Como pude odia-lo ???
69 E agora?
Notas iniciais
A última coisa que Gina pode ver antes de desaparatar foram os familiares e enigmáticos olhos cinzentos de Draco, neles havia um misto de informações, que Gina não teve tempo de descobrir.
A única coisa de que Gina tinha realmente certeza era a pequena mão de Dobby apertando a sua firme, e ela sentia como se fosse um ponto seguro ao qual podia se agarrar.
Assim que seus pés tocaram o chão firme ela se sentiu exausta, preocupada e fraca. Abandonara a todos naquela batalha, os deixara para trás, e se sentia muito mal por isso. Se sentiu extremamente culpada por deixá-los, mesmo tendo o feito contra sua própria vontade.
Gina desequilibrou-se e caiu no chão, batendo contra um porta guarda chuvas de pé de trasgo, reconheceu-o imediatamente e soube onde estava. Olhou ao redor, o Largo Grimmauld estava deserto. Ela apoiou as costas na parede e olhou para os lados. Nenhum sinal nem de Monstro, o elfo da casa. Fechou os olhos por uns minutos, depois despediu-se de Dobby que partiu. E o silêncio reinou.
Um pouco depois, porém, ouviu um estalo de aparatação lá fora, alguém chegara. Gina levantou imediatamente e encarou fixamente a porta no fim do corredor, e assim que ela se abriu, Molly e Arthur entraram correndo.
– Gina! – Molly exclamou, chegando até a filha e a abraçando em menos de um segundo.
A garota a abraçou de volta mais apertado ainda, e ambas foram abraçadas pelo Sr. Weasley. Os três choravam muito, e assim que soltou a filha, Molly examinou todo seu corpo procurando ferimentos. Quando constatou que Gina estava bem ela voltou a abraçá-la. Depois do que pareceram horas para Gina elas se soltaram.
– Eu e sua mãe pensávamos que o pior tinha lhe acontecido, minha filha! – disse Arthur – Graças a Merlin você está bem.
– Ah, querida, eu... Eu... – pela primeira vez na vida, Molly não sabia o que dizer.
– Sim, mamãe, eu sei. Eu também.
Molly beijou a filha e deu espaço para ela.
Só então que Gina percebeu que muitas pessoas também haviam chegado. Ron e Hermione estavam abraçados e abraçaram Gina assim que ela os viu. Hermione tinha o cabelo emplastrado de sangue mas parecia bem, já Ron aninhava o próprio braço junto ao corpo e sorria ao ver a irmã.
Logo atrás estavam Luna e Neville, ambos também abraçaram a ruiva, Neville estava extremamente pálido e Luna tinha sangue escorrendo pelo cotovelo.
Gina sentiu uma alegria imensa ao ver que os pais e os amigos estavam vivos e bem. Ela que já chorava, sentiu mais lagrimas lutarem para cair. Mas, esse não era momento para isso, precisava ajudar a cuidar dos ferimentos dos outros.
Então foram para a sala, onde Luna limpou o próprio braço com ajuda de Neville e Gina cuidou da testa de Hermione.
Nesses poucos minutos Fred e Jorge também chegaram. Fred carregava o irmão pelos ombros, Jorge apenas resmungava. Assim que os gêmeos entraram na sala Arthur correu para ajudar, e ele e Fred colocaram Jorge no sofá. Só então que Gina percebeu que o irmão não tinha mais uma das orelhas. Molly correu em socorro dele e logo puxou uma caixa de bandagens e começou a enfaixar a cabeça do filho enquanto ele fazia piadinhas sobre orelhas com Fred.
Sirius chegou logo em seguida acompanhado de Marlene e Tonks, todos pareciam bem. Kingsley chegou depois, trazendo consigo a noticia da morte de Olho-tonto.
A noticia abalou muito a todos, inclusive Gina, que ajudava a mãe a cuidar de Jorge, e a ruiva nem conhecia Alastor direito.
Um sotaque frances chamou a atenção de Gina. Reconheceu imediatamente Fleur, sua cunhada, a namorada de Gui. Ela parecia preocupada e gritava freneticamente. Gina e Arthur foram até a porta da sala e viram Lupin e ela carregando Gui em seus ombros, o ruivo tinha o rosto aranhado e ensangüentado. O Sr Weasley foi ajudá-los e juntos levaram-no para um dos quartos.
Molly ficou apavorada quando soube sobre Gui, e então chamou uma medi-bruxa conhecida da Ordem para ajudar a cuidar dos feridos. A mulher logo colocou ordem em tudo, examinou a todos e medicou também. Mas, as maiores preocupações estavam em Jorge, se ele iria ficar surdo de uma orelha ou não, e principalmente em Gui, ninguém sabia se ele viraria lobisomem, já que os arranhões em seu rosto foram causados por Fenrir Greyback.
Quando tudo se acalmou, Gina foi para uma das suítes do ultimo andaar, que nunca era usadas e se isolou. Foi direto para o banheiro e arrancou as roupas de Bellatrix, que ela mal percebera que ainda usava, tomou uma ducha e voltou para o quarto. Vestiu uma camiseta enorme que estava no armário, ela não tinha nada de especial, mas ao menos estava limpa e não tinha o cheiro de morte e batalha que as outras roupas.
Gina se enfiou embaixo das cobertas, estava exausta, mas não conseguiu fechar os olhos. Milhares de informações rodeavam sua cabeça. A morte de Moody, a orelha de Jorge, o rosto de Gui (que poderia vir a se transfosmar em lobisomem), a morte de Dumbledore, os ferimentos de seus amigos e familiares, a morte de outras pessoas que ela não conhecia sendo membros da Ordem ou Aurores, a morte de Lily.
Lily. Ah, Lilían... De todas, essa era a morte mais injusta. Não que as outras fossem justas, longe disso, mas Lily não merecia. A mulher dera a vida para salvar a de seu filho, se jogara na frente da maldição de Voldemort para salvar a vida de Harry.
Harry. Onde estava Harry? Nesse momento que Gina percebeu o buraco em seu peito, a falta que o moreno lhe fazia, a angústia por não ter notícias dele. O que aconteceu com ele? Por que ele não estava ali junto com os outros? Já tinha mais de uma hora desde que a batalha terminara. Será que ele estava bem?
Gina se xingou mentalmente. Óbvio que ele não estaria bem, não estaria nada bem. Sua namorada tinha sido sequestrada pelo Lorde das trevas e durante o resgate sua mãe morrera. Ele devia estar acabado.
Os pensamentos de Gina foram cortados por uma leve batida na porta. Em seguida Luna entrou. A loira tinha duas xícaras, uma em cada mão.
– Está se sentindo melhor? – perguntou a Gina.
A ruiva assentiu observando as ataduras que envolviam o braço da amiga, era sua culpa elas estarem lá.
– Trouxe chocolate quente. – disse a loira entregando uma xícara – Sua mãe que fez.
– Obrigada. – Gina sorriu fracamente.
– Por nada. – ela sentou na beirada da cama – Então... Você que conversar sobre isso? Sobre outra coisa?
Gina suspirou. Queria conversar?
– Não sei. – disse por fim – Acho que só tenho umas coisinhas pra perguntar, se não se importar.
– Claro. – disse Luna.
– Como vocês souberam que eu já tinha voltado?
– Bom, eu soube na verdade. Vi Draco te levando embora, mas estava duelando, e perdi vocês de vista. Depois eu achei ele de novo, e ele disse que tinha mandado você pra cá.
– E você acreditou nele assim? – questionou Gina cética.
– Sim. Por quê?
Luna era meio ingênua, mas Gina não estava a fim de falar nisso, apesar de tudo a loira era uma boa amiga.
– Deixa pra lá. Outra coisa, e na verdade a única que eu realmente quero saber... Você sabe o que aconteceu com o Harry depois... Bem, depois da Lily fazer o que ela fez?
– Mais ou menos. Na verdade eu estava era preocupada com você, ruiva, mas acho que ele deve estar com o pai dele.
Gina suspirou de novo e tomou um gole de seu chocolate. Quentinho e acolhedor, como ela esperava.
– Luna, eu sei que você só está aqui pra me fazer sentir melhor e tudo, mas acho que agora a única coisa que eu realmente quero é ficar sozinha, tudo bem?
– Sim, claro, tudo bem sim. – disse Luna – Descanse um pouco, e tome o chocolate, vai se sentir melhor. Mais tarde nos falamos, ok?
– Ok. – Gina respondeu tomando mais um gole de chocolate.
Assim que Luna saiu, Gina colocou o chocolate na mesa de cabeceira ao seu lado e deitou na cama, puxando as cobertas até acima da cabeça.
Sua cabeça girava em torno de tudo o que aconteceu. E sobre como muitas daquelas coisas aconteceram por culpa dela, porque ela foi burra o bastante e se deixou sequestrar. Sobre como muitas pessoas que ela amava se feriram por ela, Gui, Jorge, Harry. E também como pessoas que ela nem conhecia morreram ou se feriram pelo mesmo motivo.
Gina fechou os olhos, queria esquecer de tudo aquilo, fingir que nunca aconteceu. Mas não podia, então simplesmente dormiu.
xXx
Gina abriu os olhos. Pela janela podia ver o céu escuro lá fora, já era noite.
Sentou na cama, sentia-se estranha, como se estivesse sendo observada, e de fato estava. No canto do quarto, o familiar par de olhos verdes a observava. Estavam vazios e avermelhados. Não pareciam os mesmos.
Por alguns instantes ela ficou parada, apenas tentando descobrir se Harry estava mesmo ali, se não era nenhum tipo de sonho. Mas não era. Ela constatou isso no momento em que Harry levantou e veio em sua direção.
Em um segundo ela estava em seus braços, com a cabeça em seu peito e as lágrimas escorrendo por seu rosto molhando toda a camiseta dele, que ela percebeu estar limpa. Provavelmente tomara banho e recebera cuidados quando chegou, mas nada disso importava no momento.
O que importava era apenas que ela estava segura em seus braços novamente, que as mão dele estavam em volta de sua cintura e que seus corações estavam juntos batendo em sincronia.
Gina olhou para cima, o rosto do moreno era uma mistura de sentimentos tão grande que ela não conseguiu decifrar. E naquele momento a única coisa que fez sentido no mundo era seus lábios nos dele e o amor transbordando.
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