Notas iniciais
Primeiramente, desculpem pela demora. Tá sendo bem difícil escrever com essa proximidade da Ever After, a ansiedade é esmagadora. Segundo, queria agradecer pelas recomendações inesperadas, tanto a da Tina como a da Nathy e não sei se agradeci pela da Ludy, então quero agradecer por todas e dizer que é uma das maiores honras que tem como escritora. Made me crazily happy (: Terceiro, I hope you enjoy it a lot, e deixem bastante comentários. O próximo capítulo só Deus sabe quando vem. Beijos hahahahhaa.

"Robin?" Questionou ela, o som derivado do nome dele brincando em seus lábios enquanto ela sorria.

"O próprio." Ele sorriu. Por algum tempo, eles se fitaram em silêncio. "Se não for muita ousadia da minha parte, gostaria de convidar a senhorita para tomar alguma coisa." Regina entreabriu os lábios, mas não disse nada. Robin sorriu, e estendeu a palma da mão aberta, na direção dela.

"Acho que não me fará mal, cavalheiro." Ela colocou a mão sobre a dele delicadamente, e ele a guiou. Robin não respirava com segurança. Ele sabia o que todo aquele encontro significava. Sabia que qualquer passo em falso poderia significar o final da história deles e dessa vez não haveria retorno. Era uma responsabilidade imensa. Um privilégio, embora bastante delicado. Ela caminhava silenciosamente ao seu lado, seus sapatos rangendo delicadamente contra o chão de cascalho que os levava de volta à taverna.

"Este não parece um local que a senhorita goste de frequentar." Ousou o arqueiro, sem encara-la. Ele fitava o chão enquanto ela o observava, analisando suas feições e seus traços másculos.

"Eu vim para encontrar uma amiga, mas ela não apareceu." Mentiu ela, e ele sentiu vontade de rir. Mas sabia que não podia. Robin tomou a frente e abriu a porta para ela. Regina passou por ele, engolindo em seco, os lábios contraídos enquanto ela observava a tatuagem em destaque no braço estendido, fato que não passou despercebido por ele. Ele delicadamente passou o braço ao redor dela, quase sem tocar nela, num instinto involuntário de proteção.

"Robin! Quem é a bonitinha?" Sibilou John, bêbado e trôpego. Robin puxou Regina para perto dele, enquanto encarava o amigo sem muita cerimônia. "Vá lavar o rosto, Johnnie. Já está cheirando mal. A moça é minha companhia, com licença."

Assim que se afastaram, Robin retirou seu braço da cintura dela. "Me perdoe. É preciso cuidado para transitar entre esses safados. Eles não estão acostumados com mulheres como você por aqui."

Ele puxou a cadeira e Regina sentou­-se. "Tudo bem." Sussurrou ela. "O que você quer dizer com mulheres como eu?"

Robin engasgou, encarando­-a. Suas bochechas ganharam um tom diferente enquanto ele se sentava na cadeira em frente à ela. "Desculpe, eu... Não era minha intenção ofendê-­la. Eu quis dizer uma mulher decente, uma mulher de respeito... Geralmente as mulheres que frequentam este lugar não valem muita coisa."

Ela sorriu, adorando ter causado tal acanhamento naquele estranho. "Possivelmente, eu não deveria estar aqui. Talvez seja melhor eu ir."

"Não!" A exclamação dele saiu antes que ele tivesse pensado em como aquilo ia soar. Mas ele não deu muita importância. "Quer dizer, não se vá. Você acabou de chegar. Eu sou meio bruto com as palavras, realmente, me perdoe."

"O que vamos beber?" Perguntou ela, sorrindo. Seus cabelos caíam ao redor de seu rosto como uma cascata, emoldurando o que ele sabia ser o rosto mais bonito de todos os reinos. Regina era um anjo, com certeza uma obra prima divina perdida pela superfície da terra.

"Cervejas?"

Ela balançou a cabeça. Ele levantou a mão e sinalizou para Matthew.

"Você gosta desse lugar?" Questionou ela, observando o ambiente caótico. Havia bêbados caídos, mulheres com o mínimo de suas roupas, o cheiro de suor e testosterona e cerveja estavam misturados de modo que era incapaz dizer onde começava um e terminava outro. Havia uma música presente, mas ela não sabia de onde vinha. Alguns homens gritavam, outros estavam ao redor de uma mesa ­ possivelmente jogando, outros se socavam feito crianças birrentas. Ela se perguntava que tipo de homem ele poderia ser. Ele não era de todo ruim. Havia sido cavalheiro e educado com ela até então. Havia algo a respeito dele, algo na maneira com o qual ele olhava em seus olhos, ou como ele sorria com os lábios e com os olhos... Era como se ele soubesse mais do que ela. Como se ele já a conhecesse, mas ela acabara de conhecê-­lo, não fazia sentido algum.

"Na verdade, não é meu lugar favorito do mundo. Mas eu venho aqui para relaxar. Ou esquecer dos problemas."

"Eu deveria vir aqui mais vezes então." Ela brincou com as pontas dos dedos, batucando­-as contra a mesa enquanto Robin a observava com atenção.

"Muitos problemas?"

Ela poderia dizer que não e estaria tudo bem. Mas ele transparecia uma serenidade que era novidade para ela. Ele transparecia confiabilidade. "Muitos." Confessou ela, suspirando. Ela olhou para longe, e ele permaneceu em silêncio, dando a ela o espaço necessário. Regina agradeceu mentalmente por isso. Odiava pessoas invasivas demais.

"Nada que uma caneca cheia não ajude a amenizar." Brincou ele, quando Matthew se aproximou e colocou as canecas na mesa. O rapaz encarou Regina por alguns segundos, embasbacado pela beleza daquele garota, até que Robin limpou a garganta, chamando sua atenção. "Era só isso mesmo, Matthew. Obrigado, dude."

Ela sorriu, e bebeu um gole de sua cevada. "É muito boa."

"Uma das melhores do reino." Robin bebeu um gole um tanto mais generoso que o dela, e voltou à caneca ao seu lugar. Puxou as mangas da camisa até os cotovelos e esticou-­se. "Pode me contar de verdade o que uma garota como você está fazendo por aqui?"

Os olhos dela arregalaram-­se por um instante. "Eu já lhe disse."

"Você não achou que eu fosse acreditar nessa historinha furada que contou, achou?" Robin gargalhou antes de beber outro gole. Ela parecia encurralada, uma névoa de preocupação que se dissipou rapidamente. Erguendo a caneca, ela sugeriu um drinque.

"Um brinde às mentiras." Disse, e pareceu um tanto melancólica.

Brindando de volta, Robin ergueu as sobrancelhas. Ele tentava entender o que acontecia com ela. Ela definitivamente não era a Regina que conhecera, mas ao mesmo tempo, ele sabia que era com ela que queria ficar. Ele conhecera uma Regina muito mais complicada e complexa, uma Regina que era o resultado de muitas dores, traumas, vinganças e mortes. Uma Regina que conhecia o pior do mundo e o pior de si própria. Mas essa, sentada à sua frente, tinha um coração vibrante e jovem. "Brindado está." Respondeu ele, concordando.

"E qual a sua história, camponês?"

"Minha história não é bonita. Tem certeza que quer saber?"

"Precisamos falar sobre algo, certo?" Ela sorriu, e ele sorriu de volta, fitando a mesa escura.

"Eu sou um ladrãozinho sem honra, Regina." Ele sorriu, o som daquele nome fazia cócegas em seu estômago. "Minha mãe faleceu por conta de uma das epidemias que devastaram a população e meu pai é um bêbado que nunca deu a ela o suporte que ela merecia e precisava. Depois da morte dela eu me perdi nesse mundo. Passei a beber, jogar, roubar... Todo tipo de porcarias para passar o tempo. Honestamente, minha vida não tem sentido nenhum. Acho que eu preciso encontrar algo pelo qual valha a pena lutar, ou viver, sei lá."

Robin pensou em suas palavras. Ele falara a verdade e de repente, pensou em como o Robin jovem era insuficiente para Regina. Ele havia se tornado uma pessoa melhor depois de Marian, mas ele sequer a tinha conhecido ainda. Ele continuava uma pessoa horrível e vazia, um homem sem propósito. E quando ele a beijasse, voltaria a ser essa pessoa descrente e descompromissada.

"Eu sinto muito pela sua mãe." A voz dela soava triste e eles trocaram um olhar um tanto empático.

"Foi uma fatalidade. Essas coisas acontecem."

"Ainda assim, você ter ficado assim sozinho... Deve ser horrível. Eu tenho meus dois pais, embora eu só tenha realmente meu pai."

"Como assim?"

Ela respirou fundo, e ele percebeu seus ombros se curvando, numa espécie de posição defensiva. "Minha mãe não me ama. Não de verdade. Ela não se preocupa com o que eu penso, ou com o que eu sinto, ou com o que eu quero. Ela decide o que acha que é melhor para mim e me obriga a seguir suas ordens. Eu... Lutei por muito tempo. Mas ela tirou a pessoa que eu mais amava em toda a minha vida, daí parei para lutar."

Daniel. Robin assentiu, lembrando-­se o quanto este assunto era delicado e importante para ela.

"As vezes você se pergunta se vale a pena continuar, sabe Robin? Viver uma vida que você não quer. Ser uma pessoa que você não quer."

Enquanto ela bebia o fim de sua bebida, Robin pensava o que ele estava fazendo. O tempo estava passando, e ele não tinha ideia do que fazer. Não queria deixá-­la. Não queria afastar-­se. Queria contar toda a verdade e acabar com aquilo logo, mas ela jamais acreditaria nele. Era surreal demais até para ele acreditar.

"Eu te entendo."

"Foi ele quem me deu o colar que você achou. Acredite, eu vou ser eternamente grata a você por isso... É minha única lembrança dele."

"Fiz o que devia ter feito. Não precisa agradecer."

Ela sorriu e tocou o braço dele, apertando-­o com a ponta dos dedos. "Você não é tão ruim quanto pensa que é, Locksley. Há bondade em seus olhos."

Robin manteve os olhos onde seus corpos se tocavam. Ele sentia falta disso. Do toque dela, de sentir o calor proveniente dela. Seus olhares se cruzaram e eles permaneceram ali, encarando-se por algum tempo. Regina não sabia explicar o que estava sentindo. Era claro que viera ali por ele. Tinkerbell tinha lhe dado instruções diretas, embora ela mesma tivesse tentado fugir. Mas tudo ocorrera tão perfeitamente, que ali estava ela, bebendo com o homem que lhe fora dito ser o homem destinado a ser seu amor. E de algum modo, por mais que ele tivesse sido sincero e deixado claro que ele não era homem para ela, que ele bebia, jogava e roubava, que era um fora da lei sem futuro... Ainda assim ela sentia seu coração batendo mais forte a cada sorriso, sentia seu coração derretendo-­se quando ele a olhava como se ela fosse a coisa mais linda que ela já vira. Mas ela desvencilhou­-se dele, envergonhada pelo toque inesperado.

"É melhor eu ir embora."

"Não se vá." Pediu ele. Num movimento rápido, Robin capturou sua mão e a manteve entre seus dedos enquanto seu polegar roçava a pele dela lentamente. "Quando voltaremos a nos ver novamente?"

"Nunca." Sussurrou ela, puxando sua mão e levantando­-se de supetão. Em um movimento rápido, ela empurrou algumas pessoas e encontrou a saída, mas percebeu que Robin estava logo atrás dela. Assim que empurrou a porta e saiu na rua de cascalho, ele segurou-­a pelo antebraço.

"Regina! Espere!"

"Você não entende? Eu não posso! Você é incrível e maravilhoso mas eu não posso. Eu vou me casar amanhã."

"Com o Rei Leopoldo."

Ela virou­-se com o rosto enrubescido e os olhos arregalados para encará-­lo. Seus olhos verdes eram belos e bondosos, e ela não se cansava de olhar através deles. "Você sabe... Você sabe quem sou eu?"

Ele balançou a cabeça afirmativamente. "Sim."

"Por que não disse nada?"

"Porque você não disse. Achei que quisesse manter o anonimato, não sei. As pessoas por aqui não gostam muito de sua mãe."

Ela fitou o chão, engolindo em seco. "Eu posso imaginar."

"Regina eu... Eu sei que não sou ninguém para você. Você é uma princesa. Eu sou um ladrãozinho de merda sem futuro. Me desculpe não ter sido completamente honesto sobre saber quem você era. Mas isso não muda nada. A garota que se sentou comigo naquela mesa lá dentro e bebeu uma caneca de cerveja com vontade é a pessoa mais incrível que já conheci em toda a a minha vida e eu não quero esquecê-la."

"Talvez seja o melhor a fazer, Robin. Eu irei me casar amanhã."

Ele deslizou os dedos pelos dedos dela, se aproximando. Regina não se afastou. Ela o fitou e eles se olharam com ternura enquanto ele continuava acariciando seus dedos, brincando com os toques. "Me diga que você não sentiu nada, que eu estou sozinho nisso. Diga que vai me esquecer assim que acordar amanhã cedo e eu lhe deixarei ir."

"Não." Sussurrou ela, encostando a cabeça na testa dele. "Não vou dizer isso."

Robin tentou debruçar-­se, de modo que seus lábios tocassem os delas. Mas ela se afastou alguns centímetros, colocando dois dedos sobre os lábios dele. "Eu gosto de você. É por isso que vou me casar amanhã. Porque se minha mãe desconfiar que você é um empecilho, você estará morto mais cedo do que imagina."

"Eu não tenho medo, Regina."

"Mas eu tenho." Ela afastou­-se dele. "E apesar de não conhecê-­lo direito, camponês, eu não quero vê-­lo morto."

Robin engoliu em seco. Mas ele não se desesperou. Sabia que tudo daria certo. Ele tivera esperança uma vez, e ele continuava com esperança. Regina era seu destino. Era o amor de sua vida, a estrada para a felicidade, a chave para o seu coração. Cedo ou tarde, eles encontrariam o caminho de volta para o outro. Se havia algo claro para ele, era que o amor deles era maior do que qualquer outra coisa já existente.

"Posso lhe fazer uma pergunta, antes que se vá?"

"Sim." Respondeu ela.

"Você já conheceu alguém que mudou seu mundo todo?" Ela encarou­-o, com os lábios entreabertos mas sem dizer nenhuma palavra. "Alguém cujos olhos você simplesmente tem certeza que nasceu para admirar?"

Regina não respondeu. Ela continuava encarando-­o como se não soubesse ou simplesmente não quisesse responder. Como se aquela pergunta houvesse despertado algo dentro dela que estava adormecido há muitos anos. Robin aproximou-se dela e se inclinou, beijando-­a delicadamente na bochecha.

"Eu já. Mas infelizmente, ela se casará amanhã." Ele sorriu para ela. "Boa noite. Cuide­-se."

Robin não voltou para a taverna. Ele começou a se afastar-­se, caminhando com a cabeça baixa e as mãos nos bolsos até que desaparecera por completo da vista dela.