Como sobreviver ao Tártaro
4 Violett
Violett
Violett saia para mais uma ronda anual diária com suas cadelas infernais pelo Tártaro, por um instante, Faye, Raye e Naye começaram a uivar freneticamente, como se algo terrivelmente trágico tivesse acontecido, e então o olho mágico de Violett ardeu de um modo horrível, que nunca havia acontecido antes, quando se deu conta as cadelas já estavam correndo como foguetes pelo pântano e Violett tentava alcança-las a todo custo, quando escutou um grito, nem tão agudo, nem tão grave, depois de todo aquele tempo, nunca havia escutado um grito tão... Tão humano, e então correu com toda a força que possuiu no momento, e foi de encontro às cães, que atacavam... Não reconheceu o crocodilo no momento, andou mais um pouco e pisou em algo, quando olhou para baixo, o algo, não era algo, e sim, alguém, tirou o tapa-olho do olho mágico, e teve certeza, era um semideus, ela não estava mais sozinha, as cadelas lambiam o garoto, magro, pálido, e um cabelo emaranhado preto, vestia uma camisa de caveira e um casaco por cima – podia ter mandado um melhorzinho em mãe – mas aquilo estava perfeito, era o que ela precisava para executar o plano de sair daquele inferno infinito, apoiou o braço do garoto em seu ombro, e começou a marchar até o lugar mais seguro que conhecia. Quando chegou ao chalé inacabado, deitou o semideus na cama improvisada em que havia arranjado, e pensou duas vezes antes de dar ao garoto um pedaço limitadíssimo do pouco de ambrosia que lhe restou, contra todas as vontades, o deu.
– Garotas, vigiem o perímetro, não quero nenhum monstro por aqui, se necessário, consultem Bob.
Passou o resto das não sabia quantas horas, não tinha nem ideia que ano era ou quantos anos tinha, parecia mais que havia nascido lá, então enquanto arrumava alguns musgos, sentiu uma mão a enforcar por trás.
– A bela adormecida acordou, que bom – Violett falou – Você devia estar me agradecendo, gastei minha ambrosia com você.
– Isso é um problema seu – Nico avisou.
– Um simples obrigado estaria ótimo – ela aproveitou o momento e deu uma cotovelada no estômago de Nico, que caiu no chão – Não seja tão mal agradecido, agora já tenho certeza absoluta que você é um filho de Hades, e eu não tenho nada haver com você ter caído aqui. Nico arqueou as sobrancelhas, era como se ela estivesse lendo seus pensamentos. Violett se virou, ele a encarou mais ainda, ela sabia que parecia uma maldita pirata com aquele tapa-olho.
– Como sabe que sou um filho de Hades? – ele tentou permanecer na postura grosseira.
– Qual é, você usa uma camiseta preta com uma caveira – Violett falou como se fosse obvio e Nico ainda parecia perplexo – Eu não sabia, mas, suspeitava, minhas cadelas começaram a lamber você, e elas são infernais, o único motivo de elas estarem ligadas a mim é porque eu as hipnotizo, a única razão lógica era essa, mas quando você tentou me enforcar eu tive certeza.
– Ah – Nico olhou ao redor como se estivesse julgando o lugar.
– Ei, aqui não é nenhum hotel cinco estrelas, mas se no Tártaro tivessem hotéis, aqui seria um – Violett olhou Nico com raiva, mas Nico se entalou com a própria saliva e piscou diversas vezes, olhou perplexo para Violett e... Ele não tinha se tocado de onde estava.
– Estamos n-no...
– Tártaro – ela completou. Nico passou quase meia hora, pelo que pensava ser, absorvendo o choque da noticia.
– É por isso que você está com tanto medo, se quer saber – Violett disse e Nico a olhou – É perfeitamente normal, compreendo que você não deve sentir muito medo.
– Perdeu seu olho? – ele perguntou indelicadamente. Violett puxou o tapa-olho para o lado, o olho mágico estava branco.
– É uma longa historia, eu ainda enxergo.
– Me desculpe por tentar lhe enforcar – Nico admitiu – De quem você é filha?
– De quem você acha? – Violett perguntou como se fosse óbvio, ela não se gabava nem nada, mas era muito bonita, nem cheia de cicatrizes, sujeira ou um tapa-olho, deixava de ser linda, parecia ser uma supermodelo. Nico passou um tempo pensando, e ela sabia no que ele estava pensando “como uma filha de Afrodite sobreviveu aqui?”.
– Afrodite – Nico falou, por fim. Violett o aplaudiu como se fosse algum tipo de esperteza ele descobrir quem era sua mãe.
– Achou que filhos de Afrodite só serviam para enfeitar a linhagem de semideuses não é? – Violett falou e Nico ficou calado. A única semideusa que tinha conseguido tirar aquela imagem da cabeça dele e de provavelmente todo mundo que os filhos de Afrodite tinham era Piper, e agora, ela.
– Como caiu aqui? – ele perguntou
– Fui mandada numa missão para achar um amigo do diretor de um acampamento, era uma armadilha, eu e meu protetor Julius, caímos aqui, mas desde que caímos não vi mais ele – ela contou.
– Há quanto tempo exatamente você está aqui? Estava simplesmente passeando no pântano? Com tantos monstros por ai? – de repente Nico tinha nove anos de novo, e perguntava sem parar, e nenhuma resposta saciava as duvidas.
– Eu já ia perguntar em que ano estamos mesmo? – ela perguntou e Nico ficou meio perplexo novamente.
– Não sabe em que ano estamos? – ele perguntou.
– Se eu me lembro bem, estou aqui desde que tinha nove anos – Nico tanto arregalou os olhos que Violett pensou que eles fossem cair.
– Estamos em 2013 – Nico limpou a garganta e foi Violett quem arregalou os olhos.
– Estou aqui há sete anos... – ela murmurou para si mesma.
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