Confessionário
37 Capitulo 37
Notas iniciais
Robin acordou assustado. A iluminação solar o assustou e ele olhou ao redor. Estava no meio de um jardim muito bonito, de uma beleza fenomenal. Usava roupas brancas e estava completamente saudável. Será que estou morto? Esse é o céu? Ele podia ouvir o barulho das criaturas transitando tranquilamente, o som dos pássaros. A uma distância mediana, ele viu uma queda d’água que alimentava um riacho ao redor do jardim. O sol brilhava, preenchendo o ambiente com uma primordial destreza.
Robin.
Ele ouviu uma voz feminina o chamando. Mas a voz ecoara por cima daquele ambiente harmonioso e calmo, ele não saberia dizer de onde veio. Mas olhou ao redor e avistou uma porta esculpida em ouro maciço e caminhou até ela.
Robin já havia visto diversos castelos. Já roubara nos mais ricos e mais ostensivos castelos. Mas nada, absolutamente nada, se comparava a aquele lugar. Possivelmente, ele estava mesmo morto. Essa era a única explicação. Havia todo tipo de ouro e pedras preciosas onde quer que ele olhasse mas havia algo na maneira como tudo estava em um determinado lugar que fazia com que soasse simplesmente magnífico, simplesmente perfeito, mas não caro. Não dava a impressão de muitas riquezas e sim de uma beleza acima de explicação.
A porta se abriu, num passe de mágica e Robin adentrou o local.
Seus olhos brilhavam ao ver a altura daquele castelo. O teto estava tão longe que lhe parecia impossível que um humano pudesse tocá-lo. Era absurdamente alto. Havia estátuas de guardiões nas laterais do corredor, todas esculpidas em ouro. Robin caminhava, a garganta seca, rarefeita em sua completa admiração pelo que seus olhos presenciavam. Havia pinturas assombrosamente detalhadas por toda a extensão do teto, que descia entrelaçando-se aos móveis de ouro maciço cravejado do que deveria ser diamantes.
Havia mais riqueza naquela sala do que em toda a existência humana. Robin continuou olhando, sua saliva inexistente não lhe ajudava a limpar a garganta que estava seca, quase árida. Ele parou em frente a outra porta, uma porta como a anterior, feita de ouro e cravejada de pedras brilhosas e cintilantes. Robin bateu duas vezes, mas obteve apenas silêncio. Ele respirou fundo e entreabriu, revelando apenas uma fresta por onde pudesse olhar. Um reflexo forte quase o cegou, mas ele conseguiu observar um ser místico, sujos cabelos escuros como a púrpura da noite dançavam no ar. A criatura virou-se para olhar para ele, mas Robin fechou a porta novamente.
Merda, o que está acontecendo? Que lugar é esse?
Entre, Robin.
A voz parecia ter sido sussurrada na base da sua orelha, e ele olhou em volta, desconfiado. Mas não havia ninguém ali. Robin fitou o chão e respirou fundo. Ele não tinha ideia do que estava acontecendo. De onde estava. De como chegara ali. De que estava vivo ou que estava morto. Ele não tinha nada. Empurrou a porta com força e foi tragado por uma luz forte e intensa, mas aos poucos a luz foi se dispersando enquanto ele dava passos inseguros à frente. Ele abriu os olhos e tentou olhar para a criatura mas uma luz muito forte a protegia, mantendo-se ao seu redor.
Robin abaixou a cabeça e se ajoelhou. Ele curvou a cabeça, e fitou o chão.
Você não precisa. Levante-se.
Robin queria entender que tipo de feitiço essa criatura fazia que conseguia conversar com ele assim. “Me perdoe, eu não sei como vim parar aqui.”
“Você me chamou.”
Robin continuou olhando para o chão, embora a voz firme e ao mesmo tempo delicada e feminina tivesse lhe chamado a atenção. Era uma mulher. Ele notou quando ela caminhou até ele. Ele fitava os pés, descalços.
“Eu pedi que se levantasse, querido Robin.”
Ele levantou, com o coração batendo tão forte que ele considerou não estar morto. Mas não ousou olhar para ela. Manteve os olhos no chão, enquanto ela o encarava. “Siga-me.” Ordenou ela, e ele a seguiu para a sala ao lado. Ele observava-a, podendo ver apenas suas costas. Seus cabelos lisos compridos, brilhavam incessantemente, dançando no ar. Ela usava uma roupa belíssima, um tecido diferente, um tecido que parecia ter vida pois as luzes brincavam nele como estrelas dançando no céu.
Robin identificou algo parecido com um trono, para onde a misteriosa mulher se dirigiu. Ela era uma divindade? Ela era uma bruxa? Havia tantas perguntas em sua mente, mas nenhuma resposta lhe era oferecida. Quando ela se virou para se sentar, Robin voltou a encarar o chão. Tinha medo de olhar em seu rosto sem ser autorizado. Tinha medo de estar desobedecendo alguma etiqueta.
“Pode sentar-se.” Ela disse, e eu percebi que em frente ao seu trono dourado havia uma cadeira, igualmente dourada. Ela ia me condenar? Eu estava em outro julgamento? Um julgamento divino?
“Senhora, Excelência, eu não sei como lhe tratar...” Ele começou, inseguro sobre o que estava fazendo e fitando seus pés. “Eu não sei o que está acontecendo. Talvez se a senhora me dissesse o que eu estou fazendo aqui, eu...”
Mas ela não o deixou terminar.
“Antes de responder suas perguntas, faça o que eu já lhe pedi encarecidamente. Levante a cabeça e olhe em meus olhos.” Quando Robin obedeceu, seu estomago deu sinais de vida, contorcendo-se de surpresa.
À sua frente, havia a mulher mais bonita que ele já vira. Ele não sabia se mulher era o termo adequado para descrevê-la. Seus olhos eram iguais ao de Abby, numa cor púrpura como a dos cabelos, porém ainda mais escura. Seus cabelos cintilantes lhe caíam pelos ombros, embora estivessem sempre em movimento. Ela sorria para ele, e ele tinha certeza que nunca vira nada assim tão inacreditavelmente belo. Era a imagem da perfeição, sorrindo e encarando-o com atenção. Robin sentia-se paralisado pela aparência bela e majestosa. Hipnotizado.
De repente, um detalhe lhe chamou a atenção. Ela usava uma gargantilha, mas aquela – aquela era a sua gargantilha. A que ele entregara para a velha Abigail, na floresta perdida. “Onde vossa majestade obteve este colar? Se não for uma ofensa responder ao seu humilde servo.”
Ela sorriu, e Robin engoliu em seco, intimidado pela beleza esmagadora daquela criatura que lhe encarava. Ela se levantou do trono e caminhou lentamente até ele. Robin cogitou a hipótese de tê-la ofendido. Talvez achasse que ele a tivesse chamado de ladra. Mas ela o surpreendeu. Retirou do pescoço a corrente de ouro, e colocou na palma da mão dele. Robin sentira a maciez de seu toque. Era como se a pele dela não fosse como a dele. Fosse outra composição. Outra essência. Robin olhou para o pingente, sua flecha com penas na ponta, e teve absoluta certeza que era a corrente que dera à velha. “Fique com ela. Será a lembrança da minha gratidão. Você nunca estará sozinho. Eu estarei com você enquanto estiver com ela.” A voz dela fez com Robin sentisse toda a sua coluna arqueando-se em um calafrio assustado.
“Abigail?” Sussurrou ele, encarando-a.
“É bom vê-lo novamente, amigo.” Respondeu ela, desvencilhando-se dele e voltando ao trono onde pertencia.
Robin estava tentando digerir a informação que recebera. Ela era Abigail. Abigail era na verdade, uma divindade? Era isso? “Eu sei que está cheio de dúvidas, Robin. Eu vou esclarecê-las. Meu nome é Pandora, e você me chamou. Você clamou minha oração.” Os olhos dela ganharam um brilho intensificado. “Não sei se você sabe sobre a minha história. Ela costuma ser popular entre vocês, mortais.”
Robin balançou a cabeça negativamente, sem conseguir pronunciar nada. Ele não sabia se podia acreditar que estava conversando com a filha de Zeus. Com uma Deusa. Ele era um simples ladrão de castelos. Um arqueiro de origem pobre. Ele... Ele estava completamente sem reação.
“Eu sou a primogênita de Zeus. Criada por Hefesto, Atenas e Afrodite como uma vingança a um titã que ousou enfurecer os deuses. Você sabe a história da minha caixa. Hefesto, como o meticuloso projetista que é, enviou-me com aquela maldita caixa e eu a abri. Abri o presente dos deuses. Abri a famosa ‘caixa de Pandora’ e trouxe para o mundo dos mortais todos os males e desgraças que acometem vocês.”
Pandora olhou para longe por alguns instantes, o semblante perdendo o aspecto sorridente e aos poucos assumindo uma postura séria. Ela voltou a encará-lo. “Eu sou conhecida como a mulher que trouxe o mal e a calamidade sobre os homens. Mas no fundo da minha caixa, você sabe o que restou, Robin?”
“A esperança, majestade.”
“A esperança. O que vocês mortais não entendem, é que eu não lhes trouxe o mal. O mal já existia. O mal já estava dentro da caixa, o mal já estava dentro da condição imperfeita e calamitosa de uma nação condenada à mortalidade. A esperança ficou na caixa porque a esperança, como vocês dizem por aqui ‘é a última que morre’. A esperança aguardava que eu lhe desse autorização para sair. Foi a esperança que escreveu a oração que você leu, Robin. Tanto ela quanto eu, vimos que sem esperança, vocês estariam fadados à completa extinção. Jamais venceriam todos os males que os acometem.”
Ela sorriu, encarando-o. “Sem os males que eu libertei, vocês mortais nunca evoluiriam. Não se aperfeiçoariam diante das provas e das adversidades. E eu dei essa oportunidade a vocês. De vencer o mal. De mostrar que são dignos aos olhos dos deuses do Olimpo.”
“Mas onde eu me encaixo, majestade?”
“Eu vasculho o mundo em busca de provas para o meu pai, Zeus. Eu observo cada humano, cada mortal, em busca de um que lute, que tenha esperança genuína para que eu possa mostrar a meu pai que eu não estava errada sobre os mortais. E você, Robin... Quando encontrei você naquela floresta, eu soube que você era quem eu procurava. Você não tinha nenhuma ideia de como encontrar a mulher que amava. Você não tinha nenhum plano para alcançar seu objetivo. Mas ainda assim, você estava lá. Ainda assim você estava em pé lutando com monstros por ela. A esperança que você tinha em seu coração de que ia encontra-la, não importava como, era o diferencial que eu procurava por séculos e séculos. Você tem o coração mais puro e nobre que eu já encontrei em um mortal. Eu temia pela sua vida. Se perdesse você, eu não teria como provar a meu pai que os mortais valiam alguma coisa. Por isso lhe dei os artefatos.”
Ela encarava-o com cuidado. Robin apenas olhava para ela, os dedos vez ou outra entrelaçando-se e desvencilhando-se, enquanto ele tentava não demonstrar nenhuma reação exagerada. “Eu não podia perdê-lo de vista, mas eu não podia interromper a história. Portanto, eu voltei para a sua vida como a sua filha.” Robin encarou-a assustado. “Sim, eu também sou a Abby. Eu.... Voltei a forma humana como criança porque sabia que era a maneira mais fácil de ter acesso. Antes que se pergunte, Abby nunca soube que era uma Deusa. Nunca soube de seu propósito. Ela tinha lampejos da minha consciência, mas infelizmente, tinha pouco acesso às minhas memórias.”
“Você estava entre nós esse tempo todo.”
“Sim. E então, eu a conheci. Sua mortal. Regina. Eu estava pronta para abandonar a missão. Com o feitiço de Zelena, eu não seria capaz de provar nada a meu pai. Teria que procurar por outro mortal. Mas Regina... Aquele coração. Aquele coração possui algo que nenhum dos deuses do Olimpo possui. Aquele coração é um dos bens mais preciosos da humanidade. Vocês, mesmo separados por uma maldição que apagou as memórias que tinham um do outro... O coração de ambos achou um caminho e retornou para o do outro.”
Pandora engoliu em seco, encarando-o. “Eu já vi muitas histórias de amor, Robin. Milênios por milênios, séculos por séculos, gerações por gerações. Conheci muitas histórias, acompanhei muitos desfechos. Eu tenho perambulado entre vocês mortais há muito tempo, em busca do mortal que fosse digno de ser levado aos deuses. E o seu amor por Regina lhe tornou o escolhido.”
“Regina está morta. De que me é proveito ser levado aos deuses? Prefiro que acabem com o meu sofrimento.”
Pandora permaneceu em silêncio em algum tempo. Parecia ponderar sobre o que ele havia dito. Finalmente, ela desceu do seu trono, em silêncio. “Venha comigo.” Foi tudo o que disse, e Robin a seguiu em silêncio. Ele estava completamente chocado com todas as informações. Eles atravessaram o corredor por onde Robin havia entrado, chegando ao jardim onde ele acordara em poucos minutos. Pandora nada dizia. Ela apenas caminhava, apressadamente. Eles caminharam até uma macieira que estava ao lado de uma grande cachoeira.
Mas não era uma macieira comum. Como tudo nesse lugar, as maças eram douradas.
“O que eu vou fazer agora, não deve ser feito. Eu terei que prestar contas com Zeus. Mas irei fazê-lo e acho que você precisa saber o porquê.” Robin assentiu com um gesto, em silêncio. “Eu só estou fazendo isso porque a sua mortal deu a sua vida em troca da minha. Era apenas um corpo carnal. Eu voltaria para a minha forma divina novamente. Regina poderia ter me assassinado, e eu não a culparia. Mas ela preferiu perder sua vida e perder a vida da pessoa que ela mais amou em toda a sua vida. Henry. Regina é uma das mortais mais próximas da perfeição que eu já conheci. E por seu ato de bravura, por seu ato de heroísmo e sacrifício é que eu vou fazer isso.” Pandora retirou uma das maçãs da árvore. Um barulho, parecido com um trovão, se fez presente no jardim. “Eu preciso que você coma um pedaço, rápido. Antes que Zeus nos encontre.”
Robin pegou a maçã e olhou para ela com dúvida nos olhos. Ele parecia estar vivendo um sonho e ele estava começando a acreditar nisso realmente. “Mas o que essa maçã faz?”
"Ela é a chave para os seus problemas. Nada é impossível em um mundo repleto de magia, querido. Tudo que você precisa é acreditar.” Respondeu ela, relembrando-o da conversa que tiveram na cabana quando ela estava no corpo da velha Abigail. “Eu estou lhe dando uma segunda chance, Robin. Não a desperdice. Eu não costumo dar segundas chances a ninguém. Mas lembre-se, após o primeiro beijo de vocês, a sua memória vai ser automaticamente deletada.”
Outro trovão, agora mais forte, ressoou pelo jardim. Pandora sabia que Zeus sentira a retirada de uma das maçãs da árvore dourada e logo estaria em seu encalço. Ela precisava ser rápida. Puxou a maçã da mão dele e enfiou em sua boca, obrigando-o a mordê-la. Robin o fez, e a tão conhecida escuridão o abraçou com ternura. Assim que ele caiu sobre os seus pés, Pandora agachou-se e tocou em seu peito, na altura de seu coração.
“Tenha uma boa vida, amigo.” Sussurrou, antes que ele desaparecesse.
POV ROBIN
Há barulho e música ao meu redor. Estou na taverna? Porque é que Pandora me enviou para cá?
John aproximou-se de mim e encheu meu caneco. “Você a viu?”
“Vi quem, seu bêbado idiota?” As palavras saíram da minha boca como se eu não estivesse no controle. Como se meu corpo estivesse agindo por conta própria. O que estava acontecendo? Eu estava alucinando?
“Aquela garota que apareceu na porta do bar.”
Meu coração parou de bater por alguns segundos e no segundo em que ele voltou a funcionar, eu corri para a direção da porta. Era Regina. Regina era a garota na porta do bar. Era isso que as maçãs douradas faziam. Voltavam no tempo. E ela havia me concedido uma segunda chance. Uma chance de recomeçar do zero. De reconquistar a mulher da vida.
Empurrei alguns bêbados que me atrapalhavam o caminho. A porta já estava fechada, o que quer dizer que ela já estava fugindo. Corri, passando pela porta e saindo da taverna. Olhei para o chão, e encontrei um colar com um pingente de cavalo no chão. O garoto do celeiro. Daniel. Eu sabia que era o colar de Regina. Corri incansavelmente pelo beco até que a vi, caminhando sozinha.
“Senhorita!” Gritei, e ela se virou para mim, assustada. Eu me aproximei. Meu coração batia mais forte do que jamais batera. Regina. Regina estava viva novamente. Regina estava viva, Regina estava livre e eu também. Regina tinha um novo recomeço, e eu simplesmente havia feito a escolha certa dessa vez. Regina está tão bonita que meu peito arde e meus olhos querem encher de lágrimas de orgulho. Mas eu não posso. Não posso lhe contar a verdade. Ela me encarava com receio, enquanto seus olhos estavam grudados em minha tatuagem. Era bom sentir essa sensação novamente. Nunca imaginara vê-la assim, tão garota, tão meiga, com os cabelos compridos, com essa ingenuidade nos olhos. A Regina antes do mal.
“Sim?” Perguntou ela.
“Acho que a senhorita deixou cair isto.” Coloquei a gargantilha em suas mãos e percebi um brilho de alívio em seus olhos.
“Sim! Eu iria chorar muito se a tivesse perdido!” Ela sorria, e eu estava tão apaixonado que queria agarrá-la ali mesmo. Mas eu não podia arriscar tudo assim. Ela se aproximou de mim, e sorrindo, virou-se de costas. “O senhor faria a gentileza de colocá-la?”
Com cuidado, passei o colar em torno de seu pescoço. Regina segurava os cabelos e eu me segurei para não beijar a pele de seu pescoço. Era horrível me lembrar de tudo que já havíamos vivido. Eu a queria desesperadamente, mas precisava entender que Regina não sabia quem eu era. Eu era novamente apenas o homem com a tatuagem de leão. Assim que terminei, Regina virou-se e sorriu. “Muito obrigada, Senhor... Como é o seu nome, nobre cavalheiro?”
“Sou apenas um camponês.” Respondi, sorrindo. E segurei sua mão com cuidado e gentileza, de maneira cavalheira. Vi a maneira como os olhos dela serpentearam ao redor da tatuagem em evidência. Ela respirava audivelmente. Estava nervosa. Que bom, porque eu também. “Eu sou Robin de Locksley. A sua disposição, milady.”
Regina sorriu e eu soube, naquele momento, que tudo ficaria bem.
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