Como pude odia-lo ???
70 Adeus
Notas iniciais
Era sábado de manhã, dois dias depois de toda a batalha. Todos ainda estavam muito afetados por tudo que aconteceu. As memórias da batalha ainda estavam frescas na mente dos bruxos.
Cada um que se feriu, cada um que deu a vida, cada sacrifício... Tudo. A orelha de Fred, o rosto de Gui, as vidas de Moody, Dumbledore, e Lily, entre tantos outros que não tinham nada a ver com o assunto, fossem eles membros da Ordem, amigos, ou familiares. Todos eles deram seu máximo naquela luta, para no final das contas não dar em nada.
Gina estava sendo egoísta, e sabia disso, ao pensar que tudo aquilo aconteceu por causa dela, por ela ter sido sequestrada. A verdade era que seu sequestro foi apenas um mínimo detalhe de uma coisa muito maior. Aquela batalha foi apenas a explosão de uma bomba que já devia ter explodido muito antes.
Aquela luta tinha sido o estopim de uma nova guerra, a segunda guerra bruxa, como poderia se chamada, e essa talvez fosse ser pior que a primeira.
Era triste que houvesse tantas baixas no lado da luz contra quase nenhuma no lado das trevas.
Alguns corpos haviam sido retirados da batalha, como o de Dumbledore e o de Lily, mas outros não se sabia que triste fim haviam tido, entre esses estava o de Moody. O auror havia morrido bravamente enquanto lutava, isso se tinha certeza, mas ainda assim, não podiam fazer nada a respeito.
Na noite anterior, sexta-feira, foi realizado um brinde em homenagem a ele. Todos os que estavam reunidos na sede da ordem, isso incluía praticamente todos os que tinham estado na batalha e mais algumas outras pessoas, brindaram em homenagem a Alastor Moody, ou como era conhecido: Olho-tonto Moody.
O clima estava pesado e tenso, e o ar dentro da casa ficou ainda pior durante o brinde. Todos ficaram na sala. Alguns, como a Sra. Weasley, resmungando orações baixinho, outros apenas sentados em silêncio sozinhos.
Gina e Harry ficaram juntos o tempo todo, sentados um ao lado do outro de mãos dadas. Nenhum deles falou uma palavra, mas estavam ali, um apoiando o outro.
xXx
Era manhã de sábado, o céu estava nublado e cinzento. Gina estava de pé ao lado de Harry, as mãos dadas, como haviam permanecido pelos dois dias anteriores quase o tempo todo. Harry vestia um terno preto, e Gina um vestido com mangas. Estavam no cemitério de Godric's Hollow, no funeral de Lilian.
Harry estava muito afetado pela morte da mãe, e ainda mais por ela ter morrido para salvar sua vida. Ele sentia culpa por isso. Não podia aceitar isso. Ele já havia chorado muito por ela, e a única pessoa que conseguia acalmá-lo era Gina.
Muita gente falava muitas baboseiras sobre Lily, e Harry sabia que não era nada verdade, lhe dava nojo ouvir tudo aquilo sobre sua mãe, mas ao mesmo tempo ele não tinha forças para corrigir ou censurar ninguém.
Olhando para o caixão à sua frente o moreno sentiu as lágrimas lutarem para cair outra vez... Ela estava tão linda ali. As roupas arrumadas, as bochechas maquiadas, e os olhos fechados, parecia apenas estar dormindo, mas Harry sabia que desse sono ela jamais iria acordar.
Antes de baixarem o caixão todos fizeram silêncio e cada um prestou sua homenagem a ela Só havia pessoas intimas ali, família e alguns amigos, nada muito grande. Alguns baixaram as cabeças e oraram por ela, outros apenas fizeram silêncio em sinal de respeito.
Gina deu alguns passos até o caixão e depositou uma pequena flor branca junto às muitas que já estavam lá. Harry a acompanhou, mas ao chegar perto ele não se conteve e se jogou em cima dela chorando, seu pai chegou também, e ambos choraram juntos. Gina se afastou para dar mais privacidade a eles.
A ruiva também chorava, mas procurava se manter forte, precisava dar apoio a Harry que estava sofrendo infinitamente mais que ela. Tinha que se manter lúcida e serena para ficar ao lado de Harry, ele tinha o direito de perder o controle, ela não.
Depois do que pareceram horas, Harry e Tiago recuperaram-se, se afastaram do caixão e permitiram que o mesmo fosse fechado. Com mais algumas palavras de carinho e afeto baixaram-no e por fim, Tiago colocou um buquê de lírios cor de laranja sobre o túmulo.
A maioria das pessoas foi embora, Gina queria ficar mais, mas sua mãe insistiu para que ela fosse embora. Então ela foi até Harry se despedir.
–Harry – disse tocando o ombro do namorado que estava de costas – Minha família está indo embora, querem que eu também vá. Tudo bem?
– Claro, você já fez tudo o que podia por mim. Eu te amo.
Gina teve vontade de chorar, a fragilidade na voz do moreno era de cortar o coração, e ao dizer aquelas palavras ele mesmo quase desmoronou. A ruiva o abraçou.
– Eu também te amo. – sussurrou perto do ouvido dele – Muito. – completou.
Ele a apertou mais forte. E ela continuou falando.
– Você sabe que se ela não tivesse feito isso eu faria, não é? – a pergunta de Gina soou mais como a afirmação que era.
– Não diga isso.
Ele afundou a cabeça nos cabelos ruivos da namorada, que lhe traziam tanto conforto no momento, assim como haviam feito durante todo o tempo depois da batalha. Ela era o único porto seguro que ele tinha. O perfume dela era a única coisa que ele queria sentir, o corpo dela era a única coisa que queria abraçar, a sabor de seus lábios eram a única coisa que faziam a dor diminuir por alguns instantes ao menos.
Eles se encaram, e trocaram um último beijo. Calmo e desesperado, sensual e inocente, rápido e lento, simples e especial.
Então Gina teve de ir embora, e Harry se juntou ao pai em frente ao túmulo de Lílian.
xXx
Mais tarde, naquele mesmo dia, aconteceu o funeral de Dumbledore. Este, foi muito mais público e com muito mais gente. Como era de desejo do próprio Dumbledore, ele foi enterrado em Hogwarts, um monte de cadeiras foram colocadas nos jardins de onde todos puderam assistir ao funeral.
Harry, ficou apenas sentado em silêncio ao lado de Gina. Claro que a morte do diretor o afetou, eles ainda não eram nada próximos, e nunca seriam, mas ainda assim eles tinham um começo de relação surgindo ali.
Depois de tudo, Harry puxou Gina para dar uma volta perto do lago.
Ninguém voltaria para Hogwarts tão cedo, depois de tudo que aconteceu os alunos, em especial os envolvidos na batalha. Eles foram liberados de algumas semanas de aula, assim poderiam passar alguns dias em casa para descansar e se recuperar.
Harry sentou com Gina embaixo de uma árvore às margens do lago.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, então o moreno falou.
– Dumbledore me deixou uma tarefa. – disse apenas, como se explicasse tudo.
– Como assim? – perguntou a ruiva.
– Ele quer que eu termine o que ele tinha começado. Quer que eu continue na missão para derrotar Voldemort. Procurando e destruindo as horcruxes.
– Mas como? Ele lhe deixou explicado como fazer isso? Deu alguma instrução do que fazer?
– Não, não exatamente – Harry suspirou – Ele me dizia tudo o que descobria, me contava cada informação que descobria...
– Então você sabe o que fazer?
– Sim e não. – disse Harry, e depois de alguns instantes continuou – Ele também me deixou uma coisa.
Harry puxou uma pequena caixa preta do bolso.
– Ele deixou isso com a professora Minerva, ela me entregou pouco antes da cerimônia começar. Era como se ele já soubesse que iria morrer, entende? E ele queria ter certeza que isso iria chegar até mim o mais rápido possível.
Gina assentiu e pegou a caixa nas mãos, dentro havia um medalhão de prata, com uma serpente incrustada.
– É o medalhão de Slytherin, mais uma das horcruxes de Voldemort. Acho que Dumbledore não teve tempo de destruí-lo, agora cabe a mim fazer. Esta e mais três horcruxes.
– Como vai destruí-las?
– Não sei nem o que são as outras, muito menos como as destruirei.
Gina soltou o medalhão na grama ao seu lado para abraçar Harry, mas uma coisa chamou a atenção, o medalhão se abriu. Dentro dele havia um bilhete.
“Ao Lorde das Trevas
Sei que a muito estarei morto quando ler isso, mas quero que saiba que fui eu quem descobriu seu segredo. Roubei a horcrux verdadeira e pretendo destruí-la assim que puder. Enfrento a morte na esperança de que quando você encontrar um adversário à altura terá se tornado outra vez mortal.
R. A. B.”
Nenhum dos dois sábia o que significava aquela mensagem, apenas que aquela não era um horcrux, e que teriam de encontrar esse R. A. B., saber se ainda estava com a verdadeira e como poderiam destruí-la.
– Então o plano é sairmos pelo mundo caçando horcruxes? – perguntou Gina.
– Sim, mas apenas eu, Ron e Hermione.
– O quê? Como assim? Por quê?
– Eu não queria ter que fazer isso Gina, mas acho que é melhor terminarmos esse relacionamento por enquanto. Não quero que se envolva e se arrisque mais.
– Não! Não pode, não podemos...
– Gina, acredite em mim, vai ser melhor assim. -disse por fim.
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