Como Ser O Pior Aluno de Hogwarts

3 Lição 2 – Faça Inimigos e Amigos.


O café da manhã mal havia sido servido no Caldeirão Furado, e Logan já estava lá embaixo. Ele queria chegar a cedo à estação porque estava curioso para saber onde era a plataforma. Aquilo era intrigante. Ou é nove ou dez. Não tem essa de nove e meio, ainda mais 9 e 3/4.

Partiu para King’s Cross em um táxi, carregando uma mala grande e pesada, e a mochila com o resto de seus pertences. O motorista teve dificuldade de colocar o baú dentro do bagageiro, e provavelmente deve ter se perguntado sobre onde um alguém sozinho ia com algo tão carregado.

Eram nove horas quando desceu na estação. Com um carrinho tomado, o escocês caminhou até parar em frente às plataformas nove e dez. Tudo bem, devia ter perguntado a Hagrid ou a Sra. Longbottom sobre como faria para encontrar o local, mas agora era tarde demais.

“Espera, um pouco. Se é 9 e ¾, deve ser no meio das duas.”, pensou, sem a menor vontade de testar sua teoria e enfiar a fuça na parede. Ele andou devagarzinho até a coluna, sentindo-se temeroso, e empurrou a ponta do carrinho contra a o concreto sólido.

— Há! Quem diria que eu estava certo?! – Exclamou, vendo parte da bagagem sumir.

Parecia uma criança. Ficava indo e voltando, apenas para ver suas coisas aparecerem e desaparecerem através da pilastra. Era uma coisa tão simples, mas tão divertida, que não podia parar de fazê-lo. Ainda mais para alguém tão cético quanto ele.

— Você vai entrar, ou vai ficar brincando? – A mulher de cabelos castanhos, nariz arrebitado, e olhos da mesma cor dos cabelos. Estava acompanhada e uma garota que devia ser sua filha, dada à semelhança em sua aparência.

O tom irritado de sua voz não assustou Logan.

— Já estou indo, minha tia. – Resmungou, entrando de uma vez na barreira mágica. – A pessoa não pode nem ser feliz em paz.

Desta vez, fora mais tranqüilo que no Caldeirão Furado. Passou despercebido no meio dos poucos que estavam por ali, provavelmente os pais devem ter pensado que se tratava de um professor ou algum funcionário novo, já que não se pode aparatar, nem desaparatar no terreno da escola.

Pôde ver o garoto que ficara observando-o enquanto tirava as medidas para seu uniforme. Ele estava, aparentemente, com sua família. O pai, bem alto com os olhos iguais ao do filho, o cabelo escuro e óculos. A mãe, ruiva, olhos castanhos claros, e segurava a mão de uma garotinha com os mesmos cabelos ruivos e que parecia ser um pouco mais nova que o irmão.

Logan acenou de longe para o garoto e caminhou para a entrada mais afastada do trem. Andou até as últimas cabines, na esperança de ser não ser incomodado durante o percurso. Sabia que era um desejo absurdo, mas não custava nada tentar.

Tirou o livro “Hogwarts, uma história” de dentro da mochila, apoiou os pés no banco da frente e começou a ler. Queria saber no que estava se metendo antes de chegar à escola.

— Se importa se eu ficar por aqui? — Perguntou o garoto na porta da cabine.

Ele era alto, parecia um jogador de basquete, tinha o queixo pontudo, o nariz longo e reto, olhos azuis e cabelos loiros penteados para trás, dando lhe um ar muito convencido. Devia estar no último ano ou próximo disso, já que seu porte físico era bem mais avantajado do que dos outros garotos que vira no trem.

— Nenhum pouco. – Disse, sem perder a atenção com o livro.

— Professor novo? – Indagou o garoto, colocando as malas debaixo do banco vazio.

— Aluno novo. – Logan ergueu os olhos ao ouvir a risada abafada.

— Eu sou Mark. Mark Faulkner – Ele estendeu o braço, segurando para não rir.

— Logan Kendrick. – Apertou a mão do colega, ainda que a contra gosto.

— Primeiro ano hein... – Mark disse, segurando uma risada na garganta. – O que tem na sua varinha?

— Sei lá... – O escocês franziu o cenho tentando lembrar-se do que o velho da loja de varinhas havia dito, mas a única que lhe vinha à mente era o lobisomem. – Só sei que tem pêlo de lobisomem e não sei o que córneo.

— Tendão de rabo-córneo. – Corrigiu Faulkner. – É uma espécie de dragão. Cara, você é trouxa?

— Não sei... Não conheço a história da minha família muito bem. – Respondeu pensando sobre o assunto.

Era a primeira vez que a questão surgira. Talvez pudesse ter alguém em sua família que era bruxo. Tinha poucas recordações boas de sua infância, pois fez questão de esquecer a maior parte delas. Sabia que o pai era soldador e trabalhava num dos muitos estaleiros em Aberdeen, e que apesar de fazer o melhor possível para nunca faltar nada, nunca fora uma das pessoas mais amorosas do mundo. A mãe era um caso a parte, Ela desaparecia quando bem entendia e volta semanas depois, como se nada tivesse acontecido, sem tirar que ela sempre o culpava quando algo ruim e inexplicável ocorria dentro de casa. Já perdera as contas de quantas vezes ficara de castigo, sem nem saber o motivo.

— Bom, você deve ser, pelo menos, mestiço. – Disse Mark, quebrando o súbito silêncio na cabine. – Porque você tem um exscribend testatem

— Um o que?! – ele fez uma careta de quem não estava entendendo nada.

— Um exscribend testatem. O olho da escuridão. – Explicou o garoto. — É uma condição rara entre os bruxos, descoberta depois da Segunda Guerra Bruxa. Só sei que geralmente quem tem um consegue fazer uma quantidade maior de feitiços. Ainda se sabe pouco sobre isso.

Era o que suspeitava. Forçando a memória, descobrira que fora a mãe que o matriculara em St. Patrick Ela dizia que lá ele teria a chance de ser alguém normal... Será que ela sabia que o filho poderia ser bruxo? Será que tinha alguma ligação?

— Como sabe disso tudo? – O rapaz de cabelos claros coçou a têmpora.

— Meu pai trabalha no Ministério da Magia.

A cara confusa de Logan mostrava que não sabia nada sobre o mundo dos bruxos. Mark começou a explicar como tudo funcionava. Dragões, bichos-papão, azarações, transfigurações, animagos, metamormagos, aparatações... Tudo o que fosse possível. Faulkner conseguiu mais a atenção do escocês quando chegou no quadribol. Para ele, aquilo pareceu excitante. Balaços, goles, pomos... Bolas voadoras, tacadas para derrubar outros da vassoura. Queria ver aquilo em ação.

— Larga o meu irmão! – O berro de criança no lado de fora interrompeu a explanação.

— Eu vou mostrar pra vocês seus pentelhos, que não se mexe com Douglas Fiennes. – A voz parecia ser de um aluno mais velho.

Kendrick deu levantou de uma vez, e abriu a porta com um puxão. Não era de se meter em briga dos outros, mas aquilo era um caso extremo. Ficava realmente irritado quando alguém maior ameaçava um menor. Aquela injustiça despertava o que tinha de pior nele.

O tal Douglas Fiennes era um rapaz moreno, com os cabelos curtos, forte, grossas sobrancelhas pretas, olhos escuros, um ar de desdém no rosto que fazia qualquer um ter vontade de lhe dar um soco no meio do nariz. Ele segurava pela gola da camiseta, com a ponta da varinha pressionada com força na bochecha do garoto que Logan vira mais cedo na estação, enquanto o irmão era segurado por um outro adolescente também de porte avantajado, olhos castanhos, cabelos pretos cortados em formato de cogumelo, e um nariz pontudo, que parecia o bico de um falcão, que ria bem alto com a ameaça.

Antes que todos percebessem, Logan deu um empurrão em Douglas, fazendo-o derrubar a varinha, ao perder o equilíbrio e libertar o menino. Antes que o agressor pudesse reagir, o escocês o segurou pelo pescoço e o prendia jogando peso corpo em cima de Fiennes.

— Mexendo com crianças menores, que feio. – Disse Kendrick, cheio de sarcasmo. — Por que não se mete com alguém do seu tamanho, Biff Tannen?!

O comparsa de Douglas largou a criança e sacou a varinha para soltar o amigo, que se contorcia, tentando fugir.

— Conjun...

— Expelliarmus.

Mark gritou lançando um feitiço contra o jovem. A varinha dele voou, bateu no teto do trem e caiu no chão.

Mas Logan não viu quando isso aconteceu.

Ele virou a cabeça, na hora em que Faulkner pronunciou o nome da magia. Seu olho escuro começou a doer de uma maneira que nunca havia doído antes. Era como se uma corrente elétrica percorresse com a velocidade acima do normal a pupila, viajando pela retina e atingindo o nervo no fundo do globo ocular. Do nada, aquela descarga parecia se distribuir por todos os neurônios no cérebro do escocês, tornando a dor ainda mais forte.

Acabou largando Douglas e se agachou, apertando a palma da mão com toda a força contra o lugar que mais doía.

— Vai, foge como um covarde, sangue-ruim! – Mark berrou, quando Fiennes escapou pelo longo corredor.

— Isso não vai ficar assim! – Gritou antes de desaparecer.

— Você está bem? – Faulkner perguntou, ajudando Logan a se levantar.

— Ele está bem? — Os garotos ficaram em volta do escocês, preocupados com o estado dele.

— Estou bem. – Mentiu. A dor passara, mas não estava bem. Era primeira vez que sentia algo tão lancinante. – O que é “sangue-ruim”?

— É um xingamento. – Respondeu o menor. – Mas ele mereceu.

— Nem parece que somos da mesma casa. – Comentou o irmão mais velho. – E pior, fomos salvos por um aluno da Sonserina.

— Mas que dupla de mal agradecidos. – Reclamou Mark. – Quem diria que os filhos daquele que derrotou você–sabe-quem são tão molengas.

Faulkner e Logan voltaram para dentro da cabine deixando os dois garotos no corredor. O escocês já não sentia mais nada, apenas um leve incômodo que passaria com o tempo.

— Você ainda não me respondeu o que é um “sangue-ruim”. – Ele retomou o assunto.

— É como alguns bruxos de sangue puro chamam os nascidos trouxa. – Mark respondeu, sentindo-se envergonhado pelo o que dissera. — É um xingamento racista. Não tem muita desculpa pra isso, a gente acaba repetindo o que escuta em casa, não é mesmo?!

Kendrick não acreditou muito naquela desculpa.

Mesmo que fosse inconsciente, o rapaz ajudava a espalhar um preconceito. Mas os trouxas também eram assim, podia ser com negros, pobres, qualquer um. No final das contas, bruxo e trouxas eram mais parecidos do que queriam.

“Que coisa ridícula!” pensou Logan quando terminou de vestir o uniforme da escola. Botara a calça, os sapatos, a camisa, a gravata, o colete e a capa, mas se recusara a colocar aquele chapéu grotesco. Ficava com a aparência das duas coisas que mais detestava no mundo: palhaços e mágicos de festas infantis.

— Eu poderia ser mal e deixar você usando esse chapéu idiota por toda a viagem. – Disse Mark, mal se aguentando de tanto que ria. – Mas como você já vai passar a vergonha de ser o único aluno com mais de 1m50 na cerimônia de seleção, vou te dar uma dica. Tira o chapéu e deixa pendurado em lugar fácil de pegar. Se pedirem, você dá uma de desentendido põe...

A idéia do amigo era boa, mas ainda sim, ele estava tenso. Ouvira sobre a seleção de casas. Um chapéu seletor iria escolher para onde ele iria. Mark contara que uma das mais prestigiadas era Grifinória, pois os maiores heróis do mundo bruxo atual havia saído lá, mas que nos últimos anos, ela apenas vivia das glórias do passado, já que não conquistava uma Copa das Casas há um bom tempo.

Depois havia a Lufa-Lufa, que era o lugar dos alunos mais leais e amigáveis da escola, também conhecida por ser a única casa a nunca produzir um bruxo das trevas e vice-colocada nos dois anos anteriores no torneio. Existia a Corvinal, a atual tri-campeã da Copa, principalmente por causa do time de Quadribol, considerado um dos mais fortes da história de Hogwarts. E por fim, Sonserina, a casa dos ambiciosos. Desde que Voldemort fora exterminado, era vista como um covil de vilões e mal-feitores.

Se pudesse escolher, ficaria em Sonserina. Já tinha um conhecido por lá, ficaria mais fácil de se enturmar, o que diminuiria drasticamente suas chances de ser socado em alguma privada, ou azarado por alguém.

Tinha certeza que não seria selecionado para Lufa-Lufa, sempre fora um péssimo aluno. Daqueles que senta no fundão e fica jogando bolinha de papel, isso quando faz piadas infames com o que o professor fala.

Mark e Logan desceram juntos quando o trem parou na estação. O céu estava escuro, cravejado de pontos brilhantes, e no fundo o enorme castelo, com suas torres cheias de pontas e aparecia única. Era difícil não ficar admirado.

— Alunos do primeiro ano, venham comigo. – O escocês reconheceu a voz grossa de Hagrid. O gigante carregava um lampião enorme e gritava a plenos pulmões. – Alunos do primeiro ano, se reúnam aqui.

— E aí, Maguila. Como vão as coisas? – Perguntou ao guarda-caças.

— Oh, olá Logan. – Ele respondeu com um sorriso. – Pelo visto, já fez um inimigo. – Douglas e seu amigo truculento olhavam para o rapaz. Fiennes fechou a cara, passou o indicador de uma ponta da garganta até a outra. — O garoto dos Fiennes parece que te odeia. Ele é um dos mais populares na Grifinória.

Kendrick deu de ombros.

— O que posso dizer?! Parece que não vou ser o mais votado para rei do baile nesse ano. – Abriu um enorme sorriso sarcástico no rosto.

— Espere dentro de um dos barcos. – Ordenou Hagrid, sem saber se ria da piada, ou se continuava com a seriedade que o trabalho exigia. – A travessia deve começar em breve.

Logan sentou-se em um dos barcos do meio. Estar naquela pequena embarcação trazia memórias terríveis de volta. Todas das pescarias que seu pai inventava quando a mãe não estava por perto. Ficavam dias no meio do oceano aberto, com nada além de peixe seco e feijão em lata. Até hoje quando sentia ânsia de vômito com cheiro de feijão.

— Podemos ficar aqui? – O garoto que o defendera de Fiennes perguntou, visivelmente envergonhado, com uma menina de cabelos castanhos, com medo do homem sentado dentro do barco.

— Eu estava guardando pra um amigo imaginário, mas acho que ele preferiu ficar no trem. – Disse de forma irônica. – Qual seu nome muleque? – Indagou enquanto o menino se sentava, de forma um pouco desajeitada, a seu lado.

— Eu sou Albus Potter, mas todo mundo me chama de Al. – Al ajudou a garota a entrar na embarcação.

— E você? Qual seu nome?– Olhou para a menina, fazendo-a ficar vermelha num instante.

— E...Eu não falo com estranhos. — Ela se encolheu, se escondendo atrás de Albus.

— Tudo bem. Eu sou Logan. – Estendeu a mão, abrindo um enorme sorriso no rosto. – Pronto. Não sou mais um estranho.

— Tudo bem Rosie. – Potter consolou a prima. – Foi ele que salvou eu e o James do Fiennes.

— Ele não é um pouco... velho pra ser do primeiro ano? – Rosie comentou intrigada, fazendo o rapaz revirar os olhos.

Aquilo parecia o prenúncio dos dias de cão que teria naquela escola.

Os alunos foram descendo dos barcos intimidados pelo tamanho do castelo. Era realmente mais esplêndido do que parecia de longe. A grande porta de madeira com o portal de pedra dava um ar rústico e de conto de fadas para a construção.

— Entrem, vocês estão atrasando a cerimônia. — Um homem de ralos cabelos acinzentados, com o nariz pontudo e com ar de ranzinza disse, conduzindo os novatos para dentro do castelo, como um rebanho de gado no pasto. – Mantenham a ordem alfabética.

“Era só o que me faltava. Receber ordens de um urubu velho.” Pensou enquanto tomava um lugar entre Paul Keller e Amélia Kim.

— Cadê o seu chapéu? – Perguntou o bedel quando todos pararam em frente a porta que dava para o salão principal e Logan era o único que não usava o chapéu pontudo e ridículo do uniforme. Passou a mão no local onde amarrara o chapéu, apenas para não encontra-lo.

O escocês botou um exagerado olhar triste no rosto, com uma careta exagerada de pesar.

— Pois é meu nobre urubu, acho que esqueci no barco. Trágico, muito trágico... – Um riso irônico apareceu no canto do lábio.

Uma explosão de gargalhadas tomou conta, era um rindo mais alto do que o outro. Gargalhada atrás de gargalhada. Foi bom porque pelo menos quebrou a tensão do ambiente.

Entretanto, todas as risadas cessaram quando o imponente homem de capa vermelha apareceu atrás do zelador do colégio. Era alto, os cabelos castanhos, penteados meticulosamente para trás, olhos azuis e barba cerrada muito bem cuidada. Ele tinha um ar pedante, mas extremamente bondoso no rosto.

— Algum problema, senhor Filch? –Perguntou, levantando alguns burburinhos entre os alunos.

— Nenhum professor Black. – Reclamou Filch, com medo do docente. – Só que aquele ali está sem o chapéu. – Apontou o dedo magrelo para Logan, que mantinha a mesma expressão de desdém.

— Deixe-o em paz, Sr. Filch. O senhor tem coisas mais importantes pra se preocupar. – Repreendeu o homem.

— Tudo bem, professor Black. – Ele abaixou a cabeça e rumou para a saída. — Já vi quem vai ser o problema desse ano. – Resmungou bem baixinho para que Black não escutasse.

— Eu odeio esse cara. – O professor disse depois de um soltar um suspiro. – Bom, quando eu chamar seus nomes, por favor, sentem-se no banco e coloquem o chapéu. Quando ele berrar o nome da casa, vão para as respectivas mesas.

A agitação tomou conta da sala. Era um misto de curiosidade e nervosismo, já que em poucos segundos, cada um ali saberia seu destino.

— Paul Keller. – Chamou o professor Black. O garoto raquítico de cabelos escuros correu ao ouvir a chamada.

Logan agora era o primeiro da fila. As mãos soavam, e sentiu um calafrio subir a espinha. O suplício começaria a qualquer momento, bastava o magrelo levantar do banco de madeira para que fosse chamado.

— Ansioso? – Perguntou o Black.

— Não, estou bem. – O escocês respondeu, com um tom de voz tranqüilo e relaxado. Era tudo um fingimento, porque estava uma pilha de nervos.

— Vou te dar duas dicas mesmo assim. – O homem falou, vendo se a casa de Keller havia sido escolhida. – A primeira... – Ele baixou o tom de voz. – Provocar Filch, tudo bem, mas não provoque o chapéu. E a segunda, o chapéu seletor sabe o que faz, mesmo que não pareça. Guarde essa segunda dica na cabeça. Porque sei que não vai cumprir a primeira.

O grito alto que dizia “Corvinal” interrompeu a conversa. Logan só pôde franzir o cenho para os conselhos do professor. Por que será que ele se achava intimo o suficiente para dar pitacos no que o rapaz deveria ou não fazer?

— É a sua vez. – Black abriu um sorriso e berrou. – Logan Kendrick.

“Aí vamos nós” pensou ao entrar.

Era um salão enorme. Maior até do que imaginara.

As paredes douradas com pilares e arcos, o teto mostrando céu estrelado daquela noite escura, tochas brilhando forte, reluzindo as bandeiras coloridas de cada uma das quatro casas, quatro mesas gigantes abarrotadas de alunos de todos os tamanhos e no fundo, a mesa principal com todos os professores e Neville Longbottom no meio, na cadeira de diretor.

Encrespou a testa, fazendo uma cara de mal e andou por entre os alunos de Corvinal e Lufa-Lufa. Os que estavam perto se intimidaram, ele sabia que onde quer que Mark estivesse, ele provavelmente estaria rindo da cena.

Kendrick sentou-se no banco de madeira e colocou o chapéu maltrapilho, com um rasgo que parecia uma boca, e cruzou os braços.

“Fala aí seu sabichão. Pra onde eu vou?” Disse a si mesmo.

— Minha nossa, quanto sarcasmo nessa sua cabeça. – O chapéu comentou de forma irônica. – Você deve ter quebrado o recorde de idade.

— Haha. Se essas são suas piadas melhores piadas, um show de stand-up seu deve ser uma porcaria. – Rebateu o escocês. – Anda logo, que eu te deixo em paz pra você atormentar outro.

— Hum... vejo aqui que alguém quer ir para Sonserina... – Disse o chapéu. – Que assim seja.

O chapéu se calou por um instante e gritou:

— Grifinória!

— Mas que chapéu filho da... – Esbravejou Logan, colocando o objeto a cadeira. – Valeu aí Sr. Chapéu por ter estragado minha estada aqui. – Resmungou.

Caminhava balançando a cabeça de um lado para outro, inconformado. Correu por um segundo os olhos na mesa principal, enquanto praguejava em sua mente todos os palavrões que sabia.

Ele se assustou.

Ela estava lá

A garota que falava francês do Caldeirão Furado, sentada entre os professores, próxima a um lugar vazio, que deveria ser de Black. Era fácil notá-la, a única que não se vestia como o resto. Os outros usavam capas brilhantes e coloridas, ela não. Trajava um vestido branco tomara que caía, e uma jaqueta de couro. Pelo jeito, fazia questão de manter um pé no mundo exterior.

“Gostosa”, pensou ao se sentar. Talvez as aulas fossem ser mais interessante do que imaginava.