Come And Save Me Tonight
12 Sem devoluções
Notas iniciais
Não que eu ache que Rachel seja realmente filha biológica de Hiram, afinal de contas, todo mundo sabe que na verdade a Shelby se clonou e que a Rachel só tem células maternas.
Gente, muito trabalho, muita coisa pra fazer, a vida EXIGINDO que eu me mova.
Me desculpem pela demora, outra vez.
E se eu fosse uma leitora dessa história, estaria extremamente frustrada com a falta de interação de Fabray e Berry enquanto casal. Mas quero que vocês entendam que eu não crio as minhas histórias, eu só as escrevo. Elas tem vida própria. Então eu não posso simplesmente atropelar as coisas.
Rachel se deixava recostar ao corpo de Finn, enquanto o rapaz falava alguma coisa sobre um ou outro zagueiro ter sido comprado, vendido, emprestado, financiado (ou qualquer outra coisa do tipo).
Transações entre times de futebol com certeza era um assunto que a pequena diva não entendia. Por um tempo, logo no começo do namoro, tentara até ler uma coisa ou outra para impressionar o rapaz; assim como Finn se mostrava interessado em ouvir e ouvir de novo os menores detalhes acerca de grandes produções Broadway.
Bem... Aquela já não era uma realidade para o casal.
Rachel se perguntou pela milésima vez naquele dia se Finn e ela ainda se encaixavam nessa categoria.
Afundou-se no sofá, o ligeiro desconforto, que se instaurava na menina toda vez que pensava na última conversa que tivera com Finn antes daquela manhã, estava presente. Conversa esta que terminara com Leroy precisando intervir pedindo para que o rapaz parasse de gritar com sua menina às quase duas da matina.
O rapaz não pareceu perceber a mudança no comportamento de Rachel e continuava a discorrer sobre futebol com uma energia quase palpável. Leroy o encarava do outro lado da sala, sem o disfarce na carranca que Hiram o obrigara a manter durante metade da noite; quando um rapaz exige saber o porquê de sua filha única não querer passar para um outro nível de namoro, e isso aos berros em plena madrugada, gostar dele deixa de ser uma opção. Rachel implorara para que o outro pai não ficasse a par da situação, mas o mau humor perto de Finn passara a ser quase incontrolável e seria uma mentira muito grande se Leroy dissesse que sentiu falta do genro na semana que se seguiu.
A campainha tocou e Leroy se contorceu inteiro quando ouviu a voz do esposo vinda da cozinha, pedindo para que atendesse à porta. Com relutância, deixou a sala. Deixar Rachel à sós com Finn não lá uma ideia muito agradável para o jovem senhor.
Quinn suspirou, apertando o pequeno pacote com as duas mãos. Olhou em volta, tentada a simplesmente ignorar o olhar reprovador de Mick e voltar para o carro, dar a partida e ter uma bela noite de sono, ignorando a existência de Rachel Berry, seu namoradinho e a injustiça tremenda a que tinha sido submetida. Quando a coragem para ignorar Mick chegou e ela deu as costas para a porta, entretanto, ouviu a porta da frente se abrir. O coração deu um salto e o estômago pareceu ter encontrado o iceberg responsável pelo náufrago do Titanic.
- Em que posso ajudar? — Quinn engoliu em seco antes de se virar. Quando o fez, Leroy estreitou os olhos, parecendo tentar reconhecer o rosto da menina ainda nas sombras, o que só foi possível quando Quinn voltou para a pequena varanda que precedia a entrada principal da casa dos Berry. — Quinn Fabray?
- Bo... — limpou a garganta, se odiando por estar assim tão nervosa. Mick se aproximou, séria. — Boa noite, senhor. Eu sei que é tarde e peço desculpas. Mas eu preciso falar com sua filha.
O homem negro franziu o cenho, cruzando os braços na frente do peitoral forte. Mick apoiou a mão direita sobre o ombro de Quinn e instantaneamente ela se sentiu um tanto quanto mais segura.
- Está tudo bem?
- Sim... Eu só... Eu só preciso falar com ela sobre um proj...
- Papai? — E mais uma vez o estômago de Quinn congelou. Rachel apareceu na porta semi-aberta e Quinn se perguntou quando foi que a presença de Rachel Berry tinha ganhado esse poder todo sobre seu bem estar. — Quinn?!
Rachel imitou o gesto do pai de cruzar os braços e Quinn por instinto soube quem era o homem mais presente naquela casa durante a infância da filha.
- Eu preciso falar com você. — A frase foi dita em um fôlego só.
Rachel olhou com estranheza o pacote de um tom de rosa nada discreto.
- Está tudo bem, Rachel?
Leroy se fez notar outra vez, ainda encarando Quinn e voltando a capturar a atenção de Rachel. Os dedos finos se apertaram no pacote, enquanto Mick tentava lhe dizer no tom de voz mais baixo possível que não seria uma boa ideia gritar contra o rosto de Mr. Berry que ela não havia feito nada contra sua filha. Desconfiança e Quinn Fabray nunca se deram muito bem.
- Eu jajá estou entrando, papai.
Com ainda mais relutância do que a primeira vez que deixara Rachel sozinha com Finn apenas alguns minutos atrás, Leroy voltou para a sala de TV. Rachel veio para a varanda.
- São quase nove horas da noite.
- É, eu sei. Não devia ter vindo tão tarde.
- O que você quer, Quinn?
Quinn baixou o olhar, irritada. O pensamento de que não havia no mundo injustiça maior sendo dramaticamente reprovado por Mickahill, que em sua maneira mais Berry de ser a lembrou da falta de água no mundo e da fome na Etiópia.
Suspirou, resignada. Estendeu o pacote para Rachel com toda a sua falta de coordenação, ainda olhando para o chão.
Rachel não se moveu um único centímetro fazendo com que Quinn erguesse os olhos depois de alguns segundos de espera, a pergunta explícita no olhar dourado.
- O que é isso? Tem um animal morto aí dentro por acaso?
O nó na garganta apertou e Quinn o engoliu com muito sacrifício.
Mick ainda tentou evitar que Quinn simplesmente atirasse o pacote contra o peito de Rachel. Tentou evitar também que Quinn dirigisse tremendo daquele jeito. Tentou evitar que um ou outro palavrão fosse dito enquanto Quinn relembrava em voz alta o que tinha acabado de acontecer. Por fim, tentou evitar que a preocupação de Judy fosse sumariamente ignorada enquanto Quinn simplesmente subia as escadas e batia a porta do próprio quarto. Todas tentativas falhas.
Cogitou a possibilidade de Quinn rejeitar o colo que lhe era oferecido quando se sentou à cabeceira da cama, ao lado de uma Quinn que escondia o rosto em alguns dos inúmeros travesseiros cor-de-rosa. Mas não, Quinn não a rejeitou. Apenas se deixou deitar. A irritação escorrendo-lhe bochechas abaixo com um gosto que lhe parecia um pouco mais salgado que a última vez que provara.
O barulho irritante a fez despertar. Automaticamente a mão alcançou a mesa de cabeceira e encontrou o telefone celular. O botão vermelho que indicava o fim da chamada foi apertado e o despertador desligado. Quinn deixou-se afundar nos travesseiros novamente com um suspiro de resignação, agradecendo-se por ter adiantado a hora do celular e poder ter alguns minutos a mais para cochilar. O barulho recomeçou questão de segundos depois e Quinn repetiu o ato de desligar o aparelho. Somente na terceira vez, ela se ergueu na cama atenta ao fato de que o despertado era desligado apenas uma vez. Sentou-se sobre os joelhos, assustada. Os olhos automaticamente procuraram as janelas e ainda meio desnorteada de sono percebeu que o dia não amanhecera ainda.
O celular tocando voltou a chamar-lhe a atenção e num gesto automático ela o trouxe até a orelha.
- Alô? — Atendeu se analisando e só então percebendo que dormira vestida, do mesmo modo que se jogara na cama quando voltara da casa dos Berry.
- Quinn... — A voz de Rachel do outro lado da linha sobressaltou-a outra vez e por instinto Quinn se levantou, tentada a desligar o telefone outra vez.
- Que horas são?
- Passa um pouco das duas.
- Vá dormir, RuPaul!
Cedeu à vontade quase incontrolável de desligar o telefone, que voltou a tocar quase que imediatamente depois.
Chamada rejeitada. Uma, duas, três vezes.
- Qual o seu problema? — A voz saiu um pouco mais estrangulada que o normal quando por fim Quinn desistiu de desligar na cara de Rachel. Mais por causa da raiva que aquele olhar que Mick lhe dirigia agora do que por qualquer outra coisa.
- Você disse que nós precisávamos conversar. Então nós vamos conversar.
- Enlouqueceu, Berry? São duas da manhã!
Ouviu Rachel suspirar contra o telefone e engoliu em seco, o coração ainda aos pulos.
- Eu sei, mas...
- O que foi, Rachel?
- Quinn, eu...
Esperou em silêncio que Rachel terminasse seja lá o que fosse que começara a falar. Ela não terminou.
- Minha cabeça está me matando e amanhã ainda é quarta-feira.
O tom de ataque tinha deixado a voz melodiosa de Quinn, ela soava muito mais cansada que qualquer outra coisa agora. Rachel hesitou, Quinn a ouviu suspirar uma vez mais.
- Tudo bem... Me desculpe.
O telefone celular foi desligado com irritação. Quinn se deixou cair na cama, afundando o rosto nos travesseiros uma vez mais. Não demorou mais que cinco segundos para que os olhos recém fechados fossem arregalados novamente. O ronco do carro que parecia estar estacionado na frente de sua casa a colocou em estado de alerta imediatamente e num pulo apenas ela já estava na janela do quarto, espiando para fora.
Quinn conhecia aquele veículo. Ela mesmo já havia pintado aquela lataria com ovos alguns pares de vezes. O coração pulou, rebelde, enquanto ela se jogava sobre a cama em busca do celular outra vez.
Pode ver a movimentação dentro do automóvel quando o telefone começou a chamar e teve a confirmação que precisava.
- Você pirou de vez? Andou comendo aquelas suas partituras? — Tudo foi dito em um fôlego só, tão logo Rachel atendeu o telefone. Quinn esperou uma resposta que perdeu-se em meio aos tropeços da voz de Rachel quando esta tentou falar. Suspirou resignada, enfiando os dedos no cabelo loiro, puxando os fios rebeldes para trás. — Não fica aí fora, tá tarde e é perigoso. Eu vou descer e abrir a porta.
Rachel segurou o ursinho marrom contra o colo, tão logo desligou o motor do veículo. Suspirou, sentindo na boca o gosto amargo do arrependimento. Não, não devia estar fora de casa em alta madrugada. Não devia estar na frente da casa de Quinn. Não devia...
O barulho da porta da frente se abrindo tirou-a da realidade paralela em que estava.
Esperou que Quinn a chamasse para só então descer do automóvel. Não se deu o trabalho de trancar as portas. Sabia que não demoraria.
Quando veio para dentro de casa, trouxe consigo o urso já surrado. Não conseguiu olhar Quinn nos olhos quando passou pela soleira da porta de entrada.
A porta da sala foi fechada e um silêncio sepulcral se instalou no ambiente. Ninguém se olhava. Nem mesmo os anjos.
Rachel apertou a pelúcia contra si, as duas mãos se agarrando ao bichinho. Quinn tinha ambas as mãos no bolso do pijama cor de rosa, recostada à parede paralela ao ponto em que a menina menor permanecia de pé.
- Eu... Eu achei que talvez fosse melhor... — O tom de voz era baixo, quase um murmúrio, porém Quinn estava atenta a cada fio de fôlego que escapava de Rachel. Engoliu em seco, temendo que ela terminasse a frase.
- Meu pai me ensinou a não aceitar presentes devolvidos.
Rachel suspirou, só então erguendo os olhos.
- Eu...
- Não tenho nada a ver com Azímio. Nem com qualquer outra pessoa que tenha o QI equivalente ao de um babuíno.
Rachel riu baixinho. Foi impossível para Quinn também não sorrir. Arriscou um olhar para a outra menina, por baixo dos fios rebeldes que insistiam em lhe cair aos olhos. Por instinto, levou a mão direita até a franja, levando-a para trás da orelha. Rachel suspirou uma vez mais.
- Seu nariz está meio vermelho... e você também está meio inchada. — Aproximou-se com toda a cautela do mundo, temendo uma rejeição por parte de Quinn que nunca veio.
Quinn deu de ombros, voltando a meter ambas as mãos no bolso do pijama. A franja voltou a cair sobre os olhos esverdeados. Rachel foi mais rápida dessa vez, repetindo o gesto de Quinn de levar os fios para trás. A menina loira suspirou.
- Ele era meu... — Rachel franziu o cenho, confusa e só então Quinn a olhou diretamente nos olhos, antes de indicar com a cabeça o urso que a judia segurava com a mão esquerda. — Costumava me fazer sentir melhor. — Outro suspiro por parte de Rachel — Não que eu esteja pedindo desculpas, porque afinal de contas eu não fiz nada, mas eu sabia que tinha doído pensar que era eu quem tinha tramado aquela cena deplorável, afinal de contas as coisas mudaram um pouco e eu acho que ia ser mais doloroso pensar que por mais que fosse um hábito antigo meu, fosse culpa minha dessa ve... — A voz que disparou a tagarelar nervosa a sentença em um único fôlego foi calada quando Rachel simplesmente envolveu o pescoço delgado de Quinn com os dois braços, afundando o rosto delicado em um mar de fios castanhos. A mão livre agora se engarregara de manter a cabeça de Quinn na curva de seu pescoço, enquanto ainda segurava o ursinho.
Quinn, estática, permaneceu rígida ainda por alguns pares de segundos. Mas os braços de Rachel não se desprenderam de seu pescoço. Quando deu por si, já completamente relaxada, envolvia a menina menor pela cintura. Um encaixe tão perfeito quanto realmente deveria ser. Fechou os olhos, entorpecida pelo cheiro de chocolate que se desprendia dos cabelos castanhos.
- Obrigada — Foi Rachel quem quebrou o silêncio, agora confortável, que se seguiu.
Nenhuma das duas nunca soube dizer o tempo que permaneceram recostadas àquela parede.
Quem liga para as horas, afinal de contas?!
Notas finais
(Nunca tenho, na verdade)
Então, relevem qualquer eventual erro. De português, de coerência, ou essas coisas que quem tem um revisor não passa.
Vou deixar o meu email aqui. Tem uma galera que me manda mensagem privada aqui pelo Nyah, mas eu fico semanas sem olhar minha box, não é um hábito, coisa que não acontece no email. Então, pra qualquer coisa, desde críticas, elogios, dicas, coisas que eu errei na história até pedido pra vida amorosa, dicas pro nome do cachorro e piadinhas legais, quero que vocês fiquem totalmente a vontade.
lrs.fontoura@gmail.com
Eu não respondo os comentários porque... bem, não sei porque. Mas eu leio todos eles com muito carinho e vocês todos são muito importantes pra mim. Eu sinto falta quando vcs me deixam sozinha =[
Com amor,
Larissa.
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