Notas iniciais
Ei meus collonyanos lindos, tudo bem 'cocês? Estou aqui novamente pra postar um capítulo de Collonys pra vocês. Exato! Também temos uma nova capa feita pela leitora linda Geek Girl :3 Agradeçam a ela por essa belezura! Mais uma vez eu fiz uma imagem no lindo paint pra ilustrar uma cena do capítulo e pra ajudar vocês a entenderem melhor como tudo aconteceu (foi muito difícil descrever, então acabei achando melhor mostrar uma imagem). Tá meio (muito) zoado o desenho, mas o importante é entender. Talvez mais tarde eu tente melhorar minhas habilidades artísticas! Ah, e tem uma imagem básica de como é ponto que a Merly dá pro Pío tb: http://mlb-s2-p.mlstatic.com/fone-de-ouvido-invisivel-escuta-ponto-espio-wireless-2014-21093-MLB20203473851_112014-O.jpg Enfim... Boa leitura e até as notas finais...

CAPÍTULO 10: OS DUTOS

“Senhoras e senhores, tripulantes da Everd13. Pedimos que se dirijam ao Grande Salão, onde ocorrerá a transmissão do lançamento das naves-socorro com destino à Collonys. A gravidade será desligada nos demais compartimentos para evitarmos a perda desnecessária de energia. Obrigada.” Mais uma vez a tão conhecida voz feminina invade a nave. No momento estou no refeitório, onde as pessoas começam a se retirar para ir em direção ao Grande Salão. O meu olhar e o de Merly se encontram, e ela assente com a cabeça. Começo a andar em direção à saída, e ela faz o mesmo. Saímos do refeitório juntos, mas não seguimos na mesma direção em que todos os outros tripulantes estão indo. Seguimos na direção contrária, virando alguns corredores aqui e ali. Fico realmente aliviado de que ninguém tenha nos seguido ou achado nossa atitude estranha. As pessoas da Everd13 são meio alienadas, e depois de pensar nisso vejo que não tenho mesmo com o que me preocupar.

Quando finalmente paramos percebo que Merly está nervosa. Sua testa começa a produzir gotas de suor, e seus lábios tremem como se ansiosa.

— Ok… Você já sabe como chegar ao compartimento onde está a nave, correto? — Merly diz. Assinto com a cabeça, embora eu não tenha tanta certeza se realmente sei o caminho pelos túneis de ventilação. — Ok, ok, ok… — Os lábios de Merly não param de tremer. É estranho mas ao mesmo tempo é engraçado vê-la assim. Seus olhos se movem pelos corredores, checando se não há ninguém nos observando. Só então suas mãos se movem até o bolso do padrão macacão azul e retiram de lá um pequeno aparelho, ao qual eu nunca vi antes. — Olha, isso é um tipo de ponto como os que os Borps usam.

— Que nome criativo! — Brinco, pois a aparência do minúsculo aparelho de metal circular lembra muito o ponto final, utilizado na escrita.

— Deixa de graça e presta atenção porque a gente tem pouco tempo… Este ponto é como um fone de ouvido. — Balanço a cabeça em afirmação, mesmo sem saber o que é um fone de ouvido. — Você vai colocá-lo dentro da sua orelha e assim vai poder escutar tudo o que eu quiser falar com você. — Eu nem chego a fazer pergutas sobre o ponto, pois antes que eu possa fazê-lo minha irmã segura meu rosto e enfia o aparelho no meu ouvido sem mais nem menos.

— Ai! Isso doeu! — Grito com Merly por ter enfiado o dedo no meu ouvido sem nem um pingo de delicadeza.

— Perfeito! — Ouço Merly dizer, mas numa forma 10 mil vezes ampliada. Sua voz retumba nos meus ouvidos, fazendo meu cérebro revirar.

— Que droga é essa? — Grito, com o susto que levo. Merly ri baixo, e mesmo a sua risada parece ficar mais alta na minha cabeça.

— O ponto já está funcionando. Ele está captando o que eu estou dizendo neste receptor… — Seu indicador aponta para um local em seu pescoço, e logo depois ela dá dois toques no mesmo local, me fazendo sentir como se ela tivesse batendo tambores em meus ouvidos.

— Para com isso! — Grito com raiva. Mas ela parece estar achando graça.

— Tudo bem, vou tentar falar mais baixo. — Percebo que ela está sussurrando, pois sua voz não está mais irritando tanto os meus ouvidos. — Vem cá, este é seu receptor… — Mais uma vez suas mãos puxam o meu rosto, mas desta vez ela o levanta e com o dedo indicador toca em meu pescoço, enfiando um objeto microscópio em minha laringe. Sinto uma leve pontada de dor, mas tento ignorar, embora não fazer nenhum barulho seja impossível. — Pronto. Diga alguma coisa.

— Hum… Alguma coisa! — Digo alto o bastante para incomodá-la de propósito. Suas mãos se fecham em um punho e ela soca meu braço. — Viu como é bom? — Falo rindo, porém mais baixo desta vez. Merly massageia os ouvidos antes de voltar a falar sussurrando:

— Beleza. Já se passaram alguns minutos preciosos. Você precisa ir agora! — Sua boca se abre num tímido sorriso. — Boa sorte, irmão. — Suas mãos me envolvem num abraço, e eu a retribuo. Sinceramente não faço ideia da última vez em que fizemos isso.

— Obrigado. — Sorrio de volta enquanto nos soltamos. Merly suspira e volta a levantar o queixo, na mesma posição confiante de sempre. — Adeus maninha.

Merly assente com a cabeça e então se afasta virando o primeiro corredor à esquerda.

Voltando à realidade começo a me apressar, correndo pelos corredores. Pouco depois chego ao quarto secreto de Merly. As portas se abrem assim que chego, e não preciso pensar muito para saber que foi ela quem as abriu. Entro no compartimento e dou de cara com a bancada cheia de aparelhos; jogado em cima deles está o uniforme preto que devo usar. Começo a despir o macacão e em poucos minutos estou vestido com o uniforme. É estranho usá-lo. Sinto que a roupa está apertada demais em certos lugares, coisa que não acontece com nossos macacões. Sabendo que não tenho muito tempo, reviro a sala até achar a chave de fenda que Merly havia me mostrado. Subo na bancada e começo a desparafusar a grade que fecha o acesso ao túnel de ventilação do compartimento. Mal tirei o primeiro parafuso quando um sinal toca, sinalizando o fim da gravidade. Sinto meu corpo ficar mais leve, e fica realmente mais fácil desparafusar a grade, já que agora não preciso mais me apoiar na bancada. O lado ruim da falta de gravidade são as ferramentas e pedaços de metal que flutuam na cabine livres e soltos, o que incomoda bastante quando os objetos pontiagudos e afiados tocam em sua pele. Minutos depois — que mais parecem séculos — consigo desparafusar totalmente a grade, mas percebo que muito devagar quando ouço nos alto-falantes o recado de que faltam apenas 15 minutos para o lançamento das nave-socorro.

— Droga! — Digo em voz baixa. A primeira palavra que pronuncio desde que estive com Merly. Não demora muito, a voz dela surge novamente em tom de sussurros em meus ouvidos:

— O que foi? Você está correndo perigo de vida?

— Credo Merly, vira essa boca pra lá. — Digo enquanto me impulsiono para dentro do túnel. — Eu acabei de entrar nos dutos de ventilação.

— O QUÊ?! — Ela parece abismada; as palavras ecoam altas em meus ouvidos desta vez. — A reunião não vai durar muito tempo seu imbecil! Agiliza!

— Obrigado pela parte que me toca Merly. — Digo sarcástico. Uso novamente as minhas mãos para me impulsionar nos dutos. Viro primeiramente à direita e depois à esquerda. Estabeleço o padrão que passei o dia estudando para frequentar os tubos de ventilação mais seguros. Ao virar pelo que parece a vigésima vez sinto o meu estômago revirar e uso minhas mãos para me parar imediatamente. “Tudo bem Píotsy, a gravidade aqui é meio louca.” Penso comigo mesmo imaginando o pequeno desconforto. Mais uma vez me impulsiono para a frente, porém mais forte, e me arrependo imediatamente. Depois de deslizar no ar por alguns segundos sinto uma imensa força de atração abaixo de mim, me puxando como nunca antes. Caio sobre o meu braço, e solto um grito de agonia.

— Ai, meu ouvido Pío! O que foi agora? — Vejo que minha irmã está aborrecida.

— Meu braço direito. Acho que torci o punho.

— Eu disse pra você que a gravidade é estável. Toma mais cuidado e tenta não ficar gritando. Eu estou tentando parecer natural aqui, mas se você não calar a boca vai ficar difícil!

— Ok, foi mal chatice. — Respondo no mesmo tom de grosseria e volto a pensar no que tenho que fazer agora. Utilizando apenas uma das mãos e com a outra imensamente dolorida, começo a me arrastar pelo duto. A gravidade parece querer me puxar cada vez mais para baixo, o que torna meus movimentos lentos e cansativos. O calor insuportável não ajuda em nada. Levo um susto quando percebo que à minha frente existe um buraco — um túnel em vertical que leva para baixo — e que, para continuar a avançar pelo duto em que estou tenho que passar por ele. Meus olhos espiam o local profundo e não consigo ver o fundo.

“Respira Píotsy, você consegue!” Com muito esforço, utilizo minha mão boa para segurar no outro lado do buraco. Me arrasto sem muita dificuldade, me içando quase completamente, até que percebo que meu corpo faz uma ponte entre os dois lados do túnel vertical. A gravidade deste túnel parece ser ainda maior da que tenho que aguentar aqui em cima. Ou é isso, ou estou realmente mais cansado. Me arrasto um pouco mais; meus pés são a única parte do meu corpo que ainda tocam o lado oposto do buraco. Mesmo no espaço apertado tento dar um certo tipo de pulo, que é quase bem-sucedido. Quase. Mesmo com o impulso não consigo fazer minhas pernas chegarem totalmente ao outro lado. Muito pelo contrário: minhas pernas param no meio do caminho e começam a ser sugadas pela gravidade do buraco. Com um grito de agonia tento me segurar no liso duto, mas o túnel vertical parece mais forte.

— Pío, o que é? — Ouço Merly dizer, mas a ignoro. Sei que se respondê-la estarei gastando energia. Minhas pernas continuam a ser puxadas pelo duto, e é cada vez mais difícil me segurar. — Pío! Você está aí? Me responde! — Meus dedos suados das mãos começam a deslizar facilmente pelo duto de metal, embora eu faça tudo para tentar segurar. “Se… segura… Píotsy… você consegue...” Mas eu não consigo. O grito agudo que solto é a minha última demonstração de força antes que eu possa despencar túnel abaixo.

Notas finais
Hu3, sofram com duas semanas de espera. Ah! E na semana que vem teremos um provável POV da Winnie-Ruiva-Linda, então já viu né?! Se você encontrou qualquer erro neste capítulo, de gramática ou concordância, me avise, please, não fique com vergonha