Confessionário
29 Capítulo 29
Assim que voltamos à cidade, Zelena e eu passamos na casa de Regina para pegarmos as crianças. Mal havia me aproximado da porta e ouvi a forte gargalhada de Abby. Sorri, apertando a campainha. Mas assim que a porta se abriu, meu sorriso desapareceu.
“Hey.” Thomas atendera a porta, vestido apenas com uma bermuda cor caqui e tinha Abby pendurada em seus ombros, com as pernas para cima e de cabeça para baixo. “Oi papa!” Ela sorriu, alegre. Thomas virou-a com cuidado, colocando-a no chão e ela correu até onde eu estava, me abraçando. “Eu estava com saudades!”
Thomas ainda estava ali, em pé à minha frente, observando a interação entre minha filha e eu. Ele desviou os olhos e fitou Zelena por alguns segundos. “Robin, eu... vou esperar no carro.” Disse ela, afastando-se rapidamente.
“Thomas, quem era na porta?” Regina apareceu no meu campo de visão, vestindo apenas um vestido leve. Roland estava em seu colo, e ele sorriu assim que me viu. “Papa!” Regina o colocou no chão e ele correu na minha direção, lançando-se nos meus braços e pulando no meu colo. “Regina e eu estávamos pintando a parede!”
Regina caminhou até nós, em silêncio. Thomas voltou-se para ela e a beijou de leve, os dedos deslizando sobre a cintura fina antes de se enfiar dentro da casa e fechar a porta atrás de si, deixando-nos sozinhos com as crianças na varanda. “Abby, vá pegar suas coisas e traga as do Roland, tudo bem?” Pediu Regina e Abby entrou na casa sem contestar nada. “Como foi a viagem?” Perguntou.
“Você estava certa. O lago é realmente um lugar muito romântico. Zelena adorou.”
“Fico feliz de ter ajudado. Acredito que tenham conseguido se entender.”
Encarei-a, querendo dizer-lhe um milhão de coisas. Mas não podia. Não havia nada mais a ser dito. “Sim, estamos bem agora. As crianças deram trabalho?”
“Eles são adoráveis. Eu vou sentir falta da bagunça...”
“Fico feliz que eles tenham se dado bem com Thomas. Se ele vai ser parte da sua vida, é importante que tenham uma convivência pacífica, afinal vão se encontrar o tempo todo.”
Agora a vez dela me encarar em silêncio, como se pensasse no que ia dizer em seguida. “Thomas adora as crianças, e se divertiu muito com eles esses dias.”
Abby apareceu na porta com sua mochila e a mochila do irmão. “Pronto!”
“Você se despediu do Thom, mocinha?”
“Sim.” Sorriu ela, abraçando Regina e plantando um beijo na bochecha da morena. “E disse que é melhor ele pagar o que me deve.”
“Ele vai pagar. Prometo.” Regina aproximou-se de mim, me intoxicando com sua proximidade, com seu perfume, com o calor do seu corpo. Ela acariciou o cabelo de Roland, beijando a ponta do nariz dele. “E você, mocinho, precisa voltar para me ajudar a pintar o resto da parede.”
Ela o beijou e Roland segurou sua mão. “Eu te amo, Regina.” Sussurrou ele.
Observei o exato momento em que os olhos dela ganharam vida, um brilho fugaz tomando conta de suas retinas já inundadas, prontas para abrir as comportas das lágrimas emocionadas ali escondidas. Regina me encarou, encarou Roland, me encarou novamente e finalmente fixou os olhos na criança. “E eu amo você, pequenino.”
Achei que ela fosse chorar. Eu não estava preparado para ver Regina Mills chorando por um dos meus filhos. Eu realmente não estava preparado. Por isso, respirei aliviado quando ela se recompôs e sorriu. “Se ficar alguma coisa deles por aqui eu envio depois.”
“Tudo bem.” Respondi, e comecei a me afastar com as crianças. Parei de repente, fazendo Abby tropeçar no meu corpo. “Obrigado, Regina.”
Ela me fitou com um sorriso cansado. “Para o que precisar, Locksley.”
Se você me perguntasse hoje o que eu estava fazendo, eu não saberia responder. Eu não saberia explicar ou justificar meus atos. Eu não saberia dizer o que foi que passou pela minha cabeça. Era tarde da noite, e eu não sabia mais o que estava fazendo.
Tudo que eu sabia é que era ela. Era ela, sempre foi ela, e eu havia me permitido enganar todo esse tempo, e eu finalmente tinha me dado conta de que a iria perder. Para sempre. Desci as escadas de acesso ao cofre. O som das minhas botas era rançoso contra o chão áspero, e respirava audivelmente. O frio da noite não me incomodava. Mas minha mente sim. Minha mente parecia uma colmeia de abelhas trabalhando incansável. Um zumbido profundo e constante se via presente, e eu ouso dizer que eram meus pensamentos, todos entrelaçados e transpassados, completando-se de um jeito que eu não sei explicar.
Algo gritava na minha mente e gritava apenas um nome.
Regina.
“Robin?”
Seus olhos encaravam os meus, assustados. Por Deus, o que era aquele vestido vermelho?
“Regina.” Dei apenas um passo para a frente. Ela ficou em pé, me observando.
“Achei que tínhamos combinado de ficarmos longe um do outro.”
“E eu tentei, Regina. Eu tentei. Eu tentei amar minha esposa, eu tentei pensar nela, tentei esquecer você. Minha mente estava na floresta com ela, todos esses dias. Mas meu coração nunca saiu daqui.”
“Robin...”
“Eu tentei de todos os modos não lembrar de você, Regina. E eu falhei, miseravelmente.”
“Robin, isso é tortura!” Clamou ela, e eu a vi recuar mais, afastando-se de mim. Seu semblante denunciava o quanto aquilo lhe fazia sofrer. “Eu não posso ficar aqui ouvindo seu conflito interno. O quanto você está dividido. Eu não posso lidar com seus sentimentos. Você fez uma escolha, e eu te respeito por isso. Mas isso precisa acabar.”
“Regina, eu escolhi o meu caminho. Mas as vezes, mesmo quando você ganha, você acaba perdendo.” Ela fixou os olhos em mim, os lábios pintados de vermelho semiabertos. “Eu vejo o bem em você, Regina. Mesmo que você não veja. Porque quando alguém encontra amor verdadeiro, por mais difícil que possa parecer, esse alguém precisa lutar por ele, todos os dias.”
“Você acredita nisso? Você acha que vale a pena? Você é casado, Robin. Você é um homem de honra, um homem confiável que dignifica seus compromissos. Não permita que eu corrompa você. Não permita que seus sentimentos por mim o tornem em um homem desprezível.”
“Eu vivi uma vida inteira sobre um código, Regina. Roubar dos pobres para dar aos ricos. Ser confiável, justo e bom. Eu tentei viver de acordo com este código todos os dias da minha vida.” Confessei. Eu estava exausto de lutar.
“Então porque você está aqui?”
Dei mais um passo, me aproximando dela. “Porque se você encontrar alguém que ame o suficiente para arruinar toda a sua vida, valerá a pena.”
Regina se aproximou, e agora estávamos a uma distância mínima. Ela fitava meus olhos com cuidado, encarando-os, questionando-os. “Há uma razão pela qual eu não consigo me apaixonar pela minha esposa.” Sussurrei, perto dos seus lábios.
“E qual é?”
“Eu estou apaixonado por outra pessoa.”
Regina deslizou os dedos pelos meus, nossas mãos se tocando enquanto um encarava o outro. Mas de repente, ela se afastou de mim. “Há dias em que queria uma poção que me fizesse esquecer você, Robin. Há dias em que eu queria ter meu coração arrancado. Há dias em que eu gostaria que a Bruxa finalmente colocasse fim nessa situação e tragasse minha vida em vez de matar outras pessoas. Há dias em que eu me arrependo de ter me apaixonado por você.” Ela manteve-se de costas, de modo que não podia ver minha reação abobada à sua declaração. “Há dias em que tudo que eu queria era que você se apaixonasse por Zelena e fosse embora para sempre.”
“Então eu devo ir embora?”
“Não... porque hoje não é um desses dias.”
Tudo que senti foi sua boca contra a minha. Eu não sabia como, nem onde, nem porquê. Senti sua boca na minha, e deixei que meus dedos escorregassem para a sua nuca, acariciando seus cabelos negros. Nos afastamos por um segundo, mas nossos lábios voltaram a se encontrar enquanto eu sentia suas delicadas mãos passeando pelas minhas costas, me acariciando com ternura. Como eu havia sentido falta daquele beijo. Minhas mãos passeavam pelo corpo pequeno e sensual grudado ao meu, enquanto eu a devorava, minha língua vasculhando o sabor indescritível que somente ela era capaz de proporcionar. Meus dedos estavam espalhados no meio das suas madeixas macias, e eu a apertava contra mim enquanto sentia suas unhas em minhas costas, puxando-me, rasgando-me. “Robin...” Gemeu ela, enquanto eu continuava a beijando, massageando sua libido com a fricção de nossos lábios e a onda de calor que a língua dela produzia toda vez que roçava na minha.
“Eu escolhi você, Regina. Por favor, não me peça para parar... porque eu tentei e não consegui. Você consegue? Consegue me afastar agora e voltar para a sua casa sem nenhum arrependimento?"
Minha boca estava a um milímetro da dela. Mas eu não a beijei. Rocei meu polegar na maçã de seu rosto, e olhei em seus olhos. “Você pode me mandar embora, mas não vai fazer com que eu deixe de amar você. Nem hoje, nem nunca.”
Regina enfiou os dedos das mãos entre os meus cabelos e me puxou para a sua boca novamente.
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