Notas iniciais
Esse capítulo ficou enorme, gente. Mas precisei dele inteiro, se eu picasse ia estragar o desenrolar da trama. Beijo, surtem bastante!

Sentado sobre a mureta que circulava a fonte, eu pensava em tantas coisas que minha cabeça ameaçava doer.

Seria difícil dizer que eu não me apaixonava por Regina a cada dia. Eu me apaixonava no primeiro olhar que trocávamos pela manhã, eu me apaixonava quando ela sorria para mim, eu me apaixonava quando ela segurava Roland em seus braços, e definitivamente, me apaixonava perdidamente quando eu passava os braços ao redor da pequena cintura e sentia seus lábios macios contra os meus.

Viramos o assunto do castelo por mais de um mês, claro. Risinhos, olhares cúmplices, cochichos. Regina não pareceu se importar. Ela parecia feliz. Entrelaçava seus dedos nos meus e caminhávamos de um lado para o outro pelo perímetro extenso de seu reino, tentando bloquear de todas as maneiras a entrada de Zelena. Sabíamos no eminente perigo. Regina estava entre nós e isso significava que em algum momento, sua irmã voltaria. Ela não desistiria de destruí-la.

Hoje é meu aniversário e eu não sinto vontade nenhuma de comemorar. Sim, eu tenho razões para estar feliz. Regina entrou para a minha vida. Roland é encantado por ela, e prefere passar mais tempo com ela a passa-lo com o próprio pai. Eu nunca me importei. Após anos, ele havia se afeiçoado a uma figura feminina novamente. Mas alguém planeja dia e noite matar a mulher que virou a causa dos meus sorrisos. Da mulher que se apossou de mim como se eu fosse mais um acessório em sua extensa vestimenta. Perder Regina era um dos meus maiores pesadelos.

“O que está pensando?”

Sorri para aquele rosto angelical. Ela estava ficando expert em me surpreender sem que eu a visse chegando. “Em como sou um homem de sorte.”

“Concordo. Talvez tenha até sorte demais.”

Ela caminhou até mim sorrindo. Seu cabelo comprido estava solto, e ela estava deslumbrante. Pergunto-me como nenhum homem nunca se aproximou dela antes. Acariciei seu cabelo e beijei sua boca segurando-a delicadamente.

“Hoje é seu aniversário, Robin.”

“Eu não estou com humor para festejar. Estamos à beira de um ataque.”

Regina deslizou as mãos pelos meus ombros, os dedos traçando um caminho delicado pelo meu tórax. Em sua boca, nascia um sorriso travesso. A carícia dela continuou chegando até a borda do meu cinto. Olhei para ela com uma das sobrancelhas arqueadas. Regina olhou em volta, certificando-se de que ninguém nos observava. Com um movimento rápido, foi me puxando pelo cinto até um canto reservado. Ela encostou-se à parede e deu mais um puxão no meu cinto. Eu estava ficando animado demais com aqueles toques. Seu sorriso era irresistível, os olhos brilhando com malícia. Ela enfiou a mão no bolso traseiro da minha calça e me puxou para ela, e eu não tive outra saída a não ser prensá-la na parede. Esmagá-la contra a parede. Seu corpo abrigava o meu com uma facilidade incomum, e nossas bocas se comiam com ferocidade, as línguas duelavam, deslizavam apressadas uma na outra; enfiei os dedos na nuca dela e puxei-a contra o beijo com força, eu estava incrivelmente excitado e ela ia sentir em poucos segundos. A excitação enrijeceu instantaneamente meu pênis, e eu desci as mãos para a bunda dela enquanto beijava seu pescoço, chupando o sabor doce e ao mesmo tempo salgado da sua pele, que queimava por baixo da minha língua.

“Ah... Robin...” Gemeu ela quando encaixei uma das pernas entre as pernas dela e a segurei pela cintura, minha boca faminta naquele corpo, minha língua agora lambuzando sua clavícula. A pele dela era macia e sedosa, de modo que a superfície escorregava ao toque e fazia com que tudo fosse ainda mais sensível e gostoso do que poderia ser. Meus polegares contornaram o contorno do decote dela e comecei a beijar seu colo, chupando de leve a parte descoberta de seus seios. Senti as mãos dela em meu cabelo, esfregando-me contra seu decote – ela precisava disso tanto quanto eu.

“Regina, isso é...” Gemi, minha língua escorregando para o vale entre os seios dela, sentindo-a se contorcer contra o toque úmido.

“Uma delícia...” Ela completou, enfraquecida. “Continua...”

“Rainha Regina?”

Uma voz masculina fez com que eu pulasse imediatamente para longe dela. Regina abriu os olhos, que continham uma cor escura e densa, diferente de qualquer tonalidade conhecida. Ela arrumou sua roupa e sinalizou para que eu continuasse ali.

“Sim?” Respondeu ela enquanto caminhava para perto do soldado. Eu permaneci ali, parado e miserável, com uma ereção absurda nas calças.

“Branca de Neve e o Príncipe requerem a presença de vossa majestade no saguão.”

Merda.

Casal de empata-fodas.

Eu sorri com o meu pensamento, e fiquei em silêncio. Teria que me virar sozinho. Ouvi-a conversando com o oficial.

“Aguarde só um minuto.”

“Sim, vossa majestade.”

Ela caminhou até onde eu estava, e me empurrou contra a parede. Sua boca era formidável, assim como seu beijo. A língua dela rodopiou na minha boca.

“Que tal um piquenique essa noite?”

“Tem certeza?”

“Isso...” Ela apontou para a ereção visível com um sorriso maldoso no rosto. “Precisa ser devidamente resolvido, Robin.”

“Piquenique. Essa noite.” Assenti, rendido.

Ela sorriu de um jeito avassalador. “Bom menino.”

Momentos depois, ela se afastou na companhia do soldado e me deixou ali.



“Papa?”

Saí do banheiro sorrindo aliviado. Roland abrira a porta sem sequer bater e eu me perguntava o que iria dizer se ele tivesse feito isso há alguns minutos atrás. Seria embaraçoso, para dizer o mínimo.

“Sim, garoto.”

“Acho que está acontecendo alguma coisa dentro do Grande Hall. Eu vi o David entrar lá com a espada.”

Apenas um pensamento me ocorreu. Zelena.

“E onde estava a Regina, filho?”

“No Grande Hall, ela foi a primeira a entrar.”

Abri meu armário e tirei meu arco, colocando-o sobre o ombro e rapidamente alcancei minha bolsa, com as flechas. Virei-me para o meu filho.

“Fique aqui e não abra a porta para ninguém.”

“Tudo bem, papa. Vai logo! Regina precisa de ajuda!”

Tranquei a porta atrás de mim e corri pelos corredores longos e enganosos do castelo. Não havia uma alma à vista. O que estava acontecendo? Meu coração estava acelerado. Minha boca estava seca. Eu sentia minhas pernas começando a repuxar pelo esforço inesperado. Corri com ainda mais intensidade, e avistei a porta do Grande Hall. Com um desespero atípico, acertei a polpa do pé no trinco e abri a porta com um solavanco violento.

“Surpresa!” Gritou o coral.

À minha frente, estavam todos os habitantes do castelo. Sorrindo. No meio deles, avistei Regina e Roland.

Roland.

Roland tinha me passado a perna, com cinco anos de idade.

“Feliz aniversário, amor.” A voz dela atravessou o saguão e todos sorriram. Uma música preencheu minha audição e eu comecei a cumprimentar convidado por convidado. Eu não sei se é isso que se faz. Para dizer a verdade, eu nunca tive uma festa de aniversário. Por muito tempo, a razão é que ninguém iria a uma festa se eu oferecesse uma. As pessoas me odiavam. Na outra metade do tempo, era porque eu nunca tive dinheiro.

Ter uma festa feita para você, com tantas pessoas... Eu não sabia explicar o sentimento. Pela primeira vez em anos, senti que havia me tornado um homem bom. Um homem digno. Um homem pelo qual as pessoas se vestiram e fizeram uma surpresa. Eu não vou chorar, mas confesso que há uma grande parte de mim pronta para ceder e faze-lo.

“Robin.”

Virei-me sorridente e senti braços pequenos ao redor do meu pescoço. Abracei Branca de Neve, e ela olhou para mim com lágrimas em seus olhos e um sorriso adorável no rosto. “Obrigada.”

“Você está me agradecendo? Não, eu quem agradeço. Essa festa, nossa, eu nunca...”

“Nunca teve uma. Nós sabemos.”

“Sabem?” Franzi o cenho e ela deslizou o polegar pelo meu rosto.

“Eu amo você, Robin. Amo você por ser um homem de bom coração. Amo por ter visto o que Regina tinha em seu coração. Pelo bem que fez a ela. Por ter sido paciente e humilde e carinhoso. Eu nunca vou conseguir agradecer corretamente. Eu arranquei o coração dela uma vez e você o devolveu...” Eu estava sem palavras. “Obrigada por fazê-la tão feliz. Regina parece outra pessoa. A Regina do passado jamais faria uma festa dessas para alguém. Jamais gastaria tanto tempo e energia para dar algo a alguém que nunca teve. Ela te ama incondicionalmente, Robin. Eu achei que ela jamais se curaria das cicatrizes de perder Henry, e você provou o contrário.”

Regina fizera tudo isso por mim. Regina fizera uma festa para mim. Ela sabia que eu não havia tido nada parecido com isso. Ela sabia que eu recusaria, e quis me fazer feliz mesmo assim. Branca beijou minha bochecha.

“Parabéns! Você merece essa festa.”

Ela afastou-se de mim e eu olhei em volta, procurando-a. Meu coração batia com intensidade, tão forte que eu sentia o eco em meus tímpanos. Eu precisava encontrar Regina. Eu precisava dizer a ela o quanto eu a amava, e que de repente, tudo havia perdido a importância. Eu queria ficar com ela. Para sempre.

Avistei-a poucos metros à frente, e caminhei até ela, com passos rápidos e largos. Eu tinha urgência. Regina estava sorrindo quando se virou, e ela não teve tempo de ver o que a atropelara. Peguei-a pela nuca e a outra mão circulou forte na sua cintura enquanto eu a beijava com a intensidade do que eu sentia. Minha mão estava firme em seu pescoço, e ela me beijou feliz. Eu a mantive ali, colada à mim, ignorando o fato de estarmos no meio de uma festa, ignorando o fato de estarmos no meio de toda a população do castelo, de virarmos novamente o assunto, ignorando que o mundo existia.

Afastei meus lábios dos lábios dela, mas mantive minha testa grudada na dela, enquanto acariciava seu rosto com a devoção de um amante. Ela sorriu e me segurou contra ela, nunca nos separando.

“O que foi isso?”

“Eu te amo.”

Ela sorriu, e olhou em meus olhos com doçura. “Não tanto quanto eu amo você, Robin.”

Segurei a mão dela e a rodopiei, de modo que nossos corpos estavam ligados. Ela assumiu uma postura de dança e eu a puxei de volta. O corpo dela estava novamente no meu, nossas mãos se tocando enquanto eu havia colocado a outra na base da sua coluna e senti-a depositando a outra mão livre no meu ombro. Um timbre melodioso e harmônico nos acompanhava e eu a guiei para o meio do salão, nossos corpos dançando com sincronia e delicadeza. Eu adoraria vê-la assim por toda a minha existência.

Regina não tirou os olhos de mim por um segundo sequer. Em seus lábios pairava um sorriso doce, e seus olhos eram gentis, e eu não conseguia pensar em um motivo para não entregar o meu coração nas mãos dela. Eu já era cabalmente dela, sem nenhuma restrição.

“Eu não acredito que fez isso por mim.”

“Você salvou a minha vida, Robin.”

“Foi só por isso?”

“E porque você beija bem.”

Ela deu uma risada adorável e eu a girei, segurando-a no segundo seguinte, nunca deixando que ela se afastasse de mim. Regina era flexível à minha condução, de modo que era adorável dançar com ela, rodopiando-a com carinho e adoração pelo salão. Eu notei que as pessoas estavam parando o faziam e fixavam sua atenção em nós, na nossa química que queimava e ardia em cada passe que fazíamos, a cada giro e a cada impulso que eu colocava na estonteante dançarina que tinha em mãos.

Eu passei por baixo do braço dela e a rodopiei novamente, de modo que nossos corações já haviam se misturado à batida, já haviam se fundido um ao outro e dançar agora fosse apenas um efeito colateral. Regina estava leve e fluida em minha mão e eu a girei novamente, antes de guiá-la de maneira que cruzamos o salão de uma ponta à outra para então voltarmos ao centro.

Ela estava tão sorridente, tão... Incrivelmente bonita.

Estiquei o braço e a puxei para mim, colocando-a sentada sobre a minha coxa e a beijei.

Ao nosso redor, aplausos fervorosos preencheram o salão.

Eu a observava enquanto Regina conversava animadamente com Branca. Elas olhavam na minha direção vez ou outra, e eu sorria. Eu estava bobo por ela. Perdidamente apaixonado por ela. Não havia sequer como disfarçar e eu não fazia questão.

“Robin.”

Virei-me para o lado e me deparei com David.

“Nolan.”

“Feliz aniversário, Hood.” David estendeu a mão e eu a apertei, mas não soltei. Puxei-o na minha direção e o abracei como bons irmãos. Éramos amigos e houvera um desentendimento. Só isso.

Na verdade, eu queria ser um homem melhor. Era esse o efeito de Regina.

Quando soltei David, ele parecia acanhado.

“Robin, sobre o que aconteceu...”

“Fique tranquilo, David. Foi um momento de estresse. Sua esposa está grávida, eu tinha feito besteira. Tudo bem.”

Ele ainda parecia envergonhado e isso só mostrava quão bom ele era como homem. Um homem decente. David tinha qualidades de ouro. Era com certeza o que queriam dizer com Príncipe Encantado. Ele e Branca de Neve haviam sido feitos um para o outro, realmente.

“Eu quero lhe dar algo como ressarcimento pelo que fiz.”

“Sabe o que pode me dar, David?”

Ele levantou os olhos, curioso. “O que pedir.”

“Faça Branca feliz. Ame-a como nunca amou ninguém, nem a si mesmo. Cuide dessa criança, proteja-os. Seja o homem que ela ama. É isso que pode fazer por mim.”

David assentiu com a cabeça. “Eu farei, Robin Hood.”

Regina veio até nós com os olhos brilhando e um sorriso contido. Ela sorriu discretamente para o príncipe. “David.”

“Regina.” Respondeu ele, curvando-se cavalheiramente antes de se afastar.

Ela virou-se para mim e segurou na minha mão. “Vamos? Nós temos um piquenique para ir.”

“Mas e o Roland?”

“Branca ficará com ele.”

“Para onde iremos?”

Regina sorriu para mim, e beijou minha bochecha. No minuto seguinte, uma fumaça roxa nos envolveu.

Estávamos à beira do mar. Uma toalha verde estava estendida sobre a grama, com uma cesta – nos esperando. Virei-me para ela, que olhava atentamente para o meu rosto e a beijei, dançando bem lentamente com ela. Ela me segurava com delicadeza e eu a beijava vez após vez, eu queria decorar aquela sensação, aquele gosto, o calor do seu abraço.

“Vamos comer...” Sussurrou ela, afastando-se um pouco e me puxando para a toalha.

Observei enquanto ela retirava os saltos e jogava os cabelos para o outro lado do pescoço ao ajoelhar-se ao lado da cesta. Regina era um anjo. Sentei-me ao seu lado, e assisti-a retirando as frutas e doces da cesta. Ela colocou um morango na boca e mordeu um pedaço, e eu puxei sua mão na minha direção, arrancando o resto da fruta da sua mão com a minha boca. Ela sorriu. O sol descia delicado por trás das montanhas, e o tempo estava deliciosamente quente. Podíamos passar a noite toda ali. Na verdade, ao lado dela, poderia estar nevando – eu ainda passaria a noite ali.

“Você está muito quieto, Robin.”

Ela engatinhou até mim e me beijou delicadamente, antes sentar-se no meio das minhas pernas. Apoiou suas costas no meu abdômen, de modo que sua cabeça encaixou-se na parte alta da minha clavícula, o rosto logo abaixo da linha do meu maxilar. Eu a abracei e ficamos assim, encaixados observando o sol se pôr. Minhas mãos estavam descansadas sobre os meus joelhos, mas as mãos dela deslizavam sobre o meu braço, tocando cada veia saltada sobre a pele, cada cicatriz, acariciando minha tatuagem quase que com adoração.

“Eu te amo, Regina.”

Ouvi um riso baixo. “Eu sei. Você já disse.”

“Você não entendeu o que isso quer dizer.”

“Quer dizer que me ama.”

Eu acariciei seus cabelos e beijei o topo da cabeça dela. “Quer dizer que eu não posso mais viver sem você. Quer dizer que eu quero que seja minha. Que eu quero que eu você e Roland sejamos uma família. Demorou muito tempo até meu coração bater novamente, Regina. Eu não quero desperdiçar um minuto.”

“Você não acha que é muito cedo para isso?”

“Eu acho que quando se tem certeza de algo, você não pode perder tempo.”

Regina saiu do aconchego do meu colo e se deitou por cima da toalha, afastando a cesta. Ela sorriu para mim. “Vem aqui.”

Sorri e engatinhei até ela, descendo meu corpo sobre o seu. Apoiei os cotovelos no chão de modo que pudesse olhar para aqueles belíssimos olhos sem perder o equilíbrio. Regina acariciou meus bíceps e eu a beijei com carinho.

“Robin...” Sussurrou ela.

“Sim, amor.”

“Você me ama?”

“Pensei que você já soubesse.”

“Eu gosto do som das palavras.”

Eu sorri. Ela conseguia ser delicada e vulnerável de uma maneira que era quase sobrenatural.

“Eu te amo, Regina.”

Ela segurou no meu rosto, e deslizou suas mãos, acariciando minhas bochechas, minhas têmporas, meus ombros, até que os dedos deslizaram até a nuca. Com um pouco de pressão, ela puxou meu rosto para o dela, parando a poucos centímetros.

“Então me ame com o seu corpo.”

Ela fechou os olhos enquanto eu a beijava, e tocava seu corpo como se fosse um vaso precioso e frágil. Finalmente, eu poderia amá-la com a paixão que ardia em meu peito. Eu podia tocar seu corpo como ela havia tocado meu coração.

Eu achei que o faria.

Em um segundo, eu estava beijando aquele corpo sedoso e macio.

No outro, algo pegajoso e duro enrolou-se no meu pescoço, cerrando minha traqueia. Ouvi o grito de Regina, e tentei me mover, mas alguma coisa me manteve imobilizado contra o tronco de uma árvore. Eu não conseguia respirar. Algo pressionava meu pescoço com força. Eu sentia meu corpo sangrando, em algum lugar. Abri os olhos. Regina estava em pé, seus olhos vermelhos, a respiração ofegante.

“Solte-o, Zelena!” Rosnou ela. Eu vi a bola de fogo crescendo em sua palma.

“Vá em frente. Seu namorado morre.”

Senti o que quer que fosse ainda mais forte contra o meu pescoço, e quase desmaiei.

“Robin!” O grito dela me manteve acordado.

Havia macacos alados ao redor dela. Eu não conseguia me mover, de novo. Esse dèjavú fazia meu estomago se revirar. Eu podia ver o desespero na postura corporal de Regina. Ela estava dividida em olhar para mim e olhar para a bruxa à sua frente.

“O que quer para soltá-lo? Sou eu quem você quer. Pode me levar. Deixe-o ir.”

“Não! Regina!” Gritei, mas a voz quase não saiu.

Ela olhou para mim com tristeza. Não tínhamos com o que barganhar. Havíamos nos enfiado em uma sinuca de bico. Havíamos nos afastado sozinhos do castelo. Ninguém poderia nos ajudar.

“Eu tenho uma proposta melhor.”

Aterrorizado, observei Zelena retirar uma maça verde do bolso.

“Regina! Não faça isso! Não...” Um dos cipós deu outra volta na árvore, me amordaçando. Quanto mais eu tentava me mover, mais forte os cipós ficavam contra a minha pele. Logo quebrariam meus ossos.

“Eu sou a Branca de Neve agora?” Ironizou Regina, mas eu senti a tristeza em sua voz. Ela ia se sacrificar por mim. Não, não, não! Não faça isso! Olhe para mim, Regina.

“Você morde, aceita a maldição do sono e levo você comigo. Se o idiota ali te achar, o que eu duvido, ele pode acordar você. Isso se ele for seu amor verdadeiro. Eu espero que não, seria um mal gosto terrível, irmãzinha...”

“Cala a boca, Zelena.”

Regina esticou a mão e lançou sua magia contra mim.

“O que está fazendo?” Berrou Zelena.

“Você não vai matá-lo.”

“Eu não pretendia, de qualquer modo.”

Regina olhou para mim, e eu senti meu peito se rasgando. Ela estava se despedindo. Não. Eu não quero que seja assim, Regina. Não faça isso. Por favor, não. Lágrimas escorriam pelo rosto dela e eu tinha quase certeza que eu estava chorando também.

“Me desculpa, Robin.”

“É tão dramático! Que lindo!” Gargalhava Zelena. Regina arrancou a maça da mão dela, e encarou-a com desprezo. Seus olhos voltaram para a minha direção.

“Eu te amo. E sei que vai me encontrar.”

Meu coração parou de bater no segundo em que Regina levou a maçã aos lábios e a mordeu.

Seu corpo desfaleceu imediatamente no chão.

Regina estava enfeitiçada.

Regina estava dormindo para sempre.

Eu a tinha perdido.

Uma dor que eu jamais havia sentido estava invadindo minhas células sanguíneas. Ela estava se espalhando pelo meu corpo. Minha cabeça estava latejando. Regina.

Regina.

Comecei a me debater furiosamente contra a árvore, meus olhos embargados pelas lágrimas. Ela estava ali, a alguns metros. Eu só precisava beijá-la.

Regina!

Eu senti algo fraturando quando me debati violentamente contra a árvore, mas não tive tempo de analisar. Uma nuvem verde me envolveu e eu adormeci imediatamente.