Como Conhecer Um Popstar
2 Eu tô ficando velha... Eu tô ficando louca (mais)
Notas iniciais
Boa leitura!
:)
P.S.: O texto todo escrito em itálico é parte dos pensamentos da personagem, okay? Pode ser sonho/delírio/lembrança/tudo isso mesmo...
Bella
Rosie chegou saltitando como uma lebre raivosa na minha casa. Eu nunca fui uma pessoa muito supersticiosa nem nada assim, que acredita nessas coisas malucas. Mas, naquele momento, tive certeza de que ela e a Alice tinham trocado de corpo. E isso me deu medo, porque o físico da Rosie não era pequenininho e magricelo que nem o da Alice, portanto, quando ela tivesse um ataque daqueles, eu é que ia me ferrar.
Esse é o mau de ter uma amiga hiperativa.
Levantei vagarosamente do sofá, onde eu assistia os meus ídolos (não, não era o pessoal do Restart. Pelo amor, né?), pela milionésima vez, recebendo o Grammy e me voltei para Rose/Alice.
— Tudo bem — eu disse —, não entre em pânico. Nós vamos resolver isso, tá? Me diz que você não foi naquele centro de macumba de novo, Alice. Eu já falei que isso é tret…
— Tá tudo bem, Bella? — perguntou aquele ser.
— Comigo, sim. Agora é você quem tem que explicar como foi que trocou de corpo com a Rosie… — bem, até que não seria assim tão má idéia. Ela poderia me dizer e daí eu trocava de corpo com a Jessica Alba. — E cadê ela com o seu corpo, falando nisso?
Ela piscou os olhos.
— Tem certeza que está bem mesmo, Bells? Sou eu, a ROSALIE. Você tomou o seu remédio hoje?
— Mas eu não tomo remédio nenhum…
— Tipo, acho que deve ser esse o problema. Você tá precisando, amiga. UmGadernal ia bem.
É, definitivamente era a Rosie. Alice nunca diria Gadernal.
— Bem, agora que eu sei que é você mesmo, e não a Alice passeando por aí com o seu corpo (o que seria trágico pra mim, já que, só com aquele tamanho, ela quase me mata), feito uma… Não me olhe assim — retruquei —, você e eu sabemos que aquelacidadã já fez coisas que até Deus duvida.
Rosalie continuou em silêncio, ainda me olhando como se eu fosse louca.
— Tá — falei, antes que eu ficasse louca com ela na minha frente me encarando daquele jeito —, agora me diga por que você entrou em casa quicando igual a uma Alice.
— Ah… — suspirou. Na mesma hora pensei: vixi, já vi tudo! — é que o Austin e eu estamos namorando.
— O QUÊ? — explodi. — Rose, minha flor, cê tem idéia de quem é o Austin?
— Tenho — disse ela. — Tenho sim, Bells. Ele é o cara mais gato, inteligente eperfeito de todo o mundo.
Olhei fundo nos olhos dela, para ver se não era possível de estar zuando com a minha cara. O Austin? Inteligente? Rá!
Quero dizer, é claro que a Rose considerava qualquer um que dissesse umas palavras difíceis, como liquidificador, inteligente. E, a menos que ela estivesse falando de outro Austin, perfeito era a ÚLTIMA COISA que ele era. O cara era um galinha, destruidor de corações. Um safado. Então, bem, estava na cara que a loira estava drogada.
— Tá, Rose, agora é sério. O que aconteceu?
— Eu já disse. O Austin me pediu em namoro, e nós estamos namorando.
Encarei-a, me perguntando se a disfunção cerebral da minha amiga a deixava imbecil, além de lerda.
— Ele me ama!
Incrédula, perguntei:
— Agora eu é que quero saber, você tomou o SEU remédio hoje?
Rose segurou minhas mãos entre as suas.
— Meu amor, você não deve acreditar em tudo que essas pessoas cheias demalidificiência dizem. O Austin não é nada do que os outros falam. Ele é legal…
Tradução: tem uma lábia fortíssima para levar loiras na conversa.
—… gentil…
Provavelmente disse algo como: “Ow, cê é a mina mais gata que eu já namorei”.
—… e romântico.
Bem, isso aí nem EU sei como ele conseguiu. Não que seja muito difícil.
— Ele só não é o que esse povo fuxiqueiro fica espalhando por aí.
Acho que os meus olhos também devem ser fuxiqueiros…
É, realmente. Como se eu fosse idiota para cair nessa DE NOVO. Da última vez, o que foi mesmo? Ah, sim. Pois é,”não, ele não mexe com drogas, não. Ele mesmo me disse”. O maluco foi preso. Injustamente, é claro. Ou o outro que eu CANSEI de tentar enfiar naquela cabeça loira que o ‘cara’ não gostava da fruta, e ela não aceitava. Até que um dia aboneca chegou para ela e disse: “Piranhaaa, você é um ARRASO, mas o meu campo é outro”. Acho que foi a época mais sombria da minha vida. Nunca assisti a um filme tanto quanto Desejo e Reparação na vida. Nunca NINGUÉM assistiu Desejo e Reparação tanto em toda a sua EXISTÊNCIA quanto eu em um mês durante o “período fóssico” da Rosalie.
— Rose — tentei chamá-la à razão. — Rose, querida, minha flor do deserto, esse carinha só tá brincando com você. Conhece a fama dele.
E adiantou? É claro que não. Ela nem ligou. E agora ficava aí, acabando com a nossa felicidade.
— Ah, um dia essa Rose vai botar o cérebro pra funcionar, e me escutar quando eu falar — eu disse.
— Bela, o problema da Rosalie é não ter cérebro pra botar pra funcionar.
Ficamos em silêncio.
— Tem razão.
[…]
O Sr. Carter estava me encarando. Ele tinha ficado me encarando todo o tempo. Eu sabia que ele devia ter algum problema muito sério comigo, porque não era possível.
Tipo, ele estava esperando eu fazer a prova? Podia deitar, relaxar e tirar um cochilinho tranqüilo, tranqüilo, e mesmo assim era capaz de eu nem ter começado a prova.
Porque eu não tô nem aí pra essa prova idiota. Mano, eu vou conhecer o Edward Cullen, o cara mais gato e talentoso do mundo! O artista mais jovem a ganhar o Grammy de melhor do ano. Aquela fresca da Taylor Shiuíft (eca!) ficou na sola do sapato social do meu ídolo. O líder da banda que, só do primeiro CD, vendeu mais de 3 milhões de cópias.
Então, será que existe a mínima possibilidade de eu estar preocupada com essa prova de física? Hmmm, não.
O sinal bateu e a única coisa que estava escrita naquela prova era o meu nome, e estava escrito Isabella Culllen.
Muito Embaraçoso.
Dei um jeito de vazar logo da sala antes que o professor viesse me passar um sermão. Ninguém merece tomar chazinho com o professor depois de uma prova assim. Principalmente porque eu queria estar no meu melhor humor quando fosse ver o amor da minha vida.
Doce ilusão.
Mike apareceu na minha frente antes que eu pudesse piscar. Foi me cercando até que eu estivesse, literalmente, contra a parede, e colocou os braços de modo que eu não tivesse escapatória.
Eu odiava a forma como ele vinha agindo ultimamente.
A pior parte de ter um namorado é quando a gente manda ele ir passear e o infeliz não entende o recado. Por isso eu nunca, nunca, nunca, JAMAIS acredito quando as pessoas dizem que o mal do século é a AIDS ou, sei lá, a depressão. Por que a verdade é que são os ex-namorados.
— Eaí, gata. Pensei que a gente podia dar um role por aí esse sábado, que cê acha?
Suspirei. Aquele ali estava que nem chiclete mastigado.
— Mikezinho? — eu disse suavemente. — Acho que você não entendeu bem a nossa última conversa. Nós não estamos mais juntos, será que agora deu pra entender?! Não estamos! Não existe mais nenhum a gente, é apenas você aí, e eu aqui.
Ele fez biquinho.
— Ah, gata, não fala assim, não. Cê sabe que eu…
Antes que ele começasse a fazer aquela cena toda no meio do pátio, eu apontei para a frente e gritei:
— Ai, meu Deus, Mike! Aquela é a Britney Spears?
Imediatamente ele me largou e virou para trás, me dando o espaço certinho para poder escapar dali. Sério, algumas pessoas são burras, outras são ex-voluídas.
Antes que o tonto se desse conta de que havia caído na mais velha de todas as pegadinhas, eu já estava correndo pelo estacionamento da escola e entrando dentro da minha pick-up. Uma máquina daquelas, incrivelmente potente: uma Chevy vermelha — ou pelo menos era vermelha antes da pintura desbotar, e ela ficar com essa cor laranja-queimado —, de 1960. Pelo que se sabe. Mas não duvido nada que Abraham Lincoln tenha andado nessa coisa do tempo das cavernas. Mas é claro que quando não se tem opção, a história é outra. Eu teria um carro beeem diferente se tivesse money para comprar. O que não é bem o caso.
Mas eu sou apaixonada por possantes. Todo tipo de motor, na verdade. Mercedez, Porshes, Audis… Só que, ao contrário da maioria das pessoas, meu sonho de consumo é uma Harley-Davidson XL 883L preta com as peças cromadas. Sempre foi. Acho que é porque eu gosto de ser o tipo “menina levada”.
O que é meio difícil de encaixar no meu perfil, porque de todas as outras famílias do mundo onde eu poderia ter nascido — contrabandistas, imigrantes ilegais, mães solteiras. Até chefe da máfia americana eu toparia —, tinha que vir ao mundo justo com um pai que era chefe do Departamento de Polícia local em uma cidadezinha com, mais ou menos, uns dois mil habitantes. O que quer dizer que, se eu for ao banheiro de manhã, no fim da tarde metade da cidade já estará sabendo o tamanho, espessura, peso, cor e aroma do produto deixado lá. Isso é que é sorte!
Depois de um caminho terrivelmente longo e silencioso até chegar em casa — para variar, o rádio daquela lata velha tinha pifado. Mas eu nem me importava mesmo, porque ele parecia ainda mais velho que o carro em si —, exausta, deixei minha Chevy na garagem e entrei em casa. Charlie, meu pai, não estava, claro. Ele estava na delegacia, cuidando da ordem da cidade com sua equipe — um outro policial de meia idade chamado Pit.
Preparei qualquer coisinha lá para comer e fui para o meu quarto no andar de cima. Larguei a mochila em qualquer canto do recinto, onde a minha lição teria espaço suficiente para se fazer sozinha, porque eu não tinha cabeça para mais nada a não ser pensar no sorteio. Liguei o computador de última geração no meu quarto — apenas um modelo mais novo depois do DOS — e, após umas vinte horas esperando o infeliz terminar a inicialização, peguei o cabo telefônico e conectei ao computador para poder entrar na internet. Salário de policial não é lá essas coisas, não.
Assim que terminei de ver as atualizações nas páginas hiper-importantes na vida de uma pessoa — Orkut, MSN, Twitter, Facebook, e tudo isso —, tecleiwww.gangsterboys.com.
Esperei. As barrinhas verdes na parte de baixo do Internet Explorer apareceriam daqui a pouco…
…
Só mais um pouco… Mais um pouquinho… Outro tiquinho de nada e…
O negócio começou a carregar.
Alice foi escancarando a porta do quarto logo em seguida, e eu quase morri de susto quando ela apareceu assim, de repente, e começou a falar igual a uma desesperada.
— Ainda bem que eu tenho saúde… — murmurei. — O que é, Alice? — perguntei a ela, que estava cheia de sacolas nas mãos e não parava de falar um só minuto, tão rápido que eu não entendia uma palavra sequer. De onde saiu a idéia de fazer uma vitrola? Sim, foi da nanica da Alice. Ou alguma parenta de gerações anteriores.
— Silêncio — ela disse. — Você não estava prestando atenção em nada do que eu disse?
— Você fala tão rápido, Alice, que nem o Ligeirinho iria te entender.
— Tá. Esquece. Agora, silêncio. Nós precisamos de extrema concentração, ok?
— Mas o que…
— Psiu! — ela colocou o indicador sobre os lábios. — Eu vou lá embaixo e já volto, tá? Não mexa em nada do que eu trouxe aqui.
A baixinha desceu com uma sacola preta nas mãos, me deixando ali, cheia de curiosidade para saber o que a doida havia trazido naquelas sacolas.
Continuei sentada no meu lugar. Afinal, a Alice havia pedido para eu não mexer nas coisas, e eu não era o tipo de curiosa compulsiva que não conseguiria se segurar se não soubesse o que poderia haver lá dentro. Podiam ser só lingeries para as próximas fantasias eróticas do namorado dela. Ou podiam ser remédios para alguma DST que ela possa ter pego. Nunca se sabe.
Titubeei os dedos na escrivaninha. Às vezes eram apenas umas roupas que ela sabia que eu poderia achar brega.
Cinco longos, desgastantes e tediosos minutos rastejaram enquanto eu ficava sentada observando aquelas sacolas misteriosas. E se fosse apenas a nova linha de maquiagem da Victoria’s Secret? Ou quem sabe uma coisa com que não queria que eu me preocupasse…
Por outro lado, ela havia dito: “não mexa nas minhas coisas”, não falara nada sobre dar uma olhadinha rápida sem tocar em nada, e…
Parei de me aproximar quando senti um fraco cheiro de fumaça vindo de fora do meu quarto. O cheiro era bem suave, mas era, sim, fumaça.
Ai, meu Deus! Será que eu esquecera o fogo ligado e agora provocara um incêndio na minha casa?! Charlie ia me matar! Não. Ia me xingar a beça por ser irresponsável e distraída primeiro, e depois me matar.
Saí do quarto, munida com um extintor de incêndio, e fui descendo lentamente a escada. Minhas pernas estavam preparadas para correr até uns vinte quilômetros se a coisa estivesse muito feia. Melhor a casa inteira pegar fogo do que o meu lindo corpitio. Casa o Charlie poderia comprar outra — financiada para pagar até a terceira encarnação, tudo bem —, só que corpo é meio difícil. Afinal, eu tenho que conservar pelo menos a minha beleza se quiser ter sucesso na única chance que me restou de ficar rica — pois nós só temos quatro chances de sermos ricos: a) nascendo (deletada); b) quando um parente rico morre e deixa a fortuna para nós (todos os meus parentes são pés esfolados. Nem é maisrapado, não); c) ganhando na loteria (expectativa de outras, deixe-me ver, bilhões de pessoas?); e) casando. Portanto, não poderia jogar no lixo minha única última esperança.
Foi nesse momento, quando desci até a sala e cheguei na porta da cozinha, que encontrei Alice, com um galho de sei-lá-que-planta na mão — e o troço estava pegando fogo— e falando sozinha:
— O que será que eu fiz de errado? — murmurava ela segurando o galho.
Rosalie apareceu em seguida, enquanto eu ainda permanecia parada, com a boca escancarada, e totalmente aturdida com aquela cena.
Notas finais
Agora, que tal um comentariozinho, ein? Não vai matar ninguém, né? Incentivo é sempre bom!
♥
BeijoS,
Miss Doll ;*
Fale com o autor