Como Ser O Pior Aluno de Hogwarts

7 Lição 6 – Quadribol pode ser um esporte violento


A aula de Oliver acabou melhor do que começara para os estudantes do primeiro ano. Boa parte da turma dominara o básico sobre voar numa vassoura. Se o professor fosse escolher o melhor aluno, com certeza seria Albus Potter, com Logan em segundo. Potter era pequeno e ágil, lembrava muito Harry no inicio de seu período em Hogwarts.

Enquanto os alunos retornavam para as a salas comunais, o escocês permanecia sentado no gramado, com as costas apoiadas na muralha de pedra. A mente viajava sobre aquele dia absurdo que estava tendo, sobre o quanto queria contar para alguém, mas o celular não funcionava de maneira nenhuma.

As barras de sinal ficavam zeradas o tempo inteiro. Nem mesmo em campo aberto. Tudo bem que não era o melhor dos aparelhos, entretanto, em tempos em que se tem uma torre de telecomunicação a cada dez metros, satélites que ligam qualquer um a qualquer país do mundo, era de se esperar que cumprisse sua função

— Pronto pra jogar? – Roxie vinha junto com Fred, ambos carregando um malão parecido com o que os estudantes usavam para guarda os livros e o resto de suas coisas.

— Vamos ver como ele se saí. – O garoto Weasley falou, jogando o baú de madeira na grama enquanto a irmã tirava as três vassouras de cima. – Precisamos urgente de jogadores. Os melhores jogadores do time foram embora, temos só a Roxie e eu, que somos artilheiros, o Teddy, que é goleiro e o Fiennes que é o apanhador.

— E um dos piores que já tivemos. – Emendou a irmã. – Perdemos todos os jogos no último campeonato porque o idiota pegava tudo, menos a droga do pomo de ouro.

Fred balançava a cabeça vergonhosamente, relembrando-se do ano anterior, considerado o pior resultado na história da casa. Havia sido a primeira vez, durante toda a existência de Hogwarts, que Grifinória perdera todas as partidas por mais de 400 pontos de diferença. Uma temporada para ser esquecida.

— Outro ano irmã. – Fred tirou de dentro do baú uma bola de couro vermelha, parecida com uma de futebol, mas que continha três cavidade em partes diferentes, uma alça nas laterais. – Segure a Goles, veja como se sai com ela. — Atirou-a para o escocês, que se enrolou com a esfera, que pulava de um lado para outro, enquanto ele tentava a todo custo e não a deixar cair no chão. Era mais pesada do que parecia. Devia pesar quase dez quilos, igual a uma bola de pólo aquático, e se caísse no pé, era capaz de arrancar um dedo fora.

— Isso se atira nos aros para quando o goleiro está fora da jogada. Cada gol vale 10 pontos. – Explicou a ruiva, apontando para as traves e tentando conter o riso, vendo o embaraço de Logan com o objeto. – Definitivamente, ele não é um artilheiro.

— Quem sabe apanhador? – O Weasley se abaixou e mexeu em duas portinholas na tampa da mala, que tinha a palavra “Pomo” entalhada.

— Melhor não. – O escocês viu a pequena esfera dourada, do tamanho de uma noz na ma palma da mão de Fred. Reluzia, brilhante, com ar de que havia sido polida a pouco tempo. – Sou uma negação em apanhar coisa, ainda mais uma tão pequena. – Rejeitou a idéia.

A explicação de Mark ainda estava fresca em sua cabeça. O apanhador era a posição mais importante do time, era dele a responsabilidade de encerrar a partida e uma das posições mais visadas. Seria como o camisa 10 de uma equipe de futebol, por isso, todo mundo queria ser um.

— Ele tem razão Fred. – A garota levou a mão ao queixo e coçou embaixo do lábio. Estava analisando o grande rapaz a sua frente. Ele tinha os braços grandes, seria bom para tentar pegar o pomo, mas altura e peso poderiam atrapalhar na agilidade que a posição requeria, sem tirar que ainda não voava muito bem em uma vassoura. – Tome. – Entregou um bastão de madeira, parecido com um taco de baseball, porém mais curto.

— Parece um taco de cricket. – Logan olhava para peça, familiarizando-se com o artefato.

— Quando a bola vier na sua direção, acerte-a com toda a força. – Fred disse, se abaixando para soltar a trava que mantinha a gaiola de metal que prendia uma das esferas rebeldes que sacudiam ferozmente dentro de sua cela.

Mal o ruivo libertou o balaço de ferro, do tamanho de um melão, voou com o objeto de alvejar o rosto de Kendrick. Por reflexo, deu um golpe certeiro no objeto, quando estava a meio metro de alcançar o que planejava. A peça subiu com velocidade, igual a um foguete, atravessou as arquibancadas, fazendo um estrondo e desapareceu quando entrou no meio das árvores da Floresta Proibida.

Foi impressionante. Os dois Weasley nunca tinha visto um balaço ser atingido com tanta precisão e tanta violência. Talvez fosse exagero, mas com certeza ele poderia ser jogador profissional se conseguisse fazer o mesmo a bordo de uma vassoura e em pleno calor da partida.

— Caraca. Viu isso Roxie. – Fred olhava, tentando em vão, encontrar aonde a esfera tinha caído. – Imagina se Macmillan toma uma dessas bem no meio do estômago?

— Raquitico do jeito que é? Vai passar uns quinze dias apagado na enfermaria. – Ela disse, quando seus olhos avistaram a peça de ferro voltando, dessa vez mais raivosa do que quando fora solta.

— Sai da frente. – O escocês gritou, empurrando-a e acertando o balaço de novo. A bola esvoaçou e entrou na janela de uma das torres do castelo. – Acho que vou gostar disso. – Declarou, colocando um sorriso no rosto dos Weasley.

— Ótimo. – Roxie disse animada. – Eu te colocaria no time agora mesmo, mas as regras não permitem. Teremos teste amanhã depois das aulas, se você for, pode ter certeza que vai passar.

— Tudo bem. – Respondeu, sem graça.

Era a primeira vez que diziam que era bom em alguma coisa. Nem mesmo no futebol, que era seu esporte favorito. Geralmente o jogavam no gol, porque não precisava de muita habilidade para ficar debaixo das traves. Mas ao que parecia, não sofreria do mesmo mal em Hogwarts, o que em si, já era uma evolução.

Logan se divertira durante o jantar. Roxie e Fred contavam aos primos completamente empolgados sobre o que o que acontecera no campo de quadribol. O grupo parecia compartilhar da euforia. Pelo jeito, o time da casa poderia ter algum tipo de salvação.

Apesar disso, os sentidos do escocês estavam mais preocupados com outra coisa. Estava absorto no tempo que partilhara com Royer. Na verdade, impressionado de ter saído vivo daquela sala de aula.

O seu bem-estar não devia ser uma prioridade para a professora, dada a veemência com que insistia em praticar os mais variados tipos de feitiços e o interesse com que anotava cada reação que diferente que o aluno tinha. Era capaz até de ter escrito os palavrões que xingara quando ela executou um feitiço chamado Serpensórtia, que fez uma cobra sair da ponta da varinha.

Pensava em tudo isso, enquanto movia a colher para dentro e para fora do prato com carne de porco e batatas coradas.

— Se remexer mais essa batata, ela só vai servir pra entupir ralo. – Mark se sentara do lado de Kendrick, fazendo os Weasley se calarem para que o rapaz da casa rival não os ouvisse.

— E aí Mark?! – Apertaram as mãos, parecendo conhecerem-se há muito tempo.

— Como foi o primeiro dia no inferno mágico? – Questionou o Sonserina, enquanto os outros na mesa voltarem à atenção para a comida exposta.

— Dentro do esperado. – Logan viu Roxie bater o indicador nos lábios, como se pedisse para que não contasse sobre o quadribol. – Pelo menos não tenho dever de casa.

— Sorte sua. – Mark tirou uma batata de dentro da travessa e jogou na boca. – A Royer deixou um monte de tarefa. Muita coisa mesmo. Uns cinco capítulos de leitura, mais três rolos de pergaminho pro resumo e uma poção de polissuco sem os hemeróbios cozidos.

— Wow. – Exclamou o grifinória. “Ela deve ter passado pra eles o dever de casa que não passou pra mim. Ou foi a raiva que sentiu de mim”, Refletiu terminando de comer um pedaço da carne de porco. – Ela não teve dó.

— Nem um pouco. – Faulkner tomou um gole do suco de abóbora no cálice do amigo. – Pensei que ela fosse pegar um pouco mais leve com a gente, agora que virou a diretora da Sonserina, mas não, pareceu que o demônio da McGonagall baixou nela e a fez deixar um monte de dever de casa.

— Ela não é tão má assim. – Defendeu-a, sem nem saber com quem o colega a comprava.

— Outro apaixonado. – Mark balançou a cabeça, com uma risada sarcástica.

— Apaixonado, é teu cú. – Jogou um pedaço da carne de porco no colega. Como seria capaz de se apaixonar?

Não era doido. Sabia como apaixonados ficavam, perdiam a razão completamente. Tinha um exemplo bem perto, Holly. Estava no último ano da escola e pronta para se casar com um cara que conheceu no verão passado e que parecia mais interessado no carro dele do que na namorada .

Atração. Era a melhor palavra que definia o que sentia pela professora. Afinal, ela fazia seu tipo. Sempre tivera um fraco incontrolável por morenas, ainda mais se tivessem os olhos claros. Igual kriptonita para o super-homem.

— Está sim. – Provocou Mark. – Você ficou com cara de tonto quando fala dela. A mesma cara de bocó que fez no jantar de ontem. Eu estava longe, mas dava pra ver.

Logan preferiu voltar para sua refeição. – Você sabe que ela é gay, né. – Mark comentou, abaixando o tom de voz para que os outros não o ouvissem. — Tem histórias dela com saindo com algumas meninas que já se formaram. A não ser que você use alguma poção pra virar mulher, não tem a menor chance dela se apaixonar por você.

— Cara, parece até a Holly com esse papo. – Colocou uma garfada de batatas na boca, entediado por ter virado alvo das brincadeiras, se sentindo um idiota por ter se interessado por alguém impossível.

— Quem é Holly? – Faulkner questionou, parecendo interessado.

— É uma amiga minha. – O escocês desistiu de comer, e afastou o prato de comida. Procurou o smartphone dentro do bolso da calça, apertou em alguns botões e mostrou a foto. Estavam ele e a amiga, brincando de fazer caretas. – É a irmã mais nova que nunca pedi, mas que acabou aparecendo no meu caminho.

Mark pulo algumas imagens e parou em uma em que a garota estava sorrindo. Parou e ficou admirando. Ele tinha que dizer que era bonita, devia ser trouxa, já que nunca a viu pelos corredores de Hogwarts, a não ser que estudasse em uma das outras escolas de magia espalhadas pela Europa.

— Ela é linda – Devolveu o celular. – Já ficou com ela?

— Não, cara! Ela é como se fosse a minha irmã! – Logan respondeu sem pestanejar, como se fosse a coisa mais nojenta do mundo.

— Só checando, só checando. – Ele tentou se desculpar pela besteira que falara. – Pena que ela é trouxa, senão pediria para me apresentar. – Lamentou.

— Tem problemas com trouxas? – O escocês indagou, tendo vivo na memória que Faulkner chamara Fiennes de “sangue ruim”.

— Nenhum problema com eles. – Respondeu, enquanto estalava os dedos. – Mas meu pai é um pouco surtado com isso. Ele já não vai muito com a minha cara, se aparecer em casa com uma trouxa, é capaz de ele ter um infarto e voltar só pra puxar meu pé.

O escocês achou que era apenas um exagero da parte do amigo, mas seus próprios pais eram uma prova de que talvez não fosse isso. Lembrava-se de uma vez em particular, em que estava doente e que a mãe o arrastara para escola, mesmo com quase 40 graus de febre. Dizia que era um capricho do garoto. Algumas vezes chegava a pensar que ela o detestava. Que via nele uma espécie de demônio ou coisa do gênero. O pai nada podia fazer. Passava a maior parte do tempo no mar, pescando, tentando trazer algum sustento, mas o pouco tempo que gastavam juntos, o homem parecia ser indiferente com o garoto.

— Vou indo. – Mark tirou Kendrick de seu transe. – Tenho muita coisa pra fazer antes de dormir. Boa sorte no teste de quadribol amanhã.

— Como sabe que vou fazer o teste? – Franziu o cenho.

— O Malfoy contou pra todo mundo na mesa que viu você mandar um balaço pro meio da Floresta Proibida. – Faulkner cruzou os braços, com um ar de superior tomando conta do rosto. – Se o imbecil do Fiennes não te quiser no time, me avise. Nós da Sonserina adoraríamos ter um jogador com esse tipo de poder do nosso lado.

Fora bom os Weasley terem ouvido o que Mark falou. Quem sabe o interesse da equipe rival no rapaz, mostrava que seria interessante tê-lo em campo.

Logan acordara cedo. Mais uma vez, seguira conselho de Black a risca e evitara o salão comunal. Enquanto não tivesse aulas com o diretor da Grifinória, que seriam nas quartas, era melhor evitar aglomerações e permanecer invisível no radar dos encrenqueiros.

Saiu da torre bem cedo, antes de todos se levantarem. Tinha o banheiro inteiramente para si, um alívio, já que é desconfortável tomar banho, sabendo que tem uma penca de adolescentes e crianças atrás do box, enchendo saco para usar o chuveiro ou reclamando que não querem escovar os dentes.

O resto do dia transcorreu de forma serena. Também, dois tempos de aula de história da magia com um professor fantasma não era lá muito excitante. Era inusitado, porque havia visto os fantasmas correndo por todos os andares, inclusive, a Grifinória tinha um próprio, Sir Nick Quase-Sem-Cabeça.

Porém, o Sr. Binns era um chato de galochas, capa, guarda-chuva, e óculos protetor. Falava de uma maneira tão monótona que Logan brigava com as pálpebras para que não se fechassem de tanto tédio. Por pouco não desistiu de voltar para o segundo tempo depois do almoço. O jeito fora passar o tempo inteiro pensando no teste para o time de quadribol e escrevendo em um pedaço de pergaminho a carta que mandaria para Holly no final do dia. Já que não conseguia sinal, faria do jeito antigo Iria à casa de Hagrid depois do teste e pediria para colocar no correio. Também aproveitaria para pedir que o gigante comprasse um barbeador e creme pra barba.

Depois de um breve pit-stop na torre da Grifinória, chegou correndo ao campo onde tivera as lições de vôo. Um grupo do quarto e quinto anos conversava animadamente sobre as expectativas daquele teste. Pelo o que conseguira captar do bate-papo o capitão da equipe não quisera fazer testes no ano anterior e colocou o irmão mais novo para ficar com a vaga de batedor deixada por Gregory Hershey, por mais que Black discordasse e a diretora McGonagall tentasse fazer com que as regras fossem cumpridas, a vontade do conselho de pais fora mais forte e manteve o que o capitão decidira.

— Vai precisar disso. – Logan virou a cabeça deixando a conversa dos rapazes de lado por alguns instantes. Ele sabia quem estava puxando assunto.

— Veio me ver jogar? – Falou presunçoso, ao ver a professora Royer perto da parede na qual ele se escorara, entregando-lhe uma das Nimbus 2000 da escola.

Ela arqueou a sobrancelha direita, sem demonstrar surpresa pelo questionamento. Esperava que ele fosse arrogante, percebera que isso era personalidade dele.

— Por incrível que pareça, sim. – Lily viu um riso irônico de vitória surgir no rosto do escocês. – Minha curiosidade é puramente científica, Sr. Kendrick. – Disse em um tom frio. – Quando ouvi um dos meus alunos comentarem que você faria o teste para o time de quadribol hoje, quis vir assistir. Seria interessante ver como um exscribend testatem se porta em uma partida. Além disso, se você for realmente bom e não conseguir entrar, posso dar um jeito de colocá-lo no time da Sonserina.

— Mesmo eu sendo da casa rival? – Ele franziu cenho sem entender o objetivo da professora.

— Se o que dizem é verdade, que você consegue mandar um balaço na Floresta Proibida. – Ela parecia duvidar da história. — Seria interessante quebrar algumas regrar pra tê-lo na Sonserina. Faulkner não ficaria tão desprotegido e o estaríamos com a mão na taça.

Logan queria dizer que não ia ser um traidor. Podia não estar no lugar ideal, mas ficar contra sua casa era algo que fora de cogitação. Se tinha uma coisa que não suportava eram traidores.

— Preciso ir. – Correu, sem responder a proposta, pois Fiennes e o resto da equipe da Grifinória tinham acabado de pisar no gramado.

Quando se aproximou, ficou feliz por não ter perdido nenhuma explicação importante.

— Vamos cortar o papo furado. – O apanhador disse, fazendo o silêncio se instaurar entre os candidatos. – Separem-se em filas, de acordo com a posição na qual pretendem jogar, vou escolher dois para ficarem com a gente e o resto em outros times. O resultado será divulgado amanhã.

Após muita discussão e muita bagunça quatro equipes, além da principal, estavam formadas. Houve uma confusão inicial, porque ninguém sabia onde a fila de cada posição deveria ficar, mas nada que pudesse atrapalhar o andamento da prova.

O escocês se juntara como batedor do time 3, junto com dois Weasley, Louis e Dominique, Hector Gomez, um latino baixinho vindo da Guatemala e que estava no quarto ano, um garoto de cabelos castanhos e olhos parecidos com os de uma ave de rapina que Logan não entendera o nome, Jeremy Jones, um rapaz magrelo do quinto ano que queria desesperadamente fazer parte daquele grupo e Ellen Bells, uma menina do quarto ano, de cabelos escuros e ar pedante que estava convencida de que conseguiriam vencer.

A primeira partida entre a equipe principal e o time 1 havia sido um massacre. 340 a 0, para os titulares. O escocês entendera o plano: humilhar os concorrentes para que desistissem fácil de brigar. Assim, os dois que Douglas colocara nas vagas abertas teriam chances maiores de permanecerem.

Quando time 2 entrou em campo, Kendrick resolvera observar como Fiennes voava, estudando cada movimento, em busca de alguma coisa que pudesse ser útil para quando entrassem em campo. Percebera que o apanhador movia-se igual a uma barata tonta, mas sempre tendia para direta quando fazia curvas e o joelho esquerdo abria demais.

— Logan. – Sentiu a mão de Dominique pousando sobre o seu ombro.

— Sim. – Os olhos dele estavam fixos no jogo.

— Tente proteger o Louis. – A ruiva disse, com um tom de preocupação latente na voz. – Ele acha que pode tirar o Fiennes da posição de apanhador, mas todos nós sabemos que isso nunca vai acontecer. O Fiennes deve ter mandado o irmão tentar derrubar o Louis da vassoura.

— Deixa comigo. – Respondeu. Ela deve ter feito o pedido por causa da proteção extra que Logan dava a Albus. Se bobeasse, viraria o guardião oficial dos Weasley.

Outra derrota esmagadora. 420 a 10 para os titulares. Douglas não era tão ruim quando Roxie e Fred falaram. Sabia bem como se posicionar, para onde ir e com pegar o pomo. Algo lhe dizia que o garoto estava fazendo corpo mole naquelas derrotas.

— É a nossa vez. – Disse o escocês, assim que os derrotados abandonaram o campo, triste por terem o pior desempenho até o momento.

Logan sentiu a mão presa no cabo da vassoura ficar fria. Tinha uma chance para mostrar do que era capaz. Tudo bem se não conseguisse, aliás, isso era quase certo, tendo em vista que Douglas o odiava, mas estava disposto a enfrentar. Nunca fora de correr de uma luta e essa não seria a primeira vez.

Quando o apito soou, deu um impulso forte e voou atrás de um balaço. Como Roxie previra, o peso e o tamanho do escocês atrapalhavam-no em alguns movimentos, entretanto, ele tinha uma destreza e agilidade incomum para alguém tão grande. Marcava certeiro a posição da bola. Quem sabe se estivesse em uma vassoura melhor pudesse corrigir os defeitos.

Estava sendo um jogo violento. Os artilheiros se matavam para pegar a goles, e quando conseguiam, iam numa carreira descomunal em direção as balizas e atiravam-na sem a menor piedade dos goleiros.

Os batedores tentavam a todo o custo defender os apanhadores. Os balaços iam e vinham desenfreados sem ter um alvo específico. Logan Impediu que Louis fosse acertado umas quatro vezes, na última, a bola ficou a centímetros da boca do estômago do Weasley. Dominique estava certa, o irmão mais novo de Douglas, Gilbert, marcara um alvo em Louis.

Só havia um jeito de parar a carnificina para cima do garoto. Tirar os Fiennes do jogo.

— Hector! – Gritou o escocês, parando ao lado do latino – Cola no Louis. Não deixa o espantalho derrubá-lo.

— O que você vai fazer? – Indagou Gomez, porém Kendrick não escutou.

Vira um balaço passar ali perto, era oportunidade perfeita para por seu plano em prática, já que Gilbert estava ocupado, tentando ouvir o que o irmão mais velho mandava. Apinhou a vassoura num mergulho acompanhando a peça de ferro que descia em uma velocidade frenética, atrás de Fred.

Quando ela ia alvejar o ruivo, Logan bateu com tudo o que tinha, com a ponta do taco. A bola subiu com rapidez, completamente desgovernada, pegando bem o cabo da Infinitus 2016 de Gilbert. O batedor rodou como um pião desnorteado até cair no chão com um forte estrondo.

— Tomou essa, espantalho. – Provocou o escocês. – Um já foi, agora falta um.

Os olhos correram o campo em busca de outro balaço.

Viu um passar perto do rosto de Teddy. “Seria interessante tirar o goleiro deles”, pensou enquanto voava com tudo atrás da bola. Era a última chance que teria no jogo. Douglas e Louis estavam emparelhados, com o pomo a sua frente. O Weasley estava quase pegando o ponto dourado.

Um pouco desajeitado, mirou de qualquer maneira e bateu o balaço na direção de Fiennes. Fora uma tacada certeira, a bola de ferro zuniu em velocidade, atravessando a largura do campo em segundos, e colidindo em cheio na boca do estômago do apanhador titular. Puro lance de sorte, mas decisivo para que os candidatos vencessem a partida.

Uma gritaria começara quando os vencedores tocaram o chão. Todos queriam comemorar, era uma façanha única, porque aqueles garotos acreditavam que não tinham a menor chance de vencer. Que aqueles testes serviriam apenas para cumprir as exigências de Black para dar uma chance honesta e justa a quem quisesse fazer parte do time.

— Vai ser um campeonato e tanto esse ano. – Comentou Royer com um sorriso. – Seria uma pena se ele não entrar no time.

— Com certeza. – Respondeu o professor Black, saindo de uma das sombras criadas pelo crepúsculo nas paredes da escola. – Mas você não veio aqui só por causa do exscribend testatem ou para levá-lo pro time da Sonserina, você gosta dele.

— Não, não gosto – Disse, se sentindo ofendida pela declaração do colega.

— Gosta sim. – Ele se aproximou, deixando os lábios bem próximos da orelha esquerda da professora. – Senão gostasse, não teria tomado aquele refrigerante com o Logan e teria azarado as pernas dele quando ele disse que você “Tem um sorriso muito bonito e combina mais com você do que essa cara de solteirona mal-comida”.

A repetição das mesmas palavras do aluno fez o sangue de Lily correr mais rápido. Não havia como Black saber o que fora dito naquela sala.

— Você anda me espionando? – Questionou, tentando parecer calma com a descoberta.

— Eu te disse no seu primeiro dia em Hogwarts, há quase três anos, não confio em você. – O professor usara um tom ameaçador em sua voz. – Ninguém sabe nada sobre você, nem sobre sua família, nem o que fez depois que se formou na Durmstrang. E um belo dia, você aparece querendo assumir o lugar do velho Slughorn, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Isso é muito suspeito.

— O meu passado é da minha conta, Black. – Ela o encarou, com uma frieza absurda nos olhos. Pareciam duas pedras de gelo tomadas por verde-esmeralda. – Nem todos são como você, que gosta de compartilhar tudo com seus alunos.

— Apenas estou passando um recado. – Ele pulou a mureta que dividia o castelo do campo de quadribol. – Se eu descobrir que você tem uma agenda própria aqui dentro, eu acabo com a sua raça.

— Você não pode comigo. – Lily disse, sendo ainda mais fria. – Nunca pôde. Nem quando seu exscribend testatem ficava ativo o tempo inteiro. – Encerrou, virando para pegar o caminho das masmorras.