Confusoes de Uma Cullen
45 Recomeço (Parte II)
Notas iniciais
Para compensar vai um master capitulo para vocês, assim como prometido a continuação do PDV da Veronica. Desculpem-me pela quantidade de flash bakcs, espero que não fique cansativo, mas vcs irão entender que eles foram extremamente necessários para entender alguns pontos da história...
Obrigada a todas que não desistiram de mim, nem da FIC
POV VERONICA
Eu sei que não deveria ter mentido sobre a história do Quil ser meu namorado. Mas, quando fiquei sabendo daquele maldito imprinting eu quase enlouqueci. Na verdade, eu pirei mesmo quando ele não voltou da festa da mini sanguessuga com os outros. Embry e Seth não falavam de outra coisa, diziam aos quatro ventos que “Quil O Pegador” iria se aposentar porque finalmente tinha se amarrado em alguém. Como assim, se amarrado em alguém? E eu? Como ficaria nessa história? Ele deveria estar caidinho por mim e ansioso para voltar aos meus braços. Definitivamente se apaixonar por uma pirralha que acabara de conhecer numa festa, não estava nos meus planos.
Planejei mil e uma formas de acabar com aquela palhaçada toda, eu nunca havia perdido nada na vida e não me conformava com a hipótese de deixar a derrota zombar de mim daquela maneira. Eu ainda tinha uma esperança em minhas mãos. Pelo que Embry havia me contado, a garota parecia não dar a mínima para o Quil, ela o rejeitava de todas as formas possíveis e isso era um ponto para mim. Eu só precisava descobrir a veracidade dessa informação.
Quando soube que eles viriam passar o Natal em Forks, foi a minha chance de colocar meu plano em prática. Eu poderia matar dois coelhos de uma só vez, se a garota realmente não estivesse nem ai para o Quil, ela não se importaria em saber que ele estava namorando comigo e claro, queimaria todas as chances do Quil se envolver com ela, já que de acordo com minha experiência, a pirralha deveria ser uma “pamonha songa-monga” com princípios de não se relacionar com homens comprometidos. Eu sabia que o Quil não iria me desmentir na frente de todos, afinal, meu primo estava puto por ele ter quebrado as regras e ficado comigo um dia antes de viajar. Ele devia explicações ao Sam e a mim também.
Pensando agora, até que foi divertido o impacto que causei naquele dia...
>>>>>>>>>>>>>>>Flash Back On<
Não foi difícil descobrir o momento exato que o Quil chegou a La Push. Esse era o único motivo que deixava as “cadelas no cio” dessa reserva animadas e suspirando pelos cantos. Assim que avistei todos reunidos na porta dos Black, decidi entrar em ação. Eu já tinha tudo programado, seria muito simples acabar com essa merda toda de “Óóóhhh o Quil está de quatro pela menina do imprinting”. A tal pirralha estava de costas, seria bem mais divertido pegá-la de surpresa com a minha presença. Esperei a Rachel terminar de servir água para todos e aproximei-me no meu maior estilo “Eu sou foda”. Antes de chegar completamente perto deles, abri meu melhor sorriso angelical e falei:
- Quuuiiillll, amor, que bom que você voltou... Já estava com saudades... – Assim que a garota ouviu minha voz, se virou para me olhar. Eu já fui logo abraçando o Quil a fim de marcar território. Ela me mediu de cima abaixo e eu fiz o mesmo, tentando intimida-la com meu olhar. Não podia negar que a pirralha até que era bonitinha, mas é logico, que não se comparava a mim. Eu era muito mais bonita e encorpada que ela. Ponto pra mim. Percebi que ela se sentiu incomodada com os meus braços em volta do pescoço do Quil e tentou disfarçar tomando mais um gole da água em suas mãos. Isso, já não foi um bom sinal.
- Er, oi... – Respondeu Quil, completamente desorientado.
- Huummm, então é ESSA AÍ a tal garotinha do seu imprinting? – Provoquei fazendo pouco caso. Queria mesmo fazê-la se sentir um saco de estrume e dizer que imprinting significava apenas PROTEÇÃO, nada além disso.
- Oi, ESSA TAL GAROTINHA aqui tem nome. Prazer Claire. E você quem é? — Ela arqueou as sobrancelhas de forma debochada e continou a bebericar sua água. Então, quer dizer que a projeto de gente é folgada? Não pensei duas vezes para colocá-la em seu devido lugar.
- Prazer... Eu sou Verônica, a NAMORADA dele! – Abri um sorriso vitorioso e sarcastico ao mesmo tempo, dando ênfase na palavra “NAMORADA”. A garota ficou pálida e imediatamente se engasgou com a água em sua boca cuspindo tudo na minha cara. Quil ao ver a pirralha engasgada, correu para ajudá-la. Que ódio!
- Aííí!!! Sua porquinha nojenta, você cuspiu tudo em cima de mim. — Adverti-a me limpando. Tive que me segurar para nao rir de sua cara de bosta.
- Está tudo bem, Baranguinha? — Questionou encarando-a preocupado. Havia um brilho nos olhos dele que eu nunca tinha visto antes. Aquilo me deixou ainda mais irritada.
- Ela disse que é sua o quê???? — Berrou a pirralha indignada, apontando para mim.
- NA.MO.RA.DA! — Cruzei os braços e destaquei cada silaba mostrando quem mandava no pedaço.
- Er... hã-hã... Acho melhor a gente entrar que o tempo está fechando, daqui a pouco vai começar a chover... — Jacob se intrometeu, arrastando seu pai para dentro da casa.
— Literalmente. – Disse a mini sanguessuga encarando a cara de cu da pirralha.
Foi então que eu me dei conta que a franguinha era muito mais afim do Quil do que
realmente demonstrava. Era nítido que o sem noção do Embry não entendia nada de “defesa feminina” e, ao contrário do que a besta havia me contado, a pirralha estava totalmente encantada pelo Quil na mesma proporção que ele estava por ela. Só que por algum motivo, não queria admitir isso. E o foda era que não tinha nada a ver com o imprinting. Merda! A atração entre os dois era acima de qualquer sentimento de proteção. O fato é que se eu quisesse mesmo ganhar essa parada, eu teria que planejar algo muito mais eficaz para conseguir afastá-los. E Verônica Uley nunca perde uma parada.
-x-
Era sempre muito difícil para nós da matilha, mantermos segredos em La Push. Eu tive que treinar muito para conseguir deixar meus planos fora da cabeça de todos quando eu estava na minha forma de loba. Por isso, não demorou muito tempo para eu descobrir tudo o que havia acontecido entre a Claire e o Quil no penhasco e do maldito beijo que eles trocaram no mar. O idiota não parava mais de pensar nela depois daquele ocorrido. A felicidade era quase palpável em seus pensamentos, fato que estava me deixando extremamente mal humorada..
- Verônica eu acho que você devia desencanar do Quil e partir pra outra, ou melhor, pra OUTRO...
- E eu acho que você devia calar a boca Embry! Qual parte do “me deixa em paz” você não entendeu ainda? –Desde que fiquei sabendo daquela patricinha abusada que venho descontando minha raiva no primeiro idiota que vejo na frente e infelizmente, 90% das vezes esse idiota tem sido o Embry que era o único que ainda tinha algum tipo de paciência para ficar do meu lado.
- Você deveria aprender a dar mais valor às pessoas que realmente se importam com você ao invés de maltratá-las. – murmurou chateado.
- Credo Embry, você esta parecendo meu pai falando desse jeito, eu hein? – debochei.
- Ok Verônica, não vou mais lhe incomodar... Fique aí, sozinha com a sua raiva e suas frustrações... Desde que voltei da festa da Nessie que virei seu saco de pancadas e definitivamente, cansei disso!
- Você tinha que ter ficado de olho no Quil pra mim Embry, não podia ter deixado ele se envolver com aquela pirralha! – aumentei o tom de voz, nitidamente irritada. – Era sua obrigação sendo MEU AMIGO. – ele me encarou com descrença, provavelmente não assimilando as minhas palavras.
- Minha obrigação??? – Embry explodiu numa gargalhada forçada. – Quantos quilos de maconha você fumou hoje??? – ironizou. – A minha ÚNICA obrigação sendo seu AMIGO é te alertar e eu vou fazer isso agora: Vá procurar um ESPECIALISTA Verônica! Você só pode estar pirando! – Ele virou as costas ameaçando ir embora. Droga!
- Embry espere! – chamei-o impulsivamente. Não sei por que, mas, brigar com o Embry, me deixava estranhamente magoada. Deve ser porque ele foi o único amigo sincero que eu já tive na vida. Não queria perder isso.
- O que é agora? – disse seco.
- Desculpe-me tá legal? Eu sei que ando meio chata ultimamente, mas me entenda poxa! Eu estou sofrendo por amor... – Lamentei-me fazendo cara de piedade.
- Você esta achando o que Verônica? Que é a única pessoa no mundo que tem problemas e sofre por amor? Não seja egoísta! Pra mim já chega! Não agüento mais partilhar do seu egocentrismo. No começo eu achei que fosse só uma crise momentânea que você estava passando por dor de cotovelo, mas a situação piora a cada dia. Será que não percebe o quão ridículo é ficar se humilhando por alguém que não esta nem ai pra você? – ele me fitou com seriedade e continuou. – Fingir para todos que é namorada do Quil, quando ele só esta ao seu lado para provocar a garota que ele realmente gosta? Valorize a mulher que você é, eu não estou te reconhecendo mais. Não consigo mais enxergar aquela garota legal e incrível que um dia eu me apai... – Embry se engasgou e deu uma pigarreada. – Hãhã... O que eu quero dizer é que eu não estou enxergando mais a minha melhor amiga por trás dessa máscara de garota mimada e obsessiva que você está usando. Mais um pouco e você estará pior que a Leah em cima do Jacob. – ele se aproximou e a frieza em sua expressão fez meu corpo tremer. – Ah, só uma dica: Ninguém está suportando mais a convivência com a Leah ultimamente... – sem deixar chance nenhuma de eu me defender, ele foi embora, largando-me sozinha.
Não contive as lágrimas que escorreram após as duras palavras de meu amigo. Embry nunca havia falado comigo daquele jeito. Se fosse com qualquer outra pessoa, a essa altura, eu estaria planejando uma vingança bem maligna para Embry se arrepender profundamente de suas palavras. Mas, por um motivo que eu não sabia explicar, eu não tive vontade de me vingar de Embry e ao contrário de qualquer reação que eu esperava ter, meus olhos não conseguiam parar de chorar e meu coração doía de uma forma que jamais havia doido antes. De repente a dor foi se transformando em ódio e a vingança por ter perdido Embry também, me fez ficar cega de raiva. Eu queria destruir quem havia me destruído. Eu tinha perdido meu melhor amigo e não podia fazer mais nada para mudar isso.Se eu estava infeliz agora, a responsável por isso também ficaria. Aquela maldita fedelha de uma figa, iria pagar muito caro por isso! Desde que aquela pirralha cruzou o meu caminho que eu venho perdendo as coisas mais importantes nessa droga de vida! Ah, mas eu ia resolver essa história hoje mesmo. Estava decidida a dar um recado bem dado para aquela biscatinha.
Era noite de réveillon e todos estavam reunidos na casa dos sanguessugas para comemorar a virada do ano. Por algum motivo, a pirralha e o Quil não estavam se falando para minha total alegria. Era nítida a insatisfação no rosto dos dois por causa disso. Eu apenas a trucidava com o olhar, queria mesmo que ela ficasse incomodada e caísse fora dali. Esperei o melhor momento para abordar a pirralha, não queria que ninguém nos visse conversando. Para minha sorte, ela decidiu sair da casa para tomar um ar. Quil estava conversando com Jacob e não percebeu quando sai atrás dela. Encontrei-a encostada à grade da varanda olhando para o céu, um alvo muito fácil de ser amedrontado. Depois da conversinha que eu teria com ela, tinha certeza que a pirralha nunca mais iria chegar nem perto do Quil.
- Não é muito aconselhável uma garotinha FRÁGIL como você andar sozinha por aí. Pode ser muito perigoso... – Abri um sorriso malvado e cheguei mais perto dela.
- Quem ouve você falando assim, até pensa que está realmente preocupada comigo... — Ironizou ao me encarar de braços cruzados.
- É... Tem razão... – Encarei-a com seriedade. — Eu realmente NÃO estou nem aí pra você mesmo!
- A recíproca é verdadeira. – Ela era muito mais folgada do que eu imaginava.
- Bom, na verdade eu vim até aqui somente para lhe dar um recado, Pirralha...
- Hã... – Ela arqueou as sobrancelhas abrindo espaço para que eu falasse. Eu já estava perdendo a paciência com o atrevimento dessa patricinha, então, antes de fazer uma besteira decidi ir logo ao assunto.
- Eu QUERO que você SE AFASTE do Quil. – Exigi autoritária.
- Ah é? E eu quero que VOCÊ SE FODA, pode ser? — Respondeu com arrogância. Mas que vaca!
- Eu estou falando sério...
- E você por acaso acha que eu estou brincando??? – Ela estava me tirando? Não acredito nisso...
- Eu acho que você deveria ter mais cuidado com suas palavras, Pirralha. – Ameacei irritada.
- Querida, não sou eu que me aproximo do idiota do seu namorado, é ele que PRECISA ficar perto de mim. – Senti meus olhos tremerem de ódio. Furiosa, fui mais clara no recado.
- Eu estou avisando Pirralha, ouse ficar perto dele que eu ACABO COM VOCÊ!!! – Esbravejei toda minha ira.
- Nooossa! Sabia que agora eu realmente fiquei com medo? — Debochou. – Estou pensando seriamente em dormir na pia só por medo de você... – A pirralha começou a rir descontroladamente. O que? Aquela maldita estava rindo de mim? Filha da puta!
- Aaahhh, não me provoque sua “Criança Atrevida”, você não me conhece... – Mentalmente comecei a contar até 200, só pra não voar no pescoço daquela insolente. O que o Quil viu nessa garota?
- Bem que eu queria ter esse prazer de NÃO te conhecer! — Para tudo que eu dizia, a fedelha parecia ter uma resposta na ponta da língua. Era a segunda vez hoje que alguém ousava me enfrentar. Do Embry eu até poderia suportar, mas dessa “bisca-mirim” NUNCA!
- O recado está dado... – Respirei fundo e decidi ignorar a minha raiva ao encará-la de cima a abaixo. – Sabe... Se bem que analisando melhor... Olhe bem pra você e olha pra mim, você sonha mesmo que um dia o Quil prefira uma criança sem graça e ridícula como você, tendo a mim como opção? Você não passa de um estorvo, uma obrigação na vida do Quil, cujo ele precisa servir de babá. Eu sim sou a MULHER que o satisfaz em tudo que ele precisa. – Cruzei os braços e comemorei mentalmente. Finalmente eu tinha dado um cheque mate na moral da patricinha. Ela me encarou de cenho franzido e no momento que eu estava me preparando para vê-la chorar ou sair correndo de raiva. Ela me fitou fixamente.
- Escuta aqui “Vareta de Chifres”, eu só tenho 3 coisas para lhe dizer... – Disse fazendo o número 3 com a mão. – Primeiro, eu sugiro que você se preocupe mais em cuidar da vida do seu namoradinho, ao invés de ficar torrando meu saco, porque eu tenho certeza, que enquanto você esta aqui ocupando o meu tempo com suas baboseiras, ele deve estar se atracando por aí com alguma das lambisgóias dessa reserva... Segundo, eu tenho PE-NA de você! Deve ser extremamente humilhante ter um namorado que nem se lembra da nossa existência quando esta viajando e faz cara de bosta quando está ao nosso lado. – Nessa hora não pude deixar de lembrar das palavras de Embry hoje cedo. Incontrolavelmente, senti meus dentes trincarem e o meu corpo começou a tremer. – E terceiro, você não me assusta nem um pouco com essa cara de cú! Eu não vou me afastar de ninguém só porque você quer ou está mandando e se você é tão segura que satisfaz o idiota do Quil em tudo, porque está tão preocupada assim comigo? Por mim eu quero mais é que vocês dois se fodam!
- EU.VOU.TE.MATAR.! — Eu só pensava em comer com farinha cada pedacinho do corpo da fedelha. Quem ela pensa que é pra me insultar assim?
- Vem! Mata agora então... – Desafiou ao me chamar com seu dedo indicador. Ela não sabia com quem estava se metendo. Um simples assopro meu e aquela maldita estaria no inferno. Claro que eu não iria matá-la, mas uns ossinhos fora do lugar não fariam mal a ninguém, não é mesmo? Deixei todo o ódio que estava reprimido tomar conta de mim para que meu corpo acatasse a transformação. Diga adeus ao seu narizinho empinado sua pirralha do caralho.
- Claire? Verônica? O que esta acontecendo aqui? — MERDA, QUIL! Imediatamente fui obrigada a me acalmar.
- Oi amor, não está acontecendo nada! Eu só estava conhecendo melhor seu imprinting, não é mesmo Claire? – Abri um sorriso cheio de sarcasmo.
- É? Pois me pareceu que as duas estavam discutindo...
- Imagina amor, é impressão sua...
- Sim, EU sou impressão sua... – A vaquinha provocou-me mais uma vez. Não contive a minha irritação com o seu comentário idiota.
- O que você disse? — Quil pra variar era um tapado que não entendia nada.
- Nada não, esquece! Vou deixar os dois pombinhos a sós, porque a Nessie está me chamando. Com licença! – Ironizou dando um tchauzinho, nos deixando a sós. E foi a partir desse momento que a minha vingança tinha virado algo pessoal. Eu decidi não medir esforços para acabar com a raça daquela pirralha. Eu nem estava me importando tanto em ficar ou não com o Quil, o meu objetivo principal agora era destruir a alegria dela. Se ela estava pensando que iria desafiar Verônica Uley e ficar tudo bem, estava muitissimo enganada.
- Verônica está tudo bem mesmo? – Disse Quil me tirando dos meus devaneios.
- Oi? Sim, claro... Por que não estaria?
- Veronica nós precisamos conversar sobre essa confusão que você armou... Posso saber porque você inventou que estávamos namorando?
- Ah Quil, eu achei que depois daquela tarde maravilhosa que nós passamos juntos, você estaria seguro de ficar comigo... – Estiquei minha mão para acariciá-lo, mas ele se desviou do meu toque.
- Pare com isso Verônica, eu sei que você não é nenhuma ingênua! Eu deixei claro que não queria me envolver em um relacionamento sério...
- Ah é mesmo? Então por que você não pensou assim quando se envolveu com a garota do imprinting?
- Eu não tenho nada com a Claire! — Exclamou irritado.
- Ahãm, isso só porque ela te deu um fora depois que te beijou...
- Ela não me deu um fora Verônica! – percebi seu rosto mudar de cor com a lembrança.
- Ah não? A garota te despreza desde o dia que te conheceu! Ela não gosta de você Quil, será que não percebe isso? — Eu queria persuadi-lo a acreditar em mim. – Sabe o que ela acabou de me dizer aqui? Que você foi o pior beijo da vida dela!
- JÁ CHEGA VERONICA, EU NÃO QUERO MAIS OUVIR MERDA NENHUMA! – Berrou. – Quanto a você faz um favor pra mim? Deixe-me em paz ok? – Ele correu para a floresta largando-me a falar com o vento. Pelo menos eu tinha conseguido deixá-lo mais bravo ainda com a fedelha. Quil era orgulhoso demais para agüentar alguém difamando sua reputação de “ O Pegador” dessa maneira. Abri um sorriso vitorioso já sabendo exatamente como dar continuidade com o resto dos meus planos.
>>>>>>Fim do flash back<
Sabe aquele velho ditado que diz: “Você está procurando sarna pra se coçar?” Pois é, descobri bem o significado dele aquela noite, quando me envolvi com a cadela da Leah Clearwater. Eu que a procurei, eu sei. Mas quando fiz isso não imaginava que ela poderia ser muito pior do que eu no quesito, maldades. A minha intenção nunca foi matar a Claire pra valer, eu só queria dar um grande susto na pirralha por ela ter atravessado meu caminho. Eu senti mesmo vontade de dar três socos e um chute na cara dela aquele dia que me desafiou, mas a minha raiva maior foi por ela ter me afrontado, me fazendo perder a amizade do Embry e o amor do Quil (mesmo sabendo que eu nunca tive esse amor). Na realidade, eu só queria descontar na pirralha o fato de pela primeira vez eu ter me fodido num relacionamento, ou melhor, em dois.
Leah havia me garantido que nós não iríamos machucar nem a meia-sanguesugua, nem o imprinting do Quil. Ela já estava envolvida com o Nahuel quando a conheci, já tinha a maior parte dos planos formados em sua cabeça. Eu só fui a otária que ajudou a colocar a maioria deles em prática. Embora Leah não admitisse, estava muito claro que o seu envolvimento com o Nahuel ia muito além do que apenas “interesse profissional” como ela mesmo dizia. Aquela piranha já estava literamente de quatro pelo meio-sanguessuga e estava usando sua vingança por perder Jacob, como desculpa para se aproveitar dele e saciar seus desejos reprimidos.
Mesmo sacando qual era o lance por trás da mente de Leah, não me importei com as verdadeiras intenções em relação ao meio-sanguessuga, afinal, eu não tinha absolutamente nada a ver com isso. A boceta era dela e ela dava pra quem bem entendesse. Como disse, meu único intuito era colocar a patricinha da Claire em seu devido lugar. E ver a pirralha sozinha naquele penhasco foi o momento perfeito para eu conseguir concluir meus objetivos. Eu daria um susto tão grande naquela atrevida que ela nunca mais ousaria me desafiar da forma como havia feito na noite de Reveillon.
>>>>>>Flash back ON<
Aproximei-me da fedelha em passos leves, justamente para impactá-la ainda mais com a minha presença.
- O que a “bibelô humana” dos vampiros faz aqui sozinha? – Debochei fazendo-a sobressaltar ao ouvir minha voz.
- Você??? O que você está fazendo aqui? – O espanto em seu rosto deixou-me levemente satisfeita. Seria muito simples fazer essa pirralha sair daqui cagando nas calças.
- Por que o espanto? Está com medo de mim, patricinha?
- Não tenho medo de espantalhos... – respondeu debochada. Eu tinha que admitir que a infeliz era corajosa. Quem em sã consciência seria capaz de afrontar uma loba sozinha? O Quil teria muito trabalho para proteger alguém como ela.
- Você continua a mesma patricinha atrevida e arrogante. – Cruzei os braços, intimidando-a com meus olhos.
- Verônica, eu não estou a fim de discutir com você hoje! Por favor, me deixe em paz! — Pediu quase implorando. Pude perceber a tristeza em sua expressão ao me fazer esse pedido. Será que havia brigado com o Quil? Seria bom demais pra ser verdade.
- Eu avisei que queria você beeemmm longe do Quil, não avisei pirralha?
- O Quil NÃO É, nem NUNCA FOI propriedade sua... – Vaca atrevida! Como ousa?
- Ele ERA meu SIM, antes de você aparecer e estragar TUDO! Berrei furiosa.
- Verônica, eu já te falei isso uma vez e vou repetir, não fui eu quem escolheu a ele, foi ele que escolheu a mim. – ela fazia questão de esfregar na minha cara, a rejeição que eu havia sofrido. Que ódio! Respirei fundo para não perder de vez minha paciência com a fedelha e cometer uma besteira.
- Claire, se você quer continuar viva, termine com esse namorinho ridículo de vocês! – instintivamente meu corpo começou a tremer. Ela sabia mesmo como me tirar do sério.
- Eu juro que se eu não estivesse tão mal agora, cairia num ataque de risos com essa sua ameaça grotesca. Verônica coloque uma coisa na sua cabeça, eu me APAIXONEI pelo Quil, não vou desistir da minha felicidade por sua causa... – falou decidida. Nesse momento eu percebi a intensidade dos sentimentos que ela nutria pelo Quil. Ela lutaria por ele se fosse preciso, mesmo sabendo que a sua derrota seria mais do que certa, comparando a sua força humana com a minha. Eu poderia destruí-la apenas com um tapa, mas, não era essa minha intenção. Eu só queria amendrontá-la.
- Pirralha, essa é a ultima chance que estou lhe dando, senão...
- Senão, o quê? Interrompeu-me antes de concluir. — Você vai me matar? – Sorriu debochada. Não pude conter a fúria em meus olhos, eu juro quem tentei assustá-la da melhor maneira possível, mas a sua petulância, fez meu corpo ir muito além. Em questão de segundos deixei a transfiguração ocorrer deixando aflorar a loba dentro de mim ao emergir um estrondoso rosnado. Eu quase sorri com o horror no rosto da pirralha, ao perceber que eu falava sério quando a ameacei de morte. – Verônica pare com isso! — disse ela tentando parecer tranqüila. Eu a encarei com os dentes trincados e avancei dois passos em sua direção, fazendo-a repetir os meus movimentos para trás.
– Verônica, se você relar o dedo em mim, o Quil vai acabar com você! — é lógico que eu sabia que o Quil ficaria uma fera se eu encostasse o dedo nela. Não só o Quil, como todo mundo, inclusive, o Embry. E eu não estava a fim de deixá-lo ainda mais puto comigo. Vendo que meu plano de deixar a pirralha apavorada estava dando certo, fingi ignorar seu apelo em relação ao Quil e avancei mais um passo, encurralando-a no penhasco. Ela olhou para o lado assustada certificando que não tinha mais alternativa. Alguém teria uma fralda para entregar pra essa pirralha? Eu tinha certeza que a essa altura ela já estava toda borrada, embora a infeliz tentasse não demonstrar todo o pavor que estava sentindo. Eu estava me divertindo muito internamente com a situação, quando uma voz inesperada surgiu atrás de mim.
— Vamos logo com isso, Verônica! — O que Leah estava fazendo aqui? Ela disse que não se intrometeria no meu assunto com a pirralha. Achei que já tinha ido embora com o Nahuel e a irmã dele. – Você não vai desistir agora, não é? Ande, não seja covarde, acabe logo com isso... – Ordenou impaciente.
- Foram vocês! — berrou Claire, como se tivesse feito uma grande descoberta.
- ÓÓÓÓ... A “monstrofriend” descobriu a America! Zombou Leah aplaudindo. – Vocês são um bando de otários mesmo. Tudo estava saindo perfeito até você, a “monstrinha” e aquela bicha esquisita entrarem no meu caminho... Ah, mas vocês vão pagar muito caro por isso, começando por você... -Leah cruzou os braços e me encarou de forma autoritária. — Vai logo Verônica! Nós precisamos ir embora, o Nahuel contou que meu irmão quase pegou a Muhane, a essa altura eles já devem desconfiar de nós... – Droga, se aquela esquisita da irmã do Nahuel desse com a língua nos dentes, eu estava fudida.
- Nahuel? Esse não é aquele meio-vampiro que estava afim da Nessie no aniversário dela? Não foi ele que ajudou a salvar a vida dela há um tempo? O que ele tem a ver com isso? Quem é Muhane? E a Janete? O que vocês fizeram com a Janete? — de repente a pirralha começou a fazer um monte de perguntas, forçando Leah a soltar uma estridente gargalhada.
- Garota, você é mesmo esquisita, hein? Está com o pé na cova e ainda arruma um jeito de ser curiosa e intrometida, Verônica, se você não acabar com essa “puxa saco de vampiro” agora, eu mesma faço! – Eu não estava entendendo o que Leah estava ordenando. Nós não tinhamos deixado bem claro que ninguém iria se machucar nessa brincadeira? Encarei Claire na profundidade de seus olhos e através dos meus eu lhe disse que eu não tinha a intenção matá-la, mesmo sabendo que ela jamais poderia me entender.
- Você não quer fazer isso... – sussurrou ela com convicção, sem tirar os olhos dos meus. Não contive o susto em minha expressão, como ela tinha conseguido fazer isso? . – Você não precisa fazer isso... – Ela estava tão absorta com a situação que nem havia percebido que estava conversando comigo através de seus olhos. Foi nesse momento que percebi que a pirralha emanava algo diferente. Por uma força maior que eu não sabia explicar qual era. Eu senti que não podia feri-la, ao contrário, eu precisava... Protegê-la? Olhei para Leah e em seguida, encarei Claire novamente. – Você não precisa fazer o que ela manda, ela não é nem de longe um Alpha para ordenar alguma coisa... – após essas palavras percebi a raiva de Leah se tornar ainda mais eminente.
- Ah não Verônica, era só o que me faltava! — Esbravejou irritada. — Eu não acredito que vai deixar essa “pirralha” que ROUBOU o Quil de você, te desencorajar... – encarei Leah por alguns segundos, tentando colocar um pouco de juízo em suas atitudes ao pensar no sofrimento do Quil. – Ele vai superar isso Verônica, relaxe, perder o imprinting não é o fim do mundo... – Eu não podia me conformar que Leah havia dito isso de maneira tão fria. Aquela piranha não se importava com ninguém, além dela mesma. Instantaneamente, eu vi o meu reflexo nos olhos de Leah. Foi então que eu tive a consciência que eu também já fui como ela. Eu também já fui esse ser asqueroso e nojento que só se importava com o próprio umbigo, aliás, eu ainda era assim. Todas as maldades que eu já tinha feito em Nova York, todas as maldades que eu estava fazendo aqui em La Push. E tudo que eu havia perdido em conseqüência disso. Embry tinha razão. A minha obsessão em querer ter o mundo em minhas mãos, não me deixava enxergar o mundo a minha volta. Inclusive, todas as pessoas legais que eu estava perdendo ao meu redor. Ainda fitando Leah com intensidade, soltei mais um estrondoso rosnado de raiva. Eu poderia e seria sim, alguém melhor do que ela. Eu mostraria para o Embry que ele estava errado quando disse que eu me tornaria pior que a Leah. Logo após afrontar a loba mentirosa a minha frente, me virei para Claire e tentei transmitir através dos meus olhos novamente, para que ela não saísse de trás de mim, independente do que acontecesse a seguir. Acho que dessa vez ela não conseguiu me entender, pois a confusão estava estampada em sua expressão. – Eu sempre soube que você era uma fraca Verônica, eu não sei como eu pude confiar em você! Agora vaza da minha frente, que quem vai acabar com essa “puxa saco de vampiro” sou eu.
Leah explodiu no ar se transformando e imediatamente, me posicionei protetoramente na frente da Claire. Eu tentei de todas as formas pedir socorro aos outros da matilha através dos meus pensamentos, mas, acho que por causa dos últimos acontecimentos, Leah e eu não fazíamos mais parte de bando algum, estávamos desligadas da mente de todos. Portanto, o único latido que eu conseguia ouvir era a da cadela a minha frente.
“O que significa isso Verônica? Você vai mesmo arriscar sua vida, para proteger essa piranha mirim? Você se esqueceu que foi por causa dela que levou um baita pé na bunda do Quil?” Quanto mais ela falava em meus pensamentos, maior era o volume dos rosnados que eu soltava.
“Leah você me garantiu que não iríamos machucar ninguém! Você me enganou!”
“Aaaahhh... Coitadinha, ela foi enganada!” – ironizou – “Não se faça de vítima né Verônica? O que deu em você hein? Desde quando você se preocupa com os sentimentos de alguém? Pensa que eu não sei da vidinha “linda” que você levava em Nova York? Só o otário do Embry mesmo pra se deixar enganar e apaixonar-se por alguém como você...” Nessa hora eu estagnei no lugar. O que essa maluca estava dizendo? Ela notando a confusão em meus pensamentos, abriu seu tradicional e sarcástico sorriso de loba.
“É claro que você não tinha percebido não é mesmo? Uma vagabunda amadora metida à esperta, jamais percebe o que realmente está acontecendo debaixo dos seus olhos. È por isso que você nunca foi, nem nunca será páreo pra mim Verônica. Eu tinha certeza que você iria dar pra trás no ultimo minuto. Você é fraca! Você é ridícula! Tem muito que aprender ainda... Agora dá licença que meu tempo é curto e preciso terminar com o serviço que você não teve coragem de fazer...” Eu ainda não podia acreditar nas palavras de Leah, como assim o Embry está apaixonado por mim? Ela só podia estar querendo me desestruturar, para eu perder o foco da Claire e assim, ela atacá-la. Rosnei alto novamente, encarando-a com raiva.
“Leah eu não vou entrar no seu jogo, nem nas suas mentiras! Você não vai encostar num fio de cabelo da garota, entendeu? Será que não percebeu ainda que ela tem algo... especial...” Nem eu estava me entendendo mais. Nesse momento percebi Claire se mover atrás de mim e retirar um aparelho celular do seu bolso, logo que olhou no visor ela deu um passo instintivo para trás, perdendo completamente o equilíbrio e o chão aos seus pés.
“NÃÃÃÃÃÃOOOOOO” — Meu rosnado se misturou ao som do meu desespero. Olhei para Leah que se contorcia de tanto rir na minha frente. A imagem da Claire caindo era uma constante piada em seus pensamentos.
“HAHAHAHAHAHAHA É Verônica, você tem razão, ela é especial mesmo! Especialmente BURRA! HAHAHAHAHAHA.... Olha Eu já vi gente burra, agora uma anta suicida feito essa estava fora dos meus planos...” Pensou a vaca gargalhando.
A minha vontade era de destruir a raça da Leah. Como eu fui estúpida, meu Deus! Em questão de segundos, uma dor insuportável invadiu o meu peito, eu podia perfeitamente sentir o sofrimento e a dor do Quil como se fosse minha própria dor. Eu nunca havia sentido algo tão intenso em toda a minha vida. Eu precisava salvar o resto da dignidade que ainda me restava. A Claire só caiu desse penhasco, porque eu encurralei-a naquela situação. Eu era a culpada direta por tudo que estava acontecendo naquele momento. Tudo por causa do meu desejo obsessivo por vingança, pela minha raiva, pelo meu egoísmo... E se por acaso ela morresse, eu nunca mais poderia me perdoar. O Quil jamais me perdoaria e o Embry só teria certeza do mostro que eu havia me tornado. Eu teria que carregar comigo o fardo dessa morte por toda minha eternidade. Eu só tinha duas opções naquele momento e eu precisava escolher uma delas: Ou eu seguia meu instinto e matava a Leah de uma vez por todas me vingando por tudo que ela havia me feito, ou eu me arriscaria a tentar salvar o coração daquele que me magoou profundamente com a decisão de me deixar. Sem pensar duas vezes me atirei logo atrás dela, deixando meu desejo de vingança pela Leah para trás. E foi nesse momento que eu me decidi me tornar uma nova mulher.
Logo que meu corpo se chocou contra o mar, eu já estava em minha forma humana. Nadei o mais profundo que pude. Para meu súbito desespero, não conseguia encontrar Claire em lugar algum. O mar daquela região tinha no mínimo uns 32 metros de profundidade, portanto, se ela tivesse perdido a consciência, eu demoraria muito mais tempo para encontrá-la, pois, em vez de tentar flutuar, ela afundaria com o peso de seu corpo e aí, seria tarde demais. Eu já podia sentir as lágrimas escorrerem pelos meus olhos, eu não podia deixar isso acontecer com o Quil. Não podia! Eu não sabia mais o que fazer, estava prestes a desistir quando virei o meu corpo avistando uma mancha vermelha enorme próximo as pedras ao lado esquerdo do mar. Oh MERDA! CLAIRE!
Nadei o mais rápido possível em direção a ela, quando a peguei em meus braços, ela já estava desacordada e totalmente ensangüentada. Claire estava muito ferida. Eu precisava de ajuda! Eu precisava ajudá-la! Totalmente derrotada saí do mar com ela em meus braços. Por que tinha que ser assim? Era só para ela levar um susto, não para morrer de verdade.
- Pirralha, cadê aquela força que você insistia em demonstrar na minha frente? Mostre-a agora merda, por favor! Lute DROGA! E por ele, sobreviva! — Eu ainda estava suplicando quando o vi. Quil corria em minha direção e eu pude ver a fúria e o desespero contido em sua expressão. Oh merda, é lógico que ele iria me culpar por tudo isso.
- QUIL NÃÃÃOOO!! — Gritei aos prantos. Ele precisava me ouvir. – ME OUÇA, POR FAVOR... – eu não conseguia dizer nada, apenas chorava descontroladamente dominada pela culpa e o arrependimento.
- O.QUE.VOCÊ.FEZ.COM.ELA? – Quil chorava mais que uma criança quando esticou os braços para que eu lhe passasse a Claire.
- Qui-Quil nã-não fui eu, eu ju-juro...
- VERONICA, DÊ-ME A CLAIRE AQUI, AGORA! – sua dor podia me perfurar por dentro. — Eu não tenho tempo para suas mentiras Verônica, você não vai mais machucá-la...
- Quil eu... Tentei argumentar pela ultima vez, mas não importava o que eu dissesse, ele nunca mais acreditaria em mim. Decidi então entregar-lhe a Claire colocando-a em seus braços. Ela precisava muito mais de ajuda agora do que o Quil de minhas explicações. No final das contas, querendo ou não, a culpada disso tudo era eu mesmo.
— Oh meu amor, o que fizeram com você? Sussurrou ao beijar sua testa ensangüentada. Quil acariciou seu rosto e aproximou sua face da dela pra sentir sua respiração.
- Ela bateu a cabeça Quil, ela precisa de ajuda...
- Verônica, some daqui, por favor, você já conseguiu o que queria...
- Quil, eu não a derrubei do penhasco, ela escorregou sozinha!
- VOCÊ EMPURROU A CLAIRE DO PENHASCO? — o corpo dele imediatamente começou a ficar tremulo transformando o desespero em ódio. – EU VOU ACABAR COM VOCÊ, VÊRONICA! — Berrou. Eu não me movi. Fiquei estagnada no lugar apenas esperando ele fazer o que tinha que ser feito. Eu pouco me importava se ele iria me matar ou não, qualquer coisa que acontecesse comigo seria pouco, por tudo que eu tinha causado. Fechei meus olhos e deixei o resto das lágrimas que ainda sobraram dentro de mim, serem despejadas. Foi à única forma que encontrei de lavar a minha alma.
- Quil, não faça isso! Você pode feri-la ainda mais... – Ouvi a voz do sanguessuga implorativa nas costas de Quil. — E nesse momento a Claire está precisando de ajuda, ela precisa muito de você agora Quil... – Após essas palavras Quil a aninhou ainda com mais urgência em seus braços e o seu choro se tornou muito mais torturante após a sua súplica.
- Faça alguma coisa, pelo amor de Deus! – Ela está morrendo... Não a deixe morrer, por favor... – Eu nunca imaginei que pudesse existir um sentimento nessa proporção. A ligação que havia entre os dois era muito mais intensa que qualquer instinto de proteção causado pelo imprinting. Ele estava disposto a se sacrificar por ela. Quando ele pediu para o médico transformá-la em sanguessuga, ele não pensou nas conseqüências dessa decisão. Ele não se importava se depois de tudo, ela decidisse que eles não seriam mais compatíveis juntos.
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Ele entregou o seu destino, a sua felicidade e os dias de sua existência ao vento, apenas para de alguma forma salvar a sua alma se ela estivesse feliz de algum modo. Isso era o verdadeiro amor. Eu nunca tinha o visto tão de perto. E era muito triste descobrir que eu nunca sequer cheguei perto dele, a não ser para destruí-lo.
- Acho melhor você ir embora agora... – eu não precisei erguer meus olhos para saber de quem era aquela voz.
- Embry...
- Acho que já causou problemas demais por aqui Verônica... – sua voz não tinha nem um pingo de emoção, assim como sua expressão. Por impulso corri para seus braços envolvendo-o num abraço forte, enquanto me debulhava em lágrimas. – Vá embora, antes que as coisas se compliquem mais para o seu lado. – ele permaneceu estático, sem sequer tentar fazer algum tipo de esforço para retribuir meu abraço.
- Eu...eu... não tive a intenção Embry, ela caiu sozinha... Você precisa acreditar em mim... Por mais que seja difícil... – implorei. Embry desvencilhou meus braços que estavam envolta de seu pescoço, os ajeitou na lateral de meu corpo e deu dois passos para trás analisando minuciosamente dentro dos meus olhos.
- Apenas vá embora, por favor, Verônica... – Eu preferia ter levado uma surra, sofrido tortura chinesa, ou que o Quil tivesse mesmo me matado quando teve vontade. Tudo para não precisar enfrentar o desprezo que ficou nitidamente estampado no olhar vazio e sem vida, de Embry ao me encarar. Abaixei minha cabeça completamente desolada e atendendo ao último pedido do meu ex-melhor e único amigo, fui embora.
>>>>>>>>>— Flash Back OFF<
Cansada de viver num mundo de mentiras, naquele dia mesmo, corri para a casa do meu primo e contei tudo o que eu sabia sobre os planos da Leah, Nahuel e sua irmã. Como era de se esperar, Emily e ele ficaram chocados, eu, já não me importava mais. Depois disso me tranquei em meu quarto e me afundei na solidão daquele lugar. Eu não queria ver ninguém, não tinha fome, sede, nada. Meu único conforto era o vazio dentro do meu peito. Eu não tinha mais lágrimas para chorar. Nem a presença dos meus pais foi suficiente para me tirar do buraco que eu mesmo tinha cavado em minha vida.
Uma? Duas semanas? Não sei dizer ao certo, quanto tempo se passou até que eu finalmente tomasse a decisão que me trouxe até aqui. Ouvir Sam dizer que eles estavam juntos novamente, foi a minha motivação para fazer o que eu deveria ter feito no primeiro dia que ela abriu os olhos outra vez.
Eu os avistava de longe. Ela estava muito bonita num vestido branco, corria com rapidez de um lado para outro enquanto ele admirava-a com a mesma cara de bocó apaixonado de sempre. Pela primeira vez, eu consegui sorrir com essa cena. Eu não tinha idéia de como ela iria me receber, ou sequer se me receberia, mas eu tinha certeza que só conseguiria seguir o meu caminho se eu ao menos tentasse.
Quil se afastou por algum motivo deixando-a sozinha no imenso gramado que tinha no jardim da casa dos sanguessugas. Foi a minha chance. Caminhei silenciosamente em sua direção. Ela estava sentada de costas pra mim. Todas às vezes eu a pegava de surpresa com a minha presença, mas hoje, foi o contrário.
- Você demorou a me procurar... – disse sem olhar para trás. Será que ela estava me confundindo com o Quil? – Você está bem Verônica? – é definitivamente, ela não estava me confundindo com o Quil. Eu ainda estava sem reação. Não consegui responder. De tudo que poderia acontecer à última coisa que eu esperava era ela me pegar tão desprevenida. Ao contrário de tudo que eu poderia esperar ela se virou pra mim com sua enorme íris vermelha e... sorriu? – Ah não vai me dizer agora que a “chassi de pernilongo” perdeu a sua imensa língua afiada? – não pude deixar de sorrir com o seu comentário.
- Pelo visto o atrevimento da pirralha se aflorou ainda mais nessa nova vida... – Nós duas sorrimos e ela se levantou ficando de frente pra mim. Eu ainda estava um pouco nervosa com a situação. Fitei-a novamente nos olhos e aquela sensação esquisita daquele dia do penhasco apareceu novamente.
- Eu sei que é esquisito, mas eu nunca fui muito normal não é mesmo? – sorriu, respondendo a minha pergunta não verbalizada.
- Como isso? – eu ainda estava confusa. Eu nunca tinha visto algo do tipo.
- Não sei direito, primeiro aconteceu com o Quil e agora eu consigo conversar com todos os lobos dessa forma. Está se aprimorando. Tem a ver com o olhar que trocamos.
- Interessante... – murmurei analisando-a curiosamente. – Você também não fede como os outros...
- Er... será que eu devo dizer... Obrigada? – nós sorrimos novamente e agora com o coração livre de rancor eu pude perceber que ela até que era uma pessoa legal. – Obrigada de novo! – eu não conseguia me acostumar com essa coisa de conversar com os olhos. – Eu ainda estou me acostumando...
- Você disse que eu demorei a te procurar, você sabia que eu viria? – Não pude deixar de manifestar minha curiosidade.
- Eu senti que você viria, na verdade, já faz alguns dias que eu te vejo rondando a nossa residência... – arregalei os olhos, um pouco envergonhada.
- Os outros me viram também?
-Não achei necessário contar, já que imaginei que seu assunto seria apenas comigo.
- Desde quando você se tornou tão esperta?
- Desde o dia que você deixou de ser tão burra... – sempre com respostas na ponta da língua.
- Pirralha atrevida!
- Imagino que você não tenha vindo até aqui para questionar o meu atrevimento, em que posso ser útil? – perguntou-me divertida.
- Já que você está tão sabichona, já deve imaginar o motivo pelo qual estou aqui... – arqueei minha sobrancelha, num tom desafiador.
- Sim, mas eu quero ouvir da sua boca, acho que eu mereço isso não é mesmo? – É lógico que a pirralha não ia facilitar para o meu lado. Mesmo sabendo o que estava escrito em meus olhos, ela iria me fazer dizer em voz alta. – Ainda bem que você sabe que eu não vou facilitar nada... Vamos lá Verônica, eu sei que você consegue! Fará bem pra você também... – incentivou-me com um sorriso. Respirei fundo e decidi pegar de vez meu passaporte para a liberdade.
- Claire me descu... – Tudo aconteceu muito rápido. No momento que eu estava concluindo meu pedido de desculpas, um estrondoso rosnado ecoou pelo jardim e eu só consegui ver o enorme lobo avançando em cima de mim. – QUIL! – foi só o que eu consegui dizer antes de cair no chão e perder a consciência.
Continua...
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