Como sobreviver ao Tártaro
3 Nico
Nico
Nico já havia começado a se arrepender de ajudar o acampamento meio-sangue, vários dos esqueletos que havia perguntado o levava a uma pista falsa atrás da outra, apesar de ter punido os esqueletos, aquilo não era um jogo, a vida dos acampamentos (e provavelmente do mundo todo) necessitava da informação de onde as Portas da Morte se encontram, então invocou mais alguns.
– Olá, me chamo Nico – um esqueleto tossiu pó, e o outro deu um espirro que soltou sua traqueia – Provavelmente já sabem o que eu quero – um esqueleto deu um passo à frente.
– Quer saber onde as Portas da Morte se encontram.
– Exatamente – o esqueleto iria começar a falar se Nico não tivesse o interrompido bruscamente – Escute aqui, eu tento ser educado com vocês, mas todas as informações que os outros me deram eram falsas, e eu não estou brincando, eu necessito urgentemente dessa informação, me dê à informação errada como os outros e eu juro pelo Estige que será condenado a muito mais que ser um desprezível ser do quintal de Hades. Se os esqueletos possuíssem rostos, provavelmente estariam bastante preocupados depois do aviso de Nico.
– E então meu chapa, como sou um gente fina, lhe direi a informação certa, mas como você deve presumir, não vai ser muito fácil, e vão ser muitos obsta... – Nico interrompeu o esqueleto que estava falando.
– Já sei que vai ser difícil, poupe-se dos avisos e me dê à droga da informação.
– Procure por um gigante que vive nas redondezas da área de escombros de uma antiga construção, não sei quanto, mas a oeste do palácio de Hades.
– Se não for lá o lugar, me aguarde, “meu chapa” – Nico avisou sarcasticamente, estralou os dedos e os esqueletos sumiram.
Viajar nas sombras já era quase tedioso para Nico, e meio solitário até, sua mente vazia atraia diversas lembranças, entre elas, Percy Jackson, até hoje queria saber o que tão atraente aquele semideus tinha, riu ao se lembrar de que o odiou por um tempo pela morte de Bianca, era uma piada gostar dele. O tempo se encurtou como previsto, e chegou aos escombros do lugar em que o esqueleto havia dito, o gigante era monstruoso, mais do que o normal, deveria parecer um brutamonte do tipo que assalta velhinhas indefesas, Nico entrou nas sombras e apareceu na frente do gigante, que fez uma cara curiosa quando o viu.
– Sinto um cheiro de semideus – o gigante sorriu, era quase capaz de ver uma fumaça de mau hálito vindo com o cheiro e os dentes estragados. O gigante tentou agarrar Nico com uma mão, mas Nico usufruiu de suas habilidades e viajou nas sombras para um pouco mais a esquerda do lugar que estava.
– Há-há-há – gritou o gigante – Um filho de Hades, ou de Plutão? HÁ-HA.
– Não quero incomodar... Como se chama mesmo?
– Eurito – o gigante gritou novamente. Nico arqueou as sobrancelhas.
– Pensei que tinha sido morto por Dionísio – Nico falou e o gigante tentou o esmagar com o pé, usou a mesma tática de antes e apareceu em outro lugar.
– E ressuscitado pela mãe-de-todos – Eurito bateu os pés no chão.
– Gaia, eu suponho – Nico não sabia como tiraria as informações do gigante, improviso, pensou rápido – Como eu disse, não quero incomodar, só estou em busca de uma informação.
– HÁ-HÁ – Eurito zombou de Nico – O que lhe faz pensar que lhe darei alguma informação?
– Quero me juntar a Gaia, odeio os Deuses, acham que podem fazer o que quiserem, matar o que quiserem, e acho que um filho de Hades seria de boa ajuda para a mãe-terra. Torcia com todos os músculos para que o gigante acreditasse.
– Hm, hm, então quer dizer que o pequeno semideus quer nos ajudar.
– Muito, fui renegado por toda a minha vida perante Hades, ele me jogou num lugar para não precisar mais se preocupar comigo, contudo, de lá saí e no caminho minha irmã morreu, e agora planejo vingança – Nico contava ao gigante.
– Acredito em você – aleluia, uma coisa deu certo ao menos, Nico festejava em sua mente, gigantes eram sempre burros, mas Eurito estava se superando.
– Me acompanhe, semideus – o gigante pisou até uma área perto ao rio e fez um gesto para que Nico o seguisse – Como se chama?
– Nico Di Angelo – Nico chegou ao lado de Eurito, que arregalou os olhos quando escutou o que havia falado.
– Nico Di Angelo – o gigante murmurava para si mesmo como se estivesse conversando com alguém – Sabe qual é o pior erro dos semideuses? ACHAREM-NOS BURROS, ACHA MESMO SEGURO USAR SEU NOME, JOVEM FILHO DE HADES? Pois bem, se viaja tão bem nas sombras, espero que consiga se dar bem no lugar de mais sombras no mundo, Gaia mandou um abraço – Nico não conseguia se mover, era como se a força da terra estivesse o puxando, e então Eurito o chutou como se fosse uma bola de futebol, Nico caiu num buraco, mas começou a perceber que ele não tinha fim, e no mundo inferior não deveriam existir buracos fundos. E então desmaiou.
Nico acordou melado em terra, mas não era aquele viscoso e grudento liquido espalhado por seu corpo, nem o quanto seus ossos e machucados doíam da queda, acordou pelo cheiro que estava no ar, era uma mistura de alho, ovo podre, cebola, lixo, pizza estragada, era um cheiro de... De morte, Nico pensou duas vezes e recapitulou o que havia acontecido, conseguiu convencer Eurito até que estupidamente disse seu nome, disse coisas do qual não se lembra de e o empurrou no vazio, o lugar parecia sem céu, num marrom escuro infinito, vago, cercado por árvores mortas e pântanos, quando algum tipo de crocodilo-monstro o que diabos era aquilo se aproximou e Nico correu desesperadamente, estava ferido e impossibilitado de viagens nas sombras, até que gritou, olhou para frente e deu de cara com um galho e depois na frente de uma árvore, porque estava com tanto medo ? E desmaiou, mas o que diabo estava acontecendo? Quem desmaiava a todo custo era Jason, não ele.
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