Confiar
18 • Capítulo 18
Notas iniciais
Foi como se um Dementador tivesse tomado conta do ambiente. Hermione sentia o ar circular pelo seu corpo gelado, mas seu sangue a queimava. Sentia seu cérebro se forçando a assimilar a informação. Via seu reflexo nos olhos cinzentos a sua frente, mas a sua língua a impedia de falar qualquer coisa. Malfoy esperava, paciente.
“Não pode ser verdade”.
– Draco, isso... Eu... – Ela não sabia o que dizer. Malfoy percebeu, ela estava achando que não era verdade.
Draco desabotoou calmamente os botões da manga esquerda da camisa, e a arregaçou até a altura do cotovelo. Hermione prendeu a respiração. A marca negra se destacava na pele pálida do garoto. Uma caveira com sua língua de cobra. Hermione se sentou na grama.
– Draco, eu não sei o que pensar, eu... – Hermione levantou o rosto para o garoto, rápida com um raio. – Você esteve traindo a mim, ao Harry, ao Rony, a HOGWARTS! ESTEVE não, ESTÁ TRAINDO TODOS NÓS!
Ela se levantara tão rapidamente que seu coque começou a se desfazer. Vários fios de cabelo loiro emoldurando lhe a face. Ela arfava. Lágrimas corriam pelo seu rosto; mas ela não se deu ao trabalho de limpá-las.
– É isso, não é? Você estava me usando pra chegar ao Harry! Vamos Malfoy, não se faça de besta! ME RESPONDA.
– Eu não estou te usando, Granger. Se estivesse, não te contaria isso... – Draco a olhou com cautela. – Te contei por que eu precisava de ajuda. Por que eu preciso de ajuda. Eu...
– NÃO QUERO SABER! PEÇA AJUDA PROS SEUS AMIGUINHOS COMENSAIS, MALFOY! PEÇA AJUDA AO RABICHO, AO GREYBACK, A SUA TIA BELATRIZ OU... – Hermione arfou. – BELATRIZ MATOU O SIRIUS, MALFOY! E VOCÊ QUER SE COMPARAR A ELA? QUER FICAR COMO ELA? Bom, é o DNA da sua família, não é? São todos uns imprestáveis. – Ela se virou e começou a andar o caminho de volta para o salão. – E não pense que Dumbledore não vai saber dessa coisa que você tem no braço, no coração.
– Dumbledore já sabe.
Hermione parou. “Como Merlins Dumbledore já sabe?”. Draco se aproximou e segurou a garota pela mão, a virando.
– Se eu te contei, é por que não tem perigo contar. Granger, me escuta. – Hermione tinha afastado a mão do garoto com um tapa. – Você não acabou de dizer que você vai estar sempre comigo?
– FOI ANTES DE EU SABER QUE VOCÊ É UM COMENSAL DA MORTE E. – Hermione encarou o garoto. – Há quanto tempo você é um Comensal?
– Desde o início do ano.
– Como eu nunca vi isso – Ela apontou para a Marca Negra. – antes? Quer dizer, no sábado... no penhasco, na praia... Como você escondeu isso de mim?
– Maquiagem. – Draco sorriu. O que foi um erro, já que Hermione achou que ele estava zombando dela. A garota se virou e continuou andando.
– GRANGER, ESPERA! EU...
– VOCÊ O QUÊ, MALFOY?
– EU NÃO TIVE ESCOLHA! – Draco se acocorou no gramado. – Eu não tive escolha... – Lágrimas começaram a pingar na grama. Hermione se virou e deu um passo na direção do garoto. – Ele disse que vai me matar, vai matar minha família... vai matar você. – Draco passou a mão pelos olhos. – Eu não pude escolher. Ele me escolheu. Eu não quero ser assim, Hermione. Eu não quero.
A garota se aproximou dele, e se sentou ao seu lado. Parte do seu vestido já estava úmido de orvalho. Ela passou o braço pelos ombros do loiro. Ficaram em silêncio.
– Acredita em mim? – Malfoy rompeu a camada opressora de pensamentos que pairavam sobre suas cabeças.
– Sim. – Ela tirou alguns fios de cabelo da frente dos olhos. Malfoy sorriu.
– E vai me ajudar?
– Vou.
Malfoy fixou a grama.
– E no que você precisa de ajuda? – Hermione perguntou.
– Eu tenho que... – Uma lágrima pingou novamente nos joelhos dele. – Matar o Dumbledore.
Hermione petrificou ao lado do garoto.
– Isso é loucura. Você não pode fazer isso Draco! – Seu tom era urgente.
– Eu não vou fazer isso. Mas é que... Outros Comensais vão invadir Hogwarts hoje à noite. – Hermione congelou. – Eu falei que ia te proporcionar uma noite única. – Ele sorriu.
– Você fez isso?
– Crabbe e Goyle. Eles não são tão burros assim, sabe. Eu só ia junto com eles pra tentar estragar qualquer coisa. Mas parece que eles conseguiram.
– Como eles vão fazer isso? – Hermione balançou o garoto.
– Eles consertaram o armário sumidouro da Sala Precisa. O par dele está na Borgin & Burkes. Eles vão vir de lá.
– Temos que avisar o Dumbledore! – Hermione se levantou.
– Ele já sabe. Eu te contei por que quero te ver segura. Quero que você saia do castelo. Fique bem longe daqui. Vamos te esconder na floresta.
– Não Malfoy! E os meus amigos? – Ela deu um passo para trás. – Eles importam!
– Eu sei. O professor Dumbledore disse que Potter tem algo para eles. Eu cuido de você. – Draco a segurou pelo cotovelo e a puxou para dentro da floresta proibida. Tocou um carvalho com a varinha, e uma fenda se abriu. Hermione ficou olhando.
– Entra.
– Aí?
– Sim. Foi o próprio Dumbledore que fez. Vai te deixar completamente segura. Nada vai te acontecer.
– E você?
– Eu vou resolver minhas contas com você-sabe-quem. – Draco ajudou a garota a entrar no oco da árvore. – Não faça barulho, quando tudo estiver bem, eu venho te buscar.
– Draco, espera. – Hermione andou em direção a ele e o beijou com vontade. – Boa sorte.
– Vai. – Draco sorriu. Hermione entrou no oco da árvore, e fitou os olhos que mais amava no mundo até que a casca da árvore se fechou novamente e ela não pode ver mais nada.
Notas finais
Mais uma vez, um beijo sabor menta pra Little Wolf, gracias pela recomendação super divosa que me fez chorar **-**
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