Confissões
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Mais uma noite em que Jane e Maura dormiram tranquilamente, sem pesadelos, sem sonhos ruins, sem sensações estranhas, parecia que tudo estava entrando nos eixos, não que elas tivessem sossegadas quanto às coisas que aconteceram, quanto as investigações no caso em que Jane fora vítima, tanto a morena quanto a loira, mas, pelo menos, na hora do sono, era bom e necessário que aquelas curtas horas fossem de paz. E elas dormiram juntas, como na noite anterior, não viam mais motivos de dormirem em quartos separados, Jane dizia a si mesma que o motivo de dormir junto de Maura era de que ela – a morena – podia protegê-la caso algo acontecesse a elas.
A manhã seguiu tranquila, Maura havia dormido tão bem que levantara antes do despertador acordá-la, olhou para o lado e viu a morena deitada, dormindo em um sono tranquilo, com os cabelos espalhados pelo pano branco do travesseiro, sorriu, Jane era tão linda, pensava a loira, que aproximou a mão do rosto da morena e fez uma leve carícia, e imaginou, mesmo que por poucos minutos, como elas seriam como um casal…. Sorriu e levantou-se, mas antes de sair totalmente da cama, ela sentiu Jane segurá-la pela mão e puxá-la novamente para a cama, a loira então, bateu as costas no colchão macio e riu. “Fica aqui, mais um pouco” Jane pedira com um jeito manhoso, e prendeu a mulher menos com seus braços e pernas, impedindo-a de sair.
“Mas está quase na hora de levantar, Jane” A loira virou-se, ficando de frente para a morena, encarando-a ainda com os olhos fechados, Jane, porém, afundou o rosto no pescoço de Maura, e com a outra mão puxou o cobertor a altura de seus pescoços “Fica aqui até que dê a hora de levantarmos, por favor, Maur...” E tinha como negar? Maura se arrepiou inteiramente com aquele jeito de pedir da morena, com o timbre mais rouco e grave, e por conta, também, dos finos lábios da morena tocando-lhe a pele alva na curva do pescoço.
***
A manhã na cidade de Boston estava com temperatura agradável, fim de primavera, quase início de verão, o dia estava ensolarado, mas, ainda assim, as pessoas precisavam se agasalhar, por causa do vento frio. Os detetives e a legista estavam agora em um campo, muita árvore ao redor, um local isolado aonde havia o corpo de um homem que morreu após ser explodido. Tudo estava indo bem quando Korsak interrompe a fala da doutora Isles dizendo que aonde eles estavam era um campo minado. O esquadrão de bombas havia sido chamado, mas Jane não gostou muito de como o capitão do esquadrão chamou o nome da loira “Doutora Isles...” Ele não tinha que fazer aquela entonação de voz para falar assim de Maura. Mais algumas horas parados no mesmo lugar, um convite feito para ser madrinha do casamento de Korsak, e a única coisa que faltava era Jane sair dali com as pessoas que estavam ali com ela: Korsak e Maura, bom, Maura já tinha sido liberada, então faltava apenas o homem mais velho. “Tem uma pizza e cerveja esperando por nós, Korsak. Eu não vou a ligar nenhum sem você” E era verdade, Jane não foi a lugar algum sem Korsak.
Antes da bomba que estava abaixo do pé do sargento ser removida, o momento de tensão era palpável. Jane assistia tudo dentro do trailer, e em seguida Maura ajuntou-se a ela, segurando em seu braço, e a morena não hesitou em segurar a mão da loira, dando um aperto, dizendo que tudo estaria bem, e tudo terminaria bem. Elas não precisavam de mais uma morte, de mais um amigo indo embora, Frost não era pra ter ido embora daquela maneira, e com Korsak não seria diferente. Naquele momento de apreensão segurar ter as mãos de Maura sobre as suas era como ter esperança de que tudo daria certo, e ao ouvir o barulho da bomba sendo explodida, e saindo correndo para fora, avistando que Korsak estava vivo, elas souberam que sim, tudo estava ok!
***
Uma pessoa estava lá para depor sobre o caso de Jane, a morena foi com o amigo Korsak, Jane se irritou com a petulância da mulher, e se não fosse por Korsak, a morena havia agredido e dado uns bons socos no rosto daquela desaforada “Ah, eu vou te dar um bom motivo para me processar, senta aí agora!” se a mulher não tivesse se levantado e corrido, e se não fosse por Korsak, provavelmente Jane teria que entregar o distintivo aquele dia.
“O que está fazendo, Jane?” Jane olha para ele como se fosse o óbvio, “Ela colocou fogo na minha casa, korsak” Jane estava realmente irritada, aquela garota conseguiu tirar-lhe do sério. Sua vontade era entrar lá e dar umas boas bordoadas, sua respiração estava alterada e ainda estava nervosa, mas ela sabia que só podia se acalmar na presença de uma única pessoa, e depois de trocar mais algumas palavras com Korsak, a morena se dirigiu até o laboratório, indo falar com a loira.
O dia mal começara mas já havia sido cheio; se o sargento não percebesse a tempo aonde eles estavam, provavelmente um deles agora estariam em pedaços. Só de lembrar daquele início de manhã, a doutora tremia por dentro. Sentiu a presença de Jane e notou que havia algo errado “O que aconteceu? Você está vermelha, Jane” a loira se aproximou colocando as mãos no rosto da morena para checar se havia algo errado com ela “eu estou bem, Maur, apenas tive um desentendimento com uma testemunha, ela era um pouco desaforada” Maura sorriu, olhando para a morena, sabia que Jane não tinha muita paciência, na verdade, bem pouca “Do que está rindo?” a loira balançou a cabeça antes de responder com voz suave “Você deve ter assustado a garota” e rindo voltou para atrás da mesa de onde estava. “Eu queria era ter dado umas porradas naquela insolente, isso sim. Se não fosse por Korsak, eu nem sei o que faria” a loira olhou para ela novamente com aquele olhar apaixonado “Apenas um dia ruim” a morena fez uma careta, se fosse esse o problema, o problema era que todos os dias estavam sendo ruins, exceto quando estava com a loira a sua frente, mas diferente disso, sempre havia alguma coisa ruim no seu dia, e analisou rapidamente quando tudo aquilo iria ter fim, porque ela já não estava aguentando mais ter muitos dias ruins “Não vejo a hora disso tudo acabar, Maur”
***
No fim do dia, parecia que tudo estava se resolvendo, mais um caso encerrado e então todos os detetives estavam reunidos do Dirty Robber, entre risos e conversar, Ângela aparece apenas para despedir-se dos filhos e amigos “Estou indo para Paris” Jane ficou feliz pela mãe, sinal que ela estava seguindo em frente, e melhor ainda, não estava mais saindo como seu chefe. “França?” Questinou Frank ainda rindo “Está linda, ma” disse Jane, e recebeu muitos elogios, assim que a dona Ângela saiu, Jane encarou Maura por alguns segundos, pensando se um dia visitaria a terra do amor e da paixão.. Não que ela fosse dada a esses tipos de viagens, mas parecia que com Maura parecia mais atraente sair do continente americano e ir para solo europeu, ainda mais para Paris… Mas como as alegrias do dia estavam durando pouco, Jane recebeu uma mensagem de Nina, dizendo o local em que Alice Sands estava presa. Partindo para BPD, Jane pegou os dados e após uma ligação de Korsak, eles saíram para ir até esse local, no entanto, antes que Jane saísse, Maura a segurou pelo, Jane a olhou sem entender, mas compreendeu no segundo seguinte.
“Não, Maura. Você não vai.” Ela estaria louca se deixasse Maura ir com ela, o melhor ela ficar segura, junto com seu irmão e Kiki, porque somente Frank estava armado e podia manter as duas a salvo “Eu preciso ir com você, Jay” a loira apertou mais forte a mão da morena, Jane respirou fundo e soltou o ar com calma, o que ela encontraria lá naquela prisão àquela hora da noite? Seus sentimentos de proteção falou mais alto, e mesmo sabendo que devia manter Maura embaixo de suas vistas, ela não queria correr o risco de ter que perder Maura novamente pra uma louca. “Maur, eu não posso, eu não posso correr o risco de te perder, a gente não sabe o que haverá lá, o que nos espera, eu preciso que você fique aqui, com Frank e Nina, eu preciso que você fique segura, ok?” a morena segurou o rosto da loira e depositou um beijo em sua testa. “Assim que eu sair de lá, eu te ligo”
***
Jane queria a todo custo colocar a mão naquela mulher. Quem ela pensava que era pra atormentar a vida dela daquele jeito? Mas o problema era que a policial daquele turno não estava querendo facilitar as coisas para ela “Essa mulher incendiou a minha casa, sequestrou a legista chefe…. Eu tenho que falar com ela” enquanto Jane gritava com a mulher, Korsak via no computador as informações que ele mandava sobre Alice Sands “Jane?” a mulher parecia transtornada e só foi ouvir o terceiro chamado de Korsak “JANE!” “O QUE?” ela rebateu, o sargento olhou para ela e demorou alguns, percebendo que a gravidade da situação estava bem pior “ela foi solta há três dias”
Três dias, Alice estava solta a três dias, e Maura estava sozinha, pela hora, ela já estaria em casa, seu coração bateu forte no peito, que suspeitou que pudessem ouvi-lo, suas mãos gelaram e ela pôde sentir a adrenalina em suas veias. Então tudo o que ela passou durante aqueles dias veio à tona, ela precisava falar com Maura, ela precisava ligar para a loira e saber se tudo estava bem, saber que nada havia acontecido com ela, o nervosismo da morena era palpável, ela não conseguia digitar os números do telefone de Maura, e quando conseguiu, o telefone chamava até cair na caixa postal, o desespero da morena estava evidente, latente, enquanto ela corria para o carro, com Korsak logo atrás, fazendo inúmeras ligações, Jane queria saber apenas aonde Maura estava, ela ligou mais vezes e o telefone da loira tocava até cair na caixa postal. Parecia que estava acontecendo um deja-vu, ligar para o celular da loira e ela não atender, já deixava Jane desesperada.
Em alguns minutos os dois detetives já estavam a caminho da central, Jane pediu para que ele a deixasse na rua de sua casa aonde estava morando com Maura, e seguisse para a BPD, com pressa a morena retirou as chaves e abriu a porta, a sala estava com as luzes desligadas, ela logo sacou sua arma, andando pelos cômodos inferiores, viu que estava limpo, nada fora do normal, começou a subir os degraus tentando não fazer muito barulho, alcançou o corredor e checou os quartos, e todos estavam limpos, agora ela iria para o quarto da loira, seu coração estava a mil, a luz estava acesa, ela podia ver pela fresta inferior da porta, abriu com calma, e adentrou ao local, Maura não estava no quarto, mas o banheiro da suíte estava acesa, e não havia nenhum barulho, nenhum sinal de arrombamento, a janela do quarto estava fechada e com cortina, Jane estava suando, não queria ver o que encontraria assim que abrisse aquela porta, então sem hesitar, abriu a porta de uma vez, fazendo a loira dar um grito de susto, e virar-se no mesmo instante para ver quem era, já a morena ficou petrificada por ter visto a parte de trás do corpo nu da loira, foi rápido, mas ela pode ver com perfeição as pernas longas da loira, a silhueta, o bumbum arrebitado, mas fora tão rápido que no instante seguinte, Maura estava de frente para ela com a toalha estendida sobre o corpo nu, tampando os seios e as outras partes do corpo.
“Jane, o que aconteceu? Quer abaixar essa arma?” Maura ainda estava sob o efeito do susto, e nem se deu conta de que estava seminua na frente da morena “Eu vou te esperar lá no quarto, não demore” Jane saiu e ficou aguardando a loira terminar de se secar, e quando Maura voltou, ela estava com um pijama tão curtinho que Jane engoliu a seco, aquela camisola preta que só cobria o necessário, deixando grande parte das coxas e pernas da loira à mostra “Ela saiu há três dias, Maur, e eu fiquei tão preocupada com você porque eu sabia que você viria pra casa sozinha, e eu te liguei milhões de vezes e você não atendia, eu tava com medo, eu estou com medo” a voz da morena estava embargada, pela primeira vez Maura pôde ver a morena em desespero, ela viu que sua melhor amiga estava emocionalmente vulnerável, o cansaço emocional e psíquico de Jane estava a olho nu, a morena andava de um lado para o outro, passando a mão pelos cabelos revoltos, seus olhos estavam marejados “Quando Korsak me disse que ela havia saído há três dias, eu só queria vir correndo para cá, e eu…. Deus…. Eu to…. Por que você não atendeu ao telefone, Maura?”
A loira caminhou até Jane, passou os braços ao redor do seu pescoço e a abraçou o mais forte que pôde, a morena prontamente retribuiu o abraço, e deixou que as lágrimas rolassem livremente “Me perdoa, Jay, eu estava no banho, o meu celular ficou aqui fora, eu não o ouvi tocar” olhou para a morena, e segurou seu rosto entre as mãos “nós vamos pegá-la, nada irá nos acontecer, você me protege, eu te protejo, e nós sairemos dessas juntas, como sempre fazemos” colaram a testa uma na outra, Jane respirou fundo enquanto Maura secava as lágrimas “nada irá nos acontecer, meu amor...”
Jane fechou os olhos sentindo que a adrenalina em seu sangue começava a passar, sentir Maura colada a seu corpo, ouvir sua voz doce dizer aquelas palavras para ela, a fez ter mais fé de que aquilo tudo passaria, mesmo que levasse mais tempo do que elas aguentariam, ouviu novamente a voz de Maura, próximo aos seus lábios “Vá tomar um banho quente, eu te espero para dormirmos, quer que eu prepare algo para comer?” Jane apenas negou com a cabeça. Estava exausta, e queria apenas cair na cama com sua loira e tentar dormir “só preciso de um banho, me espera?” Maura concordou com a cabeça, dando um leve beijo no canto dos lábios da morena, se afastando em seguida para arrumar a cama para dormir. Jane foi para o banho e não se demorou lá, em quinze minutos já estava saindo do banheiro com seu short de dormir, e com sua regata do Sox. Maura estava lendo um livro e Jane deitou ao lado da loira, essa deixou o livro de lado, e arrumou-se para deitar, estavam apenas sob a luz fraca do abajur ao lado de Maura, mas podiam ver-se perfeitamente e sem dizer nada, Jane aproximou da loira tirando uma mecha de cabelo e colocando atrás da orelha, seu coração estava pulando no peito, sorriu ao pensar naquilo, se ela disse que o coração estava pulando, a loira a sua frente iria dizer milhares de coisas científicas a respeito do porquê o coração acelera, e não pula, mas o coraçãozinho da loira estava igualmente igual, Jane se apoiou no cotovelo direito, seus rostos estavam próximos demais, a respiração de ambas se misturando, se antevendo a um beijo que iria acontecer, e que ambas estavam desejando aquilo “Você é tão linda, Maura” Jane fez o contorno do rosto da loira com a ponta do dedo, a loira fechou os olhos sentindo aquele toque suave, e ela teve certeza do que queria “Me beije, Jane” e ao ouvir aquelas palavras, borboletas voaram no estômago da morena, e no da loira, e Jane tocou-lhe os lábios com o seus, num beijo calmo e cheio de paixão.
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