Como pude odia-lo ???
66 Cara a cara
Notas iniciais
Gina estava parada em frente a uma grande porta dupla negra e entalhada. Podia ouvir a respiração dos guardas a suas costas. Sentia o próprio coração bater enlouquecidamente dentro do peito, enquanto ouvia a voz que vinha lá de dentro.
Uma voz extremamente arrepiante, arrepiante do pior jeito possível. Era fria e cortante. Gina podia senti-la atravessando sua pele, chegando até os ossos e congelando-a por dentro. Mesmo nunca tendo ouvido essa voz, ela sabia exatamente a quem pertencia. Somente ele poderia ser portador daquela voz, somente ele conseguiria aterrorizar a ruiva daquela maneira.
– Então, finalmente posso lhes apresentar. E também – pausa – garanto que ela já está tendo o resultado esperado.
Essas foram algumas das poucas palavras que Gina ouvira Voldemort dizer claramente. Quando ela e os quatro comensais que a seguiam, chegaram a porta, já se desenrolava um discurso lá dentro. Ela não assimilou muita coisa do que foi dito, mas as palavras que captou foram horrivelmente poderosas. Vingança. Poder. Agir. Finalmente. Matar. E Harry Potter.
Logo após as últimas palavras, murmúrios começaram dentro da sala. Movimentação intensa, e logo em seguida o estalar da fechadura sendo destrancada.
Gina não assimilou.
Ela estava com muito medo, medo a mais do que era capaz de sentir. Mas trancou isso as sete chaves dentro de seu peito. Não podia parecer fraca, agora mais do que nunca. Não sabia o que a esperava do lado de dentro daquelas portas.
O seu desejo mais profundo era que Harry aparecesse ali e acabasse com aqueles quatro homens e a salvasse. Mas isso não aconteceu e as postas se abriram. Então ela decidiu enfrentar o que quer que estivesse lá dentro.
O lado de dentro estava repleto de pessoas, todos de preto e com rostos ansiosos. De cara ela não viu ninguém que conhecesse lá dentro. Suas pernas ficaram moles e ela não saiu do lugar. Sentiu uma varinha espetar suas costas, mas ela não conseguia se mover. Então mais uma varinha. Nada. A pressão das duas aumentou e ela deu um passo a frente. Devagar, deu mais um passo e começou a caminhar lentamente.
Os rostos começaram a se revelar. A maioria ela nunca vira, mas alguns, como Fenrir Grayback, ela reconheceu dos cartazes de procurados. Mais a diante viu Draco ladeado por seus pais, ele a encarava inexpressivo. Ao lado deles, Bellatrix Lestrange que sorria abertamente. E bem perto to ponto principal da sala, estava Severo Snape, com a mesma cara que ela via em todas as aulas de poções.
As atenções se dividiam entre ela e Voldemort. Este estava em uma espécie de trono, que se localizava em uma elevação de três degraus do piso, como se fosse a autoridade máxima dali, e tecnicamente ele era.
Gina já tinha ouvido descrições, mas nada era comparado a vê-lo pessoalmente, alguns metros a sua frente. A pele branca, as fendas no lugar do nariz, as feições de serpente, tudo era horrível. Mas os olhos profundos e vermelhos, acabaram com qualquer esperança que existisse em Gina.
A ruiva foi empurrada pela sala até se localizar no centro de um grade círculo, todos olhavam-na com desprezo e nojo, ela tentava retribuir a altura mas era difícil.
Fizeram-na parar pouco a frente dele, que a encarou.
Gina sabia que ele sabia exatamente o que ela estava sentindo, mas não custava tentar fingir coragem. Encarou-o de volta.
Voldemort levantou. Suas vestes esvoaçavam graciosamente.
– Garota tola. – disse, com a voz afiada como uma navalha – Acha que será salva?
Ela se limitou a olha-lo, sem responder.
– Diga-me, acha mesmo que cinco adolescentes vão ultrapassar todas as minhas defesas? – Ela continuou em silêncio. –Ainda não sei como Harry Potter e seus amigos entraram, e não me interessa descobrir, mas eles passaram apenas a primeira das defesas da casa, os escudos externos, e não fazem idéia do que terão de enfrentar.
Gina gelou mais, se é que ainda era possível. Ele sabia que Harry estava ali, sabia que todos estavam ali. Mas como?
– Pensou que ele seria páreo para mim? – Voldemort desceu um dos degraus – Esperava ser salva?
Gina não respondeu.
Voldemort suspirou.
– Bella. – disse – Solte a língua dela.
Ele voltou a se sentar em seu trono elevado e observou. Instintivamente Gina virou para a bruxa que vinha em sua direção com a varinha em riste. Gina se preparou. Posição de defesa, punhos cerrados, maxilar tenso, pronta para resistir ao que quer que fosse. Mas não foi o que aconteceu.
– Crucio!
A dor.
A dor era a única coisa que Gina distinguia no mundo. Caiu no chão na mesma hora. Segurou os gritos. Contorceu o corpo sobre o piso gelado. Seu corpo sendo dilacerado por dentro, a dor cortando-a internamente. Não aguentava mais manter-se em silêncio. Gritos. Gritos agudos e horríveis lhe escaparam. O mundo ao seu redor não fazia mais sentido. Só sentia dor.
Com a mesma velocidade que começou parou. Gina ficou jogada no chão respirando aceleradamente. Ouvindo risos e gargalhadas, duas se destacando, Bellatrix e Voldemort.
Então novamente. Bella ergueu a varinha e disse ainda rindo.
– Crucio!
Novamente a dor. Dessa vez muito mais intensa. O chão sob seu corpo e o eco de seus gritos, era só isso que ela percebia, isso era a pior dor que ela já sentira no mundo. Achou que não iria suportar.
Novamente parou.
Ela tentou erguer a cabeça, o tronco inteiro, se apoiando nas mãos. Encarou Bella, depois Voldemort que estava em sua cadeira e sacou a varinha.
– Muito bem, continue assim e seu namorado logo, logo irá te achar — disse, então prosseguiu calmamente – Crucio.
Dessa vez Gina pensou que fosse morrer. Ferros quentes dilaceravam todo seu interior. Não conseguiu nem pensar em ficar quieta. Ela se contorcia e gritava, gritava e se contorcia, seu mundo acabara. Ela não iria aguentar. Aquilo era a pior coisa que já acontecera com ela. E então a dor também acabou.
Não tinha mas voz nem forças pra resistir. Forçou seus olhos a se abrirem e encontrou outro par de olhos, cinzentos e enigmáticos. Draco estava sofrendo lá também, mas não se manifestava. Não podia.
Bella olhou para Voldemort e sorriu.
Os dois lançaram a maldição ao mesmo tempo. Mas essa foi como uma fisgada. Um flash de dor horrível e devastadora. Não durou mais que dois segundos, foram os dois piores segundos de toda a vida de Gina. Um único grito lhe escapou pelos lábios quando ela sentiu seu coração quase ser arrancado do peito. Naqueles dois segundos ela sentiu como se morresse e voltasse, só que não completamente viva.
Ficou deitada ali, enquanto portas explodiam.
xXx
Harry entrou, seu plano vinha sendo absolutamente bem sucedido. Mas quando ouviu Gina gritando ele não pensou em mais nada. Seu mundo acabou quando ouviu a mulher que amava gritando de dor daquela maneira. Podia sentir a dor através da voz de Gina, sentiu seu coração ser partido ao meio e esqueceu de tudo.
Começou a correr na direção do som. Pouco lhe importava se seus amigos o acompanhavam ou não, só queria encontrá-la, pegá-la em seus braços e tirá-la dali.
Correu por imensos corredores. Os segundos que ouviu Gina gritar lhe pareceram horas. Parou em frente a uma porta, achava que o som vinha dali mas não tinha certeza. Havia risadas lá dentro, mas gritos? Então quando ouviu novamente não pensou em nada e explodiu a porta.
A única coisa que assimilou foi a ruiva jogada no meio da sala, e os comensais rindo de sua dor. Nesse momento uma enxurrada de feitiços veio em sua direção. Sua sorte foi que seus amigos estavam com ele e ao mesmo tempo todos usaram um escudo de proteção.
Harry encarou o fundo da sala. Voldemort se levantou e fazendo sinal para que seus servos abaixassem suas varinhas.
– Harry Potter – disse –Finalmente.
Harry o encarou.
– Voldemort!
Gina encolheu-se no chão e virou para Harry. Sua expressão era tão feroz que ela ficaria com medo se não o conhecesse.
Muitos no cômodo se encolheram com a menção do nome.
Harry avançou. Voldemort também desceu de seu trono. Os amigos avançaram atrás de Harry também. Todos estavam com varinhas erguidas inclusive Voldemort.
– Finalmente, Harry Potter, posso ter a chance de acabar com você. – disse Voldemort.
– Não conte com isso! – rebateu Harry.
– Não contar com isso? – riu o bruxo – Está me ameaçando?
– Estou, e acho melhor você não querer me testar, ou vai se arrepender.
Voldemort riu novamente, dessa vez alguns de seus seguidores o acompanharam.
– Cinco crianças contra nós. Acho que não. Há uns dez de nós para cada um de vocês. Isso sem falar na minha presença.
Harry apertou mais a varinha, encarou Voldemort e caminhou para mais perto, mais perto do inimigo e mais perto de Gina. Olhou para ela, que pode notar os sentimentos por trás dos olhos do namorado, uma lágrima lhe escapou, uma lágrima de amor.
Harry continuou se aproximando, cada vez mais, Voldemort também, até que o moreno estava a mais ou menos um metro de Gina e Voldemort mais a diante.
Todos no ambiente encaravam sérios a cena.
– Você não tem chance – respondeu Harry — Me fez vir aqui por amor, mas não entende nada sobre amor ou amizade. Você. Vai. Perder.
Harry atacou, o bruxo foi pego de surpresa mas só desviou indo para trás, Harry foi para frente.
Muitos comensais sacaram as varinhas, mas Voldemort gritou.
– Não! Não. Ele é meu.
Endireitou-se e preparou a varinha. Harry agora estava ao lado de Gina que conseguiu levantar o tronco. Mas ainda estava um pouco fraca e desarmada.
Ambos atacaram. Harry e Voldemort resistiram por alguns segundos, suas varinhas ligadas. Então Harry desviou o ataque para o teto fazendo destroços caírem entre eles.
Um momento de pausa, Ron e Luna correram até onde Gina estava, aos pés de Harry, que não a olhou, confiou nos amigos e concentrou-se em Voldemort.
Hermione e Neville haviam interceptado os ataques dos poucos comensais que tiveram coragem de desafiar as palavras do mestre. Mas tecnicamente não estavam desafiando, Voldemort queria apenas Harry.
Não demorou muito e mais alguns começaram a atacar também. Ron e Luna estavam um de cada lado da ruiva e as suas costas Harry havia começado um duelo com Voldemort. Gina estava, fraca, inútil e sem varinha. Apenas atrapalhando.
Harry saíra de onde estava e correu para um lado desviando de uma maldição.
Ron fora atingido num braço e Hermione tinha um corte na testa.
O número de comensais que começava a atacá-los foi aumentando e Gina tentava desesperadamente pensar em uma rota de fuga, uma das poucas coisas úteis que ela podia fazer. Olhou para a porta agora bloqueada por comensais e não havia janelas na sala. Nenhuma brecha no circulo onde estavam.
Uma explosão aconteceu de onde Harry estava, Gina não queria olhar, mas olhou. Harry estava bem, vivo, mas sua boca sangrava muito.
Gina procurou Draco, não estava com os pais e nem em lugar nenhum da sala.
Neville foi atingido no peito e caiu no chão, mas levantou-se e continuou a duelar. Luna saltou para um lado recebendo um feitiço de raspão. Gina se abaixou para desviar também. Não iriam mais aguentar por muito tempo.
Um grito de mulher. Mais um. Gina procurou quem tinha sido atingido. Mas não era nenhum dos seus, e sim uma comensal. Os que estavam perto da porta começaram a desviar a atenção dos jovens e se preocupar com o que quer que estivesse vindo de fora.
Nesse momento umas vinte pessoas entraram pela porta. Membros da Ordem. Entre eles Sirius, Tonks, Lupin, os pais de Gina e de Harry, entre muitos outros.
A verdadeira batalha começou.
Fale com o autor