Como pude odia-lo ???
44 Reunião
Notas iniciais
Todos os adolescentes estavam no quarto. O cômodo era bem em cima na sala onde a reunião estava acontecendo. Eles tinham tentado de toda as maneiras possíveis tentar ouvir alguma coisa do que estava sendo discutido.
Pelo que sabiam a Ordem da Fênix não estava exatamente “ativa” os membros mantinham contato e de vez em quando se reuniam para uma confraternização amigável, mas a muito tempo não tinham uma reunião realmente séria, com feitiços de proteção e tudo mais.
Os adultos haviam explicado que o sigilo era uma das coisas mais importantes durante as reuniões, e que nunca havia vazado uma informação sequer. Mas isso só serviu para aguçar ainda mais a curiosidade.
Fred e Jorge estavam muito indignados por não poderem participar da reunião, eles eram maiores de idade e se achavam no direito de participar assim como todo os que lá estavam.
Os dois ficavam cada vez mais irritados quando cada uma de suas tentativas falhava, e parecia não haver nenhuma maneira de escutar nem que fosse só um pedacinho do que estava sendo dito dentro da sala de reuniões.
Jorge estava pendurado pera fora da janela, quando conseguiu colocar uma orelha extensível dentro da sala no andar inferior, a janela estava entreaberta e os feitiços não estavam tão fortes naquele canto, portanto poderiam ouvir tudo sem serem pegos.
Os seis jovens se apertaram ali e uniram as cabeças para ouvir.
–Eu não aceito isso! –era a voz de Lílian – Não pode ser verdade! –dizia a mulher
–Receio que seja verdade, e não há nada que possamos fazer para mudar isso. –Disse uma voz calma e tranquila, que Harry reconheceu como a de Dumbledore.
–Mas eu como pode ser possível? Acabou há mais de quinze anos. – era Tiago, que parecia indignado, como se contestassem uma coisa lógica –Eu estava lá, eu vi.
–Não, não foi isso que aconteceu... –Dumbledore tornou a falar, mas foi interrompido por algo que pareceu uma pessoa se levantando.
–Como não acabou? É claro que acabou! –Tiago agora falava em alto e bom tom – Não vou deixar que faça isso! Não posso deixar que faça isso!
–Tiago, sente-se por favor, essa é uma reunião civilizada – o professor manteve a calma.
Houve alguns segundos de silêncio. Harry presumiu que seu pai e Dumbledore se encaram. Depois ouviu Tiago se sentar.
–Muito bem, -disse o professor – como eu ia dizendo, sempre acreditei na profecia, acreditava que ela era realmente verdadeira, e que somente o escolhido poderia derrotar Voldemort.
Puderam notar que a maioria das pessoas presentes na reunião se sentiram incomodadas com a menção do nome do Lorde da Trevas, cochicharam e se mexeram nas cadeiras, o que na opinião de Harry era uma idiotice, era apenas um nome, não poderia causam mal algum.
–Sim Alvo, acho que todos aqui, ou ao menos a maioria, também acredita que a profecia seja real. Mas também acreditamos que ela já se cumpriu naquela noite em Godric’s Hollow. –Sirius falou, e Harry reconheceu imediatamente o tom do padrinho, estava se controlando. –A cicatriz é a prova de tudo!
–Ah sim, chegamos a esse ponto; a cicatriz. –falava Dumblere outra vez – Sirius, essa cicatriz sempre foi uma incógnita, receio que ela nem realmente deveria existir, pois maldições da morte não deviam nem deixar sobreviventes, que dirá marcas.
–O que quer dizer Alvo? Que Harry não deveria ter sobrevivido? Que meu filho deveria ter morrido naquela noite?
–Não foi isso que eu disse Lílian.
–Mas pelas leis da magia era o que devia ter acontecido. –falou Moody.
–Alastor tem razão, pela lógica ele não devia ter sobrevivido. –falou o Professor
–Não digam isso – Molly interveio – olhem o estado em que deixaram Lily. –Harry presumiu que a mulher deveria estar confortando sua mãe.
Ele mesmo se sentia mal ouvindo aquela conversa, todos ali achavam que ele devia ter morrido. Ele nunca pensou em ouvir alguma coisa parecida com aquilo. Era um enorme choque saber que as pessoas próximas a ele falavam aquilo em sua ausência.
–Perdoe-me. Mas essa é a verdade. Essa cicatriz tem um significado, algo que por enquanto está além da nossa compreensão.
–Alvo, tem uma coisa a respeito da cicatriz que acho que você não sabe. –era Tiago, agora já parecia ter se acalmado, embora usasse o mesmo tom que Sirius –Achamos que Harry está tendo crises de dor.
–Como assim? – o diretor parecia bem interessado mas ao mesmo tempo temeroso.
–Bem, vi ele gritar de dor apertando a testa duas vezes durante essas férias, uma delas me pareceu bem forte. Ele não nos contou, acha que ainda não sabemos.
Aquilo foi como um tapa na cara do moreno, como ele pode achar que seus pais não sabiam de nada? Era obvio, eles notaram, mas preferiram esperar que o garoto lhes contasse, só que ele não pretendia fazer isso.
O silêncio dominou o andar inferior por alguns minutos que mais pareceram horas. Quando voltaram a falar, era Dumbledore.
–Isso já aconteceu outras vezes? Digo, antes?
–Não, só começou agora. –disse Lilían – Sempre vemos ela apertar a cicatriz, acho que já faz isso sem notar, ela deve lhe incomodar frequentemente, mas com menos intensidade pois não reclama. Acho que ela já pode até ter se acostumado com isso.
O silêncio dominou outra vez e por mais tempo.
–Acho, que isso só pode significar uma coisa; realmente o Lorde das Trevas retornou. –vendo as caras confusas Dumbledore explicou – Nos tempos que as coisas estavam relativamente calmas Harry não foi afetado, mas agora que as forças de Voldemort estão se reerguendo o garoto está sendo afetado. Acredito que haja uma ligação entre eles.
Harry congelou ao escutar aquilo, ele e Voldemort ligados? As coisas naquela reunião só o estavam deixando mais confuso e apavorado do que já estava. Ele queria largar tudo e sair daquele lugar, mas não podia para de ouvir.
–O que quer dizer com “ligação”? –perguntou uma voz feminina, Tonks.
–Acredito que eles estejam ligados por meio da cicatriz. –ouviu-se um gritinho apavorado enquanto o homem falava –Naquela noite em Godric’s Hollow a maldição ricocheteou; uma parte foi absorvida por Harry e isso lhe deu a cicatriz, já a outra retornou com força total para Voldemort.
O diretor fez uma pausa antes de continuar, deixando todos absorverem as informações.
–Nunca achei que ele tivesse morrido, seria muito suspeito o bruxo mais perverso do mundo morrer daquela forma. Não, ele apenas ficou extremamente fraco, menos que um fantasma, mas ainda assim não morreu, acreditamos por longos anos que tivesse morrido, mas essa teoria acaba de cair por terra.
Dumbledore fez uma nova pausa.
–Receio que a profecia não tenha se cumprido quinze anos atrás. Aquilo foi apenas o início, e ela deverá se cumprir em breve.
–Não... – disse Lílian antes de começar a chorar
–Isso quer disser... –falou Tiago
–Exatamente, Harry terá que matar Voldemort.
Harry não pode mais ouvir. Levantou e saiu do quarto.
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