se lembrar dele sempre que visse as estrelas.
Assim que se levantou para pegar o seu celular no banheiro que ficava dentro do galpão, ela ouviu um grito alto. Podia reconhecer aquela voz de qualquer lugar, mas não podia acreditar que ele estava justo ali. Ela se aproximou da luz e ficou atrás de uma parede vendo o que estava acontecendo. Ela imaginou que aquilo poderia ser um assalto, já que ela não reconheceu os seguranças, pois muitos deles estavam usando máscaras e ela nunca se preocupou em olhar para nenhum deles.
—Por que você não lê primeiro e depois faz isso? — Perguntou Choi Young Do tentando salvar os cabelos do amigo.
—Desde quando você se importa com isso? Está querendo que eu comece por você?
—Eu só queria saber o que você realmente passou, porque eu sinceramente não me lembro de nada — mentiu. — Conte para mim o que aconteceu depois de rasparmos os seus cabelos?
—Está bem! — Ele jogou a máquina para o lado e continuou com o diário, mas antes caminhou em direção a Choi Young Do e deu-lhe um chute no estômago. O segurança o deixou caído por um tempo no chão. Ele logo se levantou com a mão no estômago. — “Cinco de maio, fiquei cinco dias sem ir ao colégio. Não tive coragem de mostrar a minha cabeça a ninguém. Meu pai começou a me dar cascudos por ser um frouxo e não ter revidado. Mas eu juro que um dia eu vou raspar o cabelo daquele riquinho que acha que papel vale mais do que caráter”. Precisa que eu leia mais antes de você ler.
—Acabe logo com isso! — Gritou Kim Tan furioso, deixando Choi Young Do confuso, ele realmente queria ajudá-lo. Ele se levantou do chão e encarando Park Soo Yong de perto ele disse: — Eu me lembro como se fosse ontem o que acontece depois. Choi Young Do e eu arruinamos o momento em que você ia se confessar para a Lee Bo Na abaixando as suas calças na frente dela. E no dia seguinte eu a pedi em namoro. E mesmo assim eu continuei te infernizando. Eu roubei os seus cadernos e queimei com o Choi Young Do em uma tarde em que estávamos entediados, saber que você não daria conta de comprar outro era engraçado. Significava para mim que você era inferior, e nunca se igualaria a mim. Mas tudo mudou para mim, agora eu posso enxergar a verdade do quanto eu fui imaturo a ponto de machucar tanto uma pessoa assim.
—Você roubou a minha garota.
—Eu sei.
—E me roubaram a Taila também.
—Foi mal! — Gritou Choi Young Do, que não expressava arrependimento embora sentisse.
—É isso que eu mais odeio em vocês dois, vocês sempre têm tudo. Eu odeio vocês.
Park Soo Yong estava extremamente alterado. Ele se virou para as suas ferramentas e de lá retirou um martelo, segurou-o com as duas mãos e caminhou em direção a Choi Young Do. Ele não entendeu o que estava acontecendo, nunca havia batido em Park Soo Yong com um martelo. Ele levantou os seus braços para cima e com um arco, estava pronto para acertar em Choi Young Do, que estava pronto para se levantar e se defender. Mas o golpe parou pela metade, quando ele percebeu que haviam dois braços em volta de seu corpo, alguém o abraçou com força.
—Soo Yong abaixa isso. Você pode fazer uma besteira.
—Taila você está me atrapalhando!
—Para com isso, está bem? — Ela se soltou dele e ficou de frente a ele. — Ou eu vou pedir para eles te segurarem.
—Para com isso você! — Ele acertou o rosto dela com força a fazendo cair no chão com o impulso. Choi Young Do ficou cego de raiva, poderia aceitar que Park Soo Yong fizesse qualquer coisa, mas se ele tocasse em Taila ou em Chan Eun Sang, ele não se responsabilizaria por mais nada. Ele avançou sobre o outro lhe dando socos no rosto. Kim Tan o segurou para que ele não espancasse o rapaz.
Park Soo Yong aproveitou esse momento para correr, os seguranças não se moviam, haviam sido orientados para não fazer nada após Park Soo Yong entrasse em cena. Kim Tan não conseguiu segurar Choi Young Do e ele fugiu, correndo atrás de Park Soo Yong. Kim Tan correu atrás de seu amigo, para impedi-lo de acabar sendo preso. Taila desamarrou Chan Eun Sang e correu atrás deles em seguida. Taila corria mais rápido que Chan Eun Sang, então acabou ficando na frente dela e mais perto de Kim Tan. Os garotos eram atletas, então conseguiam correr por bastante tempo e velocidade. Park Soo Yong avistou o sinal e se lembrou de quando Taila o fez correr para atravessar. Foi o que ele fez, mesmo com pouco tempo, ele correu, mas não contava com o fato de que Choi Young Do ia segui-lo e correr com tanta velocidade que ia dar tempo para que ele atravessasse e ainda o segurasse no chão.
Kim Tan correu o sinal estava a poucos segundos de abrir, ele correu em direção aos dois. Temia pela vida de Park Soo Yong, com a raiva de Choi Young Do isso era perigoso. Assim que ele chegou a metade da rua o sinal abriu, ele estava na metade da rua e um carro em alta velocidade veio em sua direção. Ele imaginou naquele momento que sofreria o pior acidente de sua vida. Mas sofreu um forte impulso pela frente. Sentiu seu corpo ralar no chão. E um barulho forte de alguma coisa bater com força no carro. Choi Young Do e Park Soo Yong puderam ver o corpo de Taila sendo atingido pelo carro, rolado sobrevoado o capô e caindo atrás do carro. Ela caiu desacordada e uma poça de sangue se fez ao redor de seu corpo. Os olhos de Choi Young Do se encheram de lágrimas e ele gritou o nome dela com desespero enquanto corria em direção a ela.
Fale com o autor