Confissões Adolescentes
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Notas iniciais
Anteriormente em Confissões Adolescentes...
(...) foi quando Mônica percebeu que alguém segurara sua mochila a puxando levemente para trás, o que para uma pessoa sem equilíbrio nenhum significava uma só coisa: queda!
Agora...
Sabe a expressão ‘quando a vida passa diante dos seus olhos’? Pois é, foi exatamente o que Mônica viu passar nos mili segundos que antecederiam sua queda. Certo, exagero! Mas deu tempo de pensar que um corredor cheio de gente era o pior lugar para se perder o equilíbrio e cair. Só poderia esperar que ninguém conhecido a visse.
Tentou se segurar em Carmen que estava perto, porém, essa desviou das suas mãos antes que fosse levada ao chão junto. Mônica fechou os olhos e esperou o baque e os risos, entretanto, nem um deles aconteceu.
— Misericórdia! Você precisa fazer uma dieta pra ontem, fofa! Urgh! – Ouviu a voz da Denise ao mesmo tempo em que percebeu que a colega a amparara antes de bater com a bunda no chão.
— Ué! Por que cê me puxou desse jeito? – Perguntou meio brava, se recompondo e agradecendo mentalmente por ela pelo menos ter a segurado.
— E eu ia imaginar que ia cair igual jaca podre? Eu hein! – Denise respondeu afastando-se e reclamando de seres ingratos que se encontrava em todos os lugares.
— Desculpa, Mô, é que cê passou tão depressa... A gente só queria te parar pra convidar vocês pra um cineminha hoje a tarde, topam? – Magali explicou e fez o convite meio sem jeito. Foi aí que Mônica percebeu que a turma do intervalo inteira estava lá, inclusive o DC.
Olhou para Carmen que estava com cara de riso diante da cena que a amiga protagonizara, sentiu uma vontade enorme de cavar um buraco e enterrar-se ali mesmo. Ainda era o primeiro dia e já pagara mico duas vezes. Que dia cheio de altos e baixos!
— Er... Agradeço pelo convite, mas não posso ir, preciso estudar. – Desculpou-se envergonhada.
— Estudar?! – Os demais, exceto Carmen, exclamaram surpresos. – Mas é o primeiro dia de aula! – Cascão completou a sentença mais assustado que todos.
A morena explicou que durante a semana gostava de estudar em casa para não deixar a matéria acumular, mesmo assim, seus pais eram muito exigentes quanto a notas e horários de estudo, preferiam que a filha deixasse para sair com os amigos apenas nos fins de semana.
— Ué, mas hoje é fim de semana! – Cascão falou chamando atenção dos amigos.
— Não, Cas, hoje é segunda-feira. – Alguém respondeu impaciente.
— Eu sei! Mas pensa comigo: na sexta-feira começa o fim de semana, sábado é fim de semana mesmo, domingo a gente se diverte porque tá acabando, segunda-feira ainda sobra resquícios de ressaca pra curar cooooom... – Ele fez movimento para alguém completar, mas todos só o olhavam. – Deixa que eu mesmo respondo, ressaca se cura com mais diversão! Daí vem terça que é a saidera. Quarta-feira é dia de semana normal, tem que estudar, né? Por fim vem a quinta, que é a preparação pra sexta!
— Eis aqui a receita completa pra você repetir o terceiro ano por duas vezes! – Xaveco anunciou rindo e ganhou um pedala do amigo que odiava ser lembrado disso.
Mônica olhava abobalhada para o menino, não acreditava que ele poderia ser tão irresponsável com os estudos assim, seus pais a matariam. De toda forma, já estava decidida, iria ficar estudando. Carminha acabou resolvendo ir, disse que precisava se enturmar já que Mônica havia decidido ser amiga daquele grupo de esquisitos.
Eles se despediram e ao abraçar o DC para dizer tchau, o menino disse em seu ouvido:
— É realmente uma pena que você não vá, mas a gente se fala mais tarde. – E pôs um pedaço de papel em sua mão. Ao abrir, Mônica viu o número do garoto escrito em uma caligrafia apressada.
— E quando foi que eu pedi seu número? – Perguntou brincando com um sorriso nos lábios para o menino que já se afastava.
— Você não precisa pedir com palavras. – Ele gritou do meio do corredor e sumiu no meio dos outros alunos em direção à saída.
Magali observou a cena em silêncio, convivera com o DC desde criança, o conhecia o suficiente para saber o quanto era meio complicado, não apenas por ter várias garotas que o queriam, o problema estava nele mesmo, toda vez que percebia que alguém se aproximava de verdade, acabava decidindo se afastar. A menina só esperava que Mônica não se deixasse levar, pois a baixinha poderia até pensar que o escolhera, mas a realidade era que DC que a havia selecionado.
Mônica chegou em casa animada, pelo visto, o interesse foi recíproco, agora era só manter a calma e aguardar as coisas caminharem, também não estava desesperada! O caso é que sempre gostara de estar com alguém, deixava a vida menos chata, não que quisesse namorar, longe disso, não tinha cabeça e nem tempo, o último namorado que tivera havia sido quando? Dois? Três anos atrás? Nem lembrava! Mas ficar com alguém nas horas certas, a fazia ficar mais tranquila, relaxada e até mais concentrada nos estudos, já que beijos tiravam seu estresse, “cientificamente comprovado!”, ela pensava sorrindo.
Conversou com a mãe que perguntou tudo sobre o primeiro dia de aula, almoçou e foi para seu quarto, ainda estava com a roupa do colégio, pois a fome não havia deixado que tomasse banho primeiro. Assim que chegou em seu quarto, foi arrancando toda a roupa e correu para o banheiro, ligou o chuveiro e se atirou ali, sentindo a água fresquinha correr por cada parte do seu corpo.
Passou alguns minutos curtindo seu banho, se enrolou numa toalha e se jogou de barriga na cama, puxou o celular da mochila e enviou mensagem para a amiga perguntando se ela realmente iria ao shopping com os amigos, no que a outra respondeu que sim e que, inclusive, já estava se arrumando. Mônica sentiu aquela velha inveja branca por não poder ir, mas já estava acostumada.
Pegou o papelzinho que Do Contra lhe entregara, salvou o número nos contatos e ficou pensando se enviava mensagem ou não, decidiu-se pelo sim.
— Sei que estava louco pelo meu contato, então aí está. Mônica.— Enviou e esperou resposta, viu que ele havia lido, pois a sinalização azul indicava isso, mas nada, nem um emoji feliz! Acabou desistindo de esperar e pegou sua agenda para anotar que às segundas-feiras ela iria estudar matemática e biologia, e foi exatamente isso que começou a fazer.
Distraiu-se com matemática e quando percebeu já havia se passado mais de duas horas, puxou o celular, que ficava no silencioso nos momentos de estudo, e sentiu uma pontada ao ver um alerta de mensagem, abriu desejando que fosse dele.
— Na verdade, já queria seu contato a mais tempo do que você imagina... Indo encontrar a galera, até mais tarde.
Mônica sorriu para a tela e resolveu não responder de imediato, ele havia enviado a mensagem quase uma hora e meia após ela ter enviado a dela, então, faria o mesmo. Mulheres, de fato, têm manias estranhas, e aquela era uma bem forte em levar suas manias até o fim.
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