Confissões

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Gente, eu to num momento muito bom de criatividade. Esse capítulo está muito amoroso, sério mesmo, eu amei escrevê-lo, amei colocar na fic o que realmente devia acontecer depois da cena final também. Devo dizer que estou triste porque a série está chegando ao fim :( mas espero que até lá, Jan Nash façam do nosso ship rizzles um casal mesmo né? A esperança é a última que morre KKKK Espero que tenham gostado desse capítulo, e comentem, pleaaaaaaaaaaaaase. Beijos e boa leitura, e ah, ignorem os erros, não revisei ♥

Formar uma família não estava nos planos de Jane, ela era uma policial, não se via fazendo outra coisa a não ser: ser uma policial. A segunda opção está perfeito pra mim – Maura havia aprovado sua sugestão indireta, Jane estava a cada dia mais envolvida com a loira, e esses sentimentos estavam sufocando-a por dentro. Pensar no futuro e ter uma família era arriscado demais, primeiro porque ela teria que pensar sempre na sua família antes de se colocar em perigo, e ela sabia que desde quando se jogara da ponte para salvar a vida de um promotor, Maura havia ficado muito irritadiça com a loira, a ponto de demonstrar com suas feições faciais, e depois daquele dia a morena pensou muito antes de se pôr em risco, ela tinha uma família em casa, ela tinha uma mãe que se preocupava com ela e com seu irmão, ela tinha Maura que estava sendo fundamental na sua vida desde… Desde quando se conheceram, desde quando viraram amigas, desde quando começaram a trabalhar juntas, desde sempre até então, e porque não se mudar para o Maine com a loira? Dividir uma casa com ela que tenha uma quadra de basquete para poder se divertir nos dias de folga? Talvez até ensinar a loira a jogar basquete também… Sorriu mais uma vez naquele dia, enfim, parecia que a sua vida pessoal estava tomando rumos que nunca pensara que um dia tomaria.

Após a resposta dada para Jane, a legista ficou pensativa: o que a levou em dar aquela resposta? Bom, ela não pensou muito em responder, apenas disse o que estava pensando enquanto Jane falava que sentia falta dela – Maura – A loira pôde compreender, em algumas horas o rumo em que sua vida tomou desde que fora sequestrada, ela nunca esteve naquela condição, ela nunca esteve do outro lado, e havia sido a pior experiência de sua vida, e graças a Deus que Jane existia, que Jane não desistiu dela. “Você tem que escrever um poema que venha do seu coração, Maura. É simples, mas que tem muito significado pra você, entende?” disse Kant à loira, que estava em conflito sobre o trabalho de casa que o professor havia solicitado. Como era difícil falar de algo oposto a ela, até que Kant lhe clareou os pensamentos; todos naquela central era oposto à Maura, tanto nos costumes, nas culturas, nos gostos… E nada como falar das pessoas que estão ao seu lado todos os dias, pessoas que ela conheceu através de Jane, e que não se assustaram e nem correram dela no primeiro dia, nem no segundo e nem nos seguintes dias da semana, do mês, do ano… Pensou em Jane e em tudo o que elas já passaram até ali, em todas as discussões, em todas as discordâncias, em todas as implicâncias, em como a morena a protegia, a defendia, e como a morena estava sempre ao lado, não importasse o que fosse, Jane sempre estava com Maura. Com certeza, ela compraria uma casa com uma quadra de basquete, se esse fosse o caso, ela compraria apenas para ter Jane para sempre consigo.

O que Maura não entendia muito bem eram as emoções que a assolava o peito como se fosse flechas com pontas de fogo acertando o seu coração, mas não em um sentido ruim, eram ótimas emoções, ótimas sensações, ela nunca esteve tão próxima de Jane como nos últimos dias desde o sequestro, Maura não queria perder nenhum momento com a morena porque sabia que a vida era curta, porque, embora o hacker estivesse querendo a morena, ele não hesitaria em usar novamente alguém que a morena amasse, e ela não queria ser isca de novo, e não queria que ninguém mais o fosse; então pegou seu caderno e começou a escrever sobre os seus amigos, ela podia dizer sim, que eram amigos, que eram sua segunda família, e começou a falar sobre cada um deles, de como ela se sentia a respeito de cada um, e de como ela era grata por conhecer a todos.

***

Mais um caso fora solucionado, uma gangue havia sido presa, quantas daquelas teriam ainda para prender? Inúmeras, mas Jane sabia que o seu trabalho naquele dia havia sido concretizado com sucesso “missão dada é missão cumprida” pensou consigo mesma. Estava voltando para casa em seu carro, procurou por Maura no laboratório, mas a mesma disse que tinha algumas coisas para arrumar, e iria um pouco mais tarde. Jane resolveu dar uma volta pela cidade, aquele lugar lhe rendeu muitas coisas ruins, mas também, coisas ótimas, de uma maneira que ela nunca podia expressar em palavras. Passando lentamente pelas avenidas, ela viu uma loja de doces e lembrou de quando a loira estava entorpecida pela conhecida erva medicinal maconha, sorriu ao lembrar da loira próxima a ela “Eu nunca te disse, mas eu amo rosquinhas açucaradas” naquele mesmo dia, mais tarde, ela deu uma caixa de donuts para a loira. Parou em frente a loja e desceu, estava com vontade de dar algo para a loira, mas não sabia o que. Flores, talvez? Uma caixa com muitos bombons? Entrou na loja, dando uma olhada rápida em tudo. Uma rosa, talvez? Não pegaria mal? “Posso ajudá-la?” Jane virou-se para a voz que estava atrás de si, sorriu para a moça à frente, identificando o nome dela pelo crachá “Hm, eu acho que sim, eu passei aqui em frente, e pensei em presentear uma pessoa...” a moça que se chamava Claire sorriu para a morena, encorajando-a para falar mais detalhes da pessoa que ela presentearia “Alguma data em especial?” Jane analisou a pergunta, não era nenhuma data em especial, o aniversário da loira ainda não havia chegado, a loira não havia ganhado nenhum prêmio ainda, elas não estavam comemorando os anos de amizade que tinham “Não, mas essa pessoa é muito especial pra mim, sabe?” Claire concordou, notou que os olhos da morena a sua frente brilhava quando mencionava a tal pessoa, logo suspeitou que fosse um namorado, ou namorada, quem sabe? “E essa pessoa é sua namorada?” Jane riu com aquilo “Oh, não” Namorada? Maura? “Ela é apenas minha amiga, senhora Claire, de muitos anos, sabe?
E pode me chamar de Jane” a moça assentiu, e percebeu que ali não havia apenas amizade, ela não conhecia a pessoa que seria presenteada, mas sabia que se a vissem juntas, com certeza ela não pensaria em amizade, com certeza não “Jane, eu recomendaria para você essa caixa em formato de coração, contém ótimos bombons trufados, e nós temos o brinde em que a pessoa pode levar uma rosa, acompanhando a caixa, se a pessoa que você quer presentar é tão importante pra você, acredito que ela amará em receber chocolates e uma rosa” Jane concordou com a vendedora, e comprou aquela caixa de chocolates, o problema seria em como entregar o presente para Maura sem que ninguém visse.

***

Jane pensou que iria ser fácil, planejou chamar a loira para a varanda, e lá entregaria o seu presente, mas à noite lhe dera algumas surpresas, Kant estaria com elas na janta, sua mãe também estava ali, e pelo visto, ela não conseguiria entregar para a loira o que desejava. Deixou os chocolates em seu quarto, o clima daquela noite estava agradável, então, os chocolates não derreteriam tão depressa. Esperou algumas horas, até que o assunto dos poemas de Maura surgiu em pauta “Quero ler algum dia” disse Kant. “Estão aqui, pode ler” falou a loira, tomando o seu café, Jane e Ângela estavam encarando o médico legista sênior “Tem como ler em voz alta, por favor?” Kant buscou a afimação com a loira, e esta de pronto concordou. A primeira leitura era a respeito de Ângela, a segunda sobre Korsak, mas quando chegou no terceiro poema sobre Jane, a loira sentiu suas mãos suarem e seu coração acelerar. Ficou preocupada em como Jane e os demais ali interpretariam o que ela havia escrito para a morena, e se tivesse sido sentimental demais, ou profunda demais em suas palavras? Mas o olhar de Jane sobre a loira estava sendo tão intenso quanto as palavras que Kant estava dizendo em voz alta. Jane sabia que era pra ela, ela pôde sentir cada emoção e amor em cada palavra lida pelo rapaz que estava em pé na cozinha. Maura pôde ver os olhos de Jane brilhando para ela e o sorriso em seus lábios, os olhos fixos um no outro. Impossível não perceber a aura que se formou naquele instante, havia algo que prendia aquelas duas mulheres naquele olhar magnético, e ambas ainda não sabiam, ou sabiam o que seria esse sentimento, mas o medo de perder era muito maior do que a provável chance de ganhar. “… A sagacidade dela e o seu amor me sustentam, e nunca me cansam. E quando estamos separadas, não há tristeza, porque nossa ligação está sempre lá. Ela não é só minha amiga, ela é um presente: tanto precioso quanto raro” Essas foram as palavras que Kant lia a respeito de Jane, e a morena sentia o seu coração acelerado, seus olhos marejados, como boa observadora, Maura, nas entrelinhas, declarou um amor pela morena, e ela sentiu, e ela sabia que aquelas palavras significavam mais do que a amizade delas, era algo mais, um elo muito maior que nunca seria quebrado, nem com o passar dos anos.

***

Depois que todos jantaram, Ângela e Kant foram embora, e Jane e Maura arrumaram a louça rapidamente, Jane ainda estava entorpecida pelas palavras que a loira escreveu sobre ela “Então você acha tudo aquilo mesmo sobre mim?” Perguntou enquanto guardava alguns pratos no armário, estava de costas para a loira, e permaneceu por alguns segundos até virar-se para olhar a mulher a sua frente. Se Maura realmente achava aquilo da morena? A resposta era sim em todas as línguas, achava aquilo e muito mais, mas não podia escrever tudo o que sentia a respeito de Jane, eram palavras que ela podia dizer diretamente para a morena, sem que Kant precisasse ler em voz alta. “Sim, eu acho muito mais coisas a seu respeito, Jane, mas por hora, aquelas palavras eram o que eu podia colocar em um papel” Jane se surpreendeu com a resposta, aproximou-se mais ainda da loira, e encostou na pia, de frente para a médica “Quer dizer que tem mais coisas a meu respeito?” Oh, sim, tinha muitas coisas pra dizer a respeito de Jane, pequenas confissões que ela guardara para si durante todos aqueles anos, confissões que pensou em nunca contar para ninguém, nem mesmo para a morena. “Sim, mas fica para outro dia” Jane fez uma careta, desagradando-se da resposta “Tenho algo para você, vá para o jardim, em menos de um minuto estarei lá” Jane não deixou a loira fazer alguma pergunta, levou-a para o lado de fora da casa, aproveitou que estavam sozinhas e aquela hora Ângela já havia ido dormir, correu para o quarto e pegou a caixa de bombons com a rosa, colocou para trás e adentrou ao espaço florido que havia atrás da casa de Maura “Pra melhor pessoa que eu já pude ter na minha vida, para quem nunca me deixou, para quem sempre me protegeu, para quem sempre me cuidou, para quem sempre esteve ao meu lado, apesar do meu jeito errado, grosso e às vezes um pouco displicente, mas esse pequeno presente é pra mulher que eu mais admiro, pra mulher que me ensinou a tomar vinho porque faz bem para o coração, pra mulher que me ensinou que através da ciência eu posso prender os bandidos, pra mulher que mesmo sendo totalmente oposta a mim, é tão parecida comigo que eu diria que somos o par perfeito, a dupla perfeita, que prende os bandidos, que apanha da vida, que sofre as mesmas decepções, mas que no fim sempre permanece uma ao lado da outra. O seu amor por mim também me sustenta, Maura” Jane já estava coma voz mais grave e falha enquanto falava aquelas palavras para a loira, que já estava chorando, nunca alguém havia dito aquelas coisas lindas para ela, Maura pegou a caixa com chocolate, deu um cheiro na rosa, e abraçou a morena a sua frente, tão forte que se fosse possível pela física, elas fundiriam os corpos ali mesmo. E jane não hesitou em abraçá-la de volta, um abraço que dizia eu nunca irei te deixar, estaremos sempre juntas, você é parte de mim. Se encararam, sorriram com os olhos, com a boca, com a alma. Maura abriu a caixa com cuidado e retirou um bombom de dentro, levou até a boca de Jane e sussurrou “O primeiro pedaço vai para a mulher mais teimosa, que por fora é uma pedra mas por dentro é mole, para a mulher que me ensinou a não ter medo das pessoas, e mesmo se eu tivesse, ela estaria comigo para me defender, para a mulher que me mostrou que as pequenas coisas da vida são importantes, que me mostrou que tomar cerveja no gargalo não iria me matar, ou que comer um hambúrguer de vez em quando não teria problema, porque não iria alterar em nada no meu corpo, pra mulher que é a pessoa mais doce e mais linda que eu já tive o prazer de conhecer, e de ter na minha vida pra sempre” E jane mordeu o pedaço, suas mãos estavam segurando a cintura de Maura com firmeza, seus olhos estavam grudados um no outro, aquelas palavras de Maura a levaram a um estado de espírito tão alto e leve que ela podia flutuar se quisesse, então Jane pegou o outro pedaço e levou à boca da loira, e disse com todo amor que tinha, e com voz baixa para que só Maura ouvisse “O segundo pedaço para a mulher mais incrível desse mundo: Maura Isles” Ao fundo daquela cena, não sabia de onde vinha, mas elas conheciam a música que soava na voz de Adele, então depois de comer o pedaço de chocolate, Maura passou os braços ao redor do pescoço de Jane “One and Only, Jane Rizzoli”.