Conexões

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura.

Terça-feira, janeiro de301614h08min.

As naves eram gigantescas, duas vezes maiores do que os aviões do século XXI. Transportam o triplo das anteriores e podem alcançar a velocidade da luz em pouquíssimo tempo.

A decolagem aconteceu em segundos, e quando dei por mim já estava em pleno voo, sobrevoando o Oceano Atlântico. Meu pai dizia que este oceano é o mais salgado e o que rodeava a maior porcentagem de países. Ele dizia também que o oceano ganhara este nome por causa da mitologia grega, em homenagem ao Titã Atlas, que também significa Atlântica.

Pensar em meu pai causava uma pontada de saudade, minha mente estava cheia de nós, e a voz da minha mãe ecoava em minha cabeça "Não tente ser a heroína Selena...". Heroína? Acho que tampouco o conhecimento minha mãe tem sobre mim. Para praticar um ato de heroísmo tem que ser digno de coragem, que claro muito pouco eu possuo.

Fui surpreendida por uma imagem holográfica. Uma menina de cabelo roxo com olhos grandes cor-de-rosa surgiu a minha frente inesperadamente.

—Selena Trettel, 16 anos, vinda da fronteira da América sul. Destino: Academia OGE. Confirma estes dados? — perguntou-me com a voz mecanizada, mas em um tom suave, parecendo até complacente.

—Sim! — respondi por fim, ainda encarava os grandes olhos brilhantes em rosa florescente.

—Muito bem — ela sorriu. — Seu dispositivo de segurança será desconectado em três, dois, um. —Houve um chiado e o cinto que me segurava no banco espumado caiu ao meu lado, me libertando do aperto. — Agora você está autorizada a circular pela nossa Nave-GK. Aconselho que se encaminhe pelo corredor cinco. Um banquete foi servido para os nossos preciosos passageiros.

—Hã... Ok.

Já tinha visto muitas imagens holográficas 7D, mas nunca tinha interagido com uma, e esta era totalmente diferente. Sua projeção foi feita para parecer dócil e amigável, quem a criou sabia oque estava fazendo.

—Tenha uma ótima tarde senhorita — dito isso, desapareceu tão rápido quanto surgiu.

Caminhei pelo corredor cinco como a menina holográfica havia indicado. Todos eram parecidos, brancos por causa da iluminação intensa, que fazia meus olhos arderem. Até se acostumarem com a claridade fiquei piscando repetidamente. Continuei caminhando, o corredor era muito mais longo do que eu havia imaginado.

Chegando ao final do corredor me deparei com uma porta totalmente cinza, me aproximei esperando que o sensor de movimento a abrisse, mas ela continuava no mesmo lugar. Toquei as portas com as pontas dos dedos e de repente a cor mudou para um azul marinho. A porta havia se transformado em um pequeno armário, dentro havia macacões, blusas, calças; todos os tipos de vestimenta de cor azul marinho.

Olhei ao redor, não havia ninguém, parecia que estava sozinha na nave. Não é possível– imaginei. De repente letras gritantes apareceram no alto do armário, juntas formavam meu nome, e elas continuavam a piscar constantemente.

—Está bem. Entendi o recado!

As roupas estavam expostas em caixas de vidro acrílico. Puxei uma delas e automaticamente o armário transformou-se em um pequeno espaço, com espelhos aos quatro cantos. Dei um passo á frente entrando no cubículo, via-me em todas as direções, era insuportavelmente sufocante.

Tratei então de me trocar, abri a caixa transparente, que continha um macacão colante ao corpo, com a função de segunda pele. Senti-me exposta — de maneira alguma papai deixaria usar isto -, mas o alivio veio logo depois. Na caixa também havia uma jaqueta e uma espécie de short que se alargava na barra, coloquei-os por cima do colam.

Fitei minha imagem no espelho e pela primeira vez senti-me bem, meu olhos verdes tornaram-se mais brilhantes, contrastando com a cor das roupas, minha pele pálida tinha se adaptado de uma forma assustadora ao tom do azul marinho e minhas quase não visíveis curvas, me transformaram a imagem de uma – quase — criança na de uma mulher.

No vidro também tinha sapatos de borracha inteligente. Sapatos estes que quando colocado emitia uma luz branca e em questão de segundos se modelava perfeitamente ao pé de quem o vestia. São tão macios, que quando se anda parece que está deslizando. Eles são a única coisa cinza do visual todo. Puxei a borracha do sapato que parava do dorso do pé mais para cima até encostar-se aos meus joelhos, no mesmo instante o material começou a se ajustar com a minha perna, agora se o formando em uma bota de cano longo.

Depois de pronta, o cubículo emitiu um chiado e uma porta se abriu, revelando um novo corredor, mas em vez de mórbido e quieto, ouvi barulhos, vozes, risadas e conversas. No final dele havia um portal branco, caminhei em direção a ela. Olhei para trás, por onde eu havia saído. Talvez eu pudesse voltar, pensei comigo, mas a porta não estava mais lá, era apenas eu e o espaço a frente, que levava até a passagem branca.

As vozes soavam alto, respirei fundo — seria agora ou nunca -, entrei o mais quieta possível, com passos suaves e rápidos. Ao adentrar me deparai com diversas mesas brancas redondas espalhadas pelo ambiente, junto a elas haviam diversos jovens, todos sentados, rindo e conversando, alguns rapazes trocavam socos amigavelmente e umas meninas falavam sem parar como se não precisassem respirar.

Avistei algumas mesas de longe onde eu poderia me refugiar. Infelizmente minha tática de permanecer despercebida foi pelos ares quando colidi com uma garota de quase três metros e meio que passava por ali, a menina era gigantesca, suas mãos eram o dobro das minhas, e pude sentir a ira de seus olhos quando me analisou.

—Ei — grunhiu ela para mim.

—Oh, desculpe! — disse com a voz mais sincera que pude para a “menina gorila”.

Ela se aproximou, abaixando o rosto para perto do meu, semicerrou os olhos e me mediu dos pés a cabeça.

—Mais cuidado da próxima vez minhoca — dito isso, saiu me dando um empurrão, e sentando em umas das mesas ali perto, algumas garotas me avaliavam dando risinhos de hienas.

—Ótimo! — disse baixinho.

Caminhei em direção a uma das mesas ao fundo, onde não existia ninguém, sentei bufando.

—Tem sorte de ela não querer seus órgãos em uma bandeja — comentou uma jovem de cabelos loiros tão curtos que chegava ser possível ver seu couro cabeludo. Usava um macacão todo largo verde, parecia uma ecológica, sentou-se ao meu lado — Com aquelas mãos a garota poderia jogar baseball sem taco... Ah, e a propósito, me chamo Amy — acrescentou.

—Selena — cumprimentei.

—Roupa maneira a sua... Nossa estou morta de fome, quando irão nos alimentar? — ri do seu modo de falar, Amy tinha a voz cantarolada e seus olhos eram negros com a asa de um corvo. — Por acaso você sabe por que estamos cada um de uma cor diferente, tipo "Power Rangers"?

Olhei ao redor, todos usavam estilos de roupa diferentes, de cores diferentes, algumas mais claras, outras mais escuras, fitei minhas roupas, azuis brilhantes. Não vi mais ninguém ali com o mesmo tom de azul.

Retornei a minha atenção para menina de cabelos loiros.

—Para diferenciar? — sugerir.

—Ou para ficar mais bonitinho! — completou por fim, com um sorriso brilhante.

—É claro que isso não se trata "ficar mais bonitinho" — Amy e eu fomos surpreendidas por uma voz masculina, vinda de trás.

A voz veio de um menino que estava supostamente sentado atrás de nós, usava um tipo de moletom amarelo claro, tinha os cabelos laranja — não ruivo, mas realmente laranja — seus olhos eram cor de avelã, os lábios eram finos e sardas cobriam seus rosto desde as maças até seu queixo pontudo.

—Então do que se trata? — perguntou Amy erguendo uma sobrancelha o desafiando.

Ele sorriu e começou:

—No ano em que descobriram as ondas psíquicas, os pesquisadores descobriram que a as cores influenciavam, pois todos nós sabemos que o vermelho que eu vejo não é o mesmo vermelho que você vê. Por essa razão cada psíquico tem a sua própria fonte de energia representada pela cor mais exata de seus encéfalos — terminou sua teoria com um sorriso largo como se estivesse se auto parabenizando.

Amy coçou o queixo.

—Obrigado pela aula, mais o quê isso tem a ver com o meu macacão de jardineira? .

O garoto de cabelos Laranja bufou desgostoso.

—Quer dizer que nossas ondas têm cor! — terminou revirando os olhos para Amy.

Não pude deixar de sorrir, ele me avaliou e então sorriu.

—Sou Francis — estendeu-me a mão.

Nunca tinha feito esse comprimento do milênio passado, mas já vira em dezenas de filmes, então apenas retribui o comprimento.

—Sou Selena.

Era diferente ficar balançando a mão com outro alguém. Ele largou meu aperto e estendeu a mão para Amy, Ela deu um rápido aperto e disse com uma voz entediada:

—Amy.

Notas finais
O que acharam? Por favor comentem, suas opiniões são muito importante ^.^ Bye, até o próximo capítulo!