Confissões
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Jane nunca dormira tão bem naquela noite, e tinha certeza que isso só aconteceu porque estava dividindo o mesmo espaço com a doutora. Jane estava pensando em como o nível de uma amizade podia chegar, a que ponto? Será que os sentimentos da morena para a loira ainda era de amizade? Acordou no meio da noite porque levara um susto, mas não se moveu, viu que Maura permanecia do mesmo jeito, encostada em seu corpo, segurando a mão da morena, com os dedos entrelaçados. Jane encostou o nariz nos cabelos dourados, respirou fundo sentindo o cheiro de frutas cítricas que vinha dos fios da mulher mais baixa a sua frente, beijou-lhe os cabelos, e pensou consigo mesma que nunca mais deixaria ninguém encostar em Maura, e em nem um fio de cabelo da loira.
Amanheceu e Maura acordou na cama procurando pela morena mas sem sucesso de achá-la, olhou para o relógio e viu que ainda não era nem sete da manhã, sentiu o cheiro de café e resolveu levantar, em sua roupa podia sentir o cheiro da morena e sorriu, desde que todo aquele transtorno começara ela nunca dormia tão bem, afinal, não era de todo ruim ter a morena com ela. Tomou um banho para despertar, e desceu a escada arrumada para o trabalho, Jane ouviu os passos da loira e sorriu, nunca ia conseguir entender porque Maura usava aquelas roupas, e aqueles sapatos, mas, mesmo assim, a morena sabia que a loira ficava linda com aquelas roupas, e achava estranho quando ela usava algo simples, sem salto alto. “Bom dia, Maur” falou estendo a xícara de café para a loira “Não se preocupe, não é instantâneo” Maura pegou o café e respondeu ao bom dia que lhe fora dado, sentou-se próxima de Jane e a encarou “Obrigada por ter dormido comigo, foi uma das minhas melhores noites desde que tudo começou” Jane sorriu e sabia que estava sorrindo mais que o normal, qualquer coisa carinhosa que Maura falasse para ela, era motivo de Jane sorrir e tocar-lhe, e naquela vez não foi diferente. Elas se encararam, uma enxergando além do corpo, além do físico, elas enxergavam a alma uma da outra, elas enxergavam além do que os olhos nus podiam ver, e a loira via na detetive uma alma tão pura quanto a água, e Jane via na médica uma alma tão inocente quanto a de uma criança, e era nessas pequenas coisas, e era nesses simples detalhes que a detetive, dentro de si, constatava o que sua boca ainda não tinha coragem de confessar, mas que em seu coração já havia confessado a paixão que sentia pela mulher à sua frente.
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Mais um dia de trabalho, mais um crime para ser resolvido, naquele dia Jane ficou à espreita com Korsak porque estavam de olho em uma possível testemunha que estava ocultado alguma coisa que era fundamental para o caso, quando o assunto futuro surgiu “Não estou muito interessada, no futuro, as coisas mudaram, Korsak, tudo o que eu havia planejado para o hoje, ficou para mais alguns dias porque eu estou lidando com um inimigo invisível” O velho amigo sabia do que a morena estava falando e sabia do medo que ela estava sentindo “Kiki e eu vamos nos casar, você sabe… Você não pensa nisso, Jane? Em um futuro com alguém para você cuidar e para cuidar de você?” Cuidar? Os únicos homens com que ela se envolveu emocionalmente não foram capazes nem se quer de permanecerem ao lado dela, quem dirá cuidar “Meus relacionamentos sempre foram frustrados, Vince” O velho balançou a cabeça achando aquilo que a morena estava falando um absurdo, e o relacionamento que ela tinha com a loira? Elas podiam brigar porque amigos brigam, mas, com certeza, não era um tipo de relacionamento frustrado, mesmo que este não tinha uma conotação romântica, o que o homem mais velho duvidava, sempre via o cuidado uma com a outra, ele podia ser um homem e entender pouco daquelas coisas, mas era perceptível o quanto as duas tinham algo a mais do que a amizade, o velho podia perceber isso, e mesmo antes de Frost morrer, eles já suspeitavam que alguma das duas nutriam um sentimento maior do que a de uma amizade. “Seu relacionamento com a doutora Isles é frustrante, Jane?” Jane olho para a rua a sua frente, pensar que seu relacionamento com a médica algum dia fora frustrante? Não! Maura nunca frustrou Jane em nada, a amizade delas era tão sólida que nem mesmo quando a loira escondeu da morena que estava sob aviso do FBI que não podia dizer que Tommy era um suspeito do roubo de banco e da morter que houvera fora o suficiente para abalar esse relacionamento, pensar em Maura era como ter esperança e saber que nunca estaria só, mesmo sua vida mudando tanto. Não sabia porque estava com esses conflitos internos em relação ao que sentia pela loira, às vezes o medo de demonstrar seus sentimentos sobressaía a vontade apenas dizer-lhes. “Não… Com Maura é diferente, Korsak, não somos um casal” O homem demorou um pouco para rebater à resposta da detetive “E se fossem?” E se fossemos? — pensou sem responder em voz alta.
Jane ainda estava na rua, não havia voltado para a central, estava em dúvida se ligava ou não para a loira, precisava saber de uma coisa que lhe viera a mente quando conversava com Korsak no carro “As coisas mudam de um jeito que nunca sabemos” começou a conversa, Maura do outro lado sorriu ao ouvir a voz da morena, estava com saudades já e nem sabia o motivo “Bem, é o ciclo natural das coisas” Jane fez uma careta, claro que Maura falaria o óbvio. “Fico imaginando quando você não querer ser mais legista, e for para o Maine, morar numa casa grande e escrever novelas” Maura riu, um som gostoso que Jane amava “Bom, um dia eu me imagino assim, espero.” A loira disse sorrindo “Eu vou sentir sua falta” Claro que ia sentir a falta da loira, provavelmente nesse futuro a morena não estava incluída, porque quando isso acontecesse, Maura estaria casada provavelmente com um homem rico e bem-sucedido financeiramente, e ela – Jane – provavelmente moraria em Boston ainda, como detetive? Bom, isso ela não sabia “Não, não vai, porque eu vou levá-la comigo, ou darei um jeito de você me visitar todos os dias” Visitar a loira todos os dias no Maine? Mais fácil seria se ela mudasse junto a loira “Visitá-la todos os dias implica em gasolina e disponibilidade para essa viagem todos os dias, ou bem, morar com você no Maine também seria uma segunda opção a ser estudada” maura não hesitou em responder, com certeza a segunda opção estava perfeita “A segunda opção está perfeita pra mim, Jane”
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