Como Conhecer Um Popstar

3 Yo soy loca con mi tigre. Loca, l... ok, sem tigre


Notas iniciais
Hey! Como vão, pessoas???
Espero que bem. Espero que estejam curtindo a história.
Enfim.
É meio preocupante que eu esteja postando esses capítulos tão rápido mas tuuuuuuuuudo bem. É a vontade.
Enjoy :)
P.S.: Yo soy loca con mi tigre? Sério mesmo? Que tipo de letra zoológica e nonsense é essa? Pelamor u.u

Rosalie

Meu dia tinha começado até que normal. Fui à escola — e, como sempre, tinha um monte de gente pegando no meu pé só porque eu fazia algumas coisinhas erradas —, voltei para casa e assisti a um filme muito imbecil na tevê — algo sobre um vampirosuuuupergostoso que se apaixonava por uma mongolóide que só sabia entrar em frias; e frasesdlichês tipo “não tenho mais forças para ficar longe de você”. Como se eu não soubesse que o filho da mãe ia trocar a idiota pela ruiva OXIGENADA da outra sala só porque ela eraum pouco mais inteligente.

Só que toda essa normalzalidade foi pelo esgoto quando eu entrei na casa da Bella e a vi parada que nem uma sonsa na porta da cozinha, olhando para a plobemática da Lice, que carregava um galhinho cheio folhas verdes, fumegando, nas mãos.

— Alice, pode me explicar-me o que está acontecendo aqui? — perguntei, olhando para ela. — Espera, acho que talvez eu não quero mesmo saber realmente.

Bella não foi tão calma quanto eu.

— Pode começar a explicar isso agorinha mesmo! — disse ela.

— É que a Zafrina (você sabe, aquela moça daquela loja legal em Port Angeles) disse que eu tinha que esfumaçar essa erva nas casas de nós três e…

— Zafrina? Aquela doida sul-americana que vende coisas pra fazer macumba?

— São artigos esotéricos, e não coisas de macum…

— Dá no mesmo! — disse Bella.

— Não sei por que essas coisas não me surpreendem-me… — comentei.

As duas ficaram me encarando.

— Tá — Bella disse, e depois se virou para Lice novamente. — E por que, exatamente, você precisa queimar esse galh…

— Ah, mais uma coisa — a nanica a interrompeu e subiu rápido as escadas, voltando pouco tempo depois com umas sacolas bizarras nas mãos. — Ainda bem que você está aqui, Rose. Me poupa um pouco de trabalho — disse-me ela.

Alice vasculhou freneticamente as pequenas sacolas, remexendo dentro de todas elas.

— Achei! — exclamou ela, depois de algum tempo — Toma, Bella, aqui, esse é pra você. — virou-se para mim — Rosalie, o seu. — entregou a nós duas dois objetosindênticos, e que eu nem imaginava o que fossem.

— Que diabos é isso? — Bella fez a pergunta por nós duas.

— Um pé-de-coelho — respondeu a anãzinha, como se dissesse que o céu é azul.


Alice


Rosalie soltou imediatamente o pé-de-coelho, que quicou no carpete cinza claro da sala do Charlie. Bella olhava para mim como se eu fosse uma debilmental e se esforçava para segurar o amuleto na pontinha dos dedos polegar e indicador, como se ele fosse transmitir lepra ou algo assim, e olhando com uma cara de nojo.

— Que é? — perguntei na defensiva.

— Pelo amor da Santinha Protetora dos Mentalmente Desequilibrados, me diz que isso aqui não é o pé de um coelho de verdade.

Eu apenas a fitei. É claro que eu nem havia me tocado se era ou não o pé/ pata/ sei lá o que de um coelho de verdade. Afinal, a gente não pergunta esse tipo de coisa quando vai comprar as coisas numa loja de artigos esotéricos. Principalmente quando eles estão em liquidação…


Como sempre, eu estava fazendo a minha visita semanal à Port Angeles. Era incrível como aquelas lojas me faziam sentir bem. Extremamente bem, na verdade.

Modéstia a parte, eu estava totalmente deslumbrante usando os meus novos sapatos Jimmy Choo, minha linda bolsa (Victor Hugo, uma pechincha num mega-saldão), calças Armani (que saíram pela metade do preço), blusinha Stella McCartney básica e um sobretudo marastupendo da nova coleção outono-inverno da Rei Kawakubo. Ah, e é claro, não poderia esquecer meu lindo Ray-ban.

Um figurino digno de Gisele Büchen, ouso dizer.

Então, basicamente, eu tinha todos os motivos do mundo para andar pelas ruas como se estivesse desfilando em uma passarela — e eu estava vestindo esses motivos. Porque roupas não são apenas pedaços de pano que as pessoas colocam no corpo. Não. Roupas são muito mais do que isso. São expressões… São obras de arte. As roupas são como o rótulo das pessoas. Suas capas. É o que indica quanto bom gosto alguém tem, quanto caprichoso alguém é.

E, bem, é o máximo sair por aí e ver todo mundo babando em mim. Porque eu mereço. Isso e ser feliz de verdade. O que significa que…

OMG! Não podia ser! Isso era… MARASTUPENDO, ouso dizer (Deus, dizer isso é realmente legal). Santinho Esmalte Risquè, liquidação de bolsas Gucci, 30% de desconto.

Pense, Alice, pense. O que foi que o seu psicólogo disse? “Alice, você tem que manter as suas prioridades. Comprar não é uma prioridade!”.

Ok, ok. Comprar NÃO É uma prioridade. Não é. Eu tinha que manter o foco. Manter o foco. Era só uma bolsa Gucci. Uma linda, perfeita, maravilhosa bolsa prata com fivelas, 30% de desconto no American Express…

Não, não. Alice, foco. Foco.

Ai, minha santinha! Corri até a outra vitrine. Uma Gucci original, dourada, couro legítmo, 40% de desconto e ainda ganharia um cinto de brinde! Deus!

Vejamos, seria um investimento. Eu estava precisando mesmo de um cinto. Ou poderia precisar, algum dia. Nunca se sabe. Uma pessoa precisa estar preparada para imprevistos.

Entrei decidida na loja. 40% de desconto, uma pechincha! Não poderia acreditar no quanto estava economizando naquela compra… E ainda vinha um cinto! Existiria alguém mais econômica do que eu? Rá, meu terapeuta teria orgulho de mim agora.

“Alice” — o pensamento me ocorreu. Era um que eu chamava “voz da consciência”, e eu soube na mesma hora porque, fala sério, a guria era muito chata, e só aparecia para contar o meu barato.

“Você não vai comprar essa bolsa”.

“É claro que vou. Ninguém pode negar que é um investimento no futuro. Quando eu precisar de um cinto”.

Minha mente ficou temporariamente silenciosa. Eu ia comprar, é claro que eu ia.

Continuei meu caminho até a ala das bolsas. Meu coração palpitava de felicidade — pelo empreendimento, óbvio.

“Alice” — chamou a infeliz da minha consciência novamente. Eu gostava de pensar que ela não era apenas eu pensando no que era certo, porque se fosse isso, eu era muito chata. Ser desmiolada seria muito mais legal, mesmo que para isso eu precisasse parecer uma louca falando mentalmente consigo mesma.

Não que alguém soubesse disso.

“Alice” — sujeitinha chata essa! Pelamor. Eram nessas horas que eu preferia não ter consciência.

“Que foi agora?” — respondi, já de mau humor.

“Você comprou uma igualzinha na semana retrasada”— disse.

Pensei por um ou dois segundos. Ah, sim. Eu realmente havia comprado uma Gucci na semana retrasada. Mas isso já fazia tanto tempo, e não mudava a dimensão obscena do meu investimento, porque agora eu compraria uma bolsa e levaria também um cinto. De graça.O que era mega diferente.

“Volta. Agora” — a coisa pontuou as palavras.

[…]

Com alguma dificuldade, eu carregava todas as sacolas enquanto descia a rua, desviando das pessoas que passavam.

O dia havia sido tão lucrativo que eu mal podia acreditar. Além da bolsa e do cinto novos, eu havia feito outros incríveis investimentos. Agora tinha certeza de que não havia mais nada de que eu pudesse estar precisando (sim, eu precisava daquelas blusas da M&SO, porque eram de cores diferentes. O guarda-roupa de uma mulher tem que ser diversificado).

Bem, eu não precisava de mais nada. Até ver o grande cartaz na frente daquele estabelecimento onde estava escrito: “toda a loja com até 70% de desconto”.

Nunca poderita imaginar como ali tinha coisas das quais eu necessitava urgentemente. Tipo, jamais tinha pensado como era importante ter uma vela para afastar os maus espíritos, imagina?

Já havia entrado antes na loja. Uma vez apenas, só para ver o que vendia. Eram uns produtos New Age, budistas e essas coisas.

Incrivelmente educada, a atendente disse:

— Boa tarde, posso ajudá-la com alguma coisa?

— Sim. Aquele cartaz ali na frente, é realmente TODA A LOJA ou só… Você sabe, a loja.

Por favor, por favor…

— Sim, é TODA A LOJA com 70% de desconto.

— Uau! — exclamei. Afinal, não era pecado só dar uma olhadinha básica.

Zafrina, a vendedora, foi até uma das prateleiras no fundo e pediu para eu segui-la. Foi tirando um monte de chaveirinhos, ou sei lá o que aquilo era, e apontou para alguns:

— Já que você parece não saber bem o que quer, eu posso te ajudar. Esses aqui trazem sorte a quem quer que os use.

— Sério?!

— Muito. Eles equilibram o seu chii com o zodíaco.

Ela estava falando, quem seria eu para discordar?

— Você não quer nada em especial? Uma poção, um talismã…

— Hmm… — pensei um pouco — Meu terapeuta disse que eu preciso de uma poção exorcista.

Pareceu que ela prendia o riso, só que devia ser só vontade de espirrar, ou coisa assim.

— Por quê?

— Eu tenho um… probleminha com compras. Coisa pouca.

— Ah… Certo. Acho que tenho a receita perfeita para você. E por um preço especial.

Zafrina pegou uma caneta, foi até o balcão e rapidamente começou a escrever uns ingredientes no bloco de notas dela, juntamente com os preços, ao lado de cada um. Era uma espécie de chá.

Agarrei os amuletos. Eu precisava mesmo de sorte. Para o sorteio. Como podia não ter pensado nisso antes?


— Deixa eu ver se entendi —Bella falou. Ela estava com aquela cara incrédula que fazia toda vez que achava alguma coisa absurda. — Você comprou essas coisas pra parar de comprar desenfreadamente?

— Bem… Sim — respondi, percebendo que aquilo realmente não soava bem. Era incrível como a Bella conseguia acabar com a alegria das pessoas com uma frase.

Ainda me encarava com aquela cara.

— Você é DEMENTE, Alice?

— É claro que não! Eu só…

— Não, não. Não fale. Você não vê que esse povinho só quer tirar dinheiro de você?

— Mas ela disse que eu ia parar mesmo de comprar que nem uma louca…

— Ah, então quer dizer que se eu te disser que comer perninha de barata vai deixar você com o corpo da Ashley Greene, cê vai acreditar?

— É, vendo por esse ângulo…

— Não EXISTE outro ângulo, Lice — retrucou. — Seu pai vai fritar os seus rins.

Choraminguei.

— Ai, por favor, nem fala isso — pedi. — Eu estou feliz. ESTOU. FELIZ. Não vou pensar que o papai vai me deixar um ano sem o cartão de crédito de novo. Não vou pensar.— Falei firmemente.

Respirei fundo uma vez. Duas vezes. Três. Então… Bem, eu aproveitaria as compras, já que o papai com certeza me mandaria para uma escola reformatória militar numa ilha isolada do resto do mundo. E das lojas.

— Ok. Vamos falar sobre coisas mais felizes agora, antes da minha morte — peguei as sacolas menos bizarras de cima da cama da Bella. — Feliz aniversário, Bellzinha! — gritei alegre.

O quarto caiu num silêncio sepulcral… E eu estava lá parada sorrindo idiotamente, como se alguém tivesse apertado o botão “pause” do controle remoto e parado a cena.

— Não é meu aniversário, Lice.

Ops. Tinha quase dado certo.

— Não?

— Não.

— Tem certeza?

— Não, Alice. Esqueci em que dia eu nasci, mesmo depois de dezessete festas de aniversário.

— Ok, ok. Não precisa ignorar, falou?

Pisquei para ela.

— Que foi? Eu ia precisar comprar o seu presente algum dia, não é? Melhor assim, daí eu não esqueço.

Ninguém disse nada.

— Qualé, Bella?! Seja paciente comigo, eu tava sob pressão com toda essa coisa do sorteio e tudo mais.

Silêncio.

Foi aí que eu emburrei total.

— Cê não vai falar nada, não?

— O que cê quer que eu diga?

— Sei lá. Qualquer coisa é melhor do que essa sua cara de “mãe que tem razão”.

— Amiga, eu venho falando qualquer coisa pra você há treze anos — respondeu Bella.

Quer dizer, eu não merecia perdão? Todos merecem perdão. Eu sabia que era azilhonésima vez que eu fazia algo assim, mas é que eu não conseguia evitar. Quando olhava uma loja… Ou melhor, quando olhava para aqueles enormes números mágicos, como U$ 49, 90 — mesmo que embaixo estivesse escrito, em letra minúscula, doze vezes no cartão —, meu coração batia mais forte. Porque eu simplesmente precisava daquilo. Ainda que nem tivesse lido o que era.

Não podia ser tãããão errado. Todo mundo faz o que gosta, eu também não podia fazer o que eu mais gostava: comprar?

— É capaz do seu pai nem te deixar ir ver os Gangster Boys se a gente ganhar o sorteio — comentou Bella, me arrancando das considerações sobre a injustiça do mundo.

— NEM MESMO PENSE NUMA COISA DESSAS!

Notas finais
E então, o que acharam? Gente, a Alice não bate bem.
Nem conto pra vocês quem ela me lembra...
Enfim. Gente doida é um problema.
Tadinha. Esquizofrenia é mesmo triste.
Comentários? Recomendações? Sair falando pra todo mundo que conhece da fic? Hein? Que tal?
HAHAHA. Não me deixem aqui na seca, ein?!
BeijoS,
Miss Doll ;*