Como Conhecer Um Popstar

1 Oh, girls just wanna... GANHAR UM SORTEIO!


Notas iniciais
Os pontos de vista da história são alternados, para que vocês possam compreender melhor as personagens.
P.S.: Eu vou nomear os capítulos com partes de letras de músicas... Vejam se vocês descobrem quais são elas :)
Boa leitura!

Bella

— EU NÃO ACREDITO!!! — berrou Alice da frente do computador, me fazendo dar um pulo de três metros da cadeira onde estava sentada. Acho que, quando inventaram a lição de casa, deveriam ter escrito uma observação do tipo “não fazer perto da sua amiga louca, demasiadamente agitada”. Sinceramente? As pessoas dizem que café faz mal. A Alice é a prova viva disso, só que é ELA quem toma e EU quem fico um caco. Sério. Nunca mais eu faço café forte na minha casa.

— O que foi, Aly? — perguntei sem nenhum interesse, olhando aquele exercício impossível de física. Ah, peraí, por que eu tenho que aprender uma coisa assim?! Fala sério! Esse negócio tem tantas letras que fica difícil saber se é uma conta mesmo ou uma frase em egípcio.

— Como é que você pode ficar calma com uma coisa dessas? COMO?!

— Ué, simplesmente estando. Se eu soubesse do que você tá falando, talvez pudesse estar nesse “nível” de euforia... — parei a frase e dei uma boa olhada naquele ser baixinho, com os cabelos curtos e espetados para fora, feições de fada e uma formiguinha pinicando o... bem, aquele lugar onde o sol não bate — É, não, não poderia mesmo.

— Você não ME DEIXA FALAR! — gritou ela. Se era possível, estava ainda mais histérica que o normal. E isso quer dizer MUITO. Minha amiga só pode ser hiperativa. Deus, a bateria dela nunca acaba?

— Desembucha, senão eu vou acabar dando essa droga aqui pra você fazer.

Isso finalmente fez com que Alice sossegasse um pouco o facho. Ela fez uma careta olhando para o meu livro de física (uma coisa bem pequena, que só pesa uns... vinte milhões de quilos. Coisa pouca).

— Tá, tá — dava pra ver que se ela não falasse logo, teria uma síncope. E eu não queria estar no recinto para ver a Alice ter uma síncope. — Então pára logo com isso e olha pra mim. VOCÊ NÃO SABE O QUE EU ACABEI DE VER AQUI! — toda eufórica, ela continuou, gritando a plenos pulmões: — A REVISTA MOST STARS* TÁ SORTEANDO TRÊS INGRESSOS!!!

Minha cara de morta disse tudo: meu, qual é a parada? Acho que agora o cérebro dessa aí ferrou de vez...

— Tá, mas sabe para ver quem?

Silêncio. Tinha até o cri-cri-cri dos grilos no fundo, como na tevê.

— OS GANGSTER BOYS*!!!! CAMAROTE VIP E UM MÊS COM OS INTEGRANTES DA BANDA!!!!!!!!!!

Bem, não teve jeito. Eu tive que gritar.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! VOCÊ NÃO PODE TÁ FALANDO SÉRIO?!

Antes que a minha amiga do peito pudesse responder qualquer coisa, Rosalie entrou com tudo no quarto segurando um bastão de basebol.

— FORA DAQUI, SEU DELINQUENTE!!!!

Eu e Alice olhamos uma para a cara da outra e depois para aquela louca que, para a nossa surpresa, era ainda mais problemática que nós.

— Hmm, Rose? O que você tá fazendo aqui... segurando esse bastão igual a uma louca?

Ela piscou os olhos várias vezes.

— Não tem ninguém atacando vocês?

Chacoalhamos a cabeça em um “não” silencioso.

— Então alguém pode me dizer por que vocês duas estavam gritando que nem duas histéricas?! — Ela olhou para nós com raiva. — Olha só! Eu achei que alguém tava molestando vocês e vim correndo! Nem deu tempo do esmalte secar.

Discretamente, muito discretamente, fui me aproximando de Aly e sussurrei no seu ouvido:

— Onde foi que ela aprendeu a palavra molestar?

Alice deu de ombros como quem diz “eu é que sei?”.

— Será que ela sabe o que significa? — sussurrou de volta. Nos encaramos como duas cúmplices.

— Se vocês continuarem com esses cochinchinhos aí, esse bastão lindo de basebol vai parar na cabeça das duas!

Sabe o que é? A Rosalie sempre teve aquele jeito de olhar que fazia a gente acreditar totalmente no que ela estava falando. O mesmo olhar de quando estávamos em uma loja da Chanel.

— Eu não disse nada, você disse, Alice?

— Nadica de nada, Bella.

— Cala a boca, vocês duas! — ela olhou para o alto com as mãos levantadas — Deus, por quê? POR QUÊ? É algum castigo por causa daquela vez que eu fiquei com o namorado daquela garota ruiva que eu não alembro o nome? ELAS ESTÃO TENTANDO ME ENLOUQUECER DE PROPÓSITO?

— Ah, deixa de drama, Rosalie. Você vai ter muito tempo pra fazer as unhas. Aliás — dei uma olhada em Alice —, acho que todas nós precisamos de um dia de beleza. Precisamos estar incríveis.

— E por quê?

Novamente, olhei para a cara da minha piradinha, ela olhou para a minha cara, nós duas olhamos na cara uma da outra e dissemos juntas:

— PORQUE A REVISTA MOST STARS ESTÁ DANDO TRÊS — não um, nem dois, mas TRÊS — INGRESSOS EXCLUSIVOS PARA VER O SHOW DOS GANGSTER BOYS, COM CAMAROTE VIP E TUDO, E, DE QUEBRA, UM MÊS COM OS MENINOS!!!!

— AI, SANTO ESMATE RISQUÉ, ME SEGURA QUE EU VOU DESPENCAR DESSE SALTO!

Então, as três juntas, demos as mãos e começamos a pular feito retardadas pelo meu quarto, gritando até ficarmos roucas.

— NÃO ACREDITO, NÃO ACREDITO, VAMOS VER O GATO DO EDWARD!!!!

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!

— É, agora só falta a gente entrar no sorteio.

Rosalie parou de berrar.

— Peraí, você ainda não ganhou? — ela perguntou, incrédula.

— Er... Não.

— Ainda não, ela quis dizer — completei.

— É, a Bells tem razão. A gente vai ganhar esses ingressos. MEU, NÃO POSSO ACREDITAR!!! — Aly agarrou meus braços e me chacoalhou como se eu fosse uma boneca de pano. Tipo aquelas criançinhas atentadas faziam com os brinquedos no Toy Story 3. É preciso ter saúde para ter uma amiga assim.

Rosalie sacudiu a cabeça.

— Deus, que eu nunca atinja esse estado de dormência — disse ela, nos olhando como se visse duas marcianas. Olhei para ela.

— Rosalie?

— Que é?

— É demência e não dormência.

— Tan. To. Faz — ela pontuou as sílabas, frustrada. — Não começa com d? As três últimas letras não são s, i, a?

— C, i, a — corrigi.

— É, é. Isso aí mesmo.

E foi saindo porta afora. Pobre Rose. Não é fácil ser loira de nascença.

Alice olhava a porta também.

— Qual o problema dela? — e me fitou.

— Austin — dissemos juntas.

— Deixa ela — eu disse. — Essa aí só vai trazer azar com o seu pessimismo.

— É — assentiu a baixinha.

Dois milésimos de segundo depois, estávamos sentadas na frente do notebook nos inscrevendo no sorteio. Por via das dúvidas, preenchemos o formulário três vezes — uma para mim, outra para Lice e uma última para Rosalie —, assim aumentaria nossas chances.

— Cara, eu preciso muito ganhar esse sorteio — falei.

— E eu, então? — disse minha loucamiga. — Querida, isso aqui é melhor que liquidação ponta de estoque.

Revirei os olhos. Aquela ali era uma consumista DAQUELAS. Ela era pior que a Becky Bloom quando ia ao shoppinng. Se houvesse qualquer 0,05 % de desconto, era lá que a Alice estava.

— Cruze os dedos — ergui as mãos, com os meus já cruzados.

— O quê? — disse ela, toda agitada, como sempre, e sorrindo de orelha a orelha. — Meu amor, sorte é o que não vai nos faltar.

Fitei minha best pelos cantos dos olhos, como se ela fosse uma louca. Só que ela era uma. Tentei não imaginar o que um ser como aquele poderia estar tramando.

[...]


— Como será que ele é pessoalmente? — perguntou-me aquele ser irritante pela quadringentésima vigésima décima sétima vez. Se é que esse número existe.


— Eu te mato se você fizer essa pergunta de novo — falei. Alice me olhou com olhos estreitos, parando um pouco de fazer mais um de seus corações com as siglas Ed + Alie e soltando faíscas das íris na minha direção.

— Você fala assim como se também não estivesse morrendo de curiosidade pra ver ele também — fez bico.

— Ok, ok. Nós duas sabemos que ele é um... PÃO COM GELÉIA DE AMORA! — dissemos a última parte ao mesmo tempo, rindo feito bobas apaixonadas. — Mas — continuei —, eu não vou aguentar se você perguntar isso mais uma vez.

— Você é tão chata...

— E você é tão mais chata ainda...

Mostramos as línguas uma para a outra.

— Quando é mesmo o sorteio? — perguntei.

— Mês que vem — disse terminando mais um coraçãozinho. Coitados dos Gangster Boys. Eles nem imaginam o que os aguarda se aquela ali ganhar o sorteio. Não sei eles, mas eu teria medo se tivesse uma fã obsessiva que nem a minha amiga. — Fofa, tá tãããão longe que eu fico brisada. Não aguento esperar tanto...

Olhei para ela.

— Alice...

— O quê?

— Hoje é dia vinte e sete.

— E daí?

— E daí que o mês que vem é daqui quatro dias.

— E daí?

— Não tá tão longe assim.

— E d... tá, entendi — se interrompeu quando viu minha expressão assassina.

A baixinha irritante continuou fazendo seus corações pela página toda, enquanto eu, que, por favor, sou bem menos infantil respondia às questões do meu teste Você combina com o Edward Cullen?

Três batidas na porta tiraram nossa profunda concentração.

— Entra!

Rosalie apareceu na porta, nos olhando de soslaio. Deu uma olhadinha no que nós duas estávamos fazendo, abanou a cabeça e disse:

— Não acredito que vocês ainda continuam com isso.

— Ué, por quê?

— Essa loucura nunca vai dar certo. Do jeito que vocês são duas azaradas...

Me irritei. A Rosalie estava forçando a barra só porque tinha levado um chute do Austin na semana passada. Quero dizer, um chute e um par de chifres. Se é que foi mesmo só um par. Falta de avisar não foi. Lembro perfeitamente de quantas vezes tentei botar algum juízo nessa cabeça cheia de fios loiros...

Notas finais
*Gangster Boys é uma banda fictícia na história, formada por Edward, Jasper, Emmett e Jacob. Sim, quatro garotos, não três.
E então, GOSTARAM? SIM? CLARO?
Pois é, eu vou continuar a história, mas depende de como ela for recebida. Preciso de estímulo pra escrever comédia, especialmente ultimamente. Mas ainda está no começo, então está bom.
Vejo vocês!
Não esqueçam dos comentários, tá? Eles são muito importantes. C:
BeijoS,
Miss Doll ;*