Como pude odia-lo ???
50 Saber sobre algumas coisas
Notas iniciais
Harry dormiu mal, em parte por estar atordoado com tudo que vinha acontecendo, principalmente com o que havia acontecido no trem, e também com o inusitado pedido de Dumbledore.
Harry não gostava nem um pouco dele. Para ele, Dumbledore era apenas o diretor da escola onde estudava, e depois de tudo o que tinha acontecido naquele verão ele se tornara a pessoa que queria “mata-lo”, simples assim.
Por esses motivos era fácil não gostar dele. Ele parecia um simples e velho diretor de escola, mas Harry não deixava passar despercebido o brilho em seu olhar, um brilho ambicioso e decidido.
Enquanto a maior parte das pessoas apenas fazia tudo que Dumbledore as mandava fazer, sem, na maioria das vezes, nem questionar o porquê, Harry só via mais e mais motivos para questionar a maior parte das ações de Alvo, principalmente as que diziam respeito de sua pessoa.
O moreno não estava nem um pouco a fim de ter uma audiência particular com o velho, mas querendo ou não, ele era o diretor da escola e Harry tinha de obedecer. A primeira ideia de Harry foi simplesmente fingir que não recebera o bilhete, mas depois ele começou a cogitar a possibilidade de dizer algumas verdades para o diretor.
Ele acordou bem mais cedo que de costume no dia seguinte, queria ir visitar Gina antes das aulas. Levantou antes que todos no quarto e se arrumou, pegou o material e saiu. Os corredores do castelo estavam desertos, Harry desceu até a ala hospitalar e bateu na porta.
Primeiramente achou que era cedo demais para estar lá, mas quando a porta foi aberta normalmente por uma madame Pomfrey bem arrumada, certificou-se de que não havia problema algum.
– Sim? – perguntou ela.
– Eu, ah... Queria ver a Gina.
– Meu garoto, você foi o último a sair daqui ontem a noite, e já está aqui novamente. – disse ela com um sorriso bondoso no rosto.
– Eu sei, tem algum problema? Posso voltar mais tarde se quiser. – perguntou Harry.
– Não, imagina. – sorriu a mulher – Para sua sorte, Gina acabou de acordar para tomar os medicamentos, pode vê-la sim. – então, ela saiu do caminho dando passagem ao jovem.
Ele caminhou até a cama de Gina. Ali estava a ruiva, enroscada e com a maior cara de sono. A senhora nem se deu ao trabalho de se aproximar dos dois, foi direto para sua salinha no final do cômodo, deixando o casal a sós.
Havia apenas uma outra garota acordada e que estava com a mesma cara de sono de Gina, provavelmente pegaria no sono outra vez rapidinho.
– Bom dia! – disse Harry.
– Humm – Gina gemeu e afundou a cara no travesseiro.
– Ei preguiçosa, acorda. – disse ele, mexendo nos cabelos da ruiva.
– Eu não sou preguiçosa. – disse ela, e Harry lhe lançou um olhar de censura – Ok, talvez um pouquinho.
Os dois riram.
– Então, como está se sentindo? – perguntou o moreno um pouco mais sério.
– Eu estou perfeitamente bem, por mim estava de volta hoje mesmo, mas madame Pomfrey discorda.
– Qual a previsão de sua alta?
– Provavelmente só daqui a dois dias no mínimo. – Gina fez uma careta.
Harry riu, e beijou-lhe a ponta do nariz, depois desceu para a boca.
– Vou morrer de saudade até lá.
Ele desceu os beijos pelo pescoço.
– Na verdade eu já estou morrendo de saudade de você, de seu corpo. – sussurrou ao ouvido da ruiva, o que lhe causou arrepios.
– Harry. – Gina tinha um tom de censura na voz.
– Hum? – murmurou ele sem se afastar da pele da ruiva.
– Para Harry.
Ele continuou beijando a clavícula e ombro da garota
– Por quê?
Gina o afastou. Ele grunhiu em descontentamento.
– Porque caso não tenha percebido, estamos no meio da enfermaria, a qualquer momento alguém pode entrar ou...
Nesse momento um jovem entrou pela porta, Malfoy. Ele entrou e foi direto para a salinha de Madame Pomfrey. Ao passar pelos dois cumprimentou-os com um aceno de cabeça e entrou pala porta.
– Eu não falei? – disse Gina.
– Ah desculpa, eu não me controlo perto de você.
– Então sai daqui. – riu ela.
Os dois conversaram por mais algum tempo, e então Harry teve que ir. Foi até o salão principal, pegou uma torrada, então saiu para as aulas acompanhado de Ron e Hermione.
O dia passou voando, quando Harry notou, já estava no jantar. Pegou-se remexendo os bolsos e encontrou o bilhete de Dumbledore, só então percebeu que não sabia onde era o escritório do diretor. Pronto, aí estava uma ótima desculpa para não aparecer.
Quando terminou de comer, Harry saiu em direção as portas do salão, mas foi detido pela professora Minerva.
– Potter, meu jovem, creio que tenha de ir até a sala do diretor agora. Não?
Harry assentiu, relutante, não queria ir até lá.
– E também creio que não saiba como chegar lá. Certo?
Novamente ele assentiu.
– Então vamos.
Minerva guiou Harry através dos corredores, com enorme habilidade, como se aquele caminha fosse habitual a ela, o que provavelmente era verdade. Pararam diante de uma grande gárgula.
– Feijõezinhos de todos os sabores. – disse ela.
A gárgula saltou para o lado, dando espaço a degraus que subiam como uma escada rolante.
– Pode ir.
– Obrigado, Professora. – disse ele, e então subiu.
No topo da escada havia uma porta de carvalho, Harry bateu.
A porta abriu-se sozinha, o que Harry achou muito estranho. Ele entrou no escritório ainda mais intrigado do que já estava.
O que, afinal de contas, Dumbledore queria falar com ele? Não havia nada que pudesse ser. O diretor não chegaria lhe dizendo: “Harry, você vai ter que matar Voldemort antes que ele mate você.”. Chegaria?
A sala era grande, havia livros em estantes que cobriam todas as paredes, Hermione iria pirar se entrasse ali. Os espaços livres eram cobertos por quadros dos antigos diretores de Hogwarts que tiravam cochilos em suas molduras. Tinha uma pequena mesinha com estranhos instrumentos que fumegavam em cima dela. Ao lado da porta havia um poleiro vazio e no fundo da sala uma mesa de escritório antiga.
Harry não viu o diretor em lugar algum. Estava pronto para ir embora quando ouviu uma porta abrir. Ele viu o diretor sair de uma porta a um canto, trazendo em seu braço uma linda ave vermelha.
– Olá Harry, pensei que não viesse. – ele tinha um sorriso bondoso, até parecia um professor normal.
Alvo caminhou até o poleiro onde colocou a ave. Harry ficou observando-a.
– Linda, não? – disse Dumbledore, e afagou a cabeça da ave – Essa é Fawkes, minha fênix.
– Muito bonita. – concordou Harry.
O diretor foi até sua mesa e sentou-se, de lá ficou observando Harry. O jovem caminhou até perto da mesa, parando imponente a frente do diretor.
– Então, por que me chamou aqui?
– Acredito que já esteja na hora de você saber de algumas coisas. – o homem suspirou – Sobre a profecia.
Fale com o autor