Como Ser O Pior Aluno de Hogwarts

6 Lição 5 – Voar em uma vassoura não é tão fácil quanto parece.


Logan e Albus saíram do salão principal e sumiram no meio do mar de alunos que dirigiam-se para suas classes. Era uma bagunça dos infernos. Garotas conversando histericamente, rapaz balançando as varinhas para todos os lados, a animação podia ser tocada de tão palpável. O escocês mantinha a pálpebra do olho escuro fechada. Era melhor tomar esta precaução até ter aula com Black depois do almoço. Mas aquela manhã, ele seria única e exclusivamente de Royer.

Ele não estava nem aí para os avisos que recebera. Sabia muito bem que cada um era cada um, não podia julgá-la sem conhecer, e estava ansioso demais para conviver com alguém tão intrigante.

— Por que você está com o olho fechado? – Al perguntou, notando a cautela de Kendrick com o órgão. – Está assim desde que a Victorie fez o feitiço do nó.

— Caiu alguma coisa no meu olho. – Mentiu. Não estava com o menor saco para explicar sobre seus poderes adicionais.

— Você sabe que não sei onde fica nada por aqui, não é mesmo? – O garoto falou, assim que desviaram de um grupo da Corvinal que trocava figurinhas dos sapos de chocolate.

— Sei. – Ele respondeu, abrindo caminho no meio da multidão. – Só queria te tirar de lá. Você estava tão encolhido que era capaz de entrar em uma caixa de fósforos. – O mais novo riu, porque não sabia o que era uma caixa de fósforos. – Qual o motivo daquilo, afinal?

— Porque meu nome é Albus Severus, e o primeiro nome do diretor Snape, que os outros estavam chamando de seboso, era Severus. – Os dois pararam em frente a um conjunto de escadas com pouco movimento. – Não ia demorar muito pra me chamar de seboso também. Eles sempre fazem isso. – Potter ficou triste ao se lembrar das provocações dos primos.

Logan riu. Sabia muito bem o que o menino estava passando. Tente ser um garoto cujo nome do meio é Ariel. Era nome bíblico, primordialmente masculino que significava “Protetor de Deus”, porém depois daquele filme da Disney, virara um nome comum de dois.

Nos tempos de St. Patrick, era a principal razão que o fazia parar em privadas e socado dentro de armários, mas também ser extremamente ranzinza e não levar desaforo para casa contribuíam muito para que sempre fosse surrado.

— Você podia se chamar John Smith que não ia adiantar nada. Iriam acabar arranjando outra coisa pra servir como estopim de um gracejo. – Kendrick disse, deixando sua mochila com os materiais no chão, depois que um grupo de garotas da Sonserina sumiu enquanto subiam as escadarias.

— Meu pai diz o mesmo, que deveria me sentir orgulhoso por ter o nome dos dois maiores diretores de Hogwarts, mas é estranho, Albus Severus... – Potter deu de ombros, parecendo querer sumir dentro das vestes.

— Um nome, é só um nome. O que interessa é o que você faz com ele. – Falou como se estivesse fazendo um discurso para uma enorme platéia hostil. – Só depende de você. Você quer ser Albus Severus, O Cagalhão, aquele esconde quando o problema aparece ou quer ser Albus Severus, O Cara, aquele enfrenta o que vem pela frente, sem medo do perigo?

— A segunda. – Al ria da palavra “cagalhão”. Harry não deixava os filhos falarem palavrões em casa.

— Então muleque, estufa esse peito e fala bem alto. “Eu sou Albus Severus e sou foda”.

— Eu sou Albus Severus e sou foda. – Potter obedeceu e falou bem confiante. Tão confiante que deixou Logan orgulhoso. Parecia até que era pai do garoto.

— Quando ficar com medo, se lembra disso. – Kendrick apanhou a bolsa e começou a descer as escadas, criando uma saída dramática e triunfal, mas sem ter a menor noção para onde tinha que ir para chegar nas masmorras.

Fazia mais uma hora desde que deixara Albus e ainda não encontrara a sala de Poções. Era atrasado por natureza, nunca conseguia aparecer na hora marcada em lugar nenhum, o que aumentava sua fama de desleixado e preguiçoso.

Agora o atraso era justificável, se perdeu nos longos corredores e escadas. Tudo parecia ser igual, e em algumas ocasiões tinha sensação de ter passado pelo mesmo lugar umas três ou quatro vezes.

Estava em lugar escuro, com uma luz rala vinda de alguns buracos nas paredes feitas de pedra e cobertas por um limo espesso e viscoso. As abóbodas, os filetes de água gotejando do teto e o vento que andava por todo o caminho sombrio criavam uma atmosfera típica de filme de terror, só faltava aparecer um fantasma por ali, um zumbi em decomposição ou o próprio Freddy Krueger.

“Será que ela já foi?” pensou ao pisar em uma sala cuja placa na entrada dizia: “Sala de Poções”. Era o local certo, mas na hora errada. Aproveitou para dar mais uma olhada. As bancadas eram do mesmo material das paredes, com um tampo de madeira bem lixado. Se fosse adivinhar, diria que eram de nogueira, mas a pouca claridade o impedia de afirmar com certeza.

Onde deveria ser a mesa da professora, havia um caldeirão, grande, provavelmente de estanho, com uma fogueira acesa. Podia ouvir algo borbulhando ali dentro, porém não estava com a menor vontade de olhar o que estava sendo feito. Nas paredes, havia várias prateleiras com os mais diversos tipos de poções. Pareciam àquelas exposições de museus em que se têm fetos em formol e órgãos danificados por doenças esquisitas.

O ambiente era mais sombrio do que do lado de fora, nem mesmo a luz que entrava pela janela gradeada servia para melhorar o aspecto da sala.

— Se for chegar atrasado a todas as aulas, me avise. – Lily apareceu do nada, bem atrás dele. Logan dava graças a deus por não ter comido muito no café, senão, uma tragédia teria acontecido e passaria uma vergonha inimaginável. – Assim fico mais tempo na cama e não perco meu tempo com preguiçosos inúteis.

Kendrick se virou para encará-la. Arqueou a sobrancelha esquerda com um olhar extremamente pretensioso. Ela usava uma blusa branca com botões pretos, a primeira casa estava aberta, podia ver a corrente prateada de um colar próxima a pela clara do pescoço, os cabelos escuros estavam soltos e caídos sobre os ombros, a saia preta era bem justa ao corpo e na altura do joelho. Estranhou que não a tivesse escutado se aproximar, já que a morena calçava sapatos de salto alto.

— Você também está atrasada. – Falou, abrindo um sorriso no rosto.

— Eu sou a professora aqui. – Disse, ranzinza. – E é Senhorita pra você. Não temos essa intimidade toda.

— Ainda. – O sorriso ficou mais largo. – Mas até o recesso de natal, quem sabe não mudamos esse quadro.

— Eu tiraria pontos da Grifinória pela insolência. – A professora desviou do aluno, colocou a bolsa preta sobre a bancada mais próxima e sacou a varinha. — Mas não teria graça nenhuma sem ninguém pra ver esse sorriso idiota sumir rapidinho.

— Você me ama, Royer. – Falou Kendrick de forma presunçosa. – Desde o instante que viu esse jovem escocês, alto e bonitão... – Não conseguiu nem terminar a frase.

— Accio Mandrágora. – Pronunciou Lily, com a testa franzida, em uma careta de desdém, e apontando a varinha para o final da sala.

— Filha duma... – Praguejou, sentindo uma dor aguda que percorria todas as terminações nervosas do olho escuro.

Era um pouco mais fraca que da outra vez no Expresso Hogwarts, entretanto era pungente, penosa e torturante. Queria pegar um canivete e tirar o globo sem anestesia de tão forte que era.

— Acostume-se com isso. – A professora bateu com o indicador entre as sobrancelhas de Logan, depois de pegar o frasco que continha algumas frutas minúsculas em um tom verde amarronzado. Ele apertava a palma da mão contra o local. – Será assim todas as vezes que ver um feitiço sendo feito pela primeira vez.

— Podia ter me avisado o que ia fazer. – Reclamou o rapaz, reabrindo o olho novamente. – Teria me preparado pro que viria.

— E qual a graça disso? – Ela tinha um tom bastante etéreo que irritou o escocês. – Recomponha-se. Precisamos compensar o tempo que perdermos por causa do seu atraso.

Agora ele entendia o que Black falara. Lily não estava para brincadeira, mas quem disse que Logan se importava?

Era perto do meio-dia quando o sino avisando sobre o almoço sooou.

— Aonde pensa que vai? – Brigou Lily quando Logan apanhou suas coisas jogadas no chão.

— Pro almoço. – O escocês respondeu, massageando a testa com as costas da mão. – Não ouviu o sinal tocando.

— Ninguém mandou você chegar com quase uma hora e meia de atrasado. – Ela deixou a varinha de madeira escura próxima a alguns pequenos caldeirões sob a bancada e começou a procurar por algo dentro da bolsa.

— Mas eu estou faminto. – Reclamou o aluno, fechando o rosto como uma criança birrenta. – Parece que vai sair um alien de dentro do meu estômago.

— Senta aí. – A professora apontou para um dos bancos a sua frente.

Ele atendeu. A cabeça latejava um pouco, parecia que tinha tomado um porre daqueles e acordara com uma ressaca incrivelmente forte. As têmporas doíam, a testa, os olhos, até piscar fazia a aflição das horas anteriores voltarem. Royer não estava para brincadeiras. Ela era bastante severa e rígida.

Viram todos os tipos de azarações básicas. Como a professora dissera, ele precisa estar pronto para qualquer coisa que os alunos de Hogwarts soubessem. Claro, não conseguiram pegar tudo durante aquelas poucas horas juntos, tinham que dar alguns minutos de descanso para que o escocês se recuperasse. Ele tinha que admitir que Lily parecia entender tanto quanto Black sobre sua condição rara.

— Sirva-se. – A morena deixou algumas barras de chocolate sobre a mesa e tirou uma garrafa de dentro da bolsa.

— Dr. Pepper? Não pensei que fosse ver uma tão cedo. – Logan olhou para o refrigerante, enquanto a professora transfigurava dois caldeirões de estanho em copos de vidro.

— Não gosto muito de suco de abóbora. – Partiu um pedaço do doce e comeu.

— Péssimas lembranças? – Ele serviu os liquido gaseificado, colocando um pouco em cada vasilhame.

— Não vou conversar sobre isso com você. – A professora rebateu, antes que o aluno fizesse alguma piada. — Não insiste.

— Tudo bem. — Por mais que quisesse saber mais sobre Lily, não iria forçar, já que ela ainda tinha o poder de fazer da vida do escocês um inferno. – Mas pode me contar como sabe tanto sobre o exscribend testatem?

Ela soltou um suspiro e revirou os olhos. Pelo jeito, parecia pedir demais por uma refeição em silêncio e tranqüila.

— A minha mãe estudava a bruxaria do ponto de vista genético. – A morena respondeu, sem dar muita importância. – Ela criou uma teoria de que uma seqüência específica de genes era responsável para determinar se alguém é bruxo ou não. O que explicaria por quê existem pessoas que nasceram em famílias de bruxas, mas não conseguem fazer feitiços e por quê existem aqueles que nunca tiveram contato com o mundo mágico e nascem capaz de fazê-lo.

— Teoria interessante. – Comentou Logan, enquanto comia.

— Não me interrompa. Ainda não terminei. – Ralhou Lily.

Ele apenas balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Numa das pesquisas, ela topou com uma condição anormal. Uma característica recessiva que apenas alguns indivíduos apresentavam e que era baseada na heterocromia. Isso acabou mudando o foco da pesquisa, e ela passou a estudar os que possuíam esses genes. – A professora deu um gole em seu refrigerante. – Depois de algum tempo, minha mãe deu o nome de exscribend testatem, o Olho Copiador. Estou continuando a pesquisa dela.

O escocês coçou a têmpora. Era por isso que Lily estava interessada nele. Era puramente científico. Como se fosse uma cobaia que fala um monte de besteira. Ficou deprimido, lógico, mas quem disse que não poderia ser proveitoso? Se ela estava usando-o também poderia usar a situação a seu favor. Criar uma situação ganha-ganha.

— Então, eu sou só um rato de laboratório. – Levou a mão ao peito, e usou o tom mais dramático possível, fazendo uma interpretação bastante jocosa e caricata. Podia até trabalhar numa novela de tão canastrão. – Vou chorar, achava que significava mais pra você.

— Está dispensado. – A morena pegou o copo de Dr. Pepper do escocês e derramou dentro do seu.

— Não vai nem me deixar terminar o refrigerante? – Ele franziu a testa e abaixou para apanhar o material.

— Você não merece dividir um Dr. Pepper comigo. – Ela falou de forma severa. – Agora cai fora, Logan.

— Há, me chamou pelo primeiro nome. – O escocês tinha um sorriso de orelha a orelha no rosto e apontava para a professora com o indicador em riste. – E você está rindo!

As sardas dela foram tomadas por um vermelho carmim. Kendrick achou aquilo bonito, um sinal de que talvez, ela não fosse ser tão impessoal quanto ele pensou que seria.

— Sai fora antes que te transforme em um sapo. – Ameaçou, balançando a varinha de um lado para o outro.

— Estou indo, estou indo. – Botou a mochila nas costas e caminhou em direção a saída. – Você devia rir mais, tia. Tem um sorriso muito bonito e combina mais com você do que essa cara de solteirona mal-comida. – Comentou antes de sumir.

Agora sim ela ficara envergonhada.

Logan caminhava apresado rumando do campo de quadribol. Se perder por entre as milhares de escadas e trilhas do castelo fora útil. Pelo menos agora sabia como andar por todo o castelo sem se perder. Precisava apenas lembrar-se de ser educado com as portas, já que elas também pareciam ter vida própria.

— Está atrasado Sr. Kendrick. – Oliver disse, assim que o escocês pisou no grande gramado com os aros e a marcação do esporte bruxo.

Oliver era um bruxo alto, devia ter quase 1m90, forte, porte de goleiro mesmo. A mão era tão grande que fazia medo. Também devia ter os dedos estourados de tantas lesões. Se fosse no futebol, o aluno podia apostar que ele estaria na seleção inglesa. Entretanto, não se sentia nenhum pouco intimidado.

— Me perdi pelos caminhos da vida. – Falou, arrancando risadas dos garotos menores. Tinha visto isso em um mangá antigo e estava doido para usar a frase.

— Engraçadinho. – O professor foi sarcástico. – Vá para o fim da fila, ao lado do Potter e da Weasley.

Albus e Rosie ficaram animados ao verem Logan se aproximando. A vassoura destinada a ele era maior do que a dos outros, mas do mesmo modelo. Dava para ver o nome “Nimbus 2000” gravado no cabo.

— Bom, voltando ao que estava explicando. – Continuou Wood. – Até o ano de 1998, os alunos do primeiro não tinham autorização para possuir uma vassoura, mas essa regra foi revista durante a reconstrução da escola após a batalha de Hogwarts, na Segunda Guerra Bruxa. Desde então, a vassoura é visto como matéria pessoal, apesar da escola ter um número limitado para os alunos que quiserem usar durante as aulas de vôo.

“Seria bom comprar uma.” Pensou o escocês, refletindo se devia usar um pouco das 20 mil libras que juntava para ter uma vassoura própria.

— Outra regra importante é sobre o quadribol. Tem um limite de idade para participar dos times. Anteriormente era preciso ter apenas 12 anos, mas com o acidente do ano passado, quando o apanhador da Grifinória se perdeu na floresta negra e reapareceu três dias depois, todo arrebentado, o Conselho de Pais e Mestres decidiu elevar para 13 anos a idade mínima.

Os burburinhos e reclamações começaram. Toda aquela energia juvenil disposta a discutir e berrar para poder entrar nos times.

— Isso não é justo. – Falou bem alto um garoto de cabelos loiros e olhos cinzentos da Sonserina. – Harry Potter fez parte do time da casa dele com 11 anos e foi um dos melhores apanhadores da escola.

— Eu sei... Scorpius. – Leu o nome o nome do menino na lista, achando estranho um Malfoy fazer tal elogio a Potter. – Joguei com ele, sei que era singular, mas Harry foi uma exceção. E por mais que eu pensei que é uma regra estúpida, estou de mãos atadas.

Logan segurou a vontade de gritar “Haha, eu posso jogar”.

— Agora estiquem a mão direita e digam: suba.

— Suba! – Berraram todos juntos.

De alguns, a vassoura nem se mexeu, de outros atendeu prontamente e parou direto em suas mãos. A de Kendrick se ergue e ficou firme entre os dedos, mas sacudia de um lado para outro, de forma rebelde. Estava admirado. A história de que vassouras e bruxos combinavam parecia ser real. Mais uma coisa que estava guardando para contar a Holly.

— Os que conseguiram que a vassoura acatasse a ordem, montem-nas e dêem um leve impulso com os pés. Quem não conseguiu, continue tentando, que uma hora elas aceitam. – Oliver orientou, se aproximando de Rosie para ajudá-la.

Logan fez como o professor ensinou. Colocou o objeto entre as pernas e deu um pulo. Talvez tenha usado força demais.

A vassoura subiu e subiu e voou em linha reta. A partir daí, foi típico de uma comédia pastelão. Ela ia em alta velocidade, para cima e para baixo, da direita para esquerda, quando bem entendia. Dava alguns pinotes, como se tentasse derrubar quem a montava. Parecia mais um cavalo xucro do que outra coisa, e tudo o que o escocês podia fazer era se segurar.

— Diaba, pára sua diaba. – gritava o escocês a plenos pulmões. – Sossega esse rabo seco em algum lugar.

Mas o objeto não escutava. Pulava e balançava, indo para onde bem entendia.

Oliver tentava dar instruções, mas Logan não às escutava. E professor também não podia subir para acudi-lo, porque os alunos menores estavam na mesma situação, com as vassouras desgovernadas, querendo sair para tudo quanto era lado.

“Já que se comporta como um cavalo, vou tratar como um cavalo”, disse Kendrick a si mesmo, lembrando de quando fora a fazenda de um tio de Holly e que montara pela primeira vez.

Segurou o cabo com as duas mãos e puxou-o para trás como se fossem duas rédeas. A rapidez com que se movia foi diminuindo, diminuindo, até ficar parado no ar, apenas flutuando. “Hey, deu certo” exclamou, atônito com o resultado. Abaixou lentamente a vassoura, fazendo-a ganhar velocidade aos poucos.

Tinha que admitir, apesar do susto, voar era legal. O vento batia nos cabelos, esvoaçava a roupa e dava uma sensação de liberdade única. Podia ser comparado com andar de moto, mas nem chegava perto. Era algo indescritível, só fazendo para saber.

Agora só faltava uma coisa aprender a aterrissar.

Quando embicou o cabo para baixo, mais uma vez, colocou força demais. Começou a descer como um míssil teleguiado. Rodava as mãos em torno dos comandos, mas isso piorou a situação, ao invés de só cair, agora ele rodopiava, dando loopings.

A velocidade lacerante aumentava a medida que se aproximava do chão, comprimiu braços e pernas, podia sentir o cheiro da grama se vindo mais perto, por sorte, não escutava nada, a não ser o sussurro forte do vento criado. Fechou os olhos, seria um tombo e tanto, podia quebrar alguma coisa na queda.

Então, a vassoura deu rasante próximo a terra, deixando todos estupefatos. Ninguém acreditava na habilidade do novato. Que de habilidade não tinha nada, era tudo um golpe de sorte e improviso. Quando sentiu as costas rasparem no chão, abriu os membros, soltando-se do objeto, que fez um pouso suave na grama, enquanto Logan quicava parecendo uma bola de basquete e até parar perto de um dos aros.

As palmas ecoaram bem alto. Parecia ter sido um show magnífico de acrobacias aéreas.

— Quem viu, viu. Quem não viu, assiste no youtube. – Gritou o escocês, sentindo dores e o estômago revirando.

Apesar do tombo, estava decido. Ia comprar uma vassoura daquelas.