Como pude odia-lo ???
53 Eu te amo
Notas iniciais
Os dois dias seguintes passaram extremamente devagar para Harry, por dois motivos. Primeiro, porque Gina ainda estava na enfermaria, ou seja, longe dele. Segundo, a conversa com Dumbledore teimava em não sair da sua cabeça.
Cada minuto ele se pegava refletindo sobre o que o diretor lhe dissera, ficava perdido em pensamentos a todo instante. Sempre que alguém falava com ele, o moreno não ouvia ou não prestava atenção, quase nunca percebia que era com ele.
A única coisa, fora da sua cabeça, em que ele pensava era em Draco Malfoy. Ficara observando o loiro durante as refeições, durante as aulas, e sempre que se cruzavam no corredor. Harry não notou nada de diferente ou anormal na rotina do garoto. Só uma coisa que o deixou intrigado, uma coisa que ele achou muito estranha. Ele visitava muito a enfermaria. Isso deixou Harry curioso. O que tanto ele ia fazer lá?
Harry visitava Gina regularmente, todos os dias. O ferimento em seu peito havia cicatrizado extremamente rápido, isso graças aos dons excepcionais de Madame Pomfrey em magia medicinal. Agora se resumia a uma fina linha branca acima do seu seio. Ela receberia alta naquele mesmo dia, sexta-feira, à tardinha.
Ao meio-dia, Harry decidiu ver a namorada, ele não fora naquela manhã porque acordou meio atrasado, então quis compensar no horário do almoço. O moreno comeu bem rápido e depois seguiu para a ala hospitalar.
Assim que entrou pela porta da enfermaria a comida que estava em seu estômago deu voltas. A cena que viu fez seu sangue subir à cabeça.
Draco e Gina (que já usava suas próprias roupas, e não mais as roupas hospitalares) estavam sentados um de frente para o outro na cama da ruiva, ambos estavam rindo. Estavam descontraídos e já pareciam bem íntimos. Quando os risos diminuíram Draco falou alguma coisa em um tom mais sério e pegou a mão da garota a sua frente.
– Gina?! – Harry disse, encarando perplexo.
– Harry! – disse Gina animada, ela não percebeu a tensão e raiva do moreno – Eu e o Draco mesmos estávamos...
Ela parou brutalmente de falar, notou Harry respirando pesado, seu peito inflando e seus punhos fechados, logo depois percebeu que estava de mãos dadas com o Malfoy, então ela entendeu. Soltou a mão do loiro rapidamente.
– Então é isso que você fica fazendo quando eu não estou aqui? – Falou ele enfurecido – Você fica se relacionando com esse tipo de gente?
Draco se levantou, não gostou nem um pouco do tom que Harry se referiu a ele, isso ficou muito claro.
– O que você quis dizer com esse tipo de gente Potter? – disse ele irritado.
– Ah, cala a boca Malfoy, que a conversa não chegou nas masmorras não, tá!
Draco ia revidar mas nesse instante Gina levantou também, dessa vez ela era quem estava enfurecida. Colocou a mão no ombro do loiro e olhou pedindo que não revidasse.
– Olha bem como fala com ele! – disse ela.
– Ah, vai dizer que agora você vai defender ele?! – zombou Harry.
– Vou defender ele sim! Ele é meu amigo e não há motivo pra você agir desse jeito!
– Precisa que uma garota te defenda Malfoy? É assim que você age quando está longe do seu pai? Não pode nem defender a si próprio. –Provocou Harry.
Draco serrou os punhos também.
– Ah, Potter, você vai se arrepender de ter dito isso...
Antes que Draco pudesse agir, Gina interviu novamente.
– Draco, por favor sai daqui. – disse ela.
– O quê? – ele estava incrédulo.
– Você ouviu, some daqui! – disse Harry.
– Isso mesmo, vai embora daqui. A gente conversa depois. – seu tom era decisivo e calmo ao mesmo tempo, não dava outra opção a não ser obedecer.
– Só por você Gina. – disse o loiro. — Até mais. — E ele saiu .
– Então, Weasley, como explica isso? – perguntou Harry.
– Espera! Weasley?! Desde quando você me chama assim?
– Desde que você começou a se relacionar com ele. – disse Harry –Então como você explica isso?!
– Não tem nada pra explicar, porque não aconteceu nada! – Gina estava enfurecida com o moreno.
– Ah, por favor, né! Eu vi você dois juntos, rindo e de mãos dadas, não minta pra mim!
– Não é nada disso Harry! A gente só tava conversado!
– Ah Gina! Eu sei o que eu vi! E acha que eu gostei? Não é nem um pouco legal chegar aqui e ver a minha namorada nesse tipo de situação com outro cara! Eu não gostei nada, nada disso! – Gina pôde notar que era verdade, estava estampado na face de Harry quando ele gritou aquelas palavras.
– E você acha que eu não sinto o mesmo?! – Gritou ela devolta – Acha que eu gosto quando você passa no corredor todo estiloso deixando milhares de meninas suspirando?! Acha que eu gosto também quando você vai treinar quadribol e tem torcida particular de garotas gritando seu nome da arquibancada?! Ou então quando tem alguma festinha na sala comunal e elas vem pra cima de você se esfregando e rebolando?! Acha que eu também não sinto ciúme?!
Harry quis falar mas Gina não o deixou, ela voltou a gritar.
– Eu confio muito em você Harry, muito mesmo! E acho que também mereço!
– Gina, você não entende, o problema não é você, é ele. Você não sabe o que ele é! E eu confio SIM em você!
– Não há problema algum com ele, você devia confiar no meu julgamento se realmente confiasse em mim! Mas eu to vendo que não é verdade! – ela o encarou – Acho que na verdade nada entre a gente é verdade.
– Gina você não entende?!!! – Gritou ele. – EU TE AMO!!!
Aquelas três palavras fizeram Gina se calar, ela não conseguiu mais respirar direito. Aquelas mesmas palavras que não saíam de jeito nenhum algum tempo antes agora pareciam extremamente verdadeiras e cheias de sentimento. Os olhos de Harry estavam molhados e ela não entendia o porquê de todo esse estres por cousa do Malfoy. Ele a amava. Era a única coisa que passava pela cabeça dela e a última que ela esperava ouvir naquele momento.
Gina ficou encarando os olhos verdes de Harry em silêncio total. O que podia dizer? Eu também te amo? Não. Não seria nada verdadeiro, não quando estava tão irritada assim com ele. Não depois de tudo o que disseram um para o outro.
– Porra! Eu te amo muito! – ele deixou uma lágrima cair, abaixou a cabeça e saiu.
Gina não teve forças para reagir. Então ficou lá, vendo ele ir embora.
Eu te amo. Ecoava em sua cabeça.
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