Como você irá se lembrar de mim?
2 Extra: Nós nos divertimos juntos
Notas iniciais
– O que você está fazendo? – Sophie questionou, retirando rapidamente o notebook de suas mãos. A garota estava com o rosto completamente corado, mas ele não sabia ao certo se era de vergonha ou de raiva. Milhões de perguntas rodavam pela cabeça da jovem. O que Peter já havia lido? Será que ele havia identificado os personagens? Será que ele queria ser como Pollemo? “Ah, droga!”, Sophie pensou, “Pare de ficar pensando nessas coisas e diga alguma coisa ou ele vai estranhar ainda mais”. – Isso não tem nada a ver com nosso trabalho de história.
– Eu cheguei e isso estava aberto, eu não fiz nada. – Peter se defendeu – Coloque no que eu devo copiar e pronto.
– Tsc.
Sophie fez um sinal positivo com o polegar. Inicialmente iria fazer o que havia sido pedido, mas como toda a jovem romancista é...
– Eu te disse que era Pollemo. – Sophie se gabou, fazendo algo horrível com o corpo, o que Pollemo acreditou ser sua “dança da vitória” — Eu te disse que era ele.
– Hm. – Hiro murmurou para a loira, porém, encarando Pollemo. — Em nenhum momento eu duvidei, apenas torcia para que estivesse errada.
Espere até eu recuperar meus poderes, desgraçado.
– Eu sou a deusa da sabedoria. – a loira sorriu triunfante
– Eu não posso me esquecer disso, Sophie.
– Sophie! – despertou ao ouvir a voz do garoto – Você não vai me dar o notebook?
– Ah, certo. Desculpe.
Mas como toda a jovem romancista é apaixonada por suas histórias, ela acabou não resistindo à tentação e já começou a criar o segundo capítulo de seu livro. A loira era assim: queria escrever a todo o momento. Quem mandou ser super criativa?
Começou a roer as unhas de tanto nervosismo. Não queria deixá-lo com o notebook. E se ele reler tudo o que ela escreveu? E se ele conseguir entender tudo o que ela quis dizer com essa história? E, principalmente, por que aquelas malditas perguntas não saiam de sua mente? Sophie tem uma imaginação muito grande e ela odiava ter de carregar esse fardo.
– Sophie... – Peter chamou, ela apenas resmungou para dizer que estava o ouvindo. – E se nós recriássemos a cena? – o que? Ele estava falando sobre encenarem a cena de seu livro como se fosse uma peça de teatro? – Eu não vou conseguir me concentrar agora e então pensei: por que não tentar?
Um pequeno sorriso se formou nos lábios rosados da garota. Realmente, por que não tentar?
– Eu topo! – ela exclamou retomando seu típico sorriso de orelha a orelha – Vamos atuar!
A loira se posicionou. Estava no sofá vermelho com as pernas cruzadas, retomando a leitura de seu tão amado mangá. Peter andou em círculos por um tempo, apertando os olhos e girando a cabeça para fazer parecer que realmente estava a sua procura. A garota abriu um grande sorriso quando ele se aproximou. Peter sorriu de volta, sentando-se ao seu lado. Se havia uma verdade naquela narração, com certeza era o fato de Sophia possuir uma alegria contagiante.
– Você gosta mesmo desse mangá, não é? – ele falou tentando parecer o mais natural possível. Não ganharia um Oscar, mas até que estava bom.
– É meu favorito. – continuou a cena, segurando-se para não rir daquela situação. — O Luffy não existe, mas eu inventarei um só pra mim e talvez... Você não liga para isso. Provavelmente quer saber o que eu quero te contar.
O moreno assentiu.
– Eu te contaria na aula, mas sei que você tem muitos problemas com Hiro e eu não queria piorar as coisas.
– Obrigado. Eu não entendo por que ele me odeia tanto.
– Eu acho que por baixo de tanto ódio vai surgir uma grande amizade.
– Virar amigo do meu professor? Isso é loucura.
– E eu sou “A Louca”.
– Sophie. – a menina fez um sinal positivo com a cabeça para indicar que estava ouvindo — Sabia que você é muito legal quando não está sendo “A Louca”?
– E você vai se lembrar de mim como A Louca ou como Sophie? – ela sabia que essa não era a fala. Queria improvisar, mas logo se arrependeu.
Peter nem teve tempo de responder. Com enorme destreza, a loira agarrou seus pulsos e o colocou contra a parede áspera.
– O que é isso?
– O que você acha que é?
– Assedio sexual. – ele respondeu sínico. Sophie estava preparada para a hora da verdade. Fez bico e seguiu se aproximando cada vez mais. — Se você me beijar eu te mato.
Deu de ombros: — É um risco que eu estou disposta a correr.
Sophie a rapidamente selou seus lábios aos de Peter, mas diferente da ficção, o beijo não ficou parado. O moreno lambeu os lábios da garota, fazendo-a abrir a boca involuntariamente. Não demorou muito para que a língua do garoto entrasse em sua boca, explorando seu interior lentamente. Os dois continuaram provando o sabor um do outro até lhe faltar ar.
– Pollemo não responde o beijo.
– Sua personagem também não faz aquela pergunta.
– Era uma pergunta para o Peter.
Ele coçou a parte de trás da cabeça, tentando pensar em uma boa resposta.
– Eu adoro A Louca porque ela faz parte da Sophie. – ele disse, fazendo o rosto da loira corar mais do que nunca. — Eu estava muito errado sobre você. Eu achei que iria morrer te odiando, mas agora eu descobri que te adoro. — Peter ficou tão vermelho quanto Sophie – Nós nos divertimos juntos, não?
– Podemos fazer dupla no trabalho de matemática também. O que acha?
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