Confissões de Laly
13 11. Astuta e eloquente
Laly off/Terceira pessoa on
Milene Moraes despertou bem-humorada novamente após o êxito de seus planos e apesar de não ser afeita a escutar as lamúrias alheias, engoliu o próprio orgulho decidindo passar o dia com Laly, sentindo um prazer imenso a cada lágrima derrubada, cada desabafo, cada esperança perdida narrada por quem nitidamente sofria e confiava a sua palavra a alguém que apesar de estar em alta conta, não era digna sequer de escutar.
Leitora ávida de grandes thrillers, Milene colocou em prática outra perversidade, o que requeria uma dose considerável de inteligência e soberba para não ser cruelmente desmascarada. Conseguindo interceptar um bilhete qualquer de Iury, inspirou-se na mensagem de fuga para redigir algo parecido a fim de levantar sérias dúvidas em Laly quanto à fidelidade do amado ao longo daqueles três anos de namoro.
Uma vilã medíocre se contentaria com o chororô da mocinha, mas a prima invejosa ia além e encarnava com maestria o papel da garotinha inocente, que se sentia ultrajada com as supostas investidas do namorado da prima, revertendo à situação a seu favor, intercedendo uma falsa compreensão do drama de ambas as partes.
Depois de se despedir de Laly, Milene fez campana em frente à borracharia em que Iury trabalhava para ter uma conversa com ele, que ao vê-la, modificou a rota. Ela, ainda insatisfeita, seguiu-o.
— Milene, por favor...
— Trocar umas palavrinhas não tira pedaço.
Iury apressou o passo.
— Seu mal-educado! Eu estou falando com você!
— Mas eu não quero falar com você.
— Eu não saio daqui enquanto não falar com você.
Finalmente Iury voltou-se para a figura da garota insolente com os braços cruzados em volta da cintura e debochou:
— Para armar um flagrante e fazer com que eu seja rotulado como o pervertido da cidade? Sem chance.
Iury virou as costas e Milene puxou-o pelo colarinho.
— Você vai me dar atenção ou não vai?
— Sabe de uma coisa, Milene? Você deveria aproveitar seu talento nato para atuar e pedir ao seu papaizinho para te matricular num curso de teatro.
— Nós dois sabemos que não é verdade... — Milene lançou um olhar obstinado e lânguido para Iury. — Não banque o espertinho.
A insistência era a alma do negócio. Milene não podia se dobrar. As mãos sobre os ombros dele eram um indicativo nítido de que o investimento estava apenas no início.
— Você sabe que eu não te vejo desse jeito, que eu jamais abusaria de você, ainda mais sabendo que você é prima dela. — Chorou Iury, sentado ao lado de Milene no meio-fio.
— Iury, eu soube daquela surra lastimável que você levou do Gustavo. Se essa não for uma advertência para você desencanar da Laly de uma vez por todas, não sei o que terá de acontecer. A Laly está comprometida. Você é jovem, bonito, vai ser um grande médico, se a Aimée, que se mudou faz pouco tempo, já te valoriza... por que não eu?
— Porque você é só uma menina e é prima da Laly.
— E se eu não fosse prima da Laly?
— Não, Milene. Eu não consigo te ver como mulher. Não me entenda mal. Você pode conseguir alguém bem melhor do que eu. Não sou o cara certo para você e já fui namorado da sua prima, não vai pegar bem.
— Iury, eu posso até ter 14, mas aparento ter a idade da Laly. Eu sou tão feia assim?
— Não, você não é feia. Você e a Laly são lindas.
— E o que ela tanto tem que eu não posso ter? O que a Aimée tem que eu não tenho?
— Mili, eu não sou o único cara do mundo. Nessa cidade muito menino adoraria ter uma chance de namorar você. Se você parar de sofrer por um que não pode te dar o amor que você merece, vai aparecer um que vai te amar.
— Seja como for, eu recebi aquele bilhete.
— Não sei quem te escreveu, quem tentou armar essa contenda, mas eu nunca te escrevi nada porque nunca te vi como mulher. Eu... eu ainda estou... estou em frangalhos...
Milene alisou os ombros de Iury. Por mais enraivecida que pudesse estar, encarnava o papel da garota rejeitada, mas compreensiva, aquela que venceria pelo cansaço, analisando cada peça do tabuleiro antes da jogada orquestrada.
— É muita coisa para a minha cabeça... vestibular, futuro, tudo dando errado... com o Nilton é tudo tão diferente: ele está só preocupado com o vestibular, é questão de tempo para a Naira perceber o que todo mundo já sabe... eu não estou sabendo lidar com as coisas.
— Eu nem posso imaginar o que é estar no seu lugar, mas quero te oferecer minha sincera amizade nesses momentos de tribulações. Um bom amigo vale ouro. Eu sei que você nunca vai me ver como mulher, mas... uma amizade é necessariamente algo ruim?
Iury deu de ombros.
— Sabe, Iury, você e a Laly viveram muitas coisas juntos, mas tudo acabou. Ela já superou você. Supere-a você também, seja com a Aimée ou... ou... — Milene gostaria de dizer comigo, mas guardou para si.
— Sim, eu sei. — Lamentou o rapaz. — Eu sei que não posso passar o resto da vida chorando, mas seguir em frente não é assim tão simples.
— Você faz parecer que é... — Redarguiu a garota. — Quem te vê todo sorridente com a Aimée nem imagina que você e a Laly namoraram por todo esse tempo...
— Eu só estou saindo com a Aimée, dando uns beijos, uns amassos, mas não sinto nada por ela.
— Está com ela só com a intenção de afrontar a Laly?
— A Aimée é legal, mas...
— Iury, eu sei que não passo de uma garotinha que nada sabe da vida, que nunca sequer foi notada por um garoto, mas não aprovo o modo que você usa a Aimée. Se você estivesse no lugar dela, como se sentiria ao saber que não passa de um prêmio de consolação, um estepe emocional?
— Eu vou levar um tempo para conseguir tocar o barco.
— E vai usar a Aimée até quando?
— Eu não estou usando a Aimée!
— Está, sim.
— Escute aqui, Milene, eu pedi a sua opinião? — Iury irritou-se com as lições de moral de Milene. Aquela conversa já havia se estendido por demais e ele não queria correr o risco de ser visto ao lado da prima de Laly, não depois do bafafá mais cedo na borracharia.
— Não, não pediu, mas eu amo muito a minha prima e no lugar dela também estaria cuspindo fogo se meu namorado estivesse flertando com a minha prima, mesmo negando, querendo se esquivar, pensando que engana com esse olhar de desdém, usando outra iludida para saciar as carências físicas. Como esperava que ela reagisse? É doloroso, Iury, mas você é um rapaz bonito, jovem, ela é só mais uma. E ela partiu o seu coração. Sim, eu sei que fui dura nas minhas palavras, mas reflita e veja se não estou certa: ela não teve piedade ao anunciar o noivado com o Gustavo Figueira Antares ao mesmo tempo em que dizia ser louca por você. Pense um pouco em você mesmo, deixe de ser um capacho, imponha-se. Laly e Gustavo tripudiam de você, meu querido. O Tio Edílson te tem como um estrume, todos zombam do seu nobre sonho de ser médico. Toda vez que você pensar em fraquejar, saiba que tem muitas pessoas ansiando pela sua derrocada e é por causa disso que você tem que se munir de forças para se manter de pé, com a cabeça erguida, olhando nos olhos dos seus inimigos. Ser médico é uma questão de honra, para você esfregar sua vitória na cara de todos aqueles que desdenham da sua capacidade.
— Eu sei que Medicina é concorrido. Eu sonho com isso, mas também tenho os pés no chão, também me preparo para o balde de água fria que vai ser se eu não passar.
— Quem disse que você não vai passar? Iury, se o resto das pessoas zomba de você, saiba que eu, eu sim acredito em você, eu aposto em você, eu... eu...
Milene se inclinou e colou os lábios nos de Iury, recuando logo em seguida.
— Oh, me desculpa... — A garota cobriu o rosto. — Por favor, por favor, por favor...
Iury presenciou a crise de choro de Milene.
— Eu sou uma tola, não sou? Não sei por que fiz isso. Não faça mau juízo de mim.
O semblante de Iury enterneceu-se:
— Eu fui o primeiro?
Milene fez que sim com a cabeça.
— Não posso acreditar!
— Acredite se quiser! Os meninos da minha classe nem sequer me notam.
— Se você saísse mais, quem sabe... você é bonita...
— Eu sei que não sou bonita.
— Não sei quem disse que você era feia, mas se foram os meninos do seu ano, eles não sabem o que estão perdendo...
Foi a vez de Iury segurar o queixo de Milene com as pontas dos dedos e dar-lhe um beijo calmo. Quando o gesto foi correspondido e ganhou um pouco de ritmo, o rapaz recuou.
— Não posso!
— Me beija, Iury. Seja o primeiro. Seja você. Antes que eu me decepcione com outro, que seja com você.
— Eu não posso ser o cara dos seus sonhos, Mili.
— Só me beija, me deixa saber como é um beijo...
— Não posso. Significa alimentar ilusões e expectativas as quais não posso cumprir.
— Eu nunca te disse antes porque você era namorado da Laly e eu, apenas uma pirralha, mas eu te amo, eu te amo desde a primeira vez que te vi, eu te amo todo esse tempo. O motivo da minha dor sempre foi o drama de amar e não ser correspondida, encontrar o homem da minha vida, mas ele preferir a minha prima, que sempre esteve esperando pelo Gustavo Figueira Antares, como todas as outras. Eu sempre fui diferente, sempre tive olhos só para você.
— Milene, por favor...
— Só me dá um beijo, é tudo que eu quero... eu só quero saber como é o seu beijo, só isso... ninguém vai saber... saindo daqui, farei de conta que nem sequer nos conhecemos... respeito sua decisão, apesar de discordar, mas se um dia você mudar de ideia, venha para os meus braços...
Iury beijou Milene. Uma, duas, três vezes.
— Vou guardar para sempre a lembrança desse beijo. — Suspirou a garota, chamando o rapaz para um abraço. Uma vilã acima de tudo prezava pela sensualidade. Mais cedo ou mais tarde ele descobriria que o mel também poderia ser altamente tóxico, mas muito, muito viciante.
☮
Aimée Gallardo passou um dia terrível. A causa: coração partido. Mas vinha Fernanda trazendo notícias de última hora que lhe pareciam no mínimo inacreditáveis:
— Que eu soube é que eles tentaram fugir, mas o pai dela flagrou os dois e bateu nela na frente dele. — Contou Fernanda.
— Então eles terminaram? — Perguntou uma Aimée esperançosa.
— Terminaram porque foi descoberto que ele dava em cima da priminha dela que tem catorze anos, sabe-se lá desde quando, embora eu deva dizer que não engoli essa história. Teve alguma coisa que não me convenceu.
— E quem disse isso? — Interrompeu Gabriel, que não gostava de fofocas, mas acabava sabendo das coisas de um jeito ou de outro.
— Mayra me disse meio por cima que a Milene é mentirosa e falsa, que elas até conversam, mas que ela e a Grazi não se abrem mais porque a carinha de anjo engana, aquela lá tem uma língua que faz estrago. Bom, não conheço a Milene, mas já não simpatizo com a figura.
— Credo, que horror! — Aimée exclamou boquiaberta.
— Mas conferiram os dois bilhetes para ver se era verdade?
— Era a letra do tal Iury, na lata.
— Era com esse tal de Iury que você estava namorando, Aimée? — Inquiriu Gabriel, horrorizado.
— Era. — Respondeu Fernanda enquanto os jovens jantavam na mesa da sala de jantar, outra vez sem a presença do pai.
— Ô Aimée do dedo podre, hein? Não dá uma dentro... — Atazanou Gabriel, cumprindo o que se esperava de um irmão mais novo.
— Fala isso só porque está no maior love com a tal Grazi. — Rebateu Aimée, enciumada.
A campainha soou pelo menos duas vezes até alguém se pronunciar:
— Ninguém vai abrir porta nessa casa, não? — Reclamou Gabriel.
— Vá você! — Retrucou Fernanda, impaciente com as badaladas da campainha.
— Está bem, seus preguiçosos! Eu vou! — Manifestou-se Aimée que ao atender a porta mal teve tempo de cumprimentar Iury, pois logo teve um beijo roubado.
Com o ato, Iury deixou subentendido que pretendia levar a sério o namoro com Aimée, que não poderia ir deitar-se mais feliz naquela noite. Era grata a Milene pelo favor. Teria uma nova chance de mostrar ao rapaz que poderia fazê-lo esquecer de Lalinha para sempre.
— Ai Fernandoca! Estou arrepiada até agora... — Aimée, deitada na cama, olhando para o teto, sob o efeito da paixão, confidenciou os pormenores daquela inusitada reconciliação.
— Até agora eu não estou acreditando no que vi. — Argumentou Fernanda, não menos do que impressionada. — Nunca imaginei que morar aqui em Guaratuba nos reservaria tantas surpresas e o que é mais curioso: em tão pouco tempo.
— Finalmente meu cupido sorriu um pouco para mim. Finalmente, Fer! — Exclamou Aimée, sentando-se na cama, exultante, apaixonada, serena. — Agora sim eu acredito que todo mundo tem mesmo sua hora. Agora eu sei que meu momento chegou... a tal da Laly é carta fora do baralho e quem diria que falam tão mal da Milene à toa? Nessa casa não se fala mal da Milene, se não fosse por ela, meu amor não teria voltado.
— Essa Milene não é flor que se cheire.
— Não tenho nada a ver com as desavenças entre ela e a Mayra, mas eu já gosto e muito dela. Essa Laly é uma duas-caras, interesseira, quer subir na vida ficando com o Gustavo Figueira Antares para sair daquela pocilga onde mora, quer todos os caras para si. Alguém tem que colocá-la no devido lugar. Faz que ama a prima, rouba o namoradinho dela, se assanha para o Figueira Antares. Eu, se fosse você, ficava de olho bem aberto, vai que ela arrasta asinha para cima do Mário?
— Eu sei que ainda é meio cedo para saber quem é quem, mas a Milene não me desce. Não sei, alguma coisa dentro de mim diz que essa menina não presta.
— Fernanda e suas crendices...
— Ah mana, não me leve a mal, mas você não acharia estranho a sua própria prima botar pilha para o seu ex-namorado ficar com outra? A mim ela não engana! Ela é uma víbora! Eu, se fosse você, ficava esperta. Alguma mutreta essa menina está tramando!
☮
Deitada na cama, ainda rememorando cada minuto passado ao lado de Iury, Milene passava as mãos nos lábios para sentir o gosto dos beijos dele.
— Você ainda vai comer nas minhas mãos, Iury Saciotti.
Ao ouvir batidas insistentes na porta do quarto, Milene sentou-se na cama, tirou da fronha do travesseiro o livro que estava lendo e quando Amado encontrou-a sentada, quis saber:
— Mili, meu amor, não me ouviu? Estou há horas te chamando para o jantar!
— Desculpe-me, papai. Eu estava tão absorta na leitura que me esqueci de todo o resto. — Milene reinseriu o marcador na página em que parou, fechou o livro e cruzou as pernas.
— Você está diferente hoje!
— Sou a mesma de sempre, papai, só não estou faminta.
Amado reparou que algo no comportamento de Milene havia se alterado. Proibia Milene de dormir na casa de Laly ou de Grazielle e Mayra, não gostava daquelas garotas e insuflava na cabeça da filha a ideia de que ela era superior demais para expor-se nos tantos festejos em que os jovens se reuniam para dançar e flertar.
— Algum problema, papai? O senhor está tão sério!
Amado voltou-se para a filha e foi austero em suas colocações:
— Eu gosto muito de te ver feliz, Milene. Você é tudo que restou de mais valioso na minha vida. Eu conheço esse olhar. Já tive a sua idade. Aviso que seja lá quem for, que desencane de você. Eu não vou deixar nenhum patife tocar um dedo que seja na minha joia mais rara.
— Ah é? Vá sonhando. — Milene desdenhou do pai em pensamento, mas verbalizou: — Meninos? Ah, papai! Quanto ciúme! O senhor deveria saber o que eu penso a respeito dos meninos da minha idade, sei que são todos infantis e medíocres demais para mim.
— Não vou perder você para um patife... — declarou Amado, que nem sequer conseguiu terminar de jantar e recolheu-se mais cedo.
☮
Desde que dançaram juntos no baile, Fernanda e Mário encontravam-se todos os dias, porém ainda não eram oficialmente namorados, apesar de já se comportarem como qualquer outro casal.
— Não tem problema o filho do pastor namorar uma menina que não seja da congregação? — Quis saber Fernanda, dividindo uma rede com Mário na sala da casa dele, onde os dois cabiam no pedaço de pano suspenso no ar se continuassem abraçadinhos.
— Que eu saiba, não.
— Seu pai já sabe sobre a gente?
— Ainda não, mas eu ficaria muito honrado de ser o seu namorado, isso é, se você não tiver ninguém lá em Chapecó.
— O que eu deixei em Chapecó, em Chapecó ficou. Minha vida agora é aqui em Guaratuba e, sabe, a gente pode namorar, isso, claro, se seu pai não encanar.
— Meu pai não vai encanar.
— Eu uso short curto, minha irmã não é mais virgem, eu sou católica... bom, não tão católica, mas sou, sou católica de batismo porque à igreja eu não vou tem tempo e você...
— Fernandoca, eu tô gamadão em você... me namora, vai?
☮
O clima de amor parecia ter contagiado aos jovens moradores de Guaratuba. Era comum ver a Lanchonete do Seu Joel tomada pelos casais. Gabriel e Grazielle estavam sempre de mãos dadas e quando reservavam uma mesinha de canto, mal tocavam nos sanduíches que pediam porque passavam o tempo todo se olhando.
Naquele dia Iury convidou Aimée para um lanche e a duas mesas atrás dele, quando visualizou Gabriel e Grazielle curtindo o namoro, lembrou-se de si mesmo e de Laly, anos antes, quando muitas vezes não tinham dinheiro para dois sanduíches e ainda assim sentiam-se satisfeitos somente por estarem ao lado um do outro.
— Nem em meus sonhos pensei que pudesse ser tão lindo.
— Você é uma garota romântica... — Disse Iury, como se o fato fosse banal, apenas para que Aimée desse prosseguimento à conversa e não pedisse a opinião dele a cada dois segundos.
— Já fui muito mais...
— Mais?
— Eu costumava mandar cartas românticas para serem lidas nas rádios de Chapecó, escrevia poesias, mas me decepcionei tanto que por pouco não perdi a fé... sabe, meu bem... isso não importa mais! Eu encontrei você e não poderia estar mais feliz...
— Pode ter certeza que vou fazer você muito feliz.
— Você já me faz muito feliz, amorzinho. Eu é que quero te fazer o rapaz mais feliz do mundo todo.
Iury e Aimée se sentaram na areia fofa da praia e se beijaram de boca aberta. Milene, que estava andando de bicicleta, avistou de longe àquela cena patética e parou no meio do calçadão.
— Ruivinha ligeira...
Aimée e Iury se beijavam tão ardentemente que foram repreendidos por um senhor de idade, que os atingiu com um golpe de bengala:
— Que pouca vergonha!
Milene não deixou de rir da situação.
— Não acredito que em tão pouco tempo você fez eu me esquecer de todas as dores do passado... — Aimée seguia acariciando Iury.
— Chega, Aimée.
— Deixa eu te fazer esquecer essa Lalinha.
— A gente já está indo longe demais.
Eles se encontraram com Milene e Iury, mais embaraçado com a situação, não sabia de que maneira apresentar a garota para Aimée.
— Ai, que linda que você é!
— Gentileza sua!
— Você é ruiva natural?
— Sou... — Confirmou Aimée.
— Que cabelo mais lindo! Você é linda! Você escolheu bem sua namoradinha, hein, Iury? Encontrou sua Menininha Ruiva depois de ser tanto o Charlie Brown nessa vida.
Iury estava tão absorto nas sensações que os toques de Aimée despertaram nele. Laly sempre freava as carícias mais ardentes, impondo limites, enquanto a ruiva era mais permissiva.
— Fique bem espertinha, sua ruiva metida e assanhada. O que é seu está bem guardado! — Pensou Milene ao trocar um abraço com Aimée, antes de elas se despedirem no calçadão. — É questão de tempo para você ser carta fora do baralho.
Apesar de Laly ser página virada na vida de Iury, Milene não descartava o perigo de uma reviravolta. Eliminar Aimée exigia algumas noites em claro para que o plano fosse exitoso. Quanto a manipular o rapaz, pouco se importava. A persuasão seria recompensada.
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