Complicated Loves
3 O Lago
Notas iniciais

"O lago estava completamente congelado, dando uma expressão deprimente no lugar. O vestido tão belo se estendia pelo chão, o sujando todo, porém não desmanchava o brilho que ele causava. Ela se perguntava como aquilo teria acontecido, justo com ela. Deu um salto ao sentir passos se aproximar..."
A Floresta Proibida (Coisa que não servia de nada, já que quase todo mundo ia lá. Então digamos que o termo “Proibido” era só para ser proibida. Porque disso ela não tinha nada) estava fora do normal naquela noite.
Tut Tut Tut Tut
O barulho vindo do castelo alertava os animais, afinal ali sempre tinha sido o máximo de silencioso possível a noite. O que estaria acontecendo?
Sem Dumbledore notar (apesar de ele ter varias suspeitas que aquilo pudesse acontecer), vários alunos davam escapadas. Alguns estavam numa bebedeira sem fim, caindo no chão, sendo arrastado pelos amigos sóbrios, rindo exageradamente como se tivesse ganhado mil galeões e etc. Os quadros falavam mal tanto mentalmente quanto em palavras, faltavam engasgar de nojo dos casais que por ali passavam, nem queriam imaginar o que aqueles jovens iriam fazer.
A pergunta que não queria calar, onde estaria Mary Matthew e Theodore Nott? Afinal tinham sumido no meio do baile. Todos pensavam que os dois estariam se pegando ou fazendo coisa pior, mas que a verdade seja dita.
Theodore Nott não estava com Mary Matthew
O jovem de cabelos escuros estava perdido, não havia rastros de seu paradeiro.
Mary Matthew estava mais longe do que todos poderiam imaginar, ela não estava no dormitório, na sala precisa, na torre de Astronomia, no salão comunal, no jardim, no banheiro da murta-que-geme, enfim concluímos que fora de Hogwarts. Ninguém poderia pensar que ela estava justamente na floresta proibida, bem longe da multidão, estirada sobre o chão ao lado de um lago pouco conhecido.
Ele era chamado de "Glaciem", do latim, que significava Gelo. Via-se em raros livros que ele era chamado assim visto que permanecia sempre congelado. Mesmo no verão mais quente, permanecia firme e duro feito pedra. Mary, não se sabe como, parou em frente aquele tão raro lago. O vestido formal já tinha sido completamente manchado pelo lameiro em consequência a queda que tivera antes de chegar no local, a terra estava úmida. O vestido que tinha causado inveja á tantas meninas, estava acabado, seu cabelo parecia mais bagunçado que o normal. A maquiagem era desfeita lentamente conforme a água que brotava a todo instante dos belos olhos cor de mel da moça. Sempre tão fria e forte, ou simplesmente Dane-se o mundo. Não parecia ser tão forte essa hora.
Seu rosto estava completamente vermelho visto que o pressionava entre os joelhos. O ruído do choro era fraco, mas ainda assim possível de ouvir.
O que havia acontecido á poucas horas se passava a todo instante no seu pensamento, turbilhões de coisas estavam impregnados na memória dela. O nojo era visível na sua cara, passava as mãos a todo instante pelo corpo, não podendo acreditar que estivera tão perto...
Sempre havia se considerado diferente das outras meninas da sonserina, não suas amigas claro, mas do resto. Mas agora... Transformara-se igualzinha á elas. E sentia náuseas por isso.
Desde quando havia se tornado tão fraca e vulnerável?
Então era isso.
Aquele sempre foi seu verdadeiro eu.
Lamentando-se por ter sido tão fiel aos seus sentimentos, quase não ouviu passos se aproximando.
Eram pesados, ou seja, não era feminino.
DROGA pensou suspirando fundo. Se fosse ele? Ah não...daria um bom tempo até que quisesse ver aquele rosto de novo. Tinha que arrumar um jeito de se esconder, e se fosse para a parte mais escura perto do lago? Estava de noite, certamente seria mais difícil á acharem. Então assim o fez.
Os passos foram diminuindo até que ela não ouviu mais nenhum. Suspirou aliviada e se direcionou novamente ao lago.
Lago... Parecia estar tão triste e solitário.
Como estava agora.
– Mary...?
Deu um salto, voz masculina.
Estava certa.
Mas... Não era uma voz comum. Já tinha visto em algum lugar, só não lembrava onde.
Sentiu os passos que achava que havia sumido se aproximar mais, fechou os olhos desejando imensamente desaparecer. Seja quem fosse seria humilhante vê-la naquele estado deplorável, ainda mais chorando. Talvez caso se escondesse... Era infantil, mas sua reputação estava em risco. Correu em direção ao primeiro arbusto que viu pela frente, assim que estava chegando lá seu vestido enganchou em um galho fazendo-a cair.
MARAVILHA, não bastava a dor imensa na barriga por causa de uma maldita pedra que estava exatamente aonde tinha caído, a queda fez barulho suficiente para o ser desconhecido saber exatamente aonde estava. Sem dizer nada voltou-se para o mesmo lugar de antes, tentando ao máximo ignorar os olhos que pareciam queimar em suas costas.
Uma brisa fria bateu sobre seu rosto levantando levemente seus cabelos para o alto, o que a permitiu fechar os olhos aproveitando aquele pequeno momento.
Harry Potter estava estático
Não sabia o que fazer. Ia embora? Viraria as costas e fingiria que nunca tinha visto aquilo? Queria fazer qualquer coisa, mas não conseguiu. Ficou parado no mesmo lugar olhando a pequena figura encolhida na beira do lago.
Lembrava-se dela... Tinham conversado em algum lugar. Pena que não se lembrava aonde.
Qualquer pessoa racional iria embora e não comentaria aquilo com ninguém, infelizmente Harry Potter nunca seguia seu lado racional.
Então se sentou ao lado dela.
Ficaram em silencio profundo observando o lago estritamente congelado.
Harry, por mais deslocado que estivesse, permaneceu firme ao lado dela. Afinal não queria voltar ao baile. Lembrar-se do quanto Gina ficou zangada não ajudava em nada. Porque era tão péssimo com mulheres?
– Pensando? – soltou sem querer
Harry não a olhou nos olhos, mas constatou que a mesma ficou surpresa por sua fala repentina. Ela se remexeu inquieta, mas ficou em silêncio.
Passaram-se vários minutos. Então ele ali viu que ela não queria papo, com isso continuou observando o lago. Só não esperava ouvir depois de tanto silêncio a voz arrastada de Mary:
– Já teve a sensação de não saber mais quem é de verdade uma pessoa? Mesmo que essa pessoa já tenha passado muito tempo com você... – a voz dela morreu no meio da frese. Não sabia o que estava fazendo, só abriu a boca e falou. Foi completamente instantâneo.
Harry se intrigou com a pergunta.
– Ás vezes... – só isso saiu
Foi então que Mary finalmente encarou aquele que estava "conversando". Arregalou os olhos de surpresa. Aquele era Harry Potter, inimigo declarado de Draco, inimigo de toda a sonserina. Sabia que tinha ouvido aquela voz em algum lugar. Desviou os olhos para o lago.
– O que faz aqui? – perguntou
– Te pergunto o mesmo
Mary respirou fundo
– Nada demais – disse não sabendo o porque de estarem conversando.
Mas no fundo estava para explodir, queria e não queria contar para as amigas o que aconteceu. Ela só pode ter feito algo de muito ruim para merecer aquilo. Harry Potter. Não podia ser outra pessoa, tinha que ser justo ele? – E você... O que faz aqui? – tinha que perguntar, afinal cá entre nós era muito estranho ele está lá. A curiosidade falou mais alto.
Harry Ponderou por um momento, mas não estava com cabeça e nem paciência para pensar. Falou a primeira coisa que pensou
– Fugindo – ele próprio interrompeu-se para olhar para o nada.
Certo
Ela não esperava aquilo. Talvez um "Nada" ou "Sei lá" ou simplesmente o silêncio. Mas não que ele realmente fosse responder. Agora... Fugindo? Será de que mesmo? Droga, estava ficando super curiosa e se amaldiçoou mentalmente por isso. Queria que ele fosse embora de uma fez, mas ao mesmo tempo queria alguém para desabafar. NÃO DÁ, aquele era Harry Potter. Impossível. Estava começando a ficar agoniada.
– Você... – engasgou nas palavras – M-mim acha feia?
O QUE? Pensou os dois
Mary se deu conta do que havia falado, arregalou os olhos e mais uma vez se amaldiçoou. COMO ASSIM? Que patético e carente aquilo deve ter soado.
Harry tinha certeza que se tivesse em alguma cadeira ou cama tinha caído para trás, abriu várias vezes a boca, mas não conseguiu soltar nenhum som.
Estava sendo constrangedor para Mary, mas se sentia um lixo, uma otária, uma boba ingênua, uma idiota, antes sorria das meninas ridiculamente se jogando para caras que só queriam usar e abusar delas e agora TINHA SIDO UMA. Era tão humilhante, patético, ridículo, todos os xingamentos possíveis. Não ligava para nada mais, como iria olhar na cara dos amigos? E o pior não era só isso...
Estava realmente... ARG.
Entretanto doía, só queria chorar e chorar.
– Não – depois de tanto decorar e redecorar um discurso
Ele umedeceu os lábios e respirou bem fundo.
Mary nunca havia ficado tão constrangida como estava agora, o desespero lhe subiu completamente a cabeça. Ignorou o fato daquela conversa está ficando cada vez mais estranha e soltou o ar lentamente pela boca. Olhou para cima, não estava achando nada de bonito naquela noite, a lua não estava brilhante parecia mais uma grande rocha que havia sido colada naquela imensidão azul e não havia nenhuma estrela para iluminar a calada da noite. O barulho constante da festa ainda era possível de ouvir, por mais fraco que estivesse. A tentação de olhar para trás ainda a atormentava, mas era forte, tinha que ser.
Cri Cri Cri
Não agüentou mais até que olhou.
No mesmo instante seus olhos se encheram de água, a sensação da traição era agonizante. Não ligando para mais nada, voltou ao seu silencioso choro, o qual parecia querer sugar quase todo liquido presente em seu corpo.
− Tudo Bem? – a voz confusa de Harry lhe soou os ouvidos
.− Está sim − Não, não estava. Mas seu ego era grande o bastante para não admitir isso, mesmo tendo certeza que ele viu as lagrimas.
− Foi... Alguma coisa que eu disse?
Balançou a cabeça de um lado para o outro, negando. Harry arquejou as sobrancelhas, mas não se viu no direito de questionar nada a respeito embora estivesse muito curioso.
A cada minuto a mais que se passavam tudo acontecido á horas atrás passavam como um filme pela cabeça de Mary, a dança, o motivo pelo qual Theo nunca quis assumir nada consigo, as saídas repentinas, o nervosismo quando questionava onde passava as noites. Agora tudo eram tão claro feito água e o olhar de Mary se contorceu em pura raiva.
Harry encarou Mary pensando ter ouvido murmúrios indecifráveis, e ficou surpreso ao se deparar com a expressão da mesma. Antes triste agora furiosa. Impossível não querer saber o que se passava com ela.
− Eu o odeio... O odeio com todas as minhas forças... Maldito, me enganou e cai feito purpurina... – finalmente conseguiu entender os murmúrios, o que não adiantou de nada ficou mais curioso ainda – Filho da mãe. Não acredito que fui tão burra de acreditar nas palavras daquele cafajeste – a cada pausa que fazia mais lagrimas saltavam de seus olhos, aquilo estava preso em sua garganta a sufocando − Isso é o que dá quando se abre para essa droga chamada sentimento, não serve para nada só para machucar as pessoas. Mim traiu... e-ele – fez outra pausa para soltar um soluço, enquanto Harry estava quieto prestando atenção em cada palavra – E foi com uma vadia da minha casa. Mas o pior estava planejando me declarar para ele, não acredito que ia fazer isso. Idiota, ridículo, ordinário, provavelmente fui apenas mais uma no álbum dele. Porque eu não fui ouvir o Draco...? Tome cuidado, ele disse, Theo pode ser nosso amigo, mas não é flor que se cheire. MAS COMO EU SOU BURRA, não fui ouvir e mim envolvi com ele criando “sentimentos” − soltou vários soluços um atrás do outro e virou-se para ver Harry que mantinha sua expressão calma – POR MERLIN Agora eu estou chorando na frente de HARRY POTTER, ou seja, o inimigo de toda a minha casa, então menino que sobreviveu está surpreso por ver que sonserinos também tem sentimentos ou emoções? Parabéns se quiser pode ir correndo contar para seus amigos.
Harry não fez menção alguma de que iria sair do lugar, apenas olhou de relance para a saída. Não pareceu nem um pouco incomodado com a acusação feita pela sonserina, pois era inteligente o bastante para perceber que a mesma só estava caçando algo para descontar a raiva. Já fizera isso várias vezes, só que ao contrário dela, descontava no travesseiro. A historia dela parecia o intrigar, então Theodore Nott estava a traindo e ela descobriu da pior forma possível ainda no baile. Ah. Por isso os dois sumiram. Não que estivesse observando nem nada...
− Não precisa descontar sua raiva em mim, e nunca pensei que sonserinos não tinham sentimentos. Acaso são zumbis ou algo assim? – pausou a pergunta para estalar os lábios – Não né, podem ser de uma casa diferente da minha, mas continuam sendo bruxos como qualquer outro – disse por fim ainda calmo
Ficaram em silencio se encarando, até Mary tomar consciência do que havia dito. Fechou os olhos e soltou um suspiro frustrado, ele estava certo afinal, realmente estava descontando sua raiva nele. Além de que, nunca ligou para rixa de casa nenhuma.
− Desculpa... Tem razão – sussurrou baixo abrindo os olhos. Tudo bem, uma das coisas que Harry nunca esperaria seria um pedido de desculpas. – Nunca liguei para esse negocio de rixa de casas, acho besta. – Deu de ombros passando uma mão nos olhos tentando ajeitar a maquiagem super borrada.
− Então... – Harry parecia receoso se continuava ou não – é serio esse papo de traição? – Soltou sem querer e se arrependeu amargamente por ter soado tão... Estranho por assim dizer.
Mary olhou para baixo e depois voltou a olhar para ele se perguntando o que ele queria com aquilo. Mas assentiu de leve.
Um silencio cortante se passou entre eles, cada vez estavam mais tensos.
− Se mim permite dizer... Os caras da sua casa são bem burros – falou tentando cortar a tensão o que pareceu dar certo ao ouvir a risada fraca de Mary.
− Verdade Absoluta – concordou soltando mais uma risada fazendo Harry sorrir – Não sei o porquê, mas... Sinto que já conversamos antes.
− Achei que só eu sentia isso.
− Pois é...
− Estranho não é? Não lembro quando nem onde isso pode ter acontecido
− Nem eu
Logo já estavam aos risos conversando como se já se conhecessem á séculos, apesar de ambos acharem aquilo bastante estranho. De certa forma para Mary foi bom ter desabafado um pouco, claro que a traição não sairia tão fácil de seus pensamentos, mas já era um começo. Não iria querer falar com Nott tão cedo.
Conversaram sobre coisas aleatórias, até Mary perceber que já estava na hora de voltar para o baile. Seus amigos iriam estranhar seu sumiço, caso vissem Nott.
− Então... Adeus? – ele disse um pouco desapontado, tinha gostado de conversar com a sonserina.
− Adeus
Levantou-se do chão preguiçosamente e Harry logo acompanhou seu movimento. Ficaram cara a cara. Harry se inclinou para frente com a intenção de dar um beijo da bochecha dela, mas sem querer ela se virou fazendo com que os dois dessem um selinho. Ambos arregalaram os olhos e Mary andou lentamente para trás até sumir por entre as arvores.
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