Notas iniciais
Penúltimo capítulo! Falta apenas o epílogo :)

— Eaton! — Chamou Scott quando chegámos lá. Ele já não me segurava pelos ombros e Tobias não estava em lugar nenhum. Estava apenas uma mulher da minha altura, com cabelos escuros e atados num coque prático. Usava uma regata azul e leggins pretas. Ela era linda e o seu sorriso para mim foi igualmente belo. — Oi Alice. Cadê o Tobias?

— Aqui debaixo do carro idiota! — Ouvi-o responder. Sua voz saiu abafada, mas fez-me estremecer. Fazia tanto tempo que eu não ouvia aquela voz. — Que história é essa de você andar pela faculdade com uma gata do seu lado? Todo o mundo sabe que você é virgem garoto! — Ouvi-o dizer. Vi a tal Alice gargalhar e vi Scott ficar vermelho.

— Alice não sabia! Obrigada por espalhar! — Agradeceu ironicamente. — E é uma gata sim, mas estava à tua procura. Sai daí! — Pediu. Vi-o sair debaixo do carro e limpar o suor à regata preta que estava usando. Os músculos de seus braços contraíram-se e eu agarrei mais a camisola ao sentir meu corpo vibrar. Graças a Deus ele ainda não me tinha visto.

— Desde quando é que... — Ele não terminou a sua frase e eu fiquei congelada sob o seu olhar assustado.

Ele estava mais lindo do que alguma vez esteve. Sua pele morena estava ainda mais escura devido ao bronzeado do verão recente e seus músculos notavam-se mais sob a roupa. Suas mãos sujas de óleo e as gotas de suor escorrendo sobre seu rosto e pescoço fazia-o ainda mais másculo do que já era. Notei umas linhas em seus ombros e seu pescoço e fiquei curiosa ao ver que se tratava de uma tatuagem. Aproximei-me uns passos e percebi que Alice puxava Scott para fora. Deixando-nos a sós. Suspirei ao ficar à frente dele e segurei a camisola dele com mais força em minhas mãos. Como se de alguma forma isso fosse dar-me força e coragem para o que eu precisava fazer.

— Oi. — Disse quebrando o silêncio que se instalava sobre nós.

— Oi. — Ouvi-o dizer. Ele estava sério e não mostrava qualquer reação além de surpresa ou até incredulidade. Estava começando a achar que levaria um pé na bunda.

— Eu... Eu tenho algo que te pertence. — Falei tentando não gaguejar. Levantei a camisola e mostrei-a, vendo o olhar dele cair sobre ela. Seu sorriso fez-me relaxar os ombros, mas eu ainda podia levar um pé na bunda.

— Você atravessou três estados para me devolver uma camisola que eu deixei na sua casa de propósito? — Perguntou cruzando os braços sobre o peito. Seus músculos retesaram-se e meu ventre também. Porra!

— Eu sabia que tinha sido de propósito. Tinha que ser coisa sua. — Falei mais relaxada com o sorriso dele. — Eu... Senti a sua falta. — Confessei demonstrando medo. Ele percebeu e aproximou-se, ficando muito próximo.

— Eu tinha razão.

— No quê? — Perguntei confusa.

— Você é capaz de conquistar o mundo. Você corre atrás do que quer. — Falou se aproximando mais um pouco. Senti sua respiração em meu rosto e estremeci quando o vi lamber os lábios. — Se importa com a graxa e com o suor? — Perguntou quase colando os lábios nos meus.

— Não. — Respondi rapidamente.

Saudade. Muita saudade. Num segundo sua respiração se misturava com a minha e no segundo seguinte suas mãos seguravam minha cintura e me puxavam para ele. Seus lábios tomaram os meus com urgência e eu suspirei ao levar minhas mãos aos seus cabelos. A camisola caiu em algum sítio no chão, mas eu não me importei. Eu teria muitas daquelas para fazer de pijama daqui para a frente.

Tobias mordiscou meu lábio inferior e uma onda de arrepios passou por meu corpo. Entreabri os lábios e deixei que ele invadisse minha boca com sua língua quente e molhada. Gemi apertando-o contra mim e senti-me ser levantada do chão com suas mãos em minha bunda. Ele apertava tão forte que eu sentia uma dor gostosa. Aquela sensação de pertencer a ele voltou. Quando não havia mais ar que pudesse sustentar aquele beijo, separei-me lentamente, dando vários selinhos seguidos sem nunca largá-lo. Suas mãos ainda estavam na minha bunda.

— Eu também senti a sua falta. Muito. — Sussurrou roçando a ponta de seu nariz com o meu. Senti-me derreter com as suas palavras.

— Pensei que nunca mais fosse dizer. — Disse dando-lhe mais um selinho. Meu coração batia forte contra o peito e eu podia sentir que o dele não estava diferente.

— Então... Scott? — Perguntou com um sorriso brincalhão.

— Ele é um cara legal. — Falei dando de ombros. — Deu para uns pegas. — Eu estava com muito boa disposição para brincar.

— Uns pegas? Como assim Beatrice Prior? — Perguntou se afastando repentinamente. Ué! Estava brincando! Gargalhei ao vê-lo emburrado e puxei-o para um abraço. Suas mãos foram parar na minha bunda de novo.

— Não dei pega nenhum. — Falei vendo-o sorrir convencido. — Mas ele foi um cavalheiro e me ajudou a atravessar um mar de piranhas.

— É, a única fêmea que costuma andar por aqui é a Alice. Ou o Teddy. — Falou rindo. Olhei-o com uma sobrancelha erguida. Eu tinha gostado de Alice no primeiro segundo e não a considerava uma ameaça, mas Tobias não precisava saber disso! — Alice é como nossa irmã caçula. Ela é a única garota estudando na faculdade neste momento e quer a todo o custo criar uma fraternidade feminina. Ou mista. Coisa dela sobre querer mostrar o poder feminino. — Explicou dando de ombros. — E Teddy é gay. Odeia mulher, mas age como uma na maior parte das vezes.

— Certo, eu gostei da Alice, mas já não gostei do Teddy. — Disse fechando a cara. Foi a vez dele rir.

— Ele é um amigo legal. — Falou por fim. Sorri olhando-o a acariciei sua nuca. Em seguida observei seus ombros, desenhando o contorno das linhas que mostravam continuidade para suas costas.

— Nova tatuagem? — Perguntei sem segurar a minha curiosidade.

— Sim. — Afirmou olhando em seu ombro. Olhei mais um pouco e quando voltei a olhá-lo notei o sorriso que ele mantinha no rosto. Afastando-se, vi-o retirar a regata e virar de costas para mim, dando-me a visão do que eu tanto queria saber. Havia linhas por todas as suas costas, começando no fundo das mesmas e caminhando para cima e para as laterais. — O que isso parece para você?

— Eu não sei. Mas sei que não é só um monte de traços aleatórios. — Falei estendendo uma mão para tocá-las. Toquei em sua fênix e desci lentamente pela sua cervical, contornando uma das linhas mais espessas.

— Representa os nossos quarenta dias. — Falou de repente. Ele não estava sorridente. Parecia arrependido.

— Quarenta linhas?

— Quarenta linhas. — Afirmou.

— Por que parecem tão diferentes? — Perguntei ao ver que algumas eram mais curtas e outras tracejadas.

— Cada dia com você foi diferente. — Respondeu. — A nossa convivência foi feita de altos a baixos e eu quis representar isso. É por esse motivo que umas linhas são mais curtas, outras inacabadas e outras tão longas que chegam ao meu pescoço.

— É linda. — Elogiei. Ele virou-se de frente para mim e sorriu.

— Eu sei que não durei os quarenta dias, mas agora não importa realmente.

— Porque não? — Perguntei confusa.

— Porque eu não precisei de quarenta dias para me apaixonar por você. — Falou olhando-me nos olhos, tentando perceber se eu sentia o mesmo que ele. Sem responder aproximei-me e puxei-o para um novo beijo. Todas as inseguranças desaparecendo.

— Nós temos tudo para dar certo desta vez? — Perguntou puxando-me para ele e fazendo-me levantar e beijá-lo.

— Sarah foi legal comigo.

— O que isso quer dizer? — Perguntou.

— Quer dizer que eu fui promovida e declarada gerente de uma nova filial aqui na cidade.

— Então você se mudou para cá? — Seus olhos brilhavam e meu peito encheu-se de felicidade.

— Eu quis fazê-lo. Eu tinha esperança que... A verdade é que eu ainda te amo Tobias. Eu não quero ficar longe de você e mesmo com um medo enorme de levar um pé na bunda, eu tinha que saber se havia uma chance para nós. — Falei de uma vez.

— Você criou uma. — Disse voltando a me beijar. — Tem uma coisa que eu quero ver. — Murmurou me virando de costas para ele. Senti-o colocar os meus cabelos para o ombro esquerdo e arfei ao senti a sua respiração em minha nuca. Eu sabia que ele não encontraria nada ali. — O seu 40 desapareceu. — Murmurou passando o dedo atrás do meu pescoço.

— Era uma tatuagem temporária. — Lembrei.

— E eu nem fiquei quarenta dias com você. — Lamentou. Virei-me para ele e sorri acariciando seu rosto perfeito.

— Foi tempo suficiente para eu achar o homem para casar e ter filhos. — Declarei.

— Me perdoa por todas as besteiras que eu fiz? — Perguntou colando sua testa na minha. Afastei-me e virei-me de lado, subindo a regata e baixando um pouco o tecido do sutiã. A palavra Forgiveness apareceu numa delicada caligrafia. Seus dedos tocaram minha pele levemente e seus olhos me olharam novamente enquanto eu me recompunha.

— O tempo ajudou-me a perdoar cada uma delas. — Falei abraçando-o novamente. — Eu te amo Eaton. E eu quero ficar com você.

— Você fez uma tatuagem verdadeira. — Afirmou ainda chocado.

— Sim. Eu não resisti a voltar a onde você me levou. Visitei Lizzie e fiz a tatuagem. Exatamente como você me falou que deveria ser. Discreta, pessoal e sincera. Esta palavra significa muito para mim e eu não estou a pensar deixar você fugir de novo.

— Eu te amo tanto. — Falou olhando-me com carinho. Beijei-o brevemente. — Mas e o seu pai? — Perguntou quando o beijo terminou.

— Namorando Sue.

— Zeus?

— Sendo mimado dia após dia.

— Valentina?

— Torturando Zeke.

— Travis?

— Vivendo um Romeu e Julieta.

— Você? — Perguntou roçando os lábios nos meus.

— Sendo inteiramente sua. — Declarei.

Ri quando ele me pegou pela bunda e me fez saltar para seu colo e sorri juntando meus lábios com os seus. Não precisava de um rótulo e não precisava de um pedido oficial para saber que ele era meu e que eu era dele. Nos pertencíamos mutuamente, mas a gente se amava acima de tudo. Não importa se nos apaixonámos em quarenta dias ou menos. O que importa é que eu faria tudo de novo e não me arrependeria. Até porque eu encontrei o meu Pénis de Ouro.