Notas iniciais
Capítulo dedicado a Amanda, obrigada pela linda recomendação. Deu até vontade de chorar com aquelas lindas palavras. Essa fic ajudou pessoas, e pra mim isso já bastou todo o esforço. Apenas esclarecendo que alguns bipolares durante o tempo de tormenta ficam extremamente inseguros, quando o tratamento surge efeito, esse sintoma some.

Cheguei em casa com Anne, a irmã da minha nova assistente, já que Mary pediu conta para se dedicar a família. Estou muito feliz pelos dois, mas confesso que preferiria Mary trabalhando comigo de novo.


Elsa é uma mulher muito elegante, organizada e gentil, e o melhor, tem uma irmã que é babysitting. Você tem ideia o quanto é difícil arrumar uma babysitting em New York que não tenha serviço duvidoso extra à noite? Pois é, eu não sabia, descobri nessas últimas semanas.
Deus! Que alívio achar Anne para diminuir a carga dos ombros da Zelena. Cuidar de Regina e Sohara não é fácil.


"Zel, cadê Regina?" Perguntei após uma procurada na casa.


"Está no parque com Neal."


"QUE?!" Meu coração disparou.


"Calma, Killian, David e Mary foram com eles." Ruby falou sentando no sofá.


"Então fala antes de me causar um ataque cardíaco." Sentei no braço do sofá na esperança de controlar minha pressão.


Quando levantei os olhos Zelena e a nova babysitting estavam se cumprimentando.


"Emma, essa é irmã da loira que estava na produtora hoje?" Zelena me perguntou ao entregar minha filha a Anne e apontar o quarto.


"Como você sabe da minha nova assistente?" Cruzei os braços e encarei Ruby que apenas levantou as mãos alegando inocência.


"Regina quis te fazer visita e eu a levei, sorte sua que você irá trabalhar em casa agora." Foi Zelena quem cruzou os braços dessa vez e sentou ao lado de Ruby no sofá.


Passei a mão nos cabelos já prevendo problemas. "Não pretendo ter nada com Elsa."


"Não é a mim que você tem que falar isso." Seu olhar de viés me incomodou.


"Eu sei, desculpa. Killian ficará pro almoço? Comprei coisas pra fazer uns hot dog? David, Mary e a esfomeada aqui eu sei que vão." Apontei para Ruby que fingiu uma pose de ofendida.


"Podemos perguntar." Zelena sorriu, me olhando diferente. "Continue assim Emma, continue dando valor a sua família."


"É apenas um almoço."


"É muito mais que isso. Dê valor ao que você possui."

***

Senti lábios macios nos meus. Abri os olhos devagar e vi aqueles olhos castanhos, o mistério que amo me perder.

Pessoas são como labirintos, no começo é divertido e empolgante, mas depois de muitos muros fica cansativo. E desistimos antes de encontrar a saída. Entretanto, de Regina não abro mão. Não importa quantos muros eu encontre e quantos machucados eu tenha, não vou desistir dela.

"Eu tentei beijo de amor verdadeiro também e você não acordou." Neal falou emburrado.

Sorri ao ver ele do lado do divã me olhando de braços cruzados e Regina sentando com nossa filha nos braços.


"Oh!" Fingi surpresa "Então você não sabia?"


Ele me olhou curioso e eu continuei: "É no segundo beijo que o amor verdadeiro acorda a bela adormecida."


Neal colocou as duas mãos no rosto e fez um "o" com a boca. "Não sabia! Chamei Regina porque você não acordou!"


Sorri calorosamente para ele antes de perguntar: "Ah, mas você tentou, certo? Isso já basta."

Após proferir a última palavra agarrei a cintura dele e o puxei para cima de mim, rapidamente deixando meus dedos dançarem nas suas costelas, fazendo-o ofegar, gargalhar e quase fazer xixi em suas calças.


"Eu vou peeeeee! Vou peee!" Ele gritou muito alto, quase me deixando surda.
Parei e olhei meu irmão, meu garotinho fofo. Ele continuava rindo, mesmo após eu ter parado as cócegas.


"Do que você tá rindo garoto?" Perguntei acariciando seus cabelos loiros totalmente bagunçados. Ele olhou para Regina ainda sentada nos observando, havia um sorriso tão genuíno em seus lábios, seus olhos transparecendo tanta ternura que senti uma onda de paz dentro de mim.

Confortavelmente envolvi meus braços ao redor de Neal e ele revelou a sua vontade de me abraçar.

Ele colocou a cabeça sobre meu peito sussurrando uma frase que jamais imaginei ouvir de sua boca: "Eu quero que você e Regina sejam meus pais. Eu amo ela."

Neal levantou a cabeça e me olhou receoso antes de morder os lábios e, inconscientemente fazendo beicinho tímido.

Ele olhou fixamente para mim, como se procurasse algum tipo de confirmação ou um sinal de reconhecimento.

Respirei fundo antes de elaborar uma resposta que não o magoasse. Regina sentou no divã onde eu estava e olhou Neal que desceu de cima de mim e colocou sua cabeça nas pernas dela. Sentei e peguei Sohara para deixar os dois interagirem melhor.


"Emma já é sua irmã, não pode ser outra coisa, meu amorzinho de nariz de chocolate." Ele sentou animado em seu colo.


"Mas Sohara é filha da Emma." Fez biquinho. "E sua também. Por que não posso?"


Regina beijou sua testa e acariciou sua bochecha, ninguém além de mim é tão carinhoso assim com ele, é fácil entender porque ele a quer como mãe.
"Você já tem papais, eles não podem ser substituídos."


"Não tenho mãe!" Escondeu seu rosto no colo de Regina. "E meu pai não gosta de mim!"
Regina me olhou, vi dor em seus olhos, aquela dor que sentimos diante da dor dos outros, mas especificamente daqueles que amamos.

Assenti com a cabeça e Regina abraçou Neal mais forte.


"Não sou sua mãe rapazinho, mas posso te amar como uma, na verdade... Já te amo como uma." Vi meu garotinho levantar a cabeça, ele estava quase chorando e a abraçou.

Sei que o médico falou para evitar o contato de Regina com crianças por enquanto, porém... Como posso fazer isso? Como posso negar amor a esse menino que a ama tanto. Eu lembro muito bem o quanto ele sofreu quando Regina foi embora, certa vez disse que ia fugir para encontrar ela. Não quero nunca mais ver aquele olhar de decepção que ele me deu quando eu disse que ela havia se mudado e eu não sabia para onde.
Ela foi a primeira pessoa que realmente o escutou.


"Oh família feliz, se vocês não vierem logo, David, Mary, Killian e Ruby vão acabar com os hot dogs tudo." Zelena falou abrindo a porta do estúdio.


Regina me deu um olhar de gato de botas. "Desculpa, fiz o molho. Ruby estava com fome." Mordeu o lábio. "Posso chamar uma amiga?"


Sorri, "Todos meus amigos estão aqui, você com certeza pode e deve chamar os seus."


"Incluindo Robin?"


"Incluindo Robin. Ele é um bom homem, e desde que não meta a cara com você, continuará sendo homem."

Regina gargalhou e fez cócegas em Neal para que ele levantasse de seu colo.
Ela me deu um selinho e pegou Sohara dos meus braços.


"Anne é divertida." Sorriu e saiu pela porta com Neal.
Achei estranho ela não ter comentado nada sobre Elsa e isso me apavorou um pouco

***

Foi uma tarde realmente agradável, já estava anoitecendo quando acompanhei a grande turma para o estacionamento.
Tinker fazia muito bem a Regina, e até que Maleficent era agradável. Pedi que as duas voltassem mais vezes, e fiquei surpresa com a animação delas, elas gostavam de Regina de verdade.

Por falar em animação, Regina parecia uma criança de cinco anos, muito elétrica durante todo o tempo, e pela lógica, mais tarde era ficaria depressiva. Sobre isso eu já estava preparada, na verdade a intensidade estava diminuindo gradativamente, e minha esperança aumentando na mesma proporção. Era bem possível que Regina melhorasse antes dos seis meses e não passasse mais por essa montanha russa de emoções.

Sentei nos degraus de entrada do meu edifício, acenei para um vizinho que chegou com seu carro. Regina parou na minha frente, braços cruzados me encarando.


"Sua nova assistente é muito bonita."


"E ela será só isso, minha assistente."


Regina fechou os olhos com força. Tornou a abri-los e plantou uma sólida bofetada no meu rosto.
Seria fácil para mim dizer que ela era apenas uma mulher doente, em pé com uma postura precária e abalada, mas não era. Não era nada fácil. Naquele momento eu não a conhecia.

O vizinho que outrora sorriu acenando para mim, passou ao meu lado de cabeça baixa, sua esposa também não ousou me olhar. O amigo que os acompanhava me olhou com pena.


"Regina..." A surpresa da minha própria voz me impelia, mas também me deixava sem reação. Tive vontade de correr, mas não pude. Já levei bofetadas da minha mãe, do meu pai e de alguns garotos na escola, mas doeu mais quando veio de Regina. Quando eram seus dedos que ardiam no meu rosto.


Regina sentou ao meu lado e cobriu o rosto com as duas mãos. "Me interne Emma! Você não merece passar por isso!"
As palavras foram jogadas nos degraus enquanto mais algumas pessoas passavam por nós. Ela pôs-se de pé diante de mim e me agarrou pelos tríceps, me sacudindo.


"Está me ouvindo Emma?! Você me ouviu?!"

Eu poderia ter gritado, ter corrido e jogado tudo para o alto diante da vergonha, da dor no maxilar e do fardo pesado. Poderia ter reagido de tantas formas.


"Eu não vou desistir de você." Foi tudo que eu disse. Era tudo que eu queria.


Deve ter sido uma visão e tanto: Uma mulher feita, com marca vermelha de dedos no rosto, esforçando-se para não chorar na escadaria de um edifício, enquanto vozes farfalhavam atrás dos ombros da mulher que ela ama.

"Ainda estamos bem?" Regina perguntou após quinze minutos ou mais. Minha oferta de paz veio através de uma mão tristonha erguida em busca de outra. Uma carícia em forma de círculo na mão que tremia.

Por um bom tempo ficamos sentadas, juntas naqueles degraus. Eu conhecia o terreno que iria pisar, Dr, Hooper me esclareceu dúvidas que eu Nem sabia que tinha antes de assinar o termo de responsabilidade. E fui avisada sobre isso, sobre o medo das pessoas que convivem com doentes psicológicos, o medo do ataque em público. Sabia que ia passar, assim como sabia não ser culpa da Regina.

Não importa quantos muros eu encontre e quantos machucados eu tenha, não vou desistir dela.

***

A cama estava desconfortável demais, então levantei e fui para meu novo estúdio, prometendo comprar uma casa com varanda.

Deitei no divã e olhei as estrelas através da janela, a noite deveria estar linda do lado de fora. Não ousei cogitar a hipótese de uma saída ao luar. Regina dormia em um quarto com Sohara. Neal no outro, e nenhum deles poderiam ficar sem supervisão.

Comecei imaginar minha vida na perspectiva de cinco anos, nas várias teorias que elaborei, em nenhuma existia a ausência de Regina.

Cada ser é um turbilhão de emoções e pensamentos que deixa a sopa primitiva da criação da vida no chinelo.
Não importa quantos anos vivemos com uma pessoa, jamais entenderemos suas tempestades, mas pelo menos podemos segurar o guarda chuva, e acho que é isso que acontecerá agora. Não terei medo de me molhar nessa tempestade, mesmo que eu apanhe com o guarda chuva.

Regina entrou no estúdio, usava um vestido vermelho colado ao corpo, seus cabelos de lado e o perfume... Ah como estava perfumada.

Com aquele conhecido sorriso diabólico sentou em meu colo, moendo meu centro de uma forma assustadoramente prazerosa. Minhas mãos em sua cintura enquanto ela me beijava loucamente não foi o suficiente para me acalmar. Eu entendia o motivo daquela produção, ela queria me seduzir.


Tentei retirar seu vestido, mas ela me impediu, e abriu a minha blusa de pijama num só puxão, fazendo os botões voarem pelo divã e chão. Sua boca atacou meus seios enquanto eu passava as mãos nas suas costas, entendendo o motivo dela não querer tirar a peça. Regina estava usando uma cinta, e isso me fez lembrar que não poderíamos fazer amor.


"Não Regina, ainda não podemos." Tentei afasta-la pelos ombros. Ela sentou e me olhou preocupada.


"Podemos sim. Por favor, preciso disso." Havia uma certa aflição em sua voz.


"Não mais que eu, garanto." Brinquei, o que fez sua aflição aumentar mais. "Ainda falta mais de uma semana de recuperação pós operatória Regina, você ainda não pode."


"Por favor. Não quero que você me troque." Senti o medo em sua voz e entendi o que estava acontecendo, meu coração doeu.

Segurei firme em sua cintura e olhei fundo nos seus olhos, "Não tenho nada com a Elsa e nem terei, não preciso disso. É você quem eu quero."


"Seu pai teve um filho com a secretaria. David teve um filho com a secretaria..."


"E eu tenho uma filha com você. Não sou eles Regina."


"Por favor Emma." Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela realmente estava insegura em relação a Elsa.


"Eu não sou uma louca por sexo, você não precisa fazer isso."
Notei ela limpar o rosto com uma mão enquanto olhava para outro lugar. A puxei para cima de mim e dei um pouco de espaço no divã, fazendo ela deitar do meu lado. "Olha pra mim." Pedi


Relutante ela virou o rosto, olhos vermelhos e molhados. Eu não podia deixar ela tão insegura assim.
Respirei fundo, não acreditando no que eu estava prestes a fazer. Peguei sua mão e a coloquei por dentro da minha calça, Regina sorriu e me beijou.
Abaixei um pouco minha calça para que ela tivesse mais liberdade em seus movimentos. Sua boca faminta na minha.


Nunca fui muito adepta a trabalho "manual", mas uma coisa posso garantir, Regina fazia muito melhor do eu faço em mim mesma.

Gemia em sua boca e ela sorria, satisfeita pelo prazer que estava me proporcionando.


"Está pensando em mim?" perguntou


"Eu..." Falei ofegante enquanto tentava acalmar os movimentos dos meus quadris.


"Por favor, pensa em mim." De novo a aflição em sua voz.

Fiquei um pouco de lado e agarrei sua bunda, atacando seu pescoço, ela precisava entender que era ela quem eu queria, quem eu precisava.


"Impossível não pensar em você." Fiz questão de deixar minha voz bem rouca e sensual, percebi que todos seus pêlos ourissaram, e ela me beijou, com mais vontade que no início, retribui a altura enquanto o prazer estava ficando quase insuportável.

Coloquei minha mão sobre a sua aumentando o ritmo dos movimentos, e em poucos segundos me derramei. O sorriso de satisfação no rosto dela parecia maior que o meu.

Começou a me beijar de forma calma enquanto eu ainda tentava recuperar o ritmo da minha respiração. Não ousei interromper o beijo.
Após um tempo ela deitou a cabeça em meu ombro e riu.


A encarei. "Posso saber do que você está rindo?"


Apontou meu corpo e eu reparei o estrago sobre meu abdômen.
"Preciso urgente de um banho." Tentei levantar, mas ela me segurou.


"Fica mais um pouco, por favor." Sua voz me derreteu.


"Ok."


"Mas guarda e sobe a calça por favor, não quero ninguém entrando aqui e olhando o que é meu."


A fitei com olhos cerrados, "Mas você não pensou nisso na hora de arrebentar os botões da minha camisa ne?"

Regina colocou a mão na boca e gargalhou enquanto eu arrumava minha calça.

Minha perdição estava ali ao meu lado, e eu não queria que ela fosse embora.

Notas finais
Um grande agradecimento aos que comentam, que favoritam e aos que leem em silêncio.