Confusoes de Uma Cullen
44 Recomeço
Notas iniciais
Capitulo 41 – Recomeço
POV Verônica
Se eu pudesse fazer um balanço do que se tornou minha vida nesses últimos meses, eu diria: MERDA! Já fazia algumas semanas que eu estava ensaiando para fazer o que é certo, até tentei me aproximar umas três ou quatro vezes, mas acabei desistindo na hora H. Eu nunca fui muito boa nesse assunto de agir corretamente, aliás, minha vida inteira eu sempre me atraí por envolver-me com as coisas e pessoas erradas.
Desde criança fui acostumada a ter tudo que eu quis. Freqüentei as melhores escolas de Nova Iorque, vesti as melhores roupas e era indiscutivelmente, a garota mais bonita e popular do colégio. Todos ansiavam por minha amizade, o que me tornava o ser mais arrogante do planeta. Eu humilhava as pessoas, maltratava meus pais, zombava dos esquisitos e passava a maior parte do tempo arranjando confusões. Festas, baladas, drogas, sexo e bebidas, essa era a vida de Verônica Uley há um ano. Os que me acompanhavam estavam dentro, aqueles que não se encaixavam no meu mundo, meus seguidores e eu fazíamos de suas vidas um verdadeiro inferno.
Homens. O que posso dizer dos meus relacionamentos? Nunca tive problemas com isso. Bastava eu estalar meus dedos que uma fila de pretendentes surgia na minha porta. Eu sempre deixei aos meus pés os homens que desejei e até fui disputada pela maioria deles. A facilidade que eu tinha para me apaixonar era quase tão grande quanto à probabilidade de eu enjoar rapidamente dele, sendo assim, em todos os meus relacionamentos, eu fui à responsável pelo término. Deixei muitos corações partidos e um dos meus ex-namorados até ameaçou se matar, eu jamais me importei com isso. Mimada, excêntrica e egoísta, eu nunca fui verdadeiramente apaixonada por ninguém e pra ser sincera, eu nem sequer sabia o que era amor...Até conhecer o Quil.
Eu vivia dentro de um conto de fadas onde magistralmente, conseguia ser a bruxa e a princesa ao mesmo tempo. Eu tinha o domínio de tudo ao meu redor, manipulando e induzindo as pessoas para agirem de acordo com as minhas vontades. Pelo menos, era isso que eu achava...
Meus pais me mandaram para morar com a família do meu primo Sam em La Push, algumas semanas após a minha primeira transformação. Eles acreditavam que a influência de novas amizades e a convivência com outros transfiguradores da minha espécie pudesse fazer eu me sentir melhor. Eu nunca acreditei de fato que eles estavam preocupados com o meu bem estar, e sim, que eles não viam à hora de poder se livrar de mim.
Quando tudo aconteceu, eu fiquei completamente sem chão. Acho que uma das coisas mais difíceis da minha vida foi aceitar que a partir daquele maldito dia, eu sempre seria um monstro. Foi horrível ver meu corpo se modificar daquele jeito, eu achei que fosse morrer ou que seria uma loba nojenta para sempre, na verdade, eu preferia mesmo a morte ao invés de me transformar naquele bicho repugnante e cheio de pêlos.
Meu pai, o velho Hantara Uley, relatou toda a história de nossos antepassados e mencionou a importância que o seu irmão, pai de Sam, representou para o bem da humanidade. Contou-me que seu sobrinho comandava uma matilha de lobos dentro de uma reserva na praia de La Push juntamente com o neto de Black. Ele disse que era muito raro esse tipo de transformação acontecer numa mulher e que até hoje só sabia da existência de uma: Leah Clearwater.
Foi a primeira vez que eu vi meu pai orgulhoso de mim. Ele se vangloriou ao pensar que fui “escolhida” por eu ser a sua única filha e na minha veia correr o sangue de uma grande guerreira. Enquanto ele soltava fogos com a herança que sua “filhinha querida” havia herdado de sua estúpida família, eu planejava o meu fim. Para os meus pais minha mudança foi um verdadeiro alivio, para mim, foi o fim daquele grande ”império” que eu havia construído.
Eu saí de Nova Iorque sem me despedir de ninguém, apenas desapareci sem deixar rastros. Meu pai inventou uma doença qualquer dizendo que eu iria para outra cidade em busca de tratamento. Eu estava com vergonha e nojo de mim mesma. Imaginei-me numa solidão eterna. Tudo por causa de um mito e uma lenda que jamais acreditara que existisse: Sanguessugas. Eu demorei a aceitar que a existência daqueles malditos frios fora a grande razão para a minha desgraça... Ou não.
Lembro-me como se fosse ontem o primeiro dia que cheguei a La Push...
>>>>>>>>>>>MEGA Flash Back ON
Passavam das sete horas da noite, o clima estava frio. Meus olhos ardiam e eu podia senti-los inchados de tanto chorar. Por mais que meus pais me dissessem que eu continuava linda, eu recusei-me a encarar meu reflexo no espelho por um bom tempo após a transformação. Eu tinha medo da imagem que pudesse encontrar lá. Dentes afiados? Barba? Costeletas? Sentia-me praticamente um “lobisomem de saia”.
A pista de asfalto foi sumindo dando lugar a uma enorme estradinha de terra. Árvores, gramas e animais eram tudo que eu visualizava na janela do banco traseiro do carro do meu pai. A cada quilometro percorrido, meu desespero só aumentava.
- EU NÃO QUERO VIRAR UMA INDIA PAI! – Berrei aos prantos. – EU NÃO VOU SER COMO AQUELES “CACIQUES TAPAJÓS” DA SUA FAMILIA QUE VIVEM NESSE FIM DE MUNDO SE ALIMENTANDO DE ANIMAIS E MATO! EU NÃO QUERO! EU PREFIRO MORRER... MORREEEEER!- Dramatizei dando um soco na poltrona de minha mãe.– NÃO ME LARGUE NESSA SELVA PAI, POR FAVOR!
- Eu tenho certeza que você vai se adaptar filha, eu sinto que esse lugar irá fazer muito bem a você...– respondeu na tranqüilidade de um pássaro. – Quem sabe o ar puro de La Push, novas amizades e a falta das mordomias que você tinha em Nova Iorque, façam você aprender a dar mais valor para a sua vida e sua família...– notei que ele estava reprimindo um sorriso. Lógico que ele estava feliz e tranqüilo, finalmente, o grande problema da vida dele seria largado a não sei quantos mil quilômetros de distância.
- Vocês não podem fazer isso comigo! – argumentei.– Por que não me matam de uma vez? Mandem-me para um convento ou um zoológico, eu tenho certeza que será melhor do que esse cu de mundo! O que eles vestem aqui? Tangas e penas para cobrirem os seus corpos?
- Pare de fazer tanto drama Vêronica, meu sobrinho e sua esposa são ótimas pessoas... – ele respirou fundo e sorriu.– Aprenda uma coisa, nunca julgue as pessoas antes de conhecê-las. Você poderá se surpreender com elas...
- Há... Não me venha novamente com esse seu papinho de “eu sou o rei da sabedoria” pai, isso só funciona com a mamãe que é uma SONSA! – debochei encarando minha mãe. Meu pai adorava bancar o “Chico Xavier” com suas filosofias idiotas.
- VÊRONICA QUANDO VOCÊ IRÁ APRENDER A RESPEITAR A GENTE?- Interferiu minha mãe, irritada. – NÓS SEMPRE TE DEMOS TUDO DO BOM E DO MELHOR, POR QUE NOS TRATA DESSE JEITO? ENTENDA FILHA, NÓS SÓ ESTAMOS PENSANDO NO QUE VAI SER MELHOR PRA VOCÊ!
- HÁ-HÁ-HÁ... – Forcei um sorriso irônico.– O melhor pra mim ou o melhor pra vocês? Dona Olivia vocês acham que eu não sei que assim que os dois me despacharem nessa selva, irão fazer uma grande festa de comemoração?
- Não diga uma besteira dessas, você sabe que isso não é verdade filha... – Argumentou toda chorosa. A raiva que eu estava sentindo era tanta que todas as partes do meu corpo começaram a tremer incontrolavelmente. Meu pai percebendo o que estava acontecendo freou o carro bruscamente.
- DESÇA DO CARRO AGORA VERONICA!- Ordenou abrindo a porta de trás. – AFASTE-SE DELA OLIVIA, ELA PODERÁ TE MACHUCAR!- Assustada, apenas segui as ordens de meu pai. Minha mandíbula estava trincada e a fúria se tornou ainda maior, explodindo todo o ódio que eu estava sentindo dentro de mim.
- AAAAAAAAAHHH... - Minha mãe se assustou ao ver aquele enorme lobo asqueroso surgir na sua frente. Que maravilha! Minha própria mãe estava com medo de mim.
- Acalme-se Olivia, ela vai ficar bem. Não a deixe mais nervosa...– Meu pai se virou, lançando-me um olhar tranqüilizador.– Verônica filha, eu sei que você está chateada com toda essa mudança... É tudo muito novo pra você ainda, mas você sabe que se quiser voltar a sua forma humana é preciso que fique relaxada... – Eu não conseguia pensar em nada, até quando eu iria suportar essa merda toda?
- Hantara nós precisamos fazer alguma coisa para ajudá-la, a casa do seu sobrinho ainda está muito longe daqui?- Perguntou minha mãe, aflita.
- Eu não sei Olívia, faz muitos anos que eu não venho pra cá. Acredito que mais uns quatro quilômetros a gente já chega, talvez se nós...– Enquanto meu pai continuava com seu blá blá blá idiota para a minha mãe, um zumbido estranho na minha mente desviou a minha atenção.
“Não sei se é uma boa idéia irmos a Darthmouth Seth”
“É o aniversário da Nessie Quil, há quanto tempo nós não vamos visitá-la? O Jake disse que ela ainda sente muito a nossa falta...”
“Eu sei cara, mas você não acha perigoso tantos de nós deixarmos a reserva?”
Eu tinha certeza que estava ficando maluca, além de ser um monstro cheio de pêlos, eu agora podia ouvir vozes na minha cabeça.
“Está brincando Quil? Essa reserva está um completo marasmo ultimamente! Desde aquela treta com os vampiros italianos que nós não estamos protegendo nem os pernilongos daqui! Pelo menos quando os Cullens ainda moravam por perto, a gente tinha o Emmett para nos distrair, agora nem isso...”
Meus pais ainda discutiam algo ininteligível quando eu consegui ouvir um som de pegadas se aproximando. O que era aquilo?
“Mesmo assim cara, não é porque essa reserva está um porre desde que os “Adams” foram embora que a gente pode ficar arriscando...”
“Ah pára de viadagem vai Quil! Já falei com o Sam sobre o convite da Alice e ele disse que não teria problema algum se a gente quisesse ir à festa da Nessie... Ele e os outros revezarão os turnos por aqui na nossa ausência...”
De repente a imagem de dois lobos grandes surgiram na minha mente. Um era castanho-chocolate e o outro era um bege mais claro, eles estavam fazendo um percurso entre as árvores, do que parecia ser uma floresta. Olhei para o meu pai que segurava um mapa na mão, enquanto minha mãe resmungava qualquer coisa para ele. Ótimo, o velho estava perdido! Permaneci em silêncio, a fim de ouvir aquela discussão esquisita entre os dois lobos na minha cabeça.
“Hum... Está bem brother, vou pensar...”- Pensou o lobo mais escuro.
“Pensar o que Quil? O Embry não pensou duas vezes para aceitar...”
“O Embry vai também?
“Sim, ele e a Leah já confirmaram presença...”
“A Leah sua irmã???”
“Não Quil, a Leah da padaria... Claro que é a minha irmã idiota! Ou você conhece outra Leah?
“Mas o que a sua irmã irá fazer lá no aniversário da “mini-vampirinha”? Todo mundo esta cansado de saber que ela não gosta dos Cullens e odeia a aniversariante...”
“Você quer mesmo que eu responda?”
“Ah... O Jake??? Nossa, será que ela nunca vai se tocar que o Jacob não quer mais nada com ela?”
“Ok Quil já chega, né? Não estou nem um pouco a fim de ficar aqui discutindo a vida amorosa da minha irmã com você, isso é nojento demais! Já não bastassem as coisas que eu sou obrigado a ver e ouvir sem querer...”
“Deve ser foda mesmo né cara? Lembra aquele dia que ela e o Jake estavam... – nesse momento o lobo mais claro lançou um olhar fulminante para o mais escuro.-“Hã... er...deixa pra lá...”
“Acho bom mesmo... E ai Quil, você vai ou não vai? O Jacob me falou que a Alice esta preparando uma festança daquelas!”
“Seth é impressão minha ou tem alguma coisa além da saudade pela Nessie que está te deixando tão animado para essa festa?
Senti o lobo mais claro abrir um leve um sorriso, com o comentário do lobo mais escuro.
“Você sabe que eu sempre curti os Cullens seu otário...”Pensou se fazendo de inocente.
“Sei Seth... E sei também que você não dá ponto sem nó... Vai... desembucha logo, antes que eu perca a minha paciência e vá até aí enfiar minha pata no meio da sua fuça. – Responda de uma vez o que esta te deixando tão empolgado pra essa festa?”
“Está certo Quil, já que a sua falta de inteligência não colabora, vou te ajudar a raciocinar então... Por acaso você está sabendo quantos anos a Nessie vai fazer?
Eu estava tão entretida na história dos dois lobos, que demorei um tempão para cair na real de que eu ainda estava na minha forma de loba conseguindo, inexplicavelmente, ouvir os pensamentos deles. Acabei esquecendo até que os meus pais ainda estavam ali, totalmente perdidos nesse fim de mundo, tentando encontrar o caminho para a casa do meu primo idiota.
“Seis e daí? O que pode haver de tão interessante numa festinha infantil?” – O tal de Quil pensou fazendo descaso.
“Não sua mula! Eu não perguntei a idade biológica da Ness e sim, a idade “humana” dela... Ou você se esqueceu que ela tem o crescimento acelerado?”
“Sei lá cara, uns dezessete?”
“Exato seu mané! E isso significa queeeee...” – Um brilho diferente foi se formando nos olhos do lobo mais escuro, no momento que ele conseguiu captar a mensagem do lobo claro.
“Pode ser que tenha várias amigas gostosas com a idade aparente da Nessie na festinha?” –
“É claro que vai ter cabeção! Ou seja, se terá várias gatas no local conseqüentemente nós teremos muita...”
“PE-GA-ÇÃO!”
Os dois lobos se animaram ao mesmo tempo. Em seguida, eles ficaram de pé sob duas patas rodopiando no que parecia ser uma ridícula “dancinha do acasalamento”. Nesse momento, sacudi a cabeça negativamente e resolvi voltar a minha dura realidade. – Machos Idiotas!
“Você ouviu isso Quil?”
“Sim...” – Merda, os dois babacas notaram a minha presença também. Eu podia senti-los cada vez mais próximo de mim. Temendo pela segurança dos meus pais, instintivamente, assumi uma posição defensiva e rangi meus dentes, alertando-os sobre o perigo.
- O que foi Verônica?- Perguntou meu pai assustado. Apontei o focinho para a mata, fazendo-o olhar para lá.– Não tem nada ali filha...
“Com certeza é alguém da nossa espécie, mas não estou conseguindo reconhecer o cheiro...”
“É óbvio que você não esta reconhecendo o cheiro seu asno, é uma fêmea e a única fêmea que a gente conhece é a sua irmã...”
“Ei, lembra que o Sam comentou sobre a tal prima dele de Nova Iorque que estava vindo pra cá por ter sofrido a transformação?” – Recordou o lobo claro. Então quer dizer que todos já esperavam a minha chegada nesse cu de mundo?
“Ah é verdade, eu tinha me esquecido disso! Até que a gente zuou que a garota devia ser o maior tribufu, não é?” - Automaticamente rosnei com o pensamento imbecil do lobo castanho.
“Tribufu é a senhora sua mãe, otário!”
“Quil como você é burro! Esqueceu também que a garota pode nos ouvir?”
“É... Esqueci...”- Ele passou a pata por seu focinho, envergonhado. “E aí? Tudo bem, GATA?” - Tentou disfarçar jogando charme. Acabei sorrindo com o tamanho de sua cara de pau.
Depois do ocorrido, mentalmente, eu expliquei para os dois que meus pais estavam perdidos e eles nos guiaram até a casa do meu primo Sam. Como as minhas roupas haviam explodido com a transformação e as outras estavam em minha mala dentro do carro, fiz todo o trajeto no flanco dos dois e até acabei me simpatizando por eles. Principalmente pelo Quil. Tinha algo nos olhos dele que me deixava levemente balançada.
Assim que chegamos à casa do meu primo, minha mãe pegou um vestido em minha mala e o prendeu em meu calcanhar direito, para que eu pudesse me transformar e conversar com todos normalmente. Quil e Seth foram fazer o mesmo. Quando eu voltei, eles já estavam lá conversando descontraidamente com meus pais e a família do meu primo.
- Desculpem a demora, ainda não me acostumei com essa coisa toda de “troca de corpo”... – Brinquei ao entrar na sala. Abri meu melhor sorriso, chamando a atenção de todos para mim.
Apenas pelo olhar, consegui identificar Seth e Quil sem que precisassem me apontar quem era quem. Seth era uma graça, tinha a pele morena cor de jambo, olhos um pouco puxados e aparentava ser o mais novo. Já Quil me surpreendeu, ele era muito mais bonito do que eu imaginava. Alto, corpo musculoso, abdômen definido e os dentes alinhados num branco perfeito, formando o sorriso mais lindo que já havia visto na vida. Analisando por esse ângulo, morar em La Push até poderia ser bem interessante. Meus pais me fitavam com indignação e surpresa, afinal, eles nunca haviam me visto ser tão simpática e sociável antes. Eu nem parecia àquela garota estressada de algumas horas atrás. Idiotas. Eles não sabiam nada da vida... Para dominar as pessoas, primeiramente, é preciso conquistá-las. E era exatamente isso que eu estava fazendo, já que a minha intenção era construir aqui, o “império” que eu tinha em Nova Iorque.
- U-AU...– Suspirou Seth de boca aberta. Quil permaneceu em silêncio, com os olhos vidrados em mim.
- Verônica, que bom que está mais calma filha... Viu? Eu não disse que esse lugar iria fazer bem a você?- Indagou o velho Hantara, todo orgulhoso achando que pra variar ele tinha razão. Infelizmente, para manter as aparências, eu tive que engolir aquela cara de bocó dele.
- É... Você tinha razão pai, esse lugar realmente está fazendo MUITO bem pra mim...– Sorri encarando o Quil, sedutoramente. Ele correspondeu com um sorriso sacana nos lábios.
Ficamos conversando durante o resto da noite. Meu primo e sua esposa Emily, que por sinal tinha uma cicatriz horrorosa no rosto, até que eram aturáveis também. Eles me contaram como funcionavam as coisas em La Push, depois me mostraram o lugar onde eu iria dormir – um quartinho ralé de muquifo – que eu tive que sorrir, agradecer e ainda dizer que era lindo.
Em seguida, eles me levaram para conhecer os outros transfiguradores da reserva. Claro que como sempre, eu conquistei a admiração de todos os homens para qual fui apresentada. A única pessoa que odiei no primeiro instante que eu vi foi fêmea do bando, Leah Clearwater. Uma morena petulante que tinha uma tremenda cara de vagabunda e se achava a última bolacha do pacote. Foi mútua a antipatia que sentimos pela outra. A primeira coisa que irei fazer quando eu me enturmar melhor aqui, será colocar aquela biscate em seu devido lugar.
Meus pais foram embora no dia seguinte pela manhã, no mínimo, estavam ansiosos para começar logo a festa de comemoração em homenagem a minha partida. O resto da semana se passou tranquilamente, eu já estava me adaptando melhor às mudanças do meu corpo. Aprendi a ter controle sobre mim e já não estragava mais tantas roupas como nos primeiros dias.
Continuei bastante próxima do Seth e do Quil, porém, foi o Embry que se tornou o meu melhor amigo aqui. Sam me escalou para patrulhar no mesmo turno que ele, então todos os dias, nós acabávamos passando horas da madrugada jogando conversa fora, falando besteiras, rindo de piadas sem graça e às vezes ele até se arriscava a me dar algumas aulas de luta, era bem divertido.
O melhor de estar na companhia de Embry, é que eu não preciso fingir ser uma pessoa legal com ele só para agradá-lo, eu realmente gosto do nosso tempo juntos de uma maneira bem sincera. Acho que nunca tive um amigo como ele em Nova Iorque.Nós sempre inventávamos alguma coisa diferente para nos distrair durante o nosso turno, já que desde o dia que eu cheguei nunca vi um frio sequer aparecer por aqui.
Eu estava até começando a desacreditar na existência desses vampiros, mas Embry me garantiu que eles eram reais e que inclusive, a festa que todos estavam comentando ultimamente era da filha de um vampiro amigo deles. Claro que eu fiquei sem entender nada, afinal, a gente patrulhava para proteger as pessoas de vampiros e eles eram amigos dos próprios? Numa de nossas rondas, Embry me esclareceu que existia uma família de sanguessugas diferente dos outros vampiros por não matar pessoas e se alimentarem apenas de sangue animal. Os Cullens. Eles se tornaram aliados há alguns anos e até hoje mantinham fortes laços de amizade com a família. Ele me disse também que o chefe deles era médico num hospital em Darthmouth. Grande... bosta! Pra mim, vampiro era tudo farinha do mesmo saco. E se hoje eu tinha um rabo e andava sobre quatro patas era por causa deles.
Na verdade, o Embry se tornou mais que um amigo pra mim. Ele era o meu confidente, meu conselheiro e minha válvula escape nesse lugarzinho fim de mapa. Ele sabia inclusive da minha louca atração pelo Quil já que a cada dia que se passava ficava mais difícil disfarçar isso dos meus pensamentos.
Nós até flertávamos de vez em quando, mas por alguma razão que eu não entendia, ainda não havia rolado nada entre a gente. Eu sabia que o Quil era um dos maiores mulherengos dessa reserva, fato que o deixava ainda mais sexy pra mim. Eu sempre conquistei todos os homens que eu quis e o Quil havia sido o escolhido da vez para compor a minha vasta lista de vitórias.
“Por que você não vem conosco?”- A pergunta de Embry surgiu do nada na minha cabeça, me tirando dos meus devaneios.
“Ai Embry que susto! Da próxima vez avisa quando for invadir meus pensamentos.” – ele se desculpou sentando-se na minha frente e abriu seu sorriso de lobo mais bonito.– “Ir aonde?” – quis saber deitando em minhas patas novamente.
“Na festa da Renesmee, ué!” – Pensou como se fosse à coisa mais óbvia do mundo.
“Ah claro... ahã! Tudo a ver, eu ir a essa festa... Já estou lá...” – Ironizei.
“Por quê? O Quil estará lá, pode ser sua chance de conseguir algo com ele...” – Notei que ele ficou incomodado com suas próprias palavras, mas decidi ignorar.
“Embry me poupe né? Eu vou fazer o que nessa festa, me fala? Primeiro, você sabe que eu odeio a Leah e ela vai, segundo, seu amigo vai pegar geral lá com você e com o Seth e eu não estou nem um pouco a fim de compartilhar essa cena e terceiro, eu nem sequer conheço a aniversariante. Ou seja, você esta me convidando pra ir numa festa de bicão, com uma pessoa que eu não suporto, para acabar sozinha lá no meio de um monte de vampiros, enquanto você, o Quil e o Seth se divertem? Ah, muito obrigada pelo super convite “amigão”!”
“Não é bem assim “zóiudinha”, você sabe que se for eu não a largarei lá sozinha...”- Embry havia me dado esse apelido logo no começo da nossa amizade. Ele disse que eu tinha os olhos grandes e penetrantes e com a intenção de me zuar acabou me apelidando de “zóiuda”.
“Ah tá cabeça, até parece que você vai deixar de curtir uma festa repleta de “fedelhas na puberdade” só para fazer companhia pra mim...”
“E quem disse que eu deixaria de curtir a festa se você fosse?”
“Como assim?”
“Eu apenas a curtiria de um jeito bem mais interessante...”
“Não entendi...”
“Verônica e Embry vocês estão liberados! O Paul e o Jared já estão a caminho e trocarão de turno com vocês!”- a ordem do meu primo nos interrompeu, fazendo com que aquele assunto da festa fosse completamente esquecido.
-X-
Mais alguns dias se passaram e eu ainda continuava no zero a zero com o Quil. Tudo estava uma verdadeira merda! Eu já estava de saco cheio de ter que ficar bancando a “boa samaritana” e nada de bom acontecer pra mim. Sábio é quem inventou aquele ditado “Bonzinho só se fode!” Eu precisava pensar numa forma eficaz de encoleirar aquele cachorro de uma vez por todas. Irritada, resolvi dar uma volta na floresta antes de iniciar meu turno da noite com o Embry.Mantive-me humana mesmo, não podia correr o risco de deixar alguém ouvir algo indevido em meus pensamentos.
Eu já tinha caminhado alguns quilômetros quando me recostei no tronco de uma árvore para descansar. Fechei meus olhos suspirando alto. Eu não conseguia entender o motivo daquele idiota ainda não ter pedido pra ficar comigo. A gente trocava tantos olhares maliciosos e sorrisos interessados, então por que aquele maldito não caía pra cima de uma vez por todas? O que havia de errado com ele? Ou será que o problema era comigo? Ele já tinha comido quase todas as mulheres dessa bosta de reserva, menos eu.
- ARGH!- Bati com força minha cabeça no tronco da árvore atrás de mim. – SEU MARICAS DOS INFERNOS! – Pelo menos longe da presença de todos, eu podia tirar a minha máscara de “garota angelical” e ser eu mesma. – EU NÃO VOU DESISTIR DE VOCÊ! NÃO VOU!- Escorreguei as mãos por meus cabelos, quase os arrancando. Suspirei fundo mais uma vez na tentativa de me acalmar. Foi quando um fedor horrível e desconhecido invadiu minhas narinas. Ah que maravilha! Só faltava agora para completar a minha falta de sorte, eu ter pisado descalça na merda... Receosa, olhei as solas dos meus pés um a um, mas felizmente estavam limpos. Ufa, pelo menos isso...
Ergui minha cabeça na tentativa de localizar de onde vinha o mau cheiro, quando me deparei com um homem alto, forte, de cabelos compridos parado feito uma pedra, a meio metro de mim.
-Olá?- Disse me analisando dos pés a cabeça.– Não entendo como uma garota tão bonita e gostosa consegue feder tanto...– O quê? Ele estava achando que aquele cheiro vinha de mim?
- Ei, escuta aqui seu atrevido, esse fedor não sou eu, tá legal? No mínimo, você deve ter comido repolho no almoço e agora está aí tentando jogar a culpa em cima de mim... – Acusei-o indignada. Ele abriu um sorriso irônico e me encarou com desdém.
- Sinto em lhe informar coração, mas a minha espécie não faz essas coisas... – fixei meus olhos nos seus e então percebi o que estava acontecendo. Aquela íris vermelha já dizia tudo. O cara era um maldito sanguessuga. Instintivamente, meus dentes trincaram fazendo-me ficar em posição de ataque. Porém, no exato momento que eu fui me transformar o fedorento avançou com tudo pra cima de mim, derrubando-me violentamente contra o chão.– Aonde a gambazinha pensa que vai? – ele apertou com força os meus pulsos e aproximou os lábios do meu ouvido. – Seja uma boa menina e eu prometo que acabo com você sem sofrimento... – acumulei o máximo de saliva que consegui, peguei impulso e cuspi sem dó na cara dele. Na primeira vacilada que ele deu, rolei pelo chão me desvencilhando de suas mãos.
- Você não sabe com quem está se metendo, sanguessuga nojento!- Deixei a raiva explodir dentro de mim e em poucos segundos, eu já estava em minha forma de loba. Mantive minha mandíbula trincada com meus dentes a mostra. Eu nunca havia me ouvido rosnar tão alto.
- Que merda é você? – perguntou confuso. Será que ele não sabia da nossa existência? Otário! Era fácil entender agora o tipo de sentimento que esses sanguessugas nutriam em nós lobos: Ódio.Ele ameaçou fugir, mas eu estava tão focada em acabar com a sua raça que no mesmo instante em que ele se preparou para correr, eu rapidamente finquei meus caninos com força em sua perna direita deixando um bom pedaço dela na minha boca. – AAAAAH SUA CADELA FILHA DA PUTA! – Gemeu de dor.
Ele me segurou bruscamente pelo pescoço e começou a me apertar de uma forma que conseguiu travar todos os meus movimentos.Eu estava completamente paralisada e sem reação, enquanto ele me asfixiava impiedosamente.Tentei rosnar, mordê-lo, mas a fraqueza em meu corpo era tão grande que eu já não era capaz de fazer mais nada, muito menos raciocinar. Eu podia ouvir vozes no meu cérebro, ou podia ser apenas minha consciência me avisando que aquele era o fim da linha pra mim.
- QUAL SERÁ SEU ÚLTIMO PEDIDO ANTES DE MORRER, CADELINHA JUVENIL? – Zombou-me com sarcasmo.– AH DESCULPE, EU NÃO ENTENDO A LIGUAGEM DOS LATIDOS TEREI QUE TE MATAR SEM DESEJO MESMO...– gargalhou da própria piada. Quando eu estava prestes a entregar os pontos, um estrondoso rosnado ecoou pelo ar e como um vulto, o sanguessuga foi arremessado contra uma árvore partindo-a ao meio. Depois disso, minha visão foi ficando turva e eu apaguei completamente.
- Verônica? – Ouvi meu nome ser chamado ao fundo.– Verônica? Acorde... – Movimentei meu corpo com dificuldade e fui abrindo meus olhos lentamente. – Você está legal gata? – eu estava morta e alguém se esqueceu de me enterrar, só pode. Essa é a única explicação plausível para o Quil estar me segurando em seus braços, enquanto tenta me acordar.
- Quil? – Questionei duvidando que fosse ele realmente.
- Sim, você esta bem? Aquele otário te machucou? – era engraçado a rapidez que o meu corpo se recompunha de um ferimento.
- Não...Eu... estou legal... – falei com dificuldade. Na verdade, eu já estava 100%recuperada, mas graças a minha inteligência e esse corpo seminu me apertando em seus braços fortes, decidi tirar proveito da situação. – Co-como você me encontrou aqui? – fingi-me meio zonza.
- Através dos seus pensamentos quando você se transformou.– Disse ele constrangido com alguma coisa. Reparei que ele evitava olhar pra mim, fato que me incomodou muito.
- Quil eu posso saber por que você esta me evitando? – Falei magoada. Surpreso com a minha pergunta, ele deu duas pigarreadas antes de responder.
- Er... bem... É que... Sabe, fica muito difícil me concentrar vendo você nua assim, na minha frente...
- Ow merda!- Olhei para baixo disfarçando um falso constrangimento. – Eu nem percebi que havia voltado a minha forma humana, mas já que tocou nesse assunto, posso te fazer uma pergunta Quil?
- Claro...
- Você me acha uma mulher bonita?
-Hã? – Ele pareceu não entender o meu questionamento.
-Eu estou querendo saber se você me acha uma mulher atraente...
- Por que está me perguntando isso Verônica?
- É que... Desde o primeiro dia que eu cheguei aqui que eu estou completamente na sua, mas parece que isso não é recíproco de sua parte... – Abaixei o olhar numa expressão chateada e continuei. – Qual é o problema? Você me acha feia, é isso?
- Você feia Verônica? Está brincando?– Ele abriu um leve sorriso e balançou a cabeça, indignado.– Você é uma das garotas mais gostosas que eu já vi, é lógico que eu me sinto atraído por você...
- Então porque nunca tentou nada comigo?
- Gata entenda uma coisa, eu NÃO presto! Eu me sinto atraído por você da mesma forma que eu me sinto atraído por todas as outras. Tudo que o Embry te diz ao meu respeito é a mais pura verdade. Eu não sou homem de uma mulher só, por isso há tempos fujo de fazer alguma besteira com você... Você é uma mulher linda, gente boa e não merece perder seu tempo com um canalha como eu...
- Você está me dispensando Quil?- Num ato totalmente estratégico, passei sensualmente meu dedo por seus lábios.– Lindo, saiba que estou completamente ciente da sua fama e não estou nem um pouco lhe pedindo em casamento. Apenas estou sugerindo que a gente passe um tempo juntos, sem compromisso e depois decidimos no que vai dar... Eu prometo que não vou forçar a barra com você... (N/A: Quilzinho não caía nessa, nos sabemos onde isso vai dar no futuro, rs).
- Gata, o Sam vai me matar...
- Preste atenção Quil, o Sam não tem nada a ver com a minha vida! – Não consegui esconder a irritação no meu tom de voz. Eu sabia que o idiota do meu primo estava envolvido nessa inexplicável rejeição do Quil.– Ele não é meu pai, muito menos o meu dono e eu já sou bem grandinha para decidir com quem eu devo ou não me envolver...
- Esse é o problema Verônica, eu não sou o tipo de cara que se envolve... – O garoto estava suando. – Eu sou da vida, não quero que crie falsas expectativas sobre mim... – Ao perceber que ele estava vacilando, tracei uma linha por seu abdômen e segurei firme no cós de sua calça.
- Quil pare de me tratar como essas garotinhas de interior que não sabem nada da vida, eu morava em Nova Iorque esqueceu? Sei muito bem como as coisas funcionam e outra, ninguém precisa saber sobre a gente...
- Ah como se isso fosse possível, né?- Arquejou me apertando com mais firmeza em seus braços. Boa Verônica! Ele está quase cedendo garota...
- Pare com essa paranóia Quil! Não é amanhã que você vai viajar pra tal festinha da filha dos sanguessugas em Darthmouth? – Ele afirmou com a cabeça, um tanto confuso.– Então gatinho, a gente curte o momento hoje, você vai viajar de boa e quando voltar à gente decide a nossa vida que tal? – Segurei-o pelo pescoço dando uma leve mordiscada em sua orelha.
- Oh “Minha nossa senhora dos pintos eretos” dai-me água fria!– Implorou fazendo uma careta engraçada.Habilmente eu troquei de posição em seu colo, enlaçando minhas pernas em volta de sua cintura. Quil estava completamente enlouquecido. A elevação no seu short mostrava-me claramente o tamanho do seu problema.
- É gatinho... Eu só vejo uma forma da gente conseguir resolver esse problema e não tem nada a ver com água fria... – Abri um sorriso malicioso e o garoto não resistiu. Por impulso Quil me abraçou com mais força e me beijou. Xeque mate!Com vontade, fui intensificando ainda mais o nosso beijo, praticamente devorando os lábios dele com a minha boca. Como eu já estava nua, não foi nada complicado fazer o serviço completo sem deixá-lo pensar nas conseqüências.
O tesão estava quase explodindo pelo meu corpo. Afinal, desde que eu fui embora de Nova Iorque que não tinha transado com mais ninguém, meus hormônios estavam à flor da pele. Eu sempre tive uma vida sexual bastante ativa lá, já aqui por causa dessa imagem que eu queria passar de boa moça, tive que aprender controlar melhor minhas necessidades. Quil me estocava com força enquanto nossos corpos pingavam de suor. Os meus gemidos de prazer imploravam por cada vez mais. Eu tinha certeza que depois do trato que eu daria nele hoje, Quil estaria no papo. Aposto que nenhuma caipira desse lugar foi capaz de deixá-lo desse jeito. Ele parecia um cão feroz, enquanto eu estimulava gradativamente suas partes baixas. Não demorou muito para Quil liberar todo o seu desejo em cima de mim. Ele ofegava alguns palavrões enquanto eu apenas sorria.
Comemorei internamente, mais uma espetacular vitória de Verônica Uley.Eu não tinha a menor dúvida de que Quil iria para aquela festa idiota amanhã e quando voltasse estaria comendo feito um cachorrinho em minhas mãos. Foi assim com todos os meus ex- namorados, não tinha o porquê com ele ser diferente. Não há um só homem no mundo que resista a uma boa trepada e isso era uma coisa que eu sabia fazer muito bem! Ficaria com o Quil até enjoar, depois quando ele não me servisse mais, escolheria outro alvo para colocar em seu lugar. O mundo é dos espertos, por isso Verônica Uley tinha sempre um espaço garantido dentro dele.
>>>>>>>>>FIM DO MEGA FLASH BACK
Quanta ironia do destino, meu Deus! Fui pega na minha própria armadilha. E se um dia alguém me dissesse que hoje eu estaria nessa situação, eu jamais acreditaria... Por tantas vezes acusei meus pais de não saberem nada da vida, quando não realidade a inexperiente sempre fui eu...
Como pode uma simples festa de aniversário, mudar com o destino de tanta gente? Inclusive, com o MEU que nem estava lá...
Continua...
Notas finais
ele voltou no tempo para esclarecer algumas questões! Nem eu imaginava que a historia da Veronica fosse tomar esse rumo que tomou, mas, fiquei muito feliz com o resultado e desconfio que vocês ficarão também....
comentem gente... estou exausta de escrever...
Obrigada pela paciencia e compreensao de todos! E pelos mais de 1000 membros na comu da fic!
beijos!!!!!
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