Como pude odia-lo ???
65 Explorando
Notas iniciais
Não fazia nem cinco minutos que Dobby tinha partido e Gina já estava surtando. Mil coisas ruins que poderiam acontecer estavam passando por sua cabeça e ela já estava começando a se arrepender do que tinha feito.
Onde ela estava com a cabeça? Ela não devia ter chamado o Harry, era a última coisa que ela devia ter feito. Era óbvio que Você-sabe-quem tinha mandado Draco sequestrá-la para chegar até Harry. Aí ela vai lá e faz a burrada de mandar o Dobby ir atrás justo dele.
Gina se sentia uma idiota. Tinha feito exatamente o que Voldemort queria. Ela tinha vontade de bater na própria cara.
Ela não conseguia ficar parada. Caminhava pelo quarto mexendo nas coisas de Draco. Se ele a pegasse ia ficar bravo com certeza, mas ela não estava nem aí.
Ao mesmo tempo que ela sentia raiva dele, por tê-la sequestrado, jogado-a numa cela e depois quase estuprado-a, ela também se sentia agradecida por ele ter se preocupado com ela. De um jeito estranho ele tinha a ajudado. Por mais que ela não quisesse acreditar, ele não era tão mal quanto parecia.
Caminhando pelo quarto ela passou na frente de um espelho de corpo inteiro. Parou e analisou a imagem ali refletida. Ela ainda era ela mesma, mas parecia diferente. Não eram só as roupas, o vestido preto com mangas de renda com o corpete cinza e o all star. Ela parecia mais forte, mais determinada.
Ficou se perguntando o que Harry acharia da mudança. Provavelmente gostaria. Ele não era o tipo de cara que gostava de menininhas fracas e que tinham que ser protegidas, embora insistisse em proteger Gina ele sabia que ela sabia se virar muito bem sozinha.
Mas nesse momento sua aparência era uma total mentira. Por mais forte que pudesse parecer, aqui estava ela, presa num quarto esperando resgate.
Então que ela percebeu uma coisa. Não estava presa naquele quarto.
Mais do que depressa correu até a porta a abriu e olhou para fora.
Dobby a advertira que o cordão guoy agiria caso ela tentasse fugir. Mas ela não estava tecnicamente fugindo estava? Gina expirou. Depois levantou o pé direito e deu um passo para fora. Soltou o ar quando não aconteceu nada.
Fechou a porta atrás de si e olhou para os dois lados do corredor. Os guardas da noite anterior não estava mais lá, ela achou aquilo um pouco estranho, mas ao mesmo tempo se sentiu aliviada. Seguiu pelo lado oposto ao que viera com Draco.
Se sentia estranha sem varinha, vulnerável. Mas continuou. Caminhou por corredores desertos que pareciam não ter fim.
Em um momento que parou para olhar por uma janela, sua mente trabalhava freneticamente em busca de alguma coisa que pudesse fazer, algum jeito de sair dali, qualquer coisa. Mas nada lhe ocorria.
Virou de costas para o vidro apoiando-se nele. Nesse momento dois homens saíram de uma porta a alguns metros, ambos usavam capas pretas, um era alto e magro, o outro era mais baixo e forte, os dois a encaram.
Deram alguns passos em direção a ela. Gina imediatamente ficou tensa. Olhou para ambos e lançou seu melhor olhar de “Não cheguem perto!” o que milagrosamente pareceu funcionar.
Eles param, mas continuaram olhando, até que o mais baixou perguntou ao outro:
– É ela?
O mais magro assentiu e respondeu.
– Ela mesma.
– No fundo eu até entendo o Draco. Ela é bonitinha. – disse o mais forte olhando a ruiva de cima a baixo.
Gina teve vontade de sacar a varinha e acabar com os dois, mas: um, não tinha sua varinha e dois, não achava que teria muita chance conta dois comensais da morte.
Ambos continuaram falando como se ela não estivesse ouvindo.
– Ela não devia estar presa? – o magro perguntou.
Gina gelou com a pergunta.
– Não sei — respondeu o mais baixo — Mas ela não está.
– Estou vendo isso. O que eu quero saber é, não devemos pegá-la?
– Não sei. – disse parecendo pensar – Vamos.
Os dois começaram a ir em direção a ruiva, que imediatamente assumiu uma postura defensiva. Com os punhos cerrados ela tentava desesperadamente pensar em alguma coisa para fazer. Mas então viu sua salvação chegando.
Saindo da mesma porta que os homens, estava Draco. Ele olhou para os dois e depois olhou para Gina. Eles não perceberam o garoto, até Draco pigarrear alto.
Os dois param, olharam para o loiro e depois para Gina.
– Por que ela está aqui? – perguntou o magro.
– Isso não é da sua conta. – disse Draco caminhando em direção a ruiva.
– Acredito que o Lorde das Trevas não... – o homem tentou argumentar, mas Draco o cortou.
– Já disse que não é da sua conta. – disse novamente, dessa vez muito firme e com tom de autoridade.
Draco pegou a ruiva pelo braço com força. Ela não gostou nem um pouco daquilo. Mas na situação em que estava, ir com Draco era muito melhor do que ficar ali.
Draco puxou-a para um lado e caminhou com ela por um longo tempo até chegarem em uma sala. O lugar tinha uma grande sacada e um único e gigante sofá.
Draco empurrou Gina para a sacada.
– Ai! – protestou ela.
Ele a ignorou, continuou levando pelo braço até o fundo da sacada, em um ponto que não podiam ser vistos por quem estivesse do lado de dentro.
– Ai! – reclamou ela novamente quando o garoto a colocou sentada em uma cadeira negra, dessas de ferro que ficam em varandas.
– O que você estava fazendo?! –perguntou ele.
– Nada.
– Ah, não me venha com essa história de nada. Por que você saiu do quarto?
– Por que eu não sairia? – respondeu ela com outra pergunta.
– Será que você não pensa não, garota?! – ele estava em pé a sua frente – Está sem varinha numa casa repleta de comensais da morte, sem falar no próprio Lorde das Trevas, e ainda por cima você é uma prisioneira que devia estar no porão . Você queria morrer? Acho que sim. Eu aqui tentando evitar exatamente isso e você nem liga! Acha que eu queria ter feito o que eu fiz? Não, não queria, mas tive que fazer. Agora eu estou aqui tentando evitar que as coisas piorem e você não está nem aí!!!
Gina se sentia uma criancinha levando uma bronca. Apenas abaixou a cabeça e ouviu.
Draco se jogou na cadeira da frente. Passou a mão pelos cabelos de um jeito que fez Gina se lembrar de Harry.
– Desculpa. – disse ela tão baixo que Draco mal ouviu.
– O quê? Acho que eu não ouvi direito. A tão orgulhosa Gina Weasley está me pedindo desculpas?!
– Olha, desculpa, tá legal?! Eu só não estava mais aguentando, eu ia surtar! – enquanto gritava, ela levantou e foi até a grade da sacada olhando para baixo.
Tocou a grade e sentiu uma lágrima descer por sua bochecha, uma lágrima que vinha sendo segurada a tempos. Uma lágrima que só caiu porque dentro de Gina não cabiam mais sentimentos, preocupações nem nenhuma culpa a mais do que ela já estava sentindo.
Draco parou a seu lado, ela abaixou a cabeça escondendo o rosto, mas ele já tinha visto que ela estava quase chorando.
Então ele fez a última coisa que ela pensou que ele faria. Ele a abraçou. E para a surpresa de Gina, foi muito bom. Não era nada comparado aos abraços de Harry, mas ainda assim conseguiu acalmá-la. Ele acariciou seus cabelos e ela fechou os olhos, pelo menos alguns segundos de paz.
Quando se afastaram Gina se sentia um pouco melhor.
Ele sorriu e se encostou na grade de costas.
– Você tinha que ter visto a sua cara quando eu te achei. Jurava que você ia pular em cima deles. Chegou até a me dar medo.
Gina riu, era bom saber que parecia ameaçadora mesmo quando estava destruída por dentro.
– Essa roupa te deixou diferente, mas não foi só isso. Você parece tão mais... Hm... Ah, sei lá.
– Obrigada. – Gina sorriu.
Mas com a mesma velocidade que tinha ficado simpático, o rosto de Draco se tornou escuro, sombrio e sério de novo.
– Mas, falando sério, você fez uma bela besteira.
– Por quê?! – o rosto de Gina ficou irritado novamente.
– Agora as coisas vão piorar. Você só seria levada ao Lorde das Trevas amanhã, mas como deu o ar da graça, isso vai acontecer mais cedo, e provavelmente não vai demorar.
Gina ficou em silêncio. Realmente era culpa dela. Estava se sentindo cada vez mais idiota. Será que ela não sabia fazer nada de inteligente? Já tinha feito a burrada de chamar Harry, enquanto era isso mesmo que Você-sabe-quem queria, agora ela saíra desfilando pela casa e os comensais a viram. Muito inteligente, Ginevra!
O silêncio tomou conta. O constrangedor silêncio. E foi graças a esse silêncio que Gina ouviu seu resgate chegando.
Um estalo, som da aparatação. Foi muito baixo, mas Gina percebeu que o loiro ao seu lado também tinha ouvido. Imediatamente ambos se viraram em direção ao jardim, de onde viera o barulho.
Os olhos de Gina brilharam quando ela viu Dobby chegando. E o melhor era que ele não estava sozinho, desaparatou no jardim com Ron, Hermione e Harry. Seu Harry, os cabelos negros bagunçados, os punhos cerrados e a postura rígida. Mas nada que se comparasse a seus olhos, o verde cintilando de tal forma que ela podia ver mesmo a distância, a expressão faminta e voraz. Lindo.
Gina olhou para Draco, que olhava para Harry. Então um novo estalo chamou a atenção. Dobby tinha sumido e Harry, Ron e Hermione corriam em direção a uma folhagem onde se esconderam. Enquanto corriam, Gina pôde ver Hermione falando alguma coisa e Ron reclamando. Não demorou muito e Dobby reapareceu, dessa vez com Neville e Luna. O coração de Gina se iluminou ao ver que os amigos também haviam se preocupado. Os três correram para a mesma moita que os outros.
– Você chamou eles? – perguntou Draco, e ao contrário do que Gina esperava sua voz não estava nem um pouco zangada.
A ruiva assentiu nervosa.
– Vem comigo — disse ele pegando a mão de Gina e a levando de volta para a sala.
– Você não ficou zangado comigo? – perguntou a ruiva.
– Não, na verdade esperava que você fizesse alguma coisa assim.
Os dois saíram da sala entrando em um corredor.
– Draco onde nós estamos indo?
Ele a levava por corredores e passagens complicados.
– Ajudá-los. Se eles entraram, devem ter um plano de como sair. Espero que não tenham...
Mas ele não concluiu a frase.
Lúcio apareceu a frente deles, junto com ele mais quatro homens de capas pretas.
– Draco! Estávamos procurando você, a apresentação começará em breve – disse o loiro mais velho.
– Droga... – disse Draco tão baixo que Gina mal ouviu, e ela estava do seu lado. – Está bem, vou levá-la.
– Não. Você vem comigo. Ela – Lúcio olhou para Gina com desprezo – vai com eles.
– Mas, pensei que...
– Ordens dele filho.
Draco assentiu. Soltou a mão de Gina, que ela nem percebera que ele ainda segurava. Mas no momento que o fez, Gina sentiu todo o seu chão sumir, ficou completamente vulnerável. Os quatro homens se colocaram perto de Gina. Lúcio e Draco foram a frente.
O mais velho colocou a mão no ombro do garoto enquanto caminhavam.
– Como foi ontem a noite? – perguntou o pai.
Nesse momento chegaram a uma encruzilhada nos corredores. Draco e Lúcio foram para um lado e ela e os guardas pra outro, mas antes de se separarem ela pôde ver Draco inclinar a cabeça e responder.
– Entendo porque o Potter gosta dela. Ela é boa. – então o loiro olhou para ela, e Gina não soube se ele mentia ou não.
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