Notas iniciais
Yeeeey galera. ;D
Tudo bem?
É, eu voltei. Demorei né?
Sorry.
Esse capitulo era pra ter ficado bem maior. Mas eu precisei dividir, pra não estragar tudo.
AGORA que a história tá tomando rumo.
Ainda estão aqui comigo?

– Acorda.

Quinn franziu o cenho, a cabeça respondendo involuntariamente ao chamado em voz extremamente baixa.

– Cabeça, acorda!

Murmurou algo não dedutível, apoiando o rosto na mão direita, evitando o contato do tecido do sofá contra a pele delicada do rosto.

– Ela não vai acordar... Eu acho que vou precisar...

Mick ergueu a mão direita e Josselyn parou de falar, ofendida.

– Eu vou dar um jeito.

– Não tem jeito, Mickahill. Rachel vai se atrasar e...

Quinn murmurou em protesto ao falatório. O rosto afagou a mão, enquanto ela tentava voltar a dormir.

– Ô sono pesado o dessa menina também!

Mickahill fuzilou o anjo de Rachel Berry com os olhos, enquanto voltava a se aproximar de Quinn. Um tapa na mão que servia de apoio foi o suficiente para que o rosto de Quinn caísse contra o móvel elegante da sala de estar dos Fabray. O despertar foi intantâneo. Ergueu a cabeça confusa, a mão direita na testa contundida. No mínimo um galo ela ganhara com aquela brincadeira. Olhou em volta, tentando se situar. Mick a olhava com as duas mãos na cintura, o pé direito batendo no chão com insistência. Quinn gemeu, voltando a fechar os olhos.

– Até que enfim, né?

– Delicadeza em pessoa...

Os olhos dourados imediatamente se arregalaram, ao som daquela voz. Quinn se empertigou no sofá, sobressaltada. O coração aos pulos. O dia começava a clarear e os primeiros raios de sol se enfiavam em meio à cortina pesada da sala da casa da família Fabray. Quinn encarou Barbra Streisand por ainda um par de segundos, sentindo o coração aos pulos, só então esquadrinhando o comodo com um pouco mais de atenção, sabendo o que encontraria. Rachel Berry se encolhia na outra ponta do sofá enorme, a cabeça descansava sobre o braço dobrado e lhe parecera muito mais confortável do que ela própria, Quinn pensou.

As mãos procuraram por reflexo o celular no bolso da calça jeans... que não era uma calça jeans, obrigando-a a levantar-se em busca de um relógio qualquer.

Quinze para as seis.

– Oh Deus... — gemeu, voltando aos tropeços para perto do sofá. — Rachel... — chamou baixo, se aproximando da menina adormecida. Rachel não se moveu. — Rachel... — O chamado dessa vez foi mais delicado. — Rach, acorde. Você precisa voltar para casa.

Rachel reagiu à palavra "casa". Abriu os olhos e encarou Quinn, que a tocava no braço livre, por alguns instantes. Olhou em volta, completamente desnorteada. Muito parecida com Quinn, tão logo se deu conta do que aconteceu, pulou do sofá, as mãos se enfiando nos cabelos castanhos em quase desespero enquanto ela calçava os sapatos. Por fim, agarrou o ursinho e saiu em disparada porta a fora, porta esta que era segurada por Quinn, não sem antes estalar um beijo na bochecha direita da menina loira.

Quinn corou, acompanhando com os olhos uma Rachel que tentava em vão ligar o carro. O veículo simplesmente não se movia um único centímetro e mesmo ouvindo o tic tac do relógio da sala de estar que não lhe deixava acompanhar a cena com um pouco mais de conforto, ela sorriu quando Rachel bateu com força usando as duas mãos, contra o volante do carro. Então abaixou o rosto, apoiando a testa no mesmo lugar onde tinha batido e Quinn se pegou pensando que sendo ela Rachel Berry, definitivamente não havia nenhuma outra reação a ser esperada que não fosse essa.

Depois de observar Rachel esmurrar o volante mais alguns pares de vezes, ela se aproximou do carro. Apoiou-se contra a janela do motorista. A porta do carro foi aberta e Rachel apoiou os pés no asfalto, deixando o rosto se afundar entre as mãos, murmurando alguma coisa sobre ser assassinada por um dos pais. Quinn riu novamente, os olhos esquadrinhando o interior o veículo.

Ronny, o urso, agora estava com o fucinho enfiado no banco de trás do carro esporte de Berry e Quinn não pode evitar um outro sorriso. Aproximou-se um pouco mais e por instinto os dedos delgados procuraram os cabelos castanhos e pela primeira vez, Quinn pode sentir que sim, eles eram tão macios e tão grossos quanto pareciam. Sabia que Rachel muito provavelmente reclamaria por estar descabelada quando se erguesse, mas Quinn sinceramente não se importava.

A menina mais baixa murmurou alguma outra coisa que Quinn chegou a se inclinar para entender.

Em vão.

Rachel parecia ter desenvolvido um outro idioma ou algo assim.

A menina loira riu. Por instinto se inclinou e os lábios delicados tocaram os fios de cabelo de Rachel. Quinn se permitiu respirar muito fundo, feliz com a recém descoberta de que os cabelos de Rachel tinham o melhor cheiro de baunilha que ela sentira na vida. Rachel não demorou a reagir. Agarrou-se à cintura delgada da menina loira e Quinn soltou o ar com certa dificuldade, esmagada.

Mais um ou dois murmúrios naquela linguagem que Quinn ainda não aprendera a compreender, mas que renderam um som estranho em concordância e o abraço de Rachel suavizou.

Elas já tinham passado por aquilo alguns dias atrás, quando Quinn teve então o seu primeiro contato com o que os bastidores chamam de "crises de estrelismo". Ela sabia que a única coisa que Rachel precisava era de tempo e de um pouco de atenção.

Quando por fim a judia ergueu os olhos cor de chocolate enormes, os cílios úmidos e a expressão de piedade arrancaram um suspiro por parte da outra garota. Quinn secou-lhe as bochechas, um sorriso brincando nos lábios.

– Bateria?

Rachel concordou com um aceno fraco de cabeça.

– Eu... eu não ia demorar e... e... e o rádio ficou ligado e...

O sorriso de Quinn aumentou. Ela precisou morder o interior da bochecha para disfarçar.

Continuou a procurar as lágrimas em ambas as bochecas de Rachel, mesmo quando já não havia o que secar.

– Nós vamos entrar, você vai ligar para os seus pais... Sim, Rach, se não eles vão ficar preocupados — Rachel tentou protestar, mas não fez nada mais que abrir e fechar a boca — E... bom, já está quase na hora da escola mesmo, então...

– Você diz... Nós vamos daqui?

– Isso.

– Acha que é uma boa ideia?

– Acha que é uma boa ideia? — A voz de Barbra soou em coro com a de Rachel e por uma fração de segundos, Quinn teve a atenção desviada. Só quando voltou a olhar para a judia, Quinn se deu conta de que Rachel ainda estava abraçada a ela e de que ainda tinha o rosto da menina entre as mãos.

Desconcertada, desviou os olhos, deixando as mãos caírem ao lado do corpo. Rachel também pareceu ter um insight, porque no segundo seguinte Quinn já se sentia livre.

Sorriu, uma vez mais, dando um passo para trás e estendendo ambas as mãos para Rachel.

Rachel olhava com receio, como se ponderasse sobre o que fazer. Pelo que pareceu uma eternidade para Quinn. Suspirou, antes de aceitar as mãos que lhe eram estendidas.



Quinn levou outro pedaço de bacon à boca, enquanto olhava distraída o jornal local que se estendia entre a menina e a mesa do café da manhã.

Rachel observou o prato ser novamente cheio com carne de porco e torceu o nariz, desgostosa.

Judy segurava a frigideira com uma das mãos, na outra tinha um utensílio que Rachel julgou como uma colher exageradamente grande. Cozinhar nunca havia sido um dos pontos fortes nas habilidades dos Berry.

– Bacon, querida?

A voz da senhora Fabray a trouxe de volta para o pequeno universo no qual aquela mesa de café da manhã se convertera e com um dos sorrisos que ela treinava todos os dias durante os seus exercícios de teatro, ela recusou.

– Ela não come nada animal, mãe. — A voz meio abafada em razão da boca cheia fez com que Judith resmungasse enquanto usava o cotovelo como arma para ralhar com a filha adolescente. Quinn deu de ombros, voltando a se concentrar nas notícias do diário local.

– Vegetariana, querida?

– Vegana, na verdade. — Rachel disse e então baixou os olhos, achando que tinha corrigido rápido demais a amável senhora.

– Oh... Mas você não vai comer nada? Eu tenho certeza que podemos achar alguma coisa para o seu café da manhã.

Apesar dos protestos de Rachel, em uma questão de minutos, à sua frente havia uma tigela com maçãs, laranjas, bananas e ameixas (todas as frutas devidamente picadas e descascadas, claro. Que tipo de anfitriã vocês pensam que Judith Marie Fabray é, afinal de contas?), pão integral e um copo enorme de suco de laranja. Bom... já que a mãe de Quinn tivera todo aquele trabalho, porque não aproveitar um pouco, não é mesmo?

Longos e muito bem aproveitados vinte minutos depois, Rachel se esparramava no meio exato da cama de Quinn, enquanto a menina loira encarava o guarda-roupas escancarado à sua frente, prestando igual atenção ao que dispensara ao jornal mais cedo. A sonolência ameaçava vencer Rachel, afinal de contas, tinha sido uma noite inteira praticamente em claro. "Um segundo só", ela pensou cedendo ao peso enorme que tinha sobre as pálpebras. No exato segundo seguinte, segundo a visão de Rachel, ela sentiu-se sendo esmagada. Soltou o ar com certa dificuldade, antes de gemer em protesto e abrir os olhos para encontrar uma Quinn Fabray jogada sobre ela, em uma posição estranha em que o corpo de Quinn cruzava o de Berry.

– Você estava roncando.

– Mas que absurdo, Quinn! Você sabe que eu não ronco?

– Sei? — Quinn perguntou. O sorriso enorme que trazia nos lábios chegou a alcançar os olhos dourados e Rachel se sentiu corar.

– Você é terrível. Sabia disso?

Quinn gargalhou, só então sentando-se na cama. Os pés cruzados sobre o colchão, um vestido florido meio amassado em razão do pulo sobre Rachel nas mãos.

– Toma.

– O que é isso? — Rachel também se sentou, olhando intrigada para a peça de roupa que Quinn lhe estendia.

– Suas roupas, oras.

– Minhas? — Rachel ergueu as sombracelhas. Quinn revirou os olhos.

– Berry, você consegue ser bem babaca às vezes, sabia?

Rachel fez bico, Quinn gargalhou.

– Você não pretende ir para a escola assim, pretende? E eu acho que nós já estamos ligeiramente atrasadas. Não vai dar pra passar na sua casa. Sinto muito, Rach.

Rachel gemeu, as mãos buscando o travesseiro de Quinn, que serviu para tapar-lhe o rosto em uma demonstração pura e simples de angústia. Rachel Berry odeia atrasos.

Quinn aproveitou-se da situação e voltou a se projetar sobre Rachel, que outra vez perdeu o ar, sendo obrigada a jogar o travesseiro de lado enquanto lutava para respirar.

– Quinn!

A menina loira ria, agora deitada definitivamente sobre Rachel. A mão direita se apoiou no colchão, enquanto a esquerda buscou a cintura da judia, que se encolheu em uma crise de cócegas logo no primeiro "beliscão". Quinn só parou quando para ela, Quinn, o fôlego faltou. Ainda olhava Rachel e não conseguiu controlar o ímpeto de tirar os fios da franja castanha que caíam sobre os olhos também castanhos.

Os olhos de Rachel dobraram de tamanho e ela só percebeu que parara de respirar quando o oxigênio fez falta. Quinn continuava sobre ela, uma das pernas achara encaixe entre as de Rachel, que ainda usava as calças de moleton de seu pijama de estrelas. Rachel nunca reparara antes, mas olhando Quinn assim tão de perto, era impossível não notar as manchas esverdeadas nas orbes cor de mel. Nunca soube ao certo quanto tempo ficara perdida nas íris de Quinn, que sustentou o olhar por um bom tempo mas também foi a primeira a desviar os olhos. Quando se sentiu observada pela garota, Rachel descobriu que respirar era ainda mais dificil do que ela achava que se lembrava. Quinn baixara os olhos para os lábios de Rachel, que sem entender muita coisa do que estava acontecendo, engoliu em seco. Sua experiência com garotos e coisas do tipo era pouca, mas Quinn agora a olhava quase da mesma maneira que Finn fazia quando estava prestes a beijá-la. Quase, porque os olhos de Finn não a queimavam como os de Quinn estavam fazendo agora.

Mas Quinn não se aproximou, não mudou de posição, não se afastou... Quinn simplesmente não se mexeu e outra vez Rachel perdeu a noção de quanto tempo ficaram ali, daquele jeito, a atmosfera tão densa que ela tinha certeza que conseguiria segurar o ar entre as mãos sem nenhuma dificuldade.

– Quinn? Minha finha, telefone para você.

A voz de Judy serviu como uma espécie de agulha para furar a bolha em que as duas garotas estavam. Quando Rachel voltou a dar conta de si, Quinn já descia a escada que levava ao andar térreo aos pulos.

O que fora aquilo? Pensava a menina, o cenho franzido em ligeiro desconforto.

Conseguia ouvir Quinn no que ela julgava ser a sala, através da porta aberta pelo furacão de cabelos loiros que saíra do quarto alguns instantes atrás. A voz ligeiramente rouca de Quinn se aproximava e não demorou para que ela voltasse para dentro do quarto novamente, o telefone sem fio em mãos.

Rachel por fim se levantou, trazendo consigo o vestido proposto pela outra menina e com três ou quatro passos, ganhou o banheiro da suíte.

Quinn Fabray tentava explicar a uma Santana Lopez que o médico ainda não lhe dera o aval necessário para que voltasse a treinar com as cherrios. As seccionais das equipes de torcida se aproximavam, mas não era como se ela pudesse interferir na velocidade de sua recuperação. Não era como se Quinn também estivesse ansiosíssima para novamente ver Sue Sylvester, que com muito trabalho, havia conseguido ser evitada a semana passada quase toda. Santana agora apelava para o sentimentalismo, insistindo que Brittany sentia falta de Quinn no treino (Brittany, não ela. Quinn pensou divertida e ganhou uma gargalhada de Mick por causa disso) e que ela, Quinn, era peça fundamental na coreografia que estavam ensaiando.

"Claro que sou, eu sou a cereja do bolo. Eu até topo voltar a ser cereja, desde que o bolo não desmorone outra vez."

Outra gargalhada de Mick, que assistia o desenrolar da cena sentada sobre a cômoda de Quinn. Os olhos dourados procuraram divertidos por aquela que havia se tornado sua maior e única cúmplice desde o primeiro dia em que Quinn se dera conta da existência do anjo... Mas pararam a meio caminho. A porta do banheiro estava entreaberta, e através do espelho sobre a pia, Quinn conseguia ver Rachel Berry, de costas nuas, lutando contra o que ela imaginou ser o nó da calça de moletom pelo menos duas vezes maiores que o número da judia.

Nunca soube dizer exatamente o que foi que lhe tirou a paz. Talvez a maneira como os músculos delicados trabalhavam sob a pele com o tom mais lindo que Quinn já havia visto. Sentiu o sorriso travesso que compartilhava com Mick morrer nos lábios pouco a pouco e quando deu por si, engolia em seco como resultado de uma sede repentina.

Seu nome chamado muitos pares de vezes ao telefone a obrigou a desviar os olhos do espelho, dando as costas para a porta do banheiro em busca de seu juízo outra vez.

Simplesmente não entendia o porquê de estar tão abalada.

Era só uma menina. Uma menina se trocando em seu banheiro.

Corpos femininos nunca lhe tinham chamado a atenção. Nem mesmo as líderes de torcida no auge de sua forma física tinham lhe parecido tão belas quanto aquele mísero pedaço de pele que conseguira ver das costas de Rachel. Tentou retomar a conversa com Santana sem sucesso algum. Após a terceira tentativa, se desculpou e prometeu uma conversa mais séria tão logo chegassem ao colégio.

A latina concordou, contrariada, e Quinn quase pode enxergar as sobrancelhas bem traçadas se envergando em curiosidade.

Quinn ainda permaneceu de costas para o banheiro, o telefone ainda em mãos enquanto tentava colocar as ideias em ordem antes de ir por fim buscar algo para que ela mesmo vestisse.

– Eu ainda não entendi o porquê de eu não poder ir para a escola de moletom.

Rachel soou melodiosa como sempre e Quinn sentiu o coração acelerar, como se tivesse sido pega fazendo alguma coisa muito errada. Pigarreou, se voltando para a outra garota.

– É o seu pijama, Rach.

– Eu tenho uma troca de roupas no colégio.

– Você quer chegar de pijamas na escola? — Quinn franziu o cenho.

– Não está tudo bem? — Rachel imitou-lhe a expressão, numa inocência fingida.

– Não!

– Se eu não posso chegar de pijama, porque eu posso chegar vestida de Quinn Fabray? É tão brega quanto.

Rachel permaneceu de cenho franzido, ainda imitando Quinn, que apertou os olhos e cruzou os braços, ofendida. A gargalhada de Rachel pode ser ouvida duas vezes. A da verdadeira e a de Mick, enquanto Berry atravessava o quarto e se pendurava no pescoço de Quinn, beijando-lhe a bochecha com escândalo.

Mick observava a cena. Buscou Barbra com os olhos, que lhe sorriu, cúmplice, e foi respondida com um piscar de olhos.

Notas finais
Eu juro que eu tenho tentado escrever com certa periodicidade. Mas sei lá, é uma história de difícil desenrolar.
Preciso confessar que eu achei que fosse ser bem mais fácil.
Vejam bem, eu já falei isso aqui uma vez e vou repetir: não vou abandonar essa fic de modo algum.
A única coisa que vcs precisam ter é paciência comigo... e me deixarem saber que não estou sozinha.
Amo vocês, de verdade.
PS: Não tenho um revisor... então, por favor, relevem os muito prováveis milhões de erros que acharem, tá?
Xo