Como você irá se lembrar de mim?

1 Sophie tem muita imaginação


Notas iniciais
Ho heyBem, estou aqui. Se alguém ler, deixe um comentário, please.

A loira estava sentada num banco enquanto lia seu mangá preferido. Peter a observava atentamente. Não porque estava apaixonado ou algo do tipo, não, longe disso. Em alguns momentos ela estava se acabando de rir e em outros se segurava para não chorar, ele apenas achava divertido.

– Você está atrasado, senhor Peter. – Sophie disse assim que notou sua presença

Ela tirou a chave do bolso de sua calça e abriu a porta da casa sem tirar o rosto do mangá. A sala de estar era enorme, mas não havia nada de luxuoso. Havia cartolinas e canetas coloridas espalhadas pelo chão. Na mesa de centro havia quatro livros e um notebook ligando, dando a entender que Sophie já fez boa parte da pesquisa. Peter se sentiu inútil.

– Desculpe pelo atraso, eu...

– Não precisa pedir desculpas. – ela finalmente baixou o mangá e agarrou seu braço, com um sorriso irritante no rosto. Por um momento ele quase se esqueceu de como ela era: tão feliz que chega a dar ódio. — Eu já sabia que você não iria chegar na hora. Por que acha que eu estava com meu mangá?

Olhou a capa do mangá, era a edição mais recente de One Piece. Pode reconhecer pelo desenho de Monkey D. Luffy, o garoto com chapéu de palha e um enorme sorriso que conseguia ser tão irritante quanto o de Sophie.

– Não entendo qual é a graça desse pirata com chapéu de palha. – Peter comentou

– Então fique no meio da rua e tire um zero, isso deve ser muito mais engraçado.

– Tudo isso por que eu não gosto de One Piece?

– Eu estou só brincando. – agora ele havia decido, o sorriso de Sophie é pior que o de Luffy. – Mas não fale mal de One Piece na minha casa. – ela se abaixou e pegou uma cartolina alaranjada e uma caneta preta. – O texto já está todo no notebook. Eu pesquisei então você copia.

– Justo, não?

Ele deu de ombros. Pegou a caneta e começou a ler o texto.

Pollemo olhou para seu relógio de pulso e teve vontade de atirá-lo contra a parede. Agoniado, o garoto abriu a porta. Sentiu que todos os colegas de sala estavam o olhando como se ele fosse um criminoso. Droga de vida. Pollemo odiava chamar a atenção, mas com seu “incrível” histórico escolar isso se tornava inevitável.

“O que meus atrasos têm a ver com o trabalho da escolha?”, pensou Peter. “Pollemo? Que raio de nome é esse?”

– Desculpe o atraso, professor. – pediu passando as mãos por trás de seu cabelo preto, um tanto envergonhado, já era a quinta vez no mês que chegava atrasado e, por coincidência, todas na aula de Hiro Saito.

– Que isso não se repita. Eu sinto falta de um mínimo de responsabilidade. – o professor de mitologia respondeu rígido. – Sente-se.

O aluno obedeceu e se dirigiu a segunda carteira, cabisbaixo. Abriu a mochila e pegou o caderno rapidamente. Tirou a caneta do estojo e mordeu sua tampa, enquanto encarava o professor de mitologia com fúria. Falou mal do homem mentalmente, pensando em todos os palavrões que conhecia. Quantas vezes, Pollemo já quis bater em Hiro? Centenas, talvez até milhares. Nunca gostou desse professor e sabia que o sentimento era recíproco, mesmo na época em que era pontual.

Quem era esse tal de Hiro? Ele tem vontade de bater em quase todos os seus professores.

– Ei. – chamou a pessoa que estava sentada atrás de Pollemo, mas ele a ignorou.

O garoto suspirou. Chegou atrasado, o mínimo que podia fazer era prestar atenção na aula, mesmo não sendo sua matéria preferida.

– Ei. – a voz insistiu

Pollemo socou levemente sua carteira e virou-se. Era Sophie Izudamu que, por motivos óbvios, era mais conhecida como “A Louca”.

Hiro Saito, Izudamu... Essa garota está lendo muitos mangás.

– O que é?

– Seus olhos são azuis e os meus são castanhos. – ela falou sorrindo – Se descobrissem uma maneira de remover melanina da íris, eu também teria olhos azuis.

Depois dessa frase, acho que o apelido foi explicado.

– Fale logo que você quer. – Pollemo insistiu, trincando os dentes. — Estou tentando prestar atenção na aula.

– Mitologia grego-romana, eu já sei de tudo. – Sophia se gabou enrolando uma mecha de seu cabelo loiro em seu dedo indicador, sem deixar de sorrir por um instante sequer — Quer que eu te explique depois?

– Sophie! – o garoto gritou, só depois percebendo o que realmente havia feito.

Aquela cena era muito parecida com os poucos diálogos que eles já haviam tido. Bem, tirando a parte de “remover melanina dos olhos”, já que ambos possuem olhos castanhos.

– Pollemo Senso e Sophie Izudamu. – Hiro os chamou. Agora eu estou ferrado, pensou Pollemo. Já a garota não parava de sorrir. Será que ela não percebia que estava com problemas? Ela perdeu a noção do perigo? — Estou atrapalhando algo importante?

– Está atrapalhando nosso aprendizado. Ele estava gritando, “Sophie, vá dar aula!”.

– O quê? – o ruivo indagou confuso.

– Júpiter é a forma romana de Zeus, não de Hermes, professor. – a loira corrigiu revirando os olhos

– Bem, isso é... – o homem aproximou o livro de seu rosto – Parece que eu me enganei. Obrigado, Sophie.

E quantas vezes Sophie já corrigiu os professores? Estava cada vez mais difícil de descobrir quem era o tal de Hiro.

– De nada. – esperou que o professor se afastasse para, então, sussurrar a Pollemo. — No intervalo eu conto.

Assistiu às três aulas de Hiro e se esforçou para não enlouquecer. Comemorou quando ouviu o sinal. Guardou os cadernos em sua mochila e saiu à procura de Sophie.

Depois de procurar por toda escola, finalmente a encontrou. A loira estava sentada em dos bancos bambos da cantina lendo a nova edição de One Piece. Por que diabos eu andei isso tudo? Ela sempre fica aqui no intervalo. A garota abriu um grande sorriso quando o viu. Pollemo sorriu involuntariamente, sentando-se ao seu lado. O que ele poderia dizer? Sophia possui uma alegria contagiante.

– Você gosta mesmo desse mangá, não é? – o moreno perguntou o óbvio, apenas tentando puxar assunto.

Até nesse texto sem sentido One Piece é o assunto principal.

– É meu favorito. – ela confirmou — O Luffy não existe, mas eu inventarei um só pra mim e talvez... Você não liga para isso. Provavelmente quer saber o que eu quero te contar.

O moreno assentiu.

– Eu te contaria na aula, mas sei que você tem muitos problemas com Hiro e eu não queria piorar as coisas.

– Obrigado. – agradeceu – Eu não entendo por que ele me odeia tanto.

Todos os professores odeiam Peter, talvez Hiro não seja ninguém especifico.

– Eu acho que por baixo de tanto ódio vai surgir uma grande amizade.

– Virar amigo do meu professor? Isso é loucura.

– E eu sou “A Louca”.

– Sophie. – a menina fez um sinal positivo com a cabeça para indicar que estava ouvindo — Sabia que você é muito legal quando não está sendo “A Louca”?

Peter e Sophie tendo uma conversa normal? Impossível.

– Obrigada. – logo seu sorriso mudou. Não estava contagiante e sincero como antes, era um sorriso cruel e malicioso. — Desculpe, mas “A Louca” precisa voltar.

Pollemo nem teve tempo de questionar. Com enorme destreza, a loira agarrou seus pulsos e o colocou contra a parede áspera.

Tudo explicado.

– O que é isso?

– O que você acha que é?

– Assedio sexual. – ele respondeu sínico. De repente, percebeu que ela estava fazendo bico e se aproximando cada vez mais. O que eu faço com essa maluca? — Se você me beijar eu te mato.

Deu de ombros: — É um risco que eu estou disposta a correr.

Que diabo era aquilo? Sophie queria beijá-lo?

Sophie a rapidamente selou seus lábios aos de Pollemo. Nenhum dos dois fazia qualquer movimento, quase não havia contado físico. Apenas suas bocas estavam coladas. Era um beijo comum e completamente sem graça. Fecharam os olhos e aos poucos as memórias voltavam. Depois de alguns minutos Sophie e Pollemo se separaram. O moreno olhou diretamente para os grandes olhos castanhos da menor e soube exatamente o que dizer.

– Atena, se você não fosse imortal eu juro que lhe mataria.

– E você, Ares, não beija tão mal quanto eu pensei. – ela disse, estendo a mão para Pollemo. — Vamos, nós temos uma longa batalha pela frente.

– Eu sempre estou pronto para uma guerra. – ele a respondeu, segurando-a. — Mas não se esqueça que você precisa me explicar algumas coisas.

– Para Ares ou para Pollemo?

– Para os dois.

Para os três. Peter também queria entender sua imaginação.

Notas finais
Beijinhos de luz :*